Notas iniciais
Bem...Eu nem sabia que Gênero colocar. Acabei não incluindo Yaoi, mas contém menções.

Boa leitura n_n

Bufou, se sentando.

Puxou seu maço de cigarros amassado do bolso de sua bermuda, tirando o último cigarro de lá, o levando a sua boca e o acendendo. Amassou o pacote vazio e o jogou no lago a sua frente, o vendo boiar.

-Aí está minha contribuição ao aquecimento global, mãe Natureza! — o ruivo riu amargo, tragando o cigarro.

Daisuke estava revoltado. Muito revoltado.

Seus pais decidiram viajar, não pediram sua opinião e o arrastaram. Tá, era semana de Natal, e daí? Só por que é Natal, um bando de retardados tem que viajar?

Die queria mesmo era passar seu aniversário em casa, tranquilo, fumando, bebendo cerveja e montando Lego. Tinha coisa melhor que aquilo?

Passaram horas no trem, que aliás, quebrou no meio do caminho, só para chegar em...Hyogo. Ou como o ruivo chamava, Lugar Nenhum.

Mas onde eles estavam era Lugar Nenhum mesmo! Seus pais tinham que comprar a casa ao pé de uma montanha, à cinco quilometros da cidade? Nem internet tinha naquela porra de casa do inferno.

Daisuke voltou a bufar, se deitando na grama que havia ao redor de toda extenção do lago, mirando o céu. Estava azul, um lindo azul e algumas nuvens enfeitavam o céu. Aquele lago era o único lugar onde o ruivo se sentia bem naquela região, embora o frio típico do inverno começasse a se fazer presente, ele continuava indo até lá todos os dias, talvez esperando que algo de bom acontecesse.

Deu a última tragada no cigarro e se levantou, jogando a \'bituca\' do cigarro no chão e a pisoteando. Sentiu um brisa gelada tocar seu corpo e fazer a água do lago se agitar. Sorriu fraco, não se importando. Tirou a camiseta e começou a caminhar em direção ao lago, logo sentindo a água batendo em seus pés.

Tremeu.

A água estava mais gelada do que nos outros dias, Die se sentiu obrigado a esfregar os braços e juntar toda a coragem para mergulhar.

Por fim, Daisuke se acostumou à temperatura, se jogando na água, mergulhando.

Um rapaz se aproximou do lago, vendo uma camiseta preta jogada próxima à água, já molhada. Ergueu o rosto, vendo um rapaz ruivo nadando. Sorriu, se sentando ao lado da camiseta jogada, abraçando os joelhos. Não sabia nadar, mas isso não o impedia de ir molhar os pés no lago de vez em quando.

O ruivo saiu da água, sacudindo a cabeça, fazendo gotículas de água desprenderem de seu cabelo vermelho, indo para todos os lados. Quase gritou de susto quando deu de cara com um rapaz de cabelo roxo o observando.

-Oi. — o rapaz sorriu, acenando para Die.

-O-oi. — o ruivo piscou, acenando de volta.

-Acho que sua camiseta molhou. — apontou para a camiseta, rindo um pouco.

Daisuke piscou, mirando a camiseta já encharcada.

-Também acho. — Die riu, pegando a camiseta, vendo muita água gotejar do tecido.

O rapaz riu divertido.

-Nee, mora por aqui?

-Não, meu pais vieram para a casa de passeio e eu...Vim junto. — sorriu, se sentando ao lado do rapaz.

-Você tá na casa dos Andou? — o rapaz inclinou a cabeça, curioso.

-Eu sou o Andou Daisuke. — Die riu.

-Ahhh! Achei que tivesse alugado a casa. — riu divertido, tirando parte da franja roxa do rosto. — Bom, sou Niikura Kaoru, seu...Vizinho. — sorriu.

-Eu não sabia que tinha mais uma casa por aqui. — o ruivo ergueu uma sobrancelha.

-Ah...É um pouco afastada da sua, é bem no comecinho da montanha.

-E-entendi. Veio nadar? — Daisuke sorriu.

Kaoru piscou, balançando a cabeça negativamente, num reflexo. Só de pensar em entrar no lago, seu corpo já se enrijecia, quase morrera afogado lá.

-E-eu...Não sei nadar. — Niikura riu sem jeito. — Isso é deprimente.

-Não é, não, quer que eu te ensine? — o ruivo sorriu, pronto para se levantar.

-NÃO! NÃO! — Kaoru quase gritou, nervoso. — N-n-não precisa, não...E-eu..Aprendo depois.

Daisuke franziu o cenho. Aparentemente o rapaz tinha quase que fobia de água.

-E-então tá. Fico te devendo essa. — o adolescente sorriu, piscando para Kaoru.

-Relaxa, eu nem vou te cobrar. — o rapaz piscou de volta, rindo.

Die riu junto com Kaoru, divertido.

Kaoru não aparentava ser muito mais velho que Die, talvez nem fosse. Era magro e um pouco menor que Daisuke, mas não menos intimidador, Die quase morrera de medo de Kaoru quando o viu o observando, depois do susto momentâneo. Era bonito e seu cabelo comprimido lhe dava um ar despojado.

