Hollow Spirit - O enigma 917
5 Cuidado com as caixas d'água
Notas iniciais
– Você tem certeza disso, chefe? — perguntou um dos dez encapuzados a Augusto.
Com um cigarro entre os lábios, a voz do chefe saiu mais diferente do que de costume.
– Lógico que sim. — Augusto fez um gesto para todos os encapuzados saírem enquanto outra pessoa adentrava pela porta dos fundos.
– Nunca imaginei que iríamos nos encontrar novamente... — era Matheus, e estava com uma cicatriz recém-formada perto do queixo. Ele e Augusto se abraçaram.
– O que houve com seu rosto? — Augusto perguntou, em meio as fumaça que saíam de sua boca.
– Parceiros de cela — Matheus disse, rindo.
Depois de um tempo, os dois concluíram.
– Então é só isso? — perguntou Matheus com desdém. — Esse é o temível plano?
– Você não se lembra de como era estudar e morar lá? — Augusto pegou o seu banco e aproximou-o do de Matheus — Não é porque são apenas universitários que significa que não irão reagir se souberem de nós... Aquele pessoal é maluco.
– Está bem. — Matheus jogou um mapa grande e outro médio sobre uma mesa suja e muito empoeirada. — Eu conheço a subdivisão dos prédios dessa universidade. O menor prédio é composto pelas salas de professores e seus quartos. Fiquei sabendo que ela ficou com o quarto do antigo professor, ou seja, é perto de uma das entradas subterrâneas mais velhas. Ela não foi usada por nenhum de nós por simplesmente ter um enorme X em sua entrada... — Matheus olhou para o relógio como se estivesse lembrando-se de alguém e voltou o olhar para o maior mapa. — Há essa opção de ir por baixo, mas também há a de ir pela superfície... Bem, isso não importa agora. Como eu disse antes, o nosso alvo está aqui.
– Está mesmo lá? — pergunta Augusto, apreensivo.
– Não tenho certeza, no entanto vale checar. Mas voltando ao problema inicial, podemos ir pela frente e passar perto das irmandades... ou ir pela entrada subterrânea.
– O mais lógico seria ir pelo subterrâneo, mas pela sua cara, talvez não dê.
– Não é por isso — Matheus se vira para Guut. — A entrada nos leva direto, mas ela é muito velha. Pode ser que desabe, e se desabar, estamos ferrados.
Houve um pequeno silêncio até um deles voltar a planejar. Guut enrolou os dois mapas e chamou os seus encapuzados.
– Temos que roubar alguns experimentos. — Matheus estranhou o jeito como ele liderava. — Se forem pegos, é melhor não contar nada. Ou...
– Você nos mata — completou um deles.
***
– Estou encerrando o experimento, mas é limitado, logo voltarei com ele mais evoluído... — Hallugo dizia enquanto andava. — Sei que alguns não vão querer parar com o experimento, mas prometo que em breve voltarei com eles. O professor Benjamin também irá me ajudar com o mesmo, então não demorará tanto assim, estamos entendidos?
Todos os alunos assentiram, a reunião de sexta estava sendo muito cansativa — a reunião de sexta era aquela reunião em que todos os professores, alunos, diretores, faxineiros e as tias da cantina se reuniam para discutir sobre a escola, seminários, novidades e trabalhos -, portanto, todos estavam desanimados e alguns garotos nem ligaram para o fato de o experimento ter acabado, mas alguns sim.
– Não, professora! — Americo disse. — Pelo bem da minha castidade, continue com o experimento.
– Meu rapaz, a castidade é sua, eu não quero o bem dela — ela disse, rindo.
– Mas professora, e quanto a nós? — Felipe disse. — Minha pele não pode ficar ressecada.
– Quem é você e o que fez com o Felipe? — Ingrid disse, horrorizada.
– Usaram poção polissuco, não é ele — Barbara disse.
– Irmão? — Daniela diz. — Me dá um soco, me xinga, mas pelo amor de Deus, não fale sobre a sua pele.
