Hollow Spirit - O enigma 917

3 Mudanças são bem-vindas


O dia começou bem animado para Naty, ela finalmente voltaria para Hollow Spirit.

– Faça uma boa viagem! – diz Chris, amiga de Naty. – Lá não deve ser tão bom quanto Oxford, mas...

– Chris! – Naty começara a rir.

– Eu vou sentir sua falta.

– Em breve voltarei – ela diz. – Mas sabe, estou com tanta saudade de Hollow Spirit, dos meus amigos. E principalmente da minha mãe!

– É, eu sei – ele fala debochando. – Talvez eu vá te visitar.

– VAI MESMO?

– Eu disse talvez, Natali – ela ri.

– Tenho que ir. – Os dois se abraçam e Naty parte para o aeroporto, em horas ela estaria em Hollow Spirit novamente.

***

Ney não estava querendo falar com ninguém, ela gostava de verdade de Michael até descobrir que tudo não passava de uma aposta. Decidiu, então, ficar no parque da universidade, sentindo a brisa e pensando no que faria daqui pra frente.

– Se eu não te conhecesse, acharia que estava maconhada. – Gorran chegara do nada e Ney se assustara.

– Eu não sou a Pfeifer – ela diz fria, mas Gorran ri.

– Tá tudo ok? – ele diz.

– Não.

– Se isso te faz ficar melhor, tem um pombo do seu lado. – Quando Gorran disse isso, Ney pulou tão alto que saiu voando pra cima dele. – NOSSA! NÃO SABIA QUE VOCÊ TINHA TANTO MEDO.

– Eu tenho pavo-vor – ela diz, gaguejando.

– Ok, ele já foi – Gorran diz, segurando a risada. – Você já pode sair de cima de mim.

Ney se toca e logo sai de cima de Gorran.

– Você já pode ir embora – Ney diz.

– Vamos dar uma volta? – ele diz, se levantando e erguendo a mão pra ela. A mão se perde no vácuo.

– Não.

– Vamos! – Ele continuava com a mão estendida. – Não vou desistir. – Ney sorri e segura à mão de Gorran pra se levantar e os dois saem andando pelos arredores da universidade.

***

– Nunca lavaram uma louça na vida? – o reitor diz.

– Só não consigo compreender por que o senhor quer que nós lavemos – Sara diz.

– Sara, você é representante da Vebnus, será que podia convencer seus colegas de lavar com você? – ele diz sério.

– Está bem, reitor.

Sara chegara ao saguão da Vebnus e encontrou todos os alunos jogados sobre o sofá a ler qualquer coisa que lhes davam a telha.

– Cambada, levantem-se – Sara diz, ninguém liga pra ela.

– O que foi? – Hanna estava pintando suas unhas e se virou pra Sara.

– O reitor quer que lavemos a louça – Sara diz e ouve resmungos. – Eu sei, eu sei. Poxa, gente, ele nunca pede nada para nós, vai lhes custar à vida lavar uma louça?

– Por que você não lava? – Maria diz.

– Porque é muita, Maria. São pilhas de pratos e copos, sem se falar nos talheres! Então preciso de vocês cinco.

– Ok, gêmea – Tico diz e se levanta.

– Dri, elfa. – Hanna sacode Dri que acorda assustada. – Vamos lavar louça.

Os cinco chegaram e se depararam com milhares de pratos e copos.

– Eu lavo os talheres – Maria diz.

– Só porque tem pouco, né? – Hanna diz. – Eu enxaguo.

– Eu lavo os pratos junto com o Tico – Duda diz.

– Ok, fico com os copos.

– E eu coloco a música! – Paulo chegara com seu celular da Nokia.

– Eita, esse daí é indestrutível – Tico diz, rindo.

Paulo coloca a música e todos começam a trabalhar, e o mesmo pega uma vassoura e começa a varrer a cozinha.

– Diga aonde você vai, que eu vou varrendo, diga aonde você vai, que eu vou varrendo... – Paulo cantarolava. – Vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo...

– TERMINEI, MUNDO! – Maria comemora, pega a espuma e joga na cara de Tico.

– MEU DEUS, EU VOU FICAR CEGO – Tico esfregava os olhos.

– Nem voou no teu olho, gêmeo – Sara diz, rindo e tira a espuma que voou em sua testa. Tico pega a espuma e enfia na boca de Sara.