-Nee, quanto tempo vai ficar, Daisuke-kun? — Kaoru o mirou.

-Acho que...Só vou embora depois do Ano Novo...- bufou. — Eu nem devia ter vindo.

-Por quê? — Niikura piscou.

-Aqui é chato demais, por deus. — o ruivo revirou os olhos. — Nem internet tem aqui, como você vive? — Die riu.

Kaoru riu, encolhendo os ombros.

-Vou até a cidade às vezes, só quando necessário, a maior parte do tempo eu fico em casa, lendo ou desenhando... Ou assistindo Gundam! — o menor sorriu moleque.

Daisuke riu divertido. Mesmo tendo cara de mau, Kaoru era bem divertido.Passaram o resto do dia conversando sobre qualquer coisa. Talvez a estadia do ruivo ficasse mais animada com a presença de Kaoru.

Antes que os dois percebessem, a lua já estava alta.

-Hey, amanhã é meu aniversário, o que você vai dar pra mim? — Die sorriu, mas logo começou a gargalhar, se dando conta do sentido ambíguo da pergunta.

Kaoru piscou, logo entendendo porque Die ria tanto.

-Ah...Vou deixar a minha mente poluída de lado por alguns instantes... — o ruivo parou de rir, sorrindo.

-Tá, tá...O que você quer? — Kaoru sorriu.

-O que você pode me dar? — Die se virou, mirando Kaoru, claramente segurando o riso, pensando no duplo sentido de novo.

-...- Niikura piscou. — Tudo.

Daisuke ficou mirando o mais velho, ao mesmo que tempo que Kaoru o mirava.

Mas o clima foi interrompido pela risada alta de Kaoru.

-Baka! Não me olhe assim! Eu to só brincando! — Kaoru sorriu. — Eu penso em algo para te dar, okkei?

-O-okkei. — Die sorriu sem jeito. Por um momento, seu coração acelerou.

Kaoru sorriu, bagunçando o cabelo de Die, carinhoso.

-Hey, eu tenho que ir. — o rapaz mais velho se levantou, sorrindo. — Amanhã a gente se vê?

Die soltou um muxoxo, chateado. Kaoru realmente tinha que ir?

-Você realmente tem que ir?

-Tenho... Já são quase nove horas... E tá esfriando rápido. — Kaoru esfregou as mãos.

Agora que Daisuke havia parado para pensar, realmente estava esfriando.

-Tem razão...Ah, vou junto com você... — Daisuke sorriu, se levantando, pegando a camiseta ainda úmida.

-Então tá. — Kaoru sorriu, ajudando o outro a se levantar.

Começaram a caminhar, em silêncio, por dentre a floresta, até alcançar a parte descampada, podendo ver a casa de Daisuke à alguns metros de distância. Os dois se despediram, ficando combinado os dois se encontrarem no lago no mesmo horário no dia seguinte.

Daisuke acordou animado com a idéia de poder ver Kaoru naquele dia. Por mais estranho que pareça, o ruivo não tirara o rapaz na cabeça.

Pôs uma calça e uma camiseta, coberta por uma jaqueta, já que esfriara muito, saindo de casa, caminhando em direção ao lago.

Se sentou na beirada do lago, esperando o mais velho.

Nada.

Pelo cálculos de Daisuke, Kaoru já estava atrasado há mais de duas horas. Talvez tivesse acontecido algo.

Começou a ficar nervoso e ansioso, acendendo um cigarro. Em menos de cinco minutos, já havia acabado, acendendo outro logo em seguida.

Acabou com o maço e Niikura não havia aparecido. Já deviam ser seis da tarde.

Daisuke suspirou, desiludido, se levantando. Esperou mais alguns minutos em pé, mas desistiu, voltando para casa.

Ótima forma de comemorar o aniversário, sentado na beira de um lago, no frio, esperando um cara de cabelo roxo.

Os dias se passaram assim. Die ia todos os dias no lago, mesmo este já estando quase congelado, ver se Kaoru estava lá. Ele nunca estava.

Faltando dois dias para Daisuke ir embora, ele não foi mais ao lago, perdendo as esperanças de ver o rapaz de novo.

Passou os dias mofando em casa, incluindo o Ano Novo. Antes de dar meia noite, Daisuke já roncava no sofá.

Dia três de Janeiro, Die acordou cedo, começando a arrumar as malas, para voltar para Mie. Por volta das duas da tarde, já estava pronto.

Seus pais o chamaram, prontos para irem embora.

Daisuke pôs a mochila na costas e levava uma mala pequena em uma das mãos, logo a pondo no porta malas do carro alugado por seus pais em Hyogo.

-Vai logo, Daisuke, quero chegar o mais cedo o possível na estação. -o patriarca Andou apressou o filho, pegando sua mochila.

-Tá, tá, calma, pai. — Die revirou os olhos.

O ruivo suspirou. Nunca mais veria Kaoru. A não ser que voltasse para Hyogo algum dia, coisa que Die não queria e provavelmente, não faria.

-Pai?

