Hold my Hand

1 Juntas Somos Invencíveis!


Notas iniciais
Antes de postar e sair correndo, quero deixar claro que essa história é fruto da minha vontade de ver a Mariana sendo amparada por Julieta, que sabe exatamente o que é sofrer uma violência e, principalmente, vencer esse trauma.
Desejo-lhes uma boa leitura e todas as opiniões são bem-vindas!
Beijos! Amo vocês!

PS: Desculpem qualquer erro ortográfico. ;)

No caminho certo!

Era assim que eu me sentia depois de tantas mudanças ocorridas na minha vida. Aurélio, com todo seu amor e compreensão, havia conseguido expurgar os traumas do meu passado e presenteou-me com os mais nobres sentimentos. Jane, a quem eu já tinha como uma filha, esperava meu primeiro neto. O Barão tornara-se meu companheiro de prosa, livrando-me de dias de solidão, além de ser um bom aliado nos negócios – visto sua influência em todo Vale e regiões próximas. Enfim, me arriscaria a dizer que a vida estava perfeita!

Em uma tarde qualquer, finalizava a leitura de alguns documentos, quando decidi ir até a cozinha e servir-me de uma bela xícara de café. Ao passar pela sala, avistei Elisabeta sentada em um dos sofás com um olhar distante, triste até. Aproximei-me com cuidado e chamei-a.

— Elisa? O que aconteceu, minha querida?

— Dona Julieta! Desculpe, não vi a senhora chegar. Estava aqui com meus pensamentos...

— E pela sua cara, não são bons pensamentos. Diga-me o que te aflige. Você já me ajudou tanto, permita que eu retribua isso. — Falei segurando suas mãos e a olhando nos olhos.

Elisabeta assentiu levemente com a cabeça e respirou fundo.

— É minha irmã, Mariana. Há alguns dias, ela havia desaparecido e só agora descobrimos o que aconteceu. — Os olhos claros já brilhavam com algumas lágrimas represadas. – Ela foi sequestrada pelos capangas de Xavier e...

A pausa de Elisa fez meu corpo estremecer. Temia que a mesma tragédia ocorrida comigo pudesse atingir outra pessoa. E o pior: Uma das irmãs Benedito!

— E teve seus cabelos cortados à força!

Instintivamente, levei as mãos à boca e minha expressão tornou-se um misto de surpresa e pavor. A menina à minha frente chorava. Abracei-a e ela se aninhou ao meu corpo, em busca de consolo. Eu acarinhava seus cabelos e costas, na tentativa de fazê-la se acalmar. Seguiu com o relato.

— Mariana sempre foi a mais corajosa e aventureira de todas nós. Adorava os longos fios, mas se um dia decidisse usá-los curtos, faria com todo prazer. O que ela não consegue suportar é a violência sofrida, o sadismo de Xavier enquanto cortava mecha por mecha, a humilhação... Minha irmã sente-se culpada por não conseguir reagir, julga-se fraca, mesmo com todos dizendo o contrário.

— Minha querida, não chore... – Uma ideia surgiu em minha mente. – Elisa, você poderia me levar até Mariana?

Ela afastou-se um pouco para me olhar. Apesar da surpresa, atendeu ao meu pedido.

Algum tempo depois, estávamos na frente da casa dos Benedito. Elisabeta entrou primeiro e eu a segui, encontrando boa parte da família reunida. Dona Ofélia, com seu jeito clássico, logo me envolveu em um abraço — que foi correspondido de alguma forma -.

— Dona Julietinha, que surpresa! Veio pedir ajudar com seu casamento com Aurélio? Ou falar sobre nosso netinho?

Esforçando-me para segurar o riso e não corar diante dos questionamentos, respondi.

— Dona Ofélia, seria um prazer tratar desses assuntos com a senhora, mas o que me traz aqui é Mariana.

Os olhares, antes divertidos, agora tornavam-se confusos. O silencia instalou-se no ambiente. Por que a Rainha do Café queria conversar com uma das irmãs que ela menos tinha contato?

A garota de vestido alaranjado fez um sinal para que eu a acompanhasse. Adentramos no quarto das cinco filhas e ela iniciou.

— Desculpe-me, mas não consigo imaginar o que a senhora tem a me dizer.

Minhas mãos apertavam-se tentando aliviar meu nervosismo, enquanto um buscava palavras para iniciar a conversa.

— Sei o que aconteceu com você. O que Xavier lhe fez. A monstruosidade dele não me surpreende, já que tentou me matar duas vezes.

— Como a senhora soube?

— Elisabeta me contou.

— Meu Deus, ela não podia...

— Acalme-se! Sua irmã se preocupa com você, só quer o seu bem. — Me aproximei, sem perder o contato visual. – Essas culpas não são suas! Tanto de não ter conseguido se defender, quanto de não ter forças para seguir em frente. A dor faz com que o nosso corpo reaja contra nossa vontade. Mas acredite em mim, você vai superar!

— Como tem tanta certeza disso? Eu me orgulhava da minha coragem e agora me sinto a mais frágil das mulheres.

Mariana estava sentada em uma das camas. Chorava e mantinha a cabeça abaixada. Com cuidado, me acomodei ao seu lado, segurei suas mãos entre as minhas e, assim, ela me olhou.

— Eu sei exatamente o que sente. Era ainda mais jovem que você quando sofri a mais sórdida das violências e minha vida tornou-se uma sequência interminável de dores e traumas. A cada dia, uma parte de mim morria, sem que eu pudesse reagir. Esse luto que você vê é resultado das marcas que carrego no corpo e na alma. Naquele momento, nenhuma mão me foi estendida, então fui obrigada a me reerguer sozinha. Construí a armadura de Rainha do Café para me proteger do mundo e isso quase custou minha humanidade.

Fiz uma pausa, lutando para que minhas lágrimas permanecessem em meus olhos. Falar do passado, ainda que sem detalhes, era muito doloroso. Porém, era necessário.

— Por que a senhora está me contando tudo isso? Posso ver que ainda sofre com essas lembranças.

— Solidariedade feminina. Depois do que passei e, agora, com o que aprendi, não poderia permitir que outra pessoa sucumbisse a essa tristeza. Você tem uma família linda, amigos verdadeiros, o amor do Coronel Brandão e, se quiser, tem o meu apoio. Agarre-se a isso e, então, irá renascer!

Ela sorriu timidamente. Talvez por instinto, abraçou-me. E eu a acolhi. Não saberia precisar quanto tempo ficamos ali, passando forças uma a outra. Se a violência nos aproximou, a vontade de vencer e viver nos uniria dali em diante.

“Um homem, sozinho, pode ser vencido. Mas dois conseguem defender-se.” – Eclesiastes 4:12

Notas finais
❤️❤️❤️
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!