Hold me again.

5 Capítulo 4.


Notas iniciais
Cheguei! Galero, estou muito feliz com todos os comentários na fanfic ♥ Sério, vocês são uns amores! Quem escreve sabe o quanto é legal ter um feedback positivo, como é gratificante e o quanto isso é importante para a história. Thanks, mores ♥ Aproveitem o capítulo :) XO

Ela finalizou a ligação, encarando James de olhos arregalados. Seu estômago parecia pronto para pôr para fora tudo o que ainda não tinha digerido. O rapaz esfregava os olhos, sonolento, enquanto se aproximava; beijou-lhe a bochecha. Lily permaneceu congelada no mesmo lugar. Vamos, falou uma voz em sua cabeça. Precisava dizer, agora ainda mais. Era como se aquilo a fosse corroer, como se adiar a conversa fosse fazê-la sufocar.

— James... – começou, se perguntando se não seria muita informação para pouco tempo, se não devia esperar um pouco mais. Não!— Tem uma coisa que eu queria te contar.

— Podemos tomar café antes? Tô com fome – disse, rouco, indo até a cozinha.

— James... Eu... – hesitou, observando-o abrir os armários.

— Você tem café aqui? A gente pode ir na cafeteria – continuou, simplesmente.

— James – puxou todo o ar que pôde –, Sirius e eu nos beijamos – falou tão rápido que até duvidou que ele entenderia.

Suas mãos suavam mais uma vez, seu coração, apertado no peito, batia descompassado; prendeu a respiração, sem ao menos notar. Ele se virou para encara-la; contraiu o cenho, um tanto quanto atordoado, como se o cérebro não reconhecesse as palavras. Passaram alguns segundos até que ele processasse. Vamos, diga alguma coisa, por favor!, a mente dela rogava, aflita.

— O quê? – perguntou, finalmente.

— Eu... Eu nem me lembro direito, James. Eu não quero lembrar. Acho que bebemos um pouco mais naquela noite – tentava se explicar, gesticulando em excesso. – E na outra também – desviou os olhos para longe, abaixando o tom de voz, envergonhada, arrependida. – Foram duas vezes.

James se manteve em silêncio. Lily o fitou, sem conseguir decifrar suas expressões. A bancada da cozinha os separava, mas a distância parecia muito maior. Ele relaxou o cenho, contraindo, porém, a mandíbula, fazendo de seus lábios uma linha fina. A garganta da garota deu um nó, daqueles quando o choro fica preso. Ele estava magoado, era visível em seus olhos. Claro que está, sua idiota!, a mesma voz retrucou, impiedosa, para a garota.

— Diga alguma coisa – pediu ela; as palavras mal saiam. – Por favor.

— Legal – foi o que respondeu; seu tom de voz era frio. Entrou no quarto, vestindo a calça que ainda jazia no chão. Lily o seguiu.

— James-

— Eu passei aquela porra de viagem inteira pensando nas possibilidades, Lily, mas nenhuma delas envolvia o Sirius – falou. Irritado, chateado? Um pouco dos dois.

— James, eu-

— Nunca pensei que se sentisse assim em relação a ele – disse, mais a si mesmo que a ela.

— Eu nunca me senti assim em relação a ele. Você sabe, James, ou eu não teria ficado com você, ou não teríamos passado a noite juntos – sua voz saia mais trêmula a cada frase. Ele parecia não a ouvir, perdido em pensamentos.

— Logo o Sirius, Lily? – a encarou, sentido. – Eu sei que disse pra não me esperar, eu sei que você podia estar com outra pessoa quando eu voltasse, mas tinha que ser ele? – os olhos dela marejaram. Agora não, Lily!, odiava chorar na frente das pessoas, odiava ser tão frágil diante de situações que exigiam pulso forte.

— Nós não estamos juntos, eu não sinto nada por ele! James, eu amo você – tinha um peso enorme sobre o peito. – Só nos beijamos porque não tínhamos o que realmente queríamos!

— Bom, e conseguiram depois da segunda vez?

— Quê? Não! James... – ele pegou a mochila e a mala, destrancando a porta. – James, por favor – algumas lágrimas escapavam de seus olhos.

Ele a encarou, por mínimos segundos, desviando o olhar pouco antes de bater a porta, deixando-a sozinha.