– ESTÁ ENCERRADO! — ela deu um pequeno grito. — E PRONTO FINAL.
O silêncio reinou até o reitor tomar a frente.
– Sei que essa reunião está cansativa e tudo o mais, mas chegaram novos alunos e quero que vocês deem boas vindas... Sem cerimônias, até porque todas as vezes que algum aluno entrou, eu nunca fiz recepção especial — ele disse, rindo -, mas quero que vocês, alunos da Vebnus, deem boas vindas para Yasmim, Janine e Alexandre Augusto.
Alguns estavam entediados, outros elétricos para conhecerem seus novos colegas.
– Será que ela é bonita? — Áxel disse tentando irritar Sara.
– Áxel! — Sara disse e se virou para o lado de Julia.
– Ele só quer te irritar... — Julia disse, colocando a mão na testa.
Yasmim e Alexandre entraram — Yasmim era baixa, tinha os cabelos jogados em seu rosto e trazia consigo grande confiança.
– Ela é emo! — Bruna disse e começou a rir.
– Não seja má! — Naty disse.
– Cale a boca — Bruna concluiu.
Já Alexandre, entrou tropeçando e se sentou perto de Yasmim. Logo depois Janine entrou e se juntou aos seus colegas também.
– Então é isso, podem ir aos seus fazeres — o reitor dissera e todos se levantaram, alguns gritavam amém, outros gritavam "ah não" porque estavam indo para mais uma das aulas chatas semanais.
***
Tudo poderia estar sério na universidade, mas a professora de Anatomia sempre chegava com o seu animo contagiante na sala de aula. Todos os alunos levavam a aula de Anatomia como uma brincadeira, pois a professora Thais a fazia como uma brincadeira.
– Então, uma das coisas que eu aprendi na minha faculdade é que por mais que as coisas estejam ruins, a anatomia nunca vai estar ruim, porque o corpo humano é uma coisa maravilhosa – ela diz entregando algumas folhas. – Tô afim de ler um pouco, quem quer começar?
– Eu leio – Dio diz.
– Do começo, querida – ela diz e a sala olha pra ela com uma cara de “jura?”
– Anatomia, não é uma ciência morta, pois é através dela que os profissionais da área de saúde...
– Eu – a professora disse, animada e dando pulinhos. – Eu sou a profissional.
–... adquirem conhecimentos dissecando ou observando o corpo humano – Dio concluiu e Virgínia continuou.
– A Anatomia tem os seus primeiros relatos desde o início da civilização, a partir do instante em que o homem passa a observar em outro homem...
– Observar outro homem, vocês estão vendo como a safadeza vem de muito tempo? – a professora comentou e todos riram.
–... e em outros animais. O homem pré-histórico, já observava a sua volta a existência de seres diferentes de seu corpo, os animais. Com isso, passou a gravar nas paredes das cavernas e fazer esculturas das formas que via...
– "Faziam esculturas e gravava nas paredes". Essa era a masturbação do século deles, eles desenhavam o homem na parede e usavam aquilo como uma forma de sedução. Estou falando sério – ela disse.
– Com isso, passou a notar detalhes que hoje nos permite identificar as espécies animais – Virgínia terminou de ler e Luiz continuou.
– Da simples observação, passou-se a prática da dissecação, o que levou a anatomia a se firmar como princípio fundamental da prática na ''área da saúde'', a anatomia é uma antiga ciência médica básica.
– Mas professora – Stefani questionou – a Anatomia deveria ser uma ciência morta, não?
– Não, minha querida. Pra lhe esclarecer, leia o texto da página 87 e entenderá tudo. Quem continua?