-Fala. — seu pai se virou, o mirando.

-Posso ir até o lago aqui perto, rapidinho? Preciso me despedir de alguém. — Daisuke mordeu o lábio inferior.

-Tudo bem, não vá se atrasar, a gente te larga aqui, moleque. — riu, entrando no carro, deixando Daisuke.

Die sorriu, vendo seu pai entrar no carro.

Correu até o lago, ofegante. Estava começando a nevar.

Viu Kaoru sentado em uma pedra, com uma caixa embrulhada ao seu lado.

-Kaoru? — o ruivo se aproximou, sem jeito.

O rapaz se virou, num reflexo, mirando o ruivo.

-M-me desculpa, Daisuke! — o rapaz desceu da pedra, indo de encontro à Daisuke. — Eu tive uns problemas e...Pensei que não fosse mais te ver.

-Quase pensou certo, eu tava indo embora. — o ruivo riu sem jeito.

Kaoru franziu o cenho.

-Me desculpa mesmo! E-eu não queria — —

-Tudo bem, tudo bem! — Die sorriu.

-Aliás...

Niikura correu de volta a pedra, pegando a caixa que deixara em cima dela.

-Seu presente. — sorriu.

Die analisou o embrulho, o pegando.

O chacoalhou, sorrindo.

-O que é? — o ruivo sorriu.

-Abre e descobre...Não sei se você vai gostar...Mas achei a sua cara! — o mais velho riu.

-Nah, depois eu abro, tá? Não quero estragar o embrulho, tá tão bonitinho! — Die riu.

-Ahhh! Então tá. — Kaoru sorriu.

Ficaram em silêncio por alguns minutos.

-Agora eu..Tenho que ir, Kaoru. — sorriu, triste.

-Tudo bem, eu entendo...

Die colocou a caixa no chão, se aproximando de Kaoru e lhe dando um abraço apertado, que foi prontamente retribuído.

O menor virou o rosto, roçando os lábios no rosto de Daisuke.

-Você vai voltar? Um dia? — Kaoru sussurrou contra o ouvido do ruivo.

-Volto sim. — Die disse, se separando do abraço.

-Ah...Antes que eu esqueça..Tem um papel aí dentro do presente... — Kaoru apontou para a caixa. — Só é pra você ler quando estiver bem longe, tá?

Daisuke piscou.

-T-tudo bem. — o ruivo sorriu. -E-eu..Vou indo, Kaoru...

O rapaz de cabelo roxo sorriu triste.

-Ta...Tchau, Daidai. — riu.

-Tchau.

Daisuke acenou, começando a caminhar de volta ao carro, com a caixa embaixo do braço.

Kaoru o observou se distanciar, até sumir entre as árvores

Dessa vez, o trem não quebrara, talvez graças aos apelos de Die.

Já estavam próximos da estação final, quando Daisuke decidiu abrir o presente que Kaoru dera.

Começou a rir divertido quando descobriu que o presente em questão era um balde de Lego. Kaoru nem sabia que Daisuke amava aquilo e dera mesmo assim. Talvez ele lesse mentes.

Logo, o ruivo achou o papel que Kaoru dissera. Estava dobrado.

Die sentiu o estômago revirar e abriu o papel, começando a ler o texto que Kaoru escrevera com a letra corrida.

\"Espero que goste de Lego, meu priminho adora e eu achei que você também fosse gostar!

Eu também quero me desculpar por não ter ido te ver todos esses dias. Meu pai tinha sido hospitalizado e eu tive que ficar com ele, por favor, me desculpe. Eu realmente queria ter ido te ver e...

Eu gostei de muito de você, Dai-chan. (Posso te chamar assim?)

Queria que você ficasse, mas sei que não dá e que você odeia Hyogo! -risos-.

Espero que um dia você volte e que fique mais tempo.

Estou te passando meu telefone, caso queira me ligar. 8291352. Mas se não quiser gastar com interurbano, tudo bem.

Baibai.”

O ruivo piscou.

“Eu gostei muito de você, Dai-chan.”

Aquela frase ficou martelando na mente de Daisuke. Não pensara em mais nada durante o trajeto até sua casa. Não ouvia nem seus pais falando. Estava recluso nos próprios pensamentos.

Decidira que nas próximas férias, iria para Hyogo. Mesmo que...Onde Kaoru morava parecia ser o fim do mundo.

Chegou em casa quando já passava das duas da madrugada, logo rumando seu quarto, o encontrando desarrumado como deixara. Chutou as camisetas e outras peças de roupa que havia no chão, se jogando na cama.

Estava tarde, mas...Ele não se importava. Pegou o papel do bolso de sua calça, analisando os números inscritos ali. Pegou o telefone sem fio que tinha uma extensão em seu quarto, começando a discar os números que estavam no papel.

-A-alô? – Daisuke começou com a voz trêmula, após alguém atender do outro lado da linha. – Oi!

Desculpa eu estar te ligando tão tarde, Kao, é só que me deu vontade de... Quê? Não gosta de ser chamado de “Kao”?!

Notas finais
Ah, finalmente terminei e_é

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