– Nojento – ela diz, cuspindo a espuma.

– Nem pensem em começar uma guerra de espuma porque eu não to a fim de ficar de detenção novamente – Hanna diz.

– Estraga prazeres – Tico diz.

***

– Todos os alunos venham ao auditório imediatamente. – A voz ecoava por todos os corredores, todos se queixavam e se encaminhavam até o auditório.

– Af, o que será dessa vez? – queixava-se Stefani.

– Boa tarde, alunos! – O reitor falava no microfone, o auditório estava se enchendo. – Enquanto vocês tomam os seus lugares, estarei dando alguns avisos... Aulas extracurriculares estão disponíveis. Sim! Aulas de lutas e dança. E as aulas de teatro vão ser aprimoradas... Mas não viemos aqui pra isso... – ele diz, arrumando alguns frascos em cima da mesa. – Estou aqui pra apresentar a toda a escola a nova cientista e professora da Universidade, a professora Hallugo.

Uma moça adentrara a porta com um salto alto. Ela era loira, tinha as bochechas magras e as maçãs do rosto sobressaltadas e usava um óculos fundo-de-garrafa.

– Boa tarde a todos vocês – a voz irritante de Hallugo ecoou. – Estou aqui para apresentar a vocês um projeto que eu tenho a fazer. Eu criei um experimento e quero a ajuda de alguns de vocês como cobaias...

– Que tri! – Duda diz.

– Homens – ela diz, cortando o barato de Duda. – Bem, eu tenho dois experimentos... Um deles é esse vermelho – ela aponta pra um pote com o líquido vermelho. – Ele serve para deixar as pessoas mais bonitas!

– É injustiça ser só homens, não acha? – Bruna diz. – As garotas também querem ficar bonitas.

– Esse daqui – ela aponta para o líquido azul – deixa os garotos mais habilidosos. Queria saber, quem se habilita a coba...

– VOCÊS SÃO BURROS – uma voz fina de uma criança ecoa pelo salão, era a filha de Hallugo que roubara o microfone. Todos começaram a rir. – AGORA EU VOU EMBORA PORQUE TENHO MAIS O QUE FAZER.

– O QUE FOI ISSO? – Felipe diz, rindo.

As risadas não cessavam e Hallugo saiu correndo para deixar a filha lá dentro e quando voltou pegou o microfone e disse:

– Desculpem... – ela disse, com vergonha. – Onde paramos? Ah, sim. Quem se habilita a cobaia?

Eu me voluntario como tributo – diz Americo. — Ops, quer dizer, cobaia.

Boa parte dos garotos – que não eram muitos – levantaram a mão.

– Seis horas quero todos vocês na minha sala – Hallugo diz. – Estão dispensados.

Antes de todos se levantarem o reitor pega o microfone e diz:

– As inscrições para as aulas extracurriculares estão no quadro de avisos.

***

Ana e Letícia cruzam o corredor levando uma lata de tinta com o que parecia mais um barril com duas toneladas de pedra dentro.

– Tem certeza que isso é tinta? — pergunta Ana, segundos antes de Letícia largar a lata verificar se tinha alguém por perto. — Isso pesa pra cacete. Me ajuda aqui!

Letícia olha com desprezo para Ana.

– Desprezível, escrava — ela segura na outra ponta da lata de tinta e entram no banheiro masculino sem querer. Um garoto que estava lá deu de cara com elas e ficou vermelho. Assim como Letícia e Ana.

– Vocês são... travestis?

Se Letícia não tivesse segurando a lata, esbofeteá-lo-ia.

– Sua mãe, aquela... — Ana puxou Letícia e as duas saíram do banheiro masculino pro banheiro feminino do outro lado.

Quando largaram a lata no chão, começaram a planejar o ataque.

– Ana, pega esses papéis-higiênicos e desenrole alguns. E me ajuda com essa tinta aqui. Pega um balde também.

Depois de reclamar que tem apenas duas mãos, Ana volta com um balde mediano e as duas começam a colocar a tinta dentro dele.

– Ana, cadê a corda que eu te pedi?! — pergunta Letícia olhando para os lados a procura.

– Você não pediu corda nenhuma — fala Ana, com vontade de virar o balde na cabeça de Letícia.

– Pedi sim. E vai buscar.