– A história do uso do cadáver humano – Gabriela começou – retrata que o meio mais antigo de que se tem conhecimento para conservação de cadáveres é a mumificação, este método era praticado pelos egípcios com finalidade religiosa e não para preparar cadáveres desconhecidos. Acreditava-se que os mortos continuariam vivos no tumulo, porém era uma graça concedida apenas aos nobres e reis, como pode ser observado pela cabeça mumificada do Faraó Ramses V... Que nome do capeta! – ela disse tentando ler e logo continuou:
– No Egito dos faraós, há mais de 5.000 anos, desenvolveu-se esta técnica de embalsamento, permitindo os primeiros estudos anatômicos das doenças.
– Bom, alguns de vocês acham esse assunto tão chato e banal, mas a anatomia é uma coisa maravilhosa, meus amados. Só de ler esse texto, me dá arrepios! – ela disse rindo. – Mas quero que leiam a página 87 como dever de casa e na próxima aula, farei um seminário.
O sinal tocou e todos saíram para o refeitório. May se assustou ao chegar ao refeitório e dar de cara com três homens baixinhos, vestidos de terno com um grande rabicó, todos tinham bigodes engraçados e estavam com violões. Mas não foi isso que mais a impressionou e sim, nada mais nada menos, que Americo parado no meio com um grande buque na mão. Logo os três começaram a tocar um tipo de música muito romântica e Americo se aproximou de May.
Gritos ecoaram.
– May... – ele disse.
– Quem é você e o que fez com o Americo? – ela disse, mas ele ajoelhou e os gritos aumentaram. – Americo! – ela disse, com os olhos cheios de lágrimas e colocando a mão na testa.
Então ele tirou uma caixinha do bolso.
– Mayara... – ele disse, esperançoso. – É com você que quero passar o resto da minha vida. Aceita passar a eternidade comigo?
Os gritos não deixavam May pensar, ela estava amando tudo aquilo, mas nunca que Americo faria uma coisa daquelas, não o Americo que ela conhece.
– Claro! – ela disse e ele a abraçou.
Quando os dois se sentaram perto dos colegas, todos se acalmaram.
– Os pombinhos! – Dio disse.
– Cuidado que pombo gosta de cagar na cabeça alheia – Bruna disse.
– Oi Dani – Paulo disse à Dani, que estava do outro lado da mesa, todos olharam para ver.
– Por que diabos você está falando comigo, Paulo? – Dani diz.
– Isso que amigos fazem... – ele disse, mas logo se arrependeu de ter dito aquilo.
– Amigos, Paulo? – Dani diz. – Às vezes acho que você não pode ser mais ridículo do que você já é, mas você sempre me surpreende.
Paulo se calou.
– Cara, você ficou sabendo do que o Americo disse de você? – Janine chegou à Letícia e disse.
– Não, quem é você? – Letícia disse.
– Sou a aluna nova! Ele disse um monte de coisas, que creio eu, sejam mentira, para metade da faculdade! – ela disse.
– Tipo?
– Ele disse que você já fez pelo menos cinco boquetes em garotos da universidade!
– Hã? Por acaso me chamo Ana Pfeifer?
– Eu estou falando sério!
Letícia se levantou.
– Não, Leti! – Jay diz. – Não vai lá...
Ela não deu à mínima e foi até a mesa de Americo.
– Então... – ela disse alto. – Cinco boquetes, né?
Ela pega a bandeja de Americo e joga no chão. May se levanta.
– O que você tá fazendo, Leti? – May diz assustada.
– Seu namorado inventou um monte de coisas de mim e saiu espalhando para a faculdade inteira, fala mais disso, Americo. Só que dessa vez, fala pra mim.
– É verdade isso, Americo? – May pergunta.
– Claro que não! Eu não sou capaz nem de receber um boquete, e você acha que vou espalhar uma coisa assim sobre ela? Falar de boquete é coisa pra gente sem juízo.
– O que está acontecendo com você? – May perguntou.
– Quem disse isso pra você, Leti?
– A Janine.
– Quem é Janine? – Bruna perguntou.
– Não é a amiga do Rick? – Ana chega perguntando.
– Não, não é amiga do Rick – ele pareceu fugir do assunto. – Eu não disse nada sobre você, ela mentiu.
– Veremos.
Todos terminaram de comer e seguiram para seus afazeres.
***
– Vou me trocar – Jay fala para Letícia e Stefani subindo as escadas.
Ela começa a folhear um caderno quando entra em um quarto e escuta um pequeno grito.
– Nossa, desculpa! Entrei no quarto errado – Jay fala para Elli que estava só de calcinha e sutiã. – Socorro.
– Sem problemas! Antes de você ir, você pode me ajudar a tirar isso?- Elli fala para Jay
– Tirar o sutiã? Você tem certeza? — Jay pergunta a ela com uma cara de “hoje vai ter”, Elli acena com a cabeça que sim.
Jay tira o sutiã dela, e Elli vira para Jay, as duas ficam com o rosto quase colados, até que Jay coloca a mão na cintura dela e a beija, Elli deixa e sutiã cair de sua mão, a fazendo ficar totalmente nua na parte de cima, as duas não param de se beijar até que Jay resolve parar.
– Nossa desculpe, eu não sei o que me deu – ela tenta se desculpar.
– Eu sei, foi à mesma coisa que aconteceu comigo — Elli fala e agarra Jay.
As duas voltam a se beijar, até que Elli joga Jay na cama e começa a tirar sua roupa, depois que as duas estão nuas, elas voltam a se beijar intensamente, os seus corpos fizeram uma união perfeita e a vontade de continuar aquilo era cada vez maior, mas foram surpreendidas por alguém batendo na porta.
– Qual é? Isso é filme agora? – Elli grita.
– ELLEN? – A voz de Letícia ecoou. – VOCÊ VIU A JAY? ELA DISSE QUE IRIA PARA O QUARTO E NÃO ESTÁ LÁ.
– NÃO, NÃO VI – grita Elli, ofegante.
– Ela vai querer entrar, eu preciso me esconder – cochicha Jay.
– Não, fica na sua – Elli cochicha de volta.
– Sai.
– Quem tá ai? – Letícia pergunta, confusa.
– Ninguém... – Elli diz. – É só minha colega de quarto!
– E sua colega de quarto não sabe onde está a Jay? Ajuda-me a achar ela, por favor.
– Estou indo – Elli diz, bufando de raiva porque não ia continuar aquilo. – Continuamos depois, ok?
Jay se escondeu dentro do armário e Elli abriu a porta, Letícia já entrou.
– Ué, cadê sua colega de quarto? – Letícia pergunta, confusa.
– Ela é invisível, vamos – Elli diz e Letícia a segue.
***
Sobre a mesa, dezenas de papéis estavam espalhados e um grande notebook acabara de ser desligado no momento em que Beto adentrava na sala.
– Pois bem... — o diretor ofereceu uma cadeira a Beto e, com raiva, pegou os papéis da mesa e os descartou no ar. Muitas das folhas demoraram muito para finalmente encostarem-se ao chão. — Está vendo os papéis?
Beto assentiu, calado.
– São reclamações e reclamações. Sabe de quem?
– Não faço ideia — responde Beto, confuso.
O diretor pegou uma das folhas e a apontou diretamente a centímetros do rosto de Beto.
– As reclamações dos pais! Você não tem consciência, não é?!
Beto tentou argumentar, mas foi interrompido novamente.
– Dezenas... Dezenas de pais reclamando sobre o acontecimento que você causou! Alguns querendo tirar os filhos do que eles chamam de "pior universidade" porque um garoto se satisfez de uma forma tão injusta!
– Me desculpe — tentou Beto.
– Eu só lhe peço duas coisas, Sr. Diniz... Descreva o que realmente aconteceu. Eu não quero ouvir por outras pessoas, mas do senhor! Poupe os detalhes.
– Eu não lembro... Eu não fiz isso. Eu não sou capaz de fazer uma coisa dessas, ainda mais com uma garota tão gente boa!
