Holes in your coffin

2 Parte I - Capítulo 2 de 2


“Acha que pode ter sido ele?”, a voz de Hanji era calma, mas sua expressão mostrava certa preocupação.

Erwin estava sentado no sofá, o laptop no colo e os olhos azuis fixos na tela, mas agora sua atenção estava toda na mulher em pé no meio da sala. “Levi?”. Hanji basicamente bufou em resposta para si, não se dignando a dizer que aquilo era óbvio.

“Você estava certo, não estava? Ele foi atrás de você ontem. E ele me parece inteligente, não acho que ele de fato acreditou que você precisasse de ajuda, mas ainda assim ele foi atrás de você e te ‘salvou’. Então ele ficou aqui porque você pediu e saiu... Que horas eram?”

“Por volta das quatro da manhã”.

“E ele saiu daqui às quatro da manhã. Um pouco mais de uma hora depois temos um cara morto dentro de um carro em um estacionamento qualquer, mas não temos qualquer pista de quem fez isso. Quem matou aquele homem não usou presas ou qualquer arma comum e não deixou vestígios de sangue para trás. Se ele é o que você pensa que ele é...”.

“O que pensamos que ele é. E sei o que quer saber: Desde quando vampiros evaporam?”.

Silêncio. Hanji demorou-se um momento a mais em pé antes de se largar na poltrona de frente para Erwin, “Faz parte das lendas, não faz? Porém até onde sabemos apenas vampiros mais antigos e realmente poderosos possuem essa habilidade. Ele é antigo e poderoso assim? E se ele é... Por que ele está se arriscando por um humano?”.

“Por que ele não se arriscaria? É muito provável que ele seja capaz de se livrar de nós dois com facilidade se de fato ele tiver esse poder que supomos que ele tem. Além disso, como você disse, são lendas. Talvez vampiros jovens também possam se dissipar, ou seja lá como chamam essa habilidade”.

“Certo. Talvez ele possa se livrar de nós dois numa luta justa, mas então por que ele mataria alguém e deixaria toda uma cena do crime para trás? Uma das dificuldades em se caçar vampiros hoje em dia é que eles não costumam deixar provas como outras criaturas, não? Eles se tornaram realmente difíceis de rastrear. E de repente damos de cara com Levi, que pode ser antigo, poderoso, vive sozinho e resolve deixar um corpo de presente para nós?”.

“Sim. Se ele é de fato um deles... Então ele sabe desde o inicio o que sou e, consequentemente, o que você é. Ele realmente nós deixou o corpo de presente, mas não sei por qual motivo, da mesma forma que ele decidiu me ajudar ontem. Ainda assim não temos como provar que de fato foi ele”.

“Quem mais poderia ser, Erwin?”.

“Hanji, talvez nós tenhamos um clã em atividade nessa área, você se lembra disso? Esse é um dos motivos porque queremos ter certeza se Levi é ou não um vampiro”.

“Se ele não for um vampiro ele é um cara bem estranho... Com todo o respeito. Não que eu esteja julgando seu gosto pessoal”.

Outras pessoas provavelmente iam rolar os olhos, fazer um careta ou qualquer reação do gênero, mas não Erwin. Ele era do tipo que sorria de canto com aquele tipo de comentário no lugar de se incomodar de fato e isso era uma das coisas que Hanji mais apreciava nele.

“Se de fato tivermos um clã nessa região, só existem duas opções com relação a Levi: ou ele é um deles ou o clã vai entrar em contato com ele, mesmo que ele seja antigo o suficiente para ser respeitado; essa é a área do clã e é aí que entramos”, a convicção de Erwin era clara e Hanji só conseguia sorrir com a excitação daquela perspectiva.

“Não sei como você espera se livrar de um clã pensando que um vampiro sozinho consegue se livrar de nós facilmente”.

“E eu não sei desde quando vampiros lutam de forma justa”.

***

Erwin sabia que devia se sentir surpreso quando deu de cara com Levi ao sair de um bar, mas ele não estava de fato surpreso. Algo em si parecia esperar aquele momento com tanta vontade que surpresa seria uma reação quase injusta. A surpresa estava mais no jeito de Levi: as mangas de sua camisa branca dobradas até a altura dos cotovelos, um dos pés encostado na parede e um cigarro entre seus lábios – o que combinava estranhamente com ele.

“Um dia vou descobrir como me acha”, o tom de Erwin era tranquilo ao se juntar a ele, parando ao seu lado, observando a forma que Levi deixava a fumaça escapar por entre seus lábios.

“Nem eu estou muito certo sobre isso. A impressão atual é de que essa cidade é pequena demais para nós dois”, Levi deu uma última tragada, jogando o restante do cigarro no chão e pisando nele, os olhos indo direto para o homem ao seu lado.

Uma das coisas que Erwin gostava em Levi era a quase completa indiferença com que ele tratava as coisas. Era uma característica que combinava com ele e que claramente não era forçada, mas que não parecia ser exatamente quem ele era e sim uma parte de sua personalidade que encobria todo o resto que ele era incapaz de demonstrar.

“E a Hanji? Ela já te deixa sair sozinho por aí? Não está preocupada com a ideia de você arranjando brigas em becos?”.

“Pelo jeito ela também acredita na sua capacidade de me encontrar”.

Os olhos de Levi foram parar no envelope que Erwin segurava, o papel pardo dando a impressão de algo oficial. O maior acompanhou aquele movimento e não se deu ao trabalho de esconder o que trazia ou fazer com que passasse como um fato despercebido.

“Trabalhando?”, Levi o olhou mais uma vez, colocando as mãos nos bolsos da calça escura e justa que usava.

“Não vou para bares só para ficar bêbado e arranjar brigas”.

Os dois passaram a caminhar lado a lado, sem qualquer pressa, como se tivesse concordado silenciosamente com aquele ato. Erwin sabia que não devia levar Levi consigo para casa e que cada aproximação entre eles era um novo erro, ainda mais quando estavam tão incertos sobre o que o menor era afinal, ainda assim estava caminhando para casa com ele.

“Não sabia que fumava”, Erwin olhou de canto para Levi, sendo quase incapaz de ver seu rosto.

“Às vezes eu fumo. Acho que combina comigo”.

“Fuma simplesmente pelo fato de achar que combina com você?”.

“Sim”, Levi deu de ombros, sendo obrigado a dar passos mais largos para acompanhar o ritmo de Erwin, mas não parecendo se importar com aquilo. Erwin balançou a cabeça de leve, sorrindo de canto com a informação.

Levi não estava se dando ao trabalho de esconder qualquer coisa de Erwin. Não ia deixar claro que era o que era, mas estava ciente de que ele e Hanji já tinham suas suspeitas, mesmo que fosse difícil para eles confirma-las. Na noite seguinte ao assassinato ele havia acordado apenas para saber que os dois iam cuidar do caso e esse era o exato ponto no qual queria chegar, ainda que significasse mais riscos para si.

“Sempre te acho porque pelo jeito você é preguiçoso demais para ir á algum lugar longe de casa”, Levi comentou ao ver que já estava perto do prédio no qual Erwin vivia, conseguindo ver o sorriso se formando nos lábios dele.

Erwin não respondeu, abrindo a porta e dando espaço para Levi ir na frente, esquecendo de avisar para Hanji que não estava sozinho até abrir a porta da sala e dar de cara com ela e vários livros abertos na mesinha de centro e outros moveis próximos.

“Erwin, ainda bem que chegou, eu...”, ela começou, parando de andar pela sala e olhando em direção à porta, dando de cara com os dois ali. “Levi...”.

Levi aceitou aquilo como um cumprimento, acenando com a cabeça, não se importando com a forma que Hanji olhava para si e depois para Erwin, ciente que eles estavam numa espécie de conversa muda que humanos tentavam ter. Enquanto Hanji andava até Erwin, começando uma conversa em tom baixo e rápido Levi se esforçava para tentar não ouvi-los, indo até a mesinha e pegando um dos livros, vendo que todos eles pareciam tratar do mesmo assunto.

Hanji parou de falar de súbito, olhando na direção de Levi como se de repente notasse a situação em que estavam com todos aqueles livros sobre vampiros abertos e empilhados pela sala. E ali estava Levi, os olhos percorrendo um dos livros enquanto Erwin e Hanji trocavam um novo olhar. Durante as discussões deles sobre o assassinato que estavam investigando uma das questões levantadas era por que, afinal, Levi tinha se aproximado de Erwin. E ali estavam eles de novo: Levi, Hanji e Erwin na mesma sala, com Levi segurando um dos vários livros abertos da mesinha de centro.

“Você bebe?”, Hanji decidiu assumir a frente daquilo. Uma das conclusões que ela e Erwin haviam chego era que se Levi podia manipular humanos então ele não estava usando aquele poder com eles, pois ambos estavam conscientes dos próprios atos e os mantendo sob controle.

“Vinho, se tiver”, Levi não tirou os olhos do livro, sentando devagar no chão, a testa franzindo muito de leve por um momento.

Erwin não podia evitar observá-lo, acompanhar a maneira com que ele se inclinava sobre a mesinha, olhando para os vários livros aberto, puxando um mais para perto porque havia algo grifado ali. E de repente ele se deu conta de que era quase como se eles estivessem entregando o jogo para Levi, com todos aqueles livros e informações em destaque, ainda assim o menor parecia compenetrado e interessado em absorver cada uma daquelas palavras para chegar as suas próprias conclusões.

Hanji voltou para sala com uma garrafa de vinho e uma taça para cada, enchendo as três, colocando uma perto de Levi, o olhando com profundo interesse.

“Isso é muito interessante, mas não acho que esse tipo de poder seja possível”, Levi pegou a taça, apontando um dos livros abertos, “Parece mais o poder de um x-men do que de um...”, ele se aproximou do livro, lendo as palavras de lá em seguida, “Um cadáver andante sedento por sangue humano”. Sua atenção se voltou para Hanji, que era quem estava mais perto de si, “Cadáver andante me passa a ideia de um zumbi, não de um vampiro”.

“Sim, mas são apenas lendas, não é mesmo?”, Hanji se sentou no chão também, pegando um dos livros que estava lendo antes.

“Você acredita que sejam apenas lendas? Ou você estava fazendo uma pesquisa muito importante para escrever uma tese ou você é um tanto obsessiva por esse assunto em particular”.

“Obsessão é o nome do meio da Hanji, Levi”, Erwin decidiu sentar no sofá, pegando a taça de vinho e tomando um gole, observando os dois, “Se você continuar nesse assunto não vai conseguir fazer com que ela pare”.

“Eles são interessantes”, Hanji deu de ombros, folheando o livro. “O que quero dizer é que boa parte disso é lenda, não acho que existam vampiros que possam se transformar em morcegos, por exemplo, apesar de esse ser um dos aspectos mais comentados sobre eles”.

“Minha opinião é que algumas dessas coisas foram verdadeiras em determinado momento da história. Existem muitas lendas sobre vampiros, muitos nomes diferentes e os poderes e características mudam de país para país. Talvez de fato foi assim até as espécies mais... Incomuns começarem a se extinguir”.

“Como se eles tivessem evoluído também?”.

“Algo do gênero”, Levi concordou, tomando um longo gole de vinho. “E então veio a indústria nos dizer que eles não têm reflexos ou que viram morcegos porque eram características comuns em várias lendas, e as pessoas se acostumaram com essa ideia e com poderes que são bastante improváveis”.

“Isso faz bastante sentido, na verdade. E então só sobraram aqueles que podem se passar por humanos porque isso ajuda a passarem despercebidos...”, Hanji olhou um momento longo para Levi, parecendo prestes a dizer que só havia sobrado vampiros como ele.

“Sim”, Levi a olhou de volta, tomando um gole de vinho antes de voltar a ler e se parar mais uma vez. “A lenda europeia original descrevia vampiros como o que chamamos de zumbi hoje em dia”, encolhendo os ombros ele completou, “Achei que gostaria de saber, porque eu mesmo disse que essa descrição era de um zumbi”.

Hanji sorriu grande, parecendo satisfeita em ter alguém que compartilhava de um interesse dela a ponto de saber detalhes. Erwin suspirou do próprio lugar, pensando no envelope que tinha pegado mais cedo com Pixis e, principalmente, no porque Levi estava sentado na sala de sua casa falando sobre vampiros como se fosse a coisa mais natural do mundo.

***

Era tarde quando Erwin se distraiu e passou a mão pelos cabelos escuros de Levi, fazendo o menor se sobressaltar no lugar e olhar em volta, vendo Hanji deitada no chão, lendo um livro em uma posição que parecia bastante desconfortável. Tinha se distraído tanto lendo e discutindo com Hanji que não fazia mais ideia de qual hora era e nem mesmo lembrava que Erwin estava ali também, uma vez que ele tinha passado o tempo todo quieto, trabalhando em seu laptop.

Assim como Levi, Hanji havia se perdido na própria investigação, parando apenas para fazer anotações e discutir alguns detalhes com ele. As ideias de Levi a estimulava e ela já não se importava mais com o motivo de todas aquelas informações partirem dele de livre vontade.

Erwin era, no fim, o único que parecia estar realmente ali. Ele tinha acompanhado as discussões e reações de cada um, a velocidade com que Levi bebia e o fato de não ter ficado bêbado mesmo tomando uma quantidade muito maior de vinho do que Erwin e Hanji juntos. E ainda assim ele tinha se distraído o suficiente para se permitir tocar em Levi de uma maneira carinhosa.

Desde o começo Levi não tinha mostrado qualquer lado carinhoso. Ele era distante fisicamente a maior parte do tempo, permitindo o contato apenas durante o sexo para se afastar no momento em que acabavam. Não havia caricias, não havia beijos de despedida, não havia qualquer toque que demonstrasse reconhecimento de que Erwin estava ali também.

Erwin acreditava que não devia se importar com aquilo, afinal a única coisa que estava acontecendo entre eles até ali era sexo. No entanto, ele nunca tinha conhecido e se envolvido com alguém que agisse de maneira tão fria e distante quanto Levi e só então estava notando quanto sentia falta de um contato menos sexual vindo da outra parte.

Era por isso que tinha feito algo bobo como deixar os dedos correrem pelos cabelos do menor, o pegando completamente desprevenido. Levi olhou para Erwin, a expressão sóbria e desperta.

“Acho que devo ir. É realmente tarde”, sua voz era baixa enquanto ele deixava o livro sobre a mesinha, anotando algo no caderno que estava usando e arrancando a folha para deixar no meio do livro antes de levantar e o deixar ao lado da Hanji, que só então pareceu perceber o que estava acontecendo em volta. “Acho que esse pode te ajudar”.

“Que horas são? Você já precisa ir?”, Hanji se sentou no chão, o cabelo bagunçado e uma clara expressão de cansaço em seu rosto.

“Sim, está tarde. Você devia dormir, sua aparência está horrível”.

A falta de delicadeza com que Levi falava não parecia incomodar Hanji, que apenas bocejou e se espreguiçou, falando alguma coisa sobre poder aguentar mais uma hora ou duas.

Levi calçou os sapatos, olhando Erwin quando chegou à porta, não demonstrando qualquer reconhecimento do que havia acontecido momentos antes. “A gente se esbarra por aí”. A mesma frase da vez anterior e mais uma vez sem tempo para respostas.

Erwin não fazia ideia, porém no caminho para casa a única coisa que Levi conseguia lembrar sobre aquela noite não tinha relação alguma com os livros ou o vinho, mas sim com os dedos do maior percorrendo seus cabelos.

***

Nos últimos anos o número de desaparecimentos havia crescido naquela cidade e nas pequenas cidades mais próximas. Não havia corpos ou qualquer prova para contar a história do que tinha acontecido em uma grande parte dos casos. O aumento de desaparecidos era algo esperado uma vez que a região vinha crescendo consideravelmente na última década, mas a segurança não tinha recebido o mesmo investimento. Ainda assim era possível identificar as diferenças e um padrão em determinados casos, de forma que Erwin, Hanji e Pixis sabiam quando o caso não era mais um desaparecimento comum e que nunca mais saberiam sobre aquela pessoa.

No entanto, o cenário era completamente incomum agora. Desaparecimentos era uma coisa. Duas mortes completamente estranhas em duas semanas era algo pouco frequente por ali, por isso nem Erwin nem Hanji estavam de fato preparados para que encontrariam na nova cena de crime que Pixis tinha para eles.

Quando chegaram deram de cara com um Pixis de expressão preocupada e excepcionalmente calado que seguiram até um beco onde os peritos trabalhavam, apesar de parecer que não havia muito em que se trabalhar ali. Mais uma vez não havia sangue, mas naquela ocasião também não havia corte algum e logo eles descobriram que o corpo que tinham para examinar era algo que só conheciam pelas histórias que tinham lido e ouvido de caçadores mais velhos e experientes.

Ao contrário do que faziam normalmente, foi Erwin quem se aproximou primeiro e Hanji quem ficou para trás parada ao lado de Pixis, os lábios entreabertos em surpresa. Era como se tivessem deixado um esqueleto para trás, mas ele ainda estava coberto por sua pele; sem qualquer carne ou mesmo fluídos entre os ossos e ela. A pele parecia escurecida e ressecada, assim como os cabelos pareciam quebradiços, sem vida e sem cor. Hanji não conhecia palavras para descrever a expressão que parecia ter ficado congelada na face da vitima, a única coisa que podia afirmar é que não conseguia olhar naquela direção por muito tempo e com certeza ela preferia ver vísceras frescas a aquilo – se essas fossem as únicas duas opções que possuía.

A expressão de Erwin era séria enquanto ele analisava o corpo, fazendo algumas perguntas para o perito que estava parado ao seu lado. Não havia qualquer marca visível na vítima, nem marcas de sangue e ele parecia simplesmente ter sido seco por dentro de uma forma inexplicável. Os peritos estavam preocupados em como remover o corpo e fazer uma necropsia, pois todos tinham a impressão de que o cadáver se desintegraria ao mais simples toque.

