Notas iniciais
Sabe que nem lembro de onde veio essa história? O.O'

O táxi movia-se lentamente no trânsito cheio, não me dando escolha além de olhar a chuva que riscava os vidros do carro amarelo. O hotel não ficava tão longe do aeroporto, mas parecia demorar uma enternidade para chegarmos, talvez pela minha ansiedade em finalmente ter uma cama para desmoronar e poder dormir, ou pelas estradas congestionadas que éramos forçados à passar.

Sentada no banco traseiro, tentava me conscentrar na música que gritava nos fones de ouvidos presos á minha orelha, enquanto ignorava o taxista á minha frente que á cada minuto olhava para mim, pensei encontrar uma expressão de pena em seu rosto carrancudo, ou talvez fosse só minha imaginação.

- É aqui senhorita — disse ele, parando na frente de um hotel de fachada simples.

- Obrigada — murmurei, não querendo ficar nem mais um instante naquela estranha situação.

Entreguei o dinheiro da pequena viagem á ele e sai do carro apertado indo parar rapidamente na grande porta de ferro que anúnciava o hotel que iria me hospedar.

- Cuidado, moça — ouvi a voz rouca do taxista atrás de mim, porém antes que eu pudesse voltar-me á ele e perguntar-lhe o significado da frase, o automóvel amarelo já cantava pneus pela rua pouco movimentada, como se quisesse fugir dali.

Olhei para a fachada do hotel, procurando algo que mostrasse a explicação para o estranho ato do taxista, além do aspecto enferrujado da porta de ferro e da expressão de poucos amigos do segurança ao meu lado, o hotel parecia até aconchegante e tranquilo.

Entrei na recepção, sendo perseguida por um olhar fulminante do homem que havia visto á poucos fora do hotel, fui ao balcão, anunciando minha presença atravéz do barulho ritmado de meus sapatos no piso marfim. Logo fui atendida por um homem baixinho e simpático, que rapidamente fez os ajustes rotineiros e me permitiu subir ao quarto.

Percebi o estranho silêncio que cobria os corredores, as portas claras dos outros quartos estavam fechadas, não me deixando decifrar se havia ou não algum hóspede naqueles cômodos. Em instantes, achara o aposento em que ficaria naqueles poucos dias de feriado prolongado, abri a porta e entrei, deparando-me com uma confortável cama, de tamanho razuável, no centro do quarto, seguida por uma grande janela na parede ao longe, que emoldurava a bela vista da cidade adormecida.

Depois de verificar o banheiro, deitei-me preguiçosamente na cama e peguei o controle remoto, preparada para assistir á algum programa qualquer que estivesse passando na TV em frente á cama.

Liguei o aparelho e logo o quarto encheu-se das vozes dos atores de alguma famosa novela, fiquei alguns minutos no entediante exercicio de trocar de canais repetidamente, até perceber uma estranha movimentação do lado de fora da janela ao meu lado. Levantei e encostei-me no vidro, afim de ver o que quer que fosse que estivesse ali, mas o negrume da noite me impedia de enxergar algo que não fosse minha respiração embaçando o gélido material.

Ouvi o chiado característico de TV fora do ar, e quando voltei para onde estava, percebi que agora a única coisa que se passava eram imagens chuviscadas em preto e branco no aparelho.

Liguei para a recepção, mas apenas recebi o irritante som da chamada. Começando á ficar nervosa com tudo aquilo, sai do quarto e andei pelo corredor á passos firmes, até chegar na sala de destino vazia. O telefone ainda tocava, clamando para que alguém atendesse naquele desconfortável silêncio.

- Deseja alguma coisa? — uma voz atrás de mim indagou, fazendo-me pular repentinamente, virando-me em sua direçaõ para perceber que era o mesmo estranho segurança que havia me observado enquanto entrava.

- Ah, é... Sim — tentei achar as palavras, enverginhada com o susto desnescessário que havia tomado — A... TV do meu quarto não está funcionando e...

- O problema será resolvido — ele respondeu friamente, um sinal claro de que me queria fora dali.

Voltei para o quarto desconcertada, e percebi que o aparelho voltara a funcionar normalmente, como se nada houvesse ocorrido. Fechei a porta, estranhamente insegura naquele local falsamente calmo, sentei na cama, apaguei a fraca luz e tentei me concentrar no programa que passava.

Em poucos instantes, me vi afundando em um sono leve, incentivada pela monótona noite que me acompanhava, porém fui acordada pela claridade repentina do quarto, tentando entender o que havia acontecido, percebi que a luz estava acesa. Olhei para a porta, fechada como havia deixado, o que acontecera?

Antes que pudesse pensar em alguma resposta plausível, a luz do quarto se apagou de novo, me deixando em completa escuridão, apenas com a iluminação azulada da TV, que pouco depois também se apagou.

Assustada, levantei e andei cambaleando até o interruptor, ouvi o clique característico quando apertei o frio objeto, mas nada aconteceu. Destranquei a porta, que fez um som alto no ar parado que se instalara ali, a luz do corredor banhou um pequeno trecho do chão do quarto assim que a passagem se abrira.

Andei até a recepção de novo, agora pronta para sair dali e passar a madrugada em qualquer outro lugar, mas, novamente, não havia ninguém atrás do balcão escuro. Fui até a grande porta de vidro e tentei empurrá-la sem sucesso, tentei de todos os jeito fazê-la se mover, mas era claro que ela havia sido trancada.

Olhei para os lados, procurando algum objeto que pudesse jogar contra aquela barragem, quando o local onde estava também foi engolido pelo negrume, fazendo meu coração disparar e um pequeno grito se pricipiar pela minha garganta. O abajur em cima do balcão parecia um pequeno ponto iluminado que persistia naquele lugar sombrio, suas sombras lançavam formas escuras nas paredes decoradas.

Voltei ao quarto, meus passos ecoando pelo chão frio, fazendo o som se alastrar por todas as passagens do hotel vazio. Eu era a única hóspede ali, qualquer outro que percebesse os estranhos acontecimentos dali já teria tentado sair como eu, mas ninguém fora ingênuo como eu de se hospedar naquele lugar.

Assim que achei a porta de meu quarto, depois de muito tatear pelas paredes ásperas, tranquei-a e fui rapidamente para debaixo da grossa colcha que enfeitava a cama, como se aquilo fosse um escudo para o que viesse.

O abajur ao meu lado piscou sua luz amarelada, fazendo-me sobressaltar novamente, seguido pelo som estridente da tranca da porta sendo aberta, comecei a rezar para que fosse alguém explicando o pequeno problema que o local passara, porém algo em minha mente já dizia que minhas esperanças eram infundadas naquela situação bizarra.

A indefesa porta se abriu, revelando para meus olhos habituados pela escuridão uma silhueta humana entrando no quarto. Você está morta, você está morta, uma voz ecoava em meus últimos pensamentos a cada passo que aquele assassino dava, aproximou-se de minha cama, a arma que tinha na mão brilhando lindamente á luz extinta do luar. Senti sua respiração quente em meu rosto enquanto ele afundava o punhal afiado em meu peito.

- Happy holiday — disse ele, com um sorriso malícioso se esgueirando pelos lábios.

Vi-o se afastar cantando a melodia de meu fim, enquanto meu sangue tingia as lindas flores da colcha e meu último fio de consciência se perdia em um mar de pensamentos desconexos.

Little girl, little girl, why are you crying? Inside your restless soul your heart is dying.

Notas finais
Graças á essa fic, a Santa não consegue mais ouvir 'Little Girl' da mesma maneira XD' #piada interna dificilmente entendida#'
Reviews me fazem muuuuito feliz :D'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!