Lily não soube o que fazer. Não esperava que ele agisse com tanta frieza. James nunca foi uma pessoa controlada, esse era um dos motivos de sempre estar na diretoria da escola ou cumprindo alguma detenção. Por isso, a ruiva achava que, quando finalmente tivessem um “bom” motivo para brigar, ele extravasaria, bravejaria. O fato de ele não ter nem mesmo erguido a voz a deixava ainda pior.

Encostou a testa na parede, ao lado da porta, socando-a com toda a força que tinha, sem se importar com a dor. Permaneceu no mesmo lugar por um tempo indefinido, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto já molhado.

XXXX

James chamou o elevador, respirando pesado. Não pôde encara-la, os olhos verdes dela tinham aquele poder sobre ele, e ele não podia se deixar levar por aquilo. Precisava entender, a ficha ainda tinha que cair. “Sirius e eu nos beijamos”, ecoava em sua cabeça. Seu peito parecia comprimido, sentia as veias quentes, talvez pelo tanto de emoções que o percorriam.

Teria sido só isso? Apenas beijos? Algo a mais? Suas têmporas latejaram. Balançou a cabeça, não queria imaginar aquilo. Eram o seu melhor amigo e sua namorada. Ex-namorada, algo em sua cabeça consertou. Mesmo assim, eram Lily e Sirius, como não se sentir traído? Como não ficar minimamente mal?

O elevador parou no sexto andar e alguém entrou. James encarou o corredor, era o andar de Sirius. Suas mãos se fecharam em punho, num ato involuntário; mil cenas diferentes sendo formuladas em sua mente, contra a sua própria vontade. Quase podia sentir uma agulha lhe injetando raiva, e aquilo lhe subindo a cabeça.

Lançou o corpo para fora pouco antes da porta se fechar e logo tocava a campainha do apartamento de número 311. Demorou um pouco até que Sirius viesse abrir, descabelado, com cara de sono.

— James? – foi o que conseguiu dizer antes que o punho do outro o acertasse em cheio no meio do rosto.

Ofegando, o rapaz apenas deu meia volta, deixando o prédio o mais rápido que conseguiu.

XXXX

— Alô?

— Lene – Lily fungou.

Tinha passado aquela terça-feira em casa. Não queria sair, não queria ver ninguém do trabalho, não queria ter que explicar sua cara vermelha e inchada, ou o motivo de sua mão estar coberta de hematomas nos nós dos dedos. Tinha chorado, tentado trabalhar no computador, arrumado a bagunça da cozinha, guardado a garrafa de vinho – essa praticamente cheia –, tomado um banho quente e comido a sua barra de chocolate de emergência; ligou a TV e agora chorava um pouco mais, sentada no sofá, com os joelhos envoltos pelo braço livre. O dia parecia não acabar.

Lily? Que foi?— a loira perguntou, reconhecendo o tom de voz da outra.

— Lene, ele voltou – tentava conter as lágrimas que, porra!, praguejou internamente, voltavam a descer.

E desde quando isso é motivo pra você chorar?

— Eu contei... – soluçou. – Contei sobre Sirius... – sua voz tremeu. – Sobre Sirius e eu – Marlene ficou em silêncio por alguns segundos, como se pensasse.

Vou dormir na sua casa hoje. Chego às nove.

— Tá bom – fungou novamente. – Lene?

Oi?

— Traz sorvete.

XXXX

James também não saiu de casa naquele resto de dia. Desfez as malas, tomou um longo banho, andou pela casa, até pôs as roupas para lavar – o que não precisava fazer, já que sua mãe lhe pagava uma diarista. Tentou de todas as formas manter a cabeça longe dela, dele, e, principalmente, dos dois juntos. Era repugnante pensar naquela cena.

Também não tocou no celular, a não ser para atender a ligação da mãe. Ela parecia muito feliz que ele tivesse voltado e queria marcar um almoço naquela semana, quando seu pai teria um tempo livre. James também tinha saudades. Lembrou-se de quando morava com eles, de tudo que aprontava no colegial e, consequentemente, lembrou-se de Sirius também. Para seu alívio, a campainha tocou.

— Aluado? – arqueou uma sobrancelha.

— “Olá, Remus, quanto tempo cara! Estou feliz em te receber na minha casa” – o outro disse, