Remus olhou para ambos os lados procurando encontrar alguém, mas estava sozinho. Com um alívio instalado no seu ser, Remus caminhou pela biblioteca, a ponta da sua varinha a imanar uma luz azul bastante forte, confundindo-se com o branco. Era uma das poucas vezes que quebrara as regras; aliás, o jovem Lupin raramente quebrava regras. Embora andasse com os seus melhores amigos, que sempre arranjavam problemas, Remus Lupin era o pacato do grupo, quebrando as regras de vez em quando, mas não o fazia como James ou Sirius. Remus era bem comportado; apanhava detenção por entregar um livro fora de prazo, por calçar uns sapatos mais confortáveis do que a escola estipula ou por não prestar atenção numa aula por estar mais atento num livro novo que lia. O jovem loiro, ao contrário dos seus amigos perturbadores, seguia o livro das regras como podia, não querendo apanhar nenhum castigo! Então, porque estava ele na biblioteca após a hora de recolher?

Ele tinha o objetivo bem claro na sua mente e, como tal, dirigiu-se rapidamente à secção dos animais, procurando prateleira por prateleira o livro que ele tanto precisava. E foi ali que o encontrou. Na ponta de uma instante, capa mole e negra, Remus retirou um exemplar de “Uma vida de cão” e sentou-se debaixo da mesa – para evitar ser descoberto – e começou a ler aquele livro com a máxima atenção.

Palavra por palavra, parágrafo por parágrafo, o jovem Lupin devorou aquelas páginas com uma rapidez notória, mas sem nunca esquecer uma palavra que lera. Foi quando acabou que ele descobriu o que precisava e, como tal, fechou o livro, voltou a guardá-lo e, tão cauteloso como entrou na biblioteca assim a abandonou, voltando para a sua sala comum.

— Onde estavas?— Retorquiu Sirius, assim que Remus apareceu na sala comum.

— Fui dar uma volta— respondeu ele, encolhendo os ombros, caminhando para o seu dormitório. – Por falar nisso, tens algum chocolate lá em cima?

O jovem rebelde fitou o seu amigo com um ar de dúvida. Totalmente apanhado desprevenido, Sirius não sabia como responder tamanha foi a surpresa, por isso limitou-se a seguir o seu amigo pelas escadas acima, em direção ao dormitório masculino. Assim que viu Remus a trocar de roupa, Sirius voltou ao início daquela discussão, não se importando com os restantes residentes naquela divisão.

— Foste dar uma volta? A estas horas? És uma criança, Lupin! Tens só onze anos, não podes andar por aí sozinho— gritou Sirius, quase que a rosnar com raiva pelo seu amigo ter desaparecido sem avisar ninguém. – Estava preocupado.

Remus apenas suspirou e deitou-se na cama. Fechou de imediato os olhos e, enquanto ouvia o seu amigo Black a pregar um sermão por quebrar as regras – isto vindo de alguém que passa a vida a fazer tal coisa – Remus lembrava-se das páginas que tinha lido e apenas foi com esse pensamento que adormeceu.

Acordou com James a abanar a sua cama, as gargalhadas mais altas que o que se queria logo às sete da manhã. Resmungou e sentou-se na cama, olhando em volta, encontrando-se sozinho com James no dormitório.

— Eu tenho chocolate— falou ele, revirando a sua mala meia feita para as férias de natal. – É bastante bom e viciante, mas tem cuidado— falou ele, atirando uma tablete de chocolate para a cama do amigo – provoca acne.

Despediu-se com um aceno e saiu para o grande salão. Remus fitou o chocolate. O seu cabelo estava totalmente despenteado depois de uma noite de sono, os olhos pesavam-lhe com o cansaço mas sem conseguirem sair daquele pequeno retângulo colorido.

O loiro nunca fora grande fã de chocolate, na realidade ele não entendia o porquê de as pessoas serem obcecadas por tal guloseima, era totalmente banal para ele. Mas aquela trinca… Aquela primeira trinca desde que lera o livro mudou a visão de Lupin sobre o chocolate. Dava trincas lentas e pequenas, saboreando o gosto amargo do chocolate negro. Fechou os olhos e recordou as palavras do livro.

“… O chocolate é venenoso para a raça canina, não podendo ser usado como alimento em qualquer circunstância.”

Talvez, pensava Remus, se ele começar a comer chocolate diariamente, podia matar a parte lobo que exista em si.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.