Hollow Spirit - O enigma 917
10 Hallugo está de volta
Como combinado, Triza, Toni, Paulo, Hanna e Alexandre haviam se encontrado no laboratório de química, após o programa de casais ter terminado e todos os alunos irem para o parque de diversões, menos eles, é claro. Só estava faltando Americo para começarem a por seus planos em prática.
– Quer saber, vamos sem ele — diz Paulo. — Onde fica o laboratório?
– No corredor D — diz Hanna. — Estamos no A, vamos.
– Mas não podemos ir sem ele — diz Triza.
– Depois ele nos encontra — fala Alexandre.
Eles seguem em silêncio pelos corredores escuros. Graças a um mapa que Triza arranjou, conseguiram chegar rapidamente ao laboratório onde seja lá quem for trabalhava secretamente.
– Vamos arrombar — diz Paulo.
– Só se for o seu ânus — diz Triza. — Se nos pegarem, nós estamos fodidos.
– E como espera que entramos?
– Com a chave, óbvio — diz Hanna, tirando uma chave do bolso e abrindo a porta. — Sim, eu roubei.
A porta se abre e eles entram. Toni acende as luzes.
Eles se encontram em uma sala altamente equipada, com todo o tipo de material pra química, incluindo frascos e mais frascos. Tudo isso estava espalhado por duas mesas de concreto enormes que iam de ponta a ponta da sala. E no final do corredor entre essas duas mesas, havia uma mesinha com três cilindros grandes de vidro: um azul, um vermelho e um verde.
– Já vi isso antes — diz Paulo. — Em algum lugar, mas não lembro.
– Viu o que? — pergunta Alexandre.
– Aqueles cilindros no final da sala.
Eles se aproximam dos cilindros e, ao chegarem ao fim da sala, reparam em um projetor de imagem virado pra uma parede. Ele estava ligado a um notebook.
Triza liga e aperta play em um vídeo que estava na tela. Eles já tinham visto esse vídeo antes.
"... Essas substâncias serão desenvolvidas para o bem da humanidade, dando beleza e melhorando a qualidade de vida das pessoas" — A voz que falava no vídeo era da professora Hallugo, e esse era o vídeo que ela tinha passado no auditório — "... Os atletas ficarão mais potentes, os seguranças serão imbatíveis e assim teremos mais tempo de vida para aproveitarmos. Seremos deuses".
O vídeo acaba. Triza clica em outro vídeo. Este, não é um documentário ou uma apresentação. É um teste científico.
– Aquela é a Isadora da Dazer — disse Toni, apontando pra uma menina em uma maca.
– E esse é o Victor — fala Paulo, apontando pra um menino na maca ao lado.
A Prof. Hallugo aparece no vídeo com uma seringa enorme com um líquido azul.
– O menino ficará mais elegante — diz ela, injetando a substancia na veia dele. — E a menina ficará mais resistente — Isadora faz uma cara de dor ao receber o líquido vermelho de outra seringa.
Hallugo sai de cena enquanto eles se mexem na maca. Depois de um tempo, eles pearam.
Victor se ergue na maca e fica com uma postura diferente. Está mais alto, suas espinhas sumiram e seu cabelo brilha.
– Como está se sentindo, Sr. Bragança? — pergunta Hallugo.
– Ótimo — diz Victor, com uma voz que não é dele.
– Mas que porra é essa? — pergunta Paulo.
– Não, que PORRA É ESSA? — Alexandre dá ênfase quando Hallugo oferece uma barra de ferro à Isadora, que a entorta rapidamente.
O vídeo acaba e as pessoas ali presentes ficam pasmas.
– Ela não está melhorando as pessoas. Está transformando-as em outras — diz Hanna.
– Melhor ser outro do que ser imperfeito — diz uma voz feminina e irritante, a mesma voz presente nos vídeos. — Peguei vocês — diz Hallugo.
– Só me pergunto o porquê — diz Triza.
– Por quê? Simples: a humanidade tem que evoluir. E isso me tornará uma cientista rica e famosa — diz Hallugo.
– Vão é te prender, isso sim — diz Toni.
– Todos irão gostar. Quem não iria querer ter beleza e força infinita? O que as pessoas têm que é melhor que isso?
– Sentimentos — diz Paulo.
– Ah, sentimentos são pura química. A substância vermelha desperta a raiva, por exemplo — diz ela. — Sentimentos são tão recriáveis como vocês.
– Se o cilindro azul tem beleza e o vermelho tem a agilidade, o que tem no verde? — pergunta Alexandre.
– Vocês saberão agora — Hallugo faz uma pausa e saca um tipo de pistola do bolso. Havia quatro dardos com líquidos verdes prontos para serem atirados. — Boa noite.
Ela aponta pra Paulo, o mesmo tenta desviar, mas o dardo o atinge no ombro. Depois é a vez de Hanna, que também é atingida no ombro, e Toni, que é atingido no peito. Ela mira em Triza, mas Alexandre se joga na frente. Todos os atingidos apagaram, mas estão respirando.
– Eles estão inconsciente — diz Triza — Mas parece que seus dardos acabaram não é? Seria uma pena se alguém chamasse a polícia.
Triza tira seu celular do bolso, mas uma mão agarra seu braço com força, fazendo com que ela deixe o celular cair.
– Seria uma pena se eu tivesse uma menina forte ao meu favor — ri Hallugo. — Leve-os para a jaula. Vamos ver se da pra melhorá-los.
***
Os membros da Mercure estavam conversando sobre o programa. Exaustos após o parque, estavam na cozinha tomando refrigerante e comento pizza.
– Acho que alguns relacionamentos acabaram — diz Dan.
– E outros começaram — fala Maria.
– O que importa foi que ri muito quando eles não sabiam responder e ficavam com cara de bunda — diz Rick.
– Eita — Americo pega seu celular. — 12 ligações perdidas da Triza.
Todos murmuram "Hmmmm", maliciando.
– É do clube de livro, esqueci que tinha reunião hoje — ele se explica.
– Você lê? — pergunta Liz.
– Sim, algum problema?
– Nenhum, só não esperava isso de você — ela ri.
– Ah, enfim, vou indo.
Ele sai apressadamente, querendo dizer que não é só um clube de livro, mas não podia.
***
Na sala da Dazer, eles faziam o de sempre: bebiam, atiravam dardos, jogavam sinuca, ouviam música alta e etc. Parecia mais um bar do que uma irmandade.
– Aleluia eles resolveram se assumir — diz Bah, olhando para Ana e Felipe que se beijavam num canto da sala.
– Aleluia nada. Nunca os imaginei juntos — fala Letícia.
– Do contra você.
– Vai cagar.
– Vai você.
– Cortando a discussão, aposto meu tênis que isso não dura — fala Aljarilla.
– Na verdade dura, eles são igualmente retardados — fala Letícia. — Se merecem.
– Lekinha, me passa seu número — diz André.
– Pra que quer meu número? — pergunta ela.
– Pra colocar como nome de uma página que não vai ser.
– Ah, vai cagar.
– Já fui.
Tudo corria normalmente, até todos começarem a bocejar. É anormal todos ficarem com sono antes das cinco.
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