Hold me again.
8 Epílogo.
Notas iniciais

Uma fresta na cortina deixava um pouco da luz noturna adentrar o quarto escuro. O som baixo de fallingforyou, de The 1975, trazia um clima confortável, além de muito apropriado.
James a mantinha aninhada a seu peito, acariciava seus cabelos, escutava sua respiração. Lily, de olhos fechados, aproveitava o momento, o toque, o som do coração que motivava o seu. Entrelaçaram seus dedos. O rapaz beijou-lhe o topo da cabeça; brincou com o anel dela por algum tempo.
— Amor – ele sussurrou; ela fez um movimento mínimo, apenas para que ela soubesse que o estava ouvindo. – Casa comigo?
Curiosa, apoiou um cotovelo na cama e uma das mãos no peito dele, encarando-o; o cenho contraído transformava seu rosto numa expressão de confusão. James a observou por alguns instantes. Os cabelos rubros caindo sobre os ombros despidos, os lábios avermelhados, olhos sonolentos; para ele, a personificação da perfeição.
— Eu já disse que sim, há uns cinco meses.
— Não – continuou ele. – Casa comigo. Logo. Amanhã – a ruiva arqueou a sobrancelha.
Estavam noivos desde a noite em que voltaram a se falar, contudo, ainda não tinham decidido muita coisa sobre o casamento, nem conversado a respeito dos detalhes, na verdade. Depois de fevereiro tudo foi acontecendo muito rápido. James enfim aceitou o convite de emprego do pai, a carreira de Lily melhorou um bocado – tanto que ela estava pensando em sair da empresa e trabalhar sozinha –, e os dois estavam bastante ocupados com tudo isso.
— A gente pode deixar a cerimônia formal pra depois – James disse. – Vamos no cartório, casamos e aproveitamos nossas férias como lua de mel – ele sorria.
Lily estava, de certa forma, surpresa. Não era uma atitude muito “James Potter”, geralmente era ela quem aparecia com propostas como aquela. Sorriu e, sem dizer nada, tornou a deitar ao seu lado.
— Bom dia – acordou-o com um beijo. – É melhor levantar se ainda estiver disposto a casar comigo – ele sorriu.
— Temos que ligar para Sirius – disse rouco.
— E pra Lene.
— Eles provavelmente estão juntos, não precisa ligar pros dois.
— Você liga, eu pego os documentos – disse, se afastando da cama.
Sem demoras estavam no carro e seguiam para o centro da cidade. Lily não conseguiu conter o sentimento de nervosismo; quero dizer, é o meu casamento, de toda forma, pensava ela, enquanto seu estômago gelava. Ao mesmo tempo, sentia-se radiante.
— O que foi? – ele perguntou, olhando-a, quando pararam num semáforo.
— Marlene vai me matar – riu. O rapaz tinha dito para os amigos os encontrarem com urgência, mas não revelou o motivo. Ninguém sabia de nada.
— É só falar pra ela que ainda faremos uma festa e fica tudo bem – Lily concordou.
Chegaram à cafeteria marcada, fizeram seus pedidos e, em poucos minutos, o outro casal apareceu. Marlene tinha a feição preocupada e sonolenta, como se mal tivesse acordado e saído de casa; Sirius não estava muito diferente.
— Bom dia – Lily cumprimentou com um sorriso divertido.
— O que aconteceu? – a loura se adiantou.
— Por que tão cedo? Vocês sabem o que significa férias? – Sirius reclamou.
— Foi mal, é que precisamos de duas testemunhas – James respondeu, bebericando de seu café em seguida.
— Duas o quê? – uma Marlene ainda mais confusa perguntou.
— Estamos indo no cartório. Precisamos de duas testemunhas ou não podemos casar – Lily continuou.
— Vocês... o quê?!
Após o surto de Marlene, as congratulações de Sirius, e as explicações dos noivos, o grupo rumou para o estabelecimento ao lado. Não demorou até que assinassem os papéis e finalmente estivessem casados. Lene, dramática, deixou algumas lágrimas escaparem; Lily rolou os olhos para ela, mas a abraçou.
— Não contem a ninguém ainda – James pediu.
— Posso tentar, mas não é certeza – Lene respondeu e pôs o capacete.
— Boa lua de mel pra vocês – Sirius sorriu com malícia antes de dar a partida na moto e sair.
Os recém-casados se fitaram por um tempo. Sorriam, meio bobos.
— E agora? – Lily perguntou, envolvendo o pescoço dele com os braços.
— Agora pegamos nossas coisas e acho que a casa de praia dos meus pais é uma boa opção – segurou-a pela cintura.
Seus lábios se uniram para um beijo suave, carregado de sentimento.
— Eu te amo – sussurraram em uníssono.
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