– Argh! — Ana sai do banheiro e vai a uma sala onde se encontram baldes e outras coisas como vassouras e ferramentas. Ao abrir a porta, ouve um barulho vindo do final da sala. — Hã? Tem alguém aqui? — Silêncio absoluto. Quando acha uma corda acima de um móvel, se depara com um rato e quase morre de susto. Antes de ir, percebe que há uma porta bem escondida atrás de algumas madeiras e dois carrinhos de mão. A porta estava aberta, e aquele barulho que escutara não fora um simples ratinho correndo.

Resolve sair dali em direção a porta do banheiro feminino.

– Toma — e entrega a corda a Leti, que está em cima de uma escada que Ana nem sabe de onde veio, mas também nem resolve perguntar.

Depois de colocar o balde de tinta em uma madeira abaixo do teto e amarra-lo bem a corda, Letícia desce da escada e fica com a ponta da corda nas mãos.

Ela e Ana colocam a escada e a lata em um lugar menos despercebido no banheiro e se escondem atrás da porta. Letícia tira do bolso um presente todo perfeito e coloca exatamente onde estava antes. Ana segura alguns rolos de papel higiênico e um pote de 25 centímetros de puro brilho laranja e vermelho misturado com algumas folhas secas, areia, farinha de trigo e três ovos enquanto Letícia pega o celular e liga para Beatriz Frota.

– Alô?

– Oi, amiga, aqui é a Leti.

– Ah... Oi.

– Então, queria te dar um presente por ser tão legal.

– Poxa... Obrigada?

– Vem pro banheiro feminino, Ok? Estou com o presente aqui.

– Tá.

Beatriz desliga e Letícia e Ana começam a rir.

– E não é que a idiota caiu? — elas diminuem o riso conforme vão ouvindo passos em direção ao banheiro.

– Letícia? — Segundos depois, Ana confirma e Letícia puxa a corda, fazendo toda a tinta cair e dar um banho em Beatriz, que grita sem parar e quanto Ana joga o seu pote de mistura surpresa. Beatriz grita mais ainda, e Ana e Letícia caem no riso enquanto enrolam o papel higiênico em volta da garota.

Beatriz sai correndo e Ana se contorce de tanto rir.

– Valeu a pena todo o esforço — diz Letícia, recuperando o fôlego.

– S-Sim — responde Ana, relembrando o momento em que a tinta transformou Beatriz em um Smurf gigante e rodeado de farinha.

Toda suja de tinta e outras coisas, Beatriz corre atravessando o campus em meio a tanta gente que começa a caçoá-la.

– Esqueceu o absorvente na casa da Barbie, gata? — diz Americo junto de outros alunos da Mercure.

Com raiva, Beatriz corre atrás de Americo, que também começa a correr e chamar a atenção de todos.

– Vão... Argh, se ferrar! — Segundos depois disso, um grupo de dez alunos da Mercure chegam com armas de brinquedo e começam a atirar água não só em Beatriz, mas em todo mundo presente no local. O olho de um é atingido por algo vermelho, mas que não parece ser tinta.

– Mas... Que porcaria é essa?

– Soldados, retaliação total! — grita Rick, chegando numa bicicleta de criança. — Grupo do Suco, atacar a adversária Beatriz por desacato a todos ao dizer "Vão se ferrar!"

– Digo de novo, e aí? — desafia Beatriz. — Vão se fo... — não teve tempo nem de terminar a frase justo quando Americo a atinge com uma coisa amarela na cara. — Que isso não seja o que estou pensando!

– Acho que você está certa quanto ao que disse! — zoa Rick, seguindo Americo e atingindo tudo que se move.

***

Depois do auditório todos foram lanchar. Gabriela, Jay e Hanna estavam famintas e estavam na fila pra comer.

– Nossa, que fome – Jay fala olhando o pedaço de pudim na vitrine.

– O que vocês vão querer? – pergunta a menina da cantina.

– Eu quero aquele pedaço de pudim, uma salada de frutas e um hamburgão– Jay fala.

– Nossa tudo isso é fome, Jay? – Hanna fala.

– Me deixe, estou na TPM, fico assim – Jay fala virando a cara.

– Eu quero uma salada de frutas com leite condensado – Gabriela fala.

– Eu quero uma salada de frutas normal, somente com frutas – Hanna fala e olha as meninas.