– Então você não fez nada, não é? — o diretor alterou sua voz. — Além de cometer um crime você também é mentiroso profissional? Você tem sorte... A estudante não deu queixa e muito menos espalhou a notícia para autoridades com exceções dos pais! E olhe que ela é a vítima!
Beto ficou calado, sem nem se mexer.
– Por alguns motivos, você não será expulso, Sr. Diniz. — Um grande alívio tomou conta de Beto. — Mas não ache que ficará sem punições. Você será suspenso por cinco dias e quando voltar, detenções até... Até eu decidir quando parar — o diretor suspirou fundo e Beto ainda continuava sentado. — Agora vá. Seus pais virão lhe buscar amanhã.
Beto saiu devagar e fechou a porta.
– Essa universidade está me deixando louco — disse ele, olhando para o céu e de repente tropeçando em uma grande pedra. — Pronto... Agora só me falta morrer aqui.
***
A festa da Vebnus estava prestes a começar e todos lá estavam animados. Hanna e Duda estavam arrumando a decoração enquanto Sara, Nati e Dri cuidavam da comida. Os garotos: Arthur, Áxel, Tiago, Vivaldo, Paulo, Luiz, Beto e Toni estavam bebendo e pegando o sol — que por milagre, estava um pouco forte -.
– Sara, como anda o romance? — Nati pergunta pra Sara enquanto colocava azeitona em sua salada.
– Hã... ah — Sara olha de leve para Áxel e depois para Nati. — Foi mais um lance físico.
Quando Sara disse isso Dri avistou Vick, Julia, Triza e Netto. Os quatro alunos da Eruptidus que haviam sido convidados.
Após toda a arrumação e reclamação de "Ai meu Deus, isso aqui podia estar melhor" acabou, mais convidados começaram a chegar. É claro que, nem toda a universidade foi convidada, já que era uma festa da Vebnus.
Muitos dos convidados já pegavam uma bebida ou comiam algum petisco que por sinal estavam além de belos, muito gostosos.
– Sara, isso tá realmente bom, qual é o seu número pra te contratar? — Americo disse.
– Olha só esses salgados — Rick quase se jogou em cima da mesa.
– Está tudo lindo, Sarinha! — Erica disse.
– Obrigada.
A irmandade sabia realmente como dar uma festa, porque todos os presentes se divertiam. Havia drinks e mais drinks, sem falar em pessoas pulando na piscina ou pegando uma cor no sol. Rolou até guerra d'água, como de costume.
Risos vinham de toda a parte, mas algumas pessoas presentes pareciam rir de uma forma forçada, como se escondesse a raiva por debaixo da alegria.
– Arthur, me defenda — brinca Dani, quando pegam Nerfs de água e começa o tiroteio.
– Se vai defender, que tome água — Paulo ri forçadamente, e atira contra a cara de Arthur. O mesmo pega uma pistola e retribui o ataque. É um pouco esquisito o que acontece, pois os dois só se atacam, e Dani nem estava mais na mira de Paulo.
– Acho que a brincadeira acabou — ri ela, mas eles continuam a atirar, com os olhos vermelhos por conta da água. — Já chega! — Dani assume um tom mais sério.
Mas eles nem se movem.
– Parem agora! — ela tira arma de Arthur. Paulo joga a dele no chão.
Todos observam a cena. O clima tenso pairava sobre o local, pois eles se encaravam intensamente, sem ao menos piscar.
Paulo e Arthur se aproximam um do outro, como se fossem se beijar.
E então, acontece algo bem surpreendente. Paulo soca Arthur.
Arthur cospe sangue, que escorre de seus lábios. Ele, então, contra-ataca socando seu nariz.
Paulo espirra sangue, e pessoas tentam separá-los, mas eles continuam a se bater. Não conseguiam contê-los, nem mesmo dois alunos da Dazer, que estão acostumados com violência. É como se eles lutassem há anos.
Como eles não são de ferro, no fim, conseguiram se contiver. Foram para cantos diferentes da festa. Dani foi ajudar Paulo, apesar de tudo o que houve. Precisava saber o que causou aquilo. Talvez ciúmes? Mas Paulo não é do tipo que briga, muito menos com um amigo.