“Não temos câmeras de segurança nessa área. Vamos trabalhar em tentar identificar a vítima e descobrir seus últimos passos... É o melhor que podemos fazer no momento”, Pixis parecia um tanto consternado com a situação na qual se encontrava, não fazendo ideia do que estava ocorrendo ali, “Alguma ideia do que pode ter acontecido?”.

Hanji piscou algumas vezes, tirando os óculos e os limpando antes de colocar de novo, “A impressão é que sugaram a energia da vítima. Não tenho certeza de que foi isso que aconteceu, mas é a primeira coisa que me vem a mente no momento. Nunca pegamos um caso tão... Incomum”.

“Que tipo de criatura faz isso?”

“Vampiros e succubus, geralmente. No entanto, existem lendas que falam de outras criaturas bastante raras que possuem tal capacidade”.

“Vampiros?”, Pixis ergueu uma sobrancelha, a olhando intrigado.

“Sim, vampiros. Não a maioria deles, mas alguns drenam energia além de sangue. São bem incomuns”.

“Quanto ao caso do estacionamento... Estamos analisando as imagens de onde a vítima pode ter passado, assim que tivermos algum resultado...”, Pixis não terminou a frase, observando Erwin se aproximar deles.

“Temos nossas suspeitas no outro caso, mas não podemos fazer nada sem qualquer prova... Isso torna nosso trabalho praticamente inútil”.

“E mesmo vai acontecer aqui se não encontrarmos nada. Não acho que vão encontrar qualquer prova que nos dê uma noção de qual caminho seguir”, Erwin estava mais sério do que de costume também, olhando em volta.

“É a segunda morte em duas semanas, Smith. Vamos ficar aqui esperando a terceira?”, Pixis o olhou bem, sabendo que a culpa não era de nenhum deles.

“Você sabe que gosto da situação tanto quanto você, mas não existe muito que fazer quando não temos uma trilha para seguir, Pixis. Podemos montar toda uma teoria, saber exatamente o que fazer para exterminar o que está causando isso, mas precisamos de alguma coisa que nos leve até essa ou essas criaturas. Temos dois padrões diferentes aqui, então provavelmente estamos lidando com poderes diferentes e não sabemos qual vai ser o próximo passo da outra parte. Vamos tentar encontrar alguma maneira de seguir o rastro enquanto vocês também fazem as investigações de vocês, mas não podemos garantir nada no momento, nem você nem nós temos qualquer coisa sólida além dos corpos e aparentemente esse daqui pode se dissolver a qualquer momento”.

Pixis olhou demoradamente para os olhos azuis de Erwin. Uma das coisas que admirava nele era sua completa calma em lidar com as coisas mesmo quando tudo parecia sem perspectivas e sua maneira incansável de resolver os problemas. Mais cedo ou mais tarde ele sabia que Erwin ia chegar a algum lugar com aquilo, então o único jeito era acreditar no potencial dos dois caçadores que tinha ali.

Erwin e Hanji se despediram de Pixis e foram para o carro, certos de que não havia mais o que fazer ali depois de ajudarem com a remoção do corpo – que pelo menos até o momento não havia se desfeito. Hanji ainda estava calada, o que momentaneamente preocupou Erwin, mas logo ele percebeu que, assim como ele, ela estava repassando toda a situação.

“Precisamos remapear a região e fazer um novo levantamento dos desaparecimentos nos últimos anos. Estava pensando... Talvez seja por isso que nunca encontramos corpos? Eles se desintegram com o tempo?”, Hanji falava baixo, daquele jeito que fazia quando raciocinava em voz alta.

“O corpo da nossa vítima no estacionamento não desintegrou”.

“Não, mas ele não foi mordido, nem sua energia sugada. Quem fez isso tinha essa intenção. No entanto, se a vítima passa por uma das duas situações talvez seu corpo desintegre em pouco tempo”.

“Então em pouco tempo vamos receber uma telefonema nos informando que não temos mais um corpo”, Erwin suspirou, olhando em direção a Hanji por um momento. “Pensei que poderia ser um espírito, mas não tinha qualquer sinal de interferência na cena”.

“Também não pode ser um Succubu. Eles atacam durante o sono e esse não era o caso da nossa vítima. Só resta um vampiro e não me surpreende que um clã possua um que sugue energia”.

“Não é Levi?”.

“Não, não acho que seja o Levi”.