– Nossa, que sem graça você — Gabriela fala, as três escolhem uma mesa e se sentam.

– Nossa! Que música bonita essa — Jay fala. — Acho que é Give Me Love do Ed, né? – Hanna assente.

Assim que ela termina de falar a musica para e então começa a tocar Losing it, no mesmo momento Gabriela arregala os olhos.

– Essa música! Minha música — ela diz e bem na hora uma voz surge junto com a música, a voz de Beto.

– Olá pessoal! Eu estou aqui para fazer algo que para mim é muito difícil, mas a pessoa merece, e eu quero a pessoa, então eu faria de tudo por ela. Oi, então... Desde que eu comecei a falar com você, eu já sentia que algo diferente acontecia dentro de mim, e eu sabia que você estava me fazendo um bem imenso, e sabe... Eu queria saber se por acaso, você gostaria de me namorar, Gabriela? – Todos olharam pra Gabriela.

– UAU, como assim? Socorro, nossa! – Jay fala não acreditando.

– Ai, cara eu vou matar ele – Gabriela fala ficando muito vermelha.

– Vai lá, diz “sim” logo — Hanna fala empurrando Gabriela para frente de uma porta onde Beto estava esperando.

– Nojento, não acredito nisso — ela fala e ele solta um sorriso.

De repente todos no refeitório começam a gritar: “Aceita.”

A menina que estava vermelha ficou roxa, mas ela se aproxima de Beto e lhe da um beijo.

– Acho que vou receber esse beijo como um sim, né? — ele fala colocando a mão na cintura dela.

– Não tenha dúvidas — Gabe fala e o beija novamente, todos em sua volta começam a bater palmas.

***

– Enquanto esse povo tá se declarando eu tenho que cuidar desse bebê infernal! – Bah gritava.

– Calma – Leti diz.

– Nossa, é só um boneco – Ana diz.

– Um boneco do inferno – Bah diz. – Vamos ao banheiro.

As três adentram o banheiro e Leti e Ana esperam Bah usar o banheiro.

– AH NÃO! – Bah grita.

– O que foi? – Ana pergunta.

– PUTA QUE PARIU – ela berra. – A MERDA CAIU NO VASO.

– Lógico que a merda vai cair no vaso, onde mais ela cairia? – Leti diz.

– A MERDA EU QUIS DIZER O BEBÊ, LETÍCIA.

Leti e Ana caíram na gargalhada enquanto o bebê chorava alto.

– Parem de rir, inferno – ela diz, tirando o bebê.

– Pega algo pra eu secar – Ana diz.

– Papel higiênico – Leti diz.

– Ou é melhor eu sacudir o boneco, seca rapidinho – Ana diz.

– Vocês não servem pra ser mãe – Bah diz.

– Você deixou ela cair no vaso, cala a boca – Leti diz.

– Cara, ele é um boneco – Bah diz.

– Você nunca vai ser mãe na sua vida, tenha misericórdia.

Ana entrega o papel higiênico pra Bah em meio a gargalhadas. Quando as três saíram do banheiro deram de cara com a professora.

– Oi, professora – Bah diz, envergonhada.

– Por que o bebê chorou tanto? – A professora perguntou.

– Aconteceu um acidente.

– Que acidente, Sra. Baptista?

– Ele caiu no vaso – ela diz de cabeça baixa.

– Nossa, imagine se fosse um bebê de verdade? Barbara, eu passei este trabalho para vocês tratarem como se fossem bebês de verdade! Vou tirar ponto por isso, e garanto, não será pouco.

A professora sai e Barbara corre até o salão da Vebnus para entregar o bebê a Vick.

***

As inscrições para as aulas extracurriculares foi um sucesso. Todos já estavam indo pra determinadas aulas marcadas para o dia de hoje.

A primeira aula de teatro do ano era hoje e todos estavam animados. Todos os alunos já estavam no auditório esperando, quando ouviram alguém chegar, mas esse alguém cantarolava uma música.

– O que eu quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci – o indivíduo era o professor, seu nome era Gustavo Polivski, era alto e tinha os olhos azuis. De longe, nem parecia um professor. – Olá, alunos! Sou o professor de teatro e é um prazer conhecer todos vocês. Antes de tudo, quero que sentem pra termos uma breve conversa.

Todos se sentaram.