– O que houve? — Pergunta ela.
– Vá embora — diz ele, segurando um pano úmido no nariz.
– Quero saber por que fizeram aquilo.
– Já disse pra você ir embora! — grita ele.
Dani se vira, mas há tempo o suficiente de ver lágrimas a beira de escorrer dos olhos vermelhos dele.
***
André estava deprimido, como sempre. Ele não sabia por qual razão estava se sentindo daquele jeito, mas só estava. Enquanto todos os seus colegas bebiam, brigavam e faziam tudo que tinham direito, André estava sentado lá fora na calçada da Vebnus e estava com a certeza de que iria se matar. Estava com uma navalha na mão.
– Se quer mesmo se matar, corte na vertical invés de na horizontal! — Letícia havia chegado, assustando André.
– Obrigado pela dica — ele disse, frio.
– Ah, por favor, né? — Letícia diz. — Sei que você não tem coragem, é mais fácil cortar o pulso dos outros do que o seu.
– Você não sabe de nada sobre mim.
– Ui, tá com raivi... — Letícia não pôde terminar porque André introduziu a navalha em seu braço, na vertical. Ele deu um grito de agonia e o sangue começou a descer. Letícia olhou sem acreditar e deu um soco na cara de André.
– Você é maluco, garoto? — Ela deu um tapa nele novamente. –Meu Deus, André!
Letícia o levou até o saguão da Dazer, subiu e pegou os seus remédios que nem ela mesma sabia por que os tinha.
– Isso vai doer um pouco — Letícia disse passando o pano sobre o braço de André pra tirar o excesso de sangue. O mesmo se contorceu, mas quando Letícia jogou o remédio foi mil vezes pior.
– Fique quieto.
– Me lembre de nunca mais fazer isso.
– Da próxima vez eu dou um soco mais forte — Letícia disse.
Ela fez o curativo e conseguiu animar André pra voltar à festa, o mesmo assentiu e os dois seguiram para a mansão da Vebnus.
***
Enquanto a festa rolava, Michael estava no térreo da faculdade olhando lá de cima. Ele não tinha mais nada de produtivo a fazer, então decidiu ficar lá, sentado, observando a brisa.
– Deixe-me adivinhar... – Suuh chega. – Maconha?
– Não! Só estou vendo a paisagem.
– Sei... Vou te deixar sozinho e descer para a festa.
Michael assentiu, se despediu de Suuh e ela desceu.
– Ai, Suuh... – ele suspirou e olhou para frente e foi surpreendido por um soco que o nocauteou.
– VOCÊ É LOUCO? – O garoto encapuzado grita com o que acabara de socar Michael Blake.
– Você acha mesmo que vou perder a chance de pegar esse filho da puta igual eu perdi da ultima vez, Augusto?
– Cara, olha no que você se tornou. Ele é o teu irmão.
– Não importa, vou acabar com ele – Matheus dissera. – Me passa a faca, de preferencia essa bem afiada.
– Cara, não faz isso, vamos dar o fora — Augusto diz.
– ANDA LOGO – ele gritou e Augusto automaticamente entregou a faca a ele. – Abre essa caixa d’agua ai.
Augusto o obedeceu fazendo as duas coisas.
***
– Mick esta lá em cima. Acho que ele não quer minha companhia! – Suuh disse.
– O deixe pensar – Triza diz.
– Mas eu preciso falar com ele – Ney disse e correu para o térreo, não encontrou ninguém e logo desceu.
– E aí? – Suuh disse.
– Ele não está lá, deve estar na irmandade – ela disse.
– Meninas! – Dan veio correndo. – Vamos pra festa!
– VAMOS! – Suuh disse, animada.
– Só vou beber água! – Dan disse se aproximando do bebedor. Logo percebeu que a água estava com um gosto diferente, não parecia água. – Gente, isso... Isso é... SANGUE!
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