– Eu tenho 27 anos, moro na favela de Hollow Spirit, literalmente, e eu amo teatro. Eu tive a ideia de termos a nossa primeira aula já tirando a vergonha de todos aqui presente.

– Fazendo o quê? – Erica diz.

– Dançar funk – ele diz, sério.

– Que? – Arthur diz.

– Tô brincando! – ele ri. – Vamos fazer monólogos.

– Que isso?! – Barbara pergunta.

– Monólogo é uma longa fala ou um discurso com só um enunciador, né? – Danilo diz.

– Isso! – o professor diz. – Quero que façam um monólogo pra próxima aula... Somente isso! Vocês podem ficar com a aula livre hoje. – Então ele liga o seu som e começa a tocar a mesma música que ele chegou cantarolando.

– Vocês brasileiros são estranhos – Sara diz.

***

– Atenção, alunos. Chamo-me Zendaya, e serei a vossa professora de Yoga, ahmmm — fala a professora, juntando as mãos. – Irei fazer uma pequena chamada para ver se todos que se inscreveram estão aqui. Eduarda?

– Aqui.

– Ellen?

– Presente.

– Olha, um menino! Humberto?

– Presente.

– Sara?

– Oi

– Tudo bem?

–Sim.

– E Vivian?

– Aqui professora.

– Então, são poucos os membros aqui presentes, mas é assim mesmo, quanto menos, melhor.

– Professora, o que vamos fazer aqui? — Pergunta Elli.

– Primeiro, vamos nos concentrar no nosso Eu interior, sentem-se e fechem os olhos, esqueça-se de tudo, e se concentrem em vocês. — A professora fala e a sala toda se senta e fecha os olhos, o silêncio fica absoluto, até que...

– OLÁ, CAMBADA — Jay entra gritando, e todos dão pulos de sustos.

– O que você esta fazendo aqui, moça? — A professora pergunta tentando não ficar eufórica.

– Viemos para a aula — fala Sara Cirino sem parar de rir.

– Então estão no lugar errado, aqui é aula de yoga e não de opera — Elli diz, ficando nervosa.

– Calma ,amor. Vendo você nervosinha assim até me faz pensar em mudar minha opção sexual, hein?! — fala Jay maliciosamente.

– Saiam, não quero vocês aqui — fala a professora. — Vocês acabaram com a minha aula.

– Nossa, eu não queria mesmo — Fala sara.

– Saiam, SAIAM — a professora se exalta.

– PROFESSORA CALMA, VOCÊ É A ZEN DAQUI — Jay fala morrendo de rir. — Estamos saindo.

Sara e Jay saíram da sala passando mal de tanto rir, a professora não conseguiu continuar a aula e dispensou os alunos.

***

Danilo e Liza voltavam rindo pela rua das irmandades. Eles estavam debatendo sobre dançasque marcaram sua vida pra sempre.

– Nem comece com Lepo Lepo — diz Danilo, quando Liza para e afasta as pernas. — Tenho uma bem melhor.

Dan larga a mochila, deita no chão e tenta ridiculamente fazer quadradinho de oito.

– Ainda bem que falhou — ri Liz.

– É, mas essa é impossível de falhar.

Ele para, estica os braços e começa a fazer movimentos aleatórios enquanto canta Ragatanga.

Liz dá altas gargalhadas, e até um sujeito no outro lado da rua ri.

– Vai lacraia. Vai lacraia — diz o sujeito cujo nome é Mick, que segura uma câmera na mão.

Dan faz sinal com o dedo do meio pra ele e segue para a Mercure, acompanhada por Liz.

Eles se surpreendem ao passar pelo jardim e ver Gabi triste ao lado de uma cruz.

– O que houve? — Pergunta Liz.

– O Remela morreu — diz ela.

– Só dormir de novo — ri Dan, mas Gabi nem liga. — Ok, quem era Remela?

– Meu gato. Se vocês o amavam e querem dizer algo a ele, podem dizer agora. Obrigada.

Liz se aproxima e fala:

– Não conhecia o Remela, mas descanse em paz.

– Que você vomite bolas de nuvens no céu — diz Dan.

Gabi encerra o pequeno funeral de Remela e eles entram para a mansão.

– E aquele outro gato? Você não tinha dois? — pergunta Dan.

– Sim, mas ele era meio burrinho e quando me mudei pra cá, ele foi dar uma volta e nunca mais voltou — diz ela. — Deve ter se perdido.

Danilo começa a rir, e Gabriela não entende o porquê de tal.

– Que ótima dona você é.

– Vai se foder — Gabi ataca um travesseiro na cara dele.

***

Após todas as aulas, alguns voltaram para suas irmandades. Netto, Vick e Erica estavam fazendo suas atividades cotidianas, assim como todos os alunos da Eruptidus, quase nenhum deles estavam lá fora conversando e se divertindo, porque estavam cientes do que precisavam fazer.

– A Barbara não serve pra cuidar de nenhum bebê – Vick diz, calma. – Eu consigo cuidar dele e fazer atividade e ele nem sequer chora.

– Claro, a diferença entre você e a Barbara é muita – Erica diz.

– Não sei por que a Barbara faz psico. – Netto diz.

– Psicopata, só se for – Álvaro diz e todos riem.

O bebê logo começa a chorar e Vick começa a balançá-lo.

– Enfia uma rolha nessa coisa – Vivian diz.

– Gente, esse professor de teatro é bem legal! Alguém pode me ajudar a fazer um monólogo? – Carol diz.

– Eu ajudo, Carol – Julia diz.

– OLÁÁÁÁÁÁÁÁ! – Uma voz bem alta adentrou o salão da Eruptidus e todos avistaram Naty.

– NAAAAAAAATY! – Erica saiu correndo assim como os demais.

– Como eu estava com saudades de vocês! – Naty abraçou todos e contou um pouco de como era estudar em Oxford.

***

O domingo chegou e todos estavam animados porque finalmente teriam um dia livre pra fazerem o que quiserem exceto os garotos que decidiram ser cobaia da professora Hallugo. Logo cedo todos já tinham sido convocados para a sala dela, pra uma pequena reunião.

– Olá, meus queridos. Hoje é o dia da cobaia, quero que se sentem e levarei um pouco pra vocês! Primeiro beberemos o vermelho.

– Professora, tem contra-indicação? – Max pergunta.

– Temo que não – ela disse colocando copos um do lado do outro e enchendo do tal líquido. Então, ela passou entregando um copo pra cada um. – Podem tomar. – Um sorriso se forma no rosto de Hallugo.

– Falarei o nome de vocês e somente levantem a mão pra eu ter a certeza de que não falta ninguém – ela diz, pegando uma lista. – Paulo, Tiago, Áxel, Beto... – Ninguém levantou a mão, mas logo um barulho imenso ecoou da porta, era Beto.

– Desculpa o atraso – ele diz, ofegante.

– Tudo bem, meu rapaz. – Ela diz, sorrindo. – Tome esse aqui. – Ela deu o copo pra ele e logo o mesmo bebera. — Beto, Americo, Timbó, Gorran, Felipe, Aljarilla, Arthur, Arruda, Max, Victor, Vivaldo, Tonioli, Coelho, André, Danilo e Augusto – ela fecha a lista. – Falta alguém?

Tudo fica silencioso.

– Ok, estão dispensados.

***

Beto saíra da sala da professora Hallugo com uma imensa dor de cabeça, ele deduziu que devia ser de tantos deveres que o mesmo fizera. Então seguiu para o salão da Vebnus o mais rápido possível, mas no caminho encontrou Maria.

– Oi, Beto – Maria diz sorridente e Beto colocou a mão na cabeça.

Antes mesmo que Maria pudesse perguntar se tudo estava bem, Beto a agarrou e a beijou, empurrando-a para o armário de limpeza atrás deles e fechando a porta. Beto a beijava, a mesma não conseguia se soltar. Ele tirou sua blusa. Ela tentava sair, mas ele era mil vezes mais forte do que ela.

– Beto, o que você está fazendo? – Maria diz, ofegante. – Por que está sendo tão bruto?

– Vai me dizer que você não quer? – ele abaixa o short de Maria.

– Beto, me solta... – Maria berrava, mas Beto tampara sua boca.

Beto a penetrara e os gritos de Maria ficaram abafados pela mão de Beto, e quando Maria estava inconsciente Beto vestiu sua roupa e saiu.

Quando saiu, avistou Ricardo.

– Beto, está tudo bem? – Ricardo perguntou, porque sua feição não estava nada boa.

– Melhor do que nunca – Beto diz. – Vou até a professora Hallugo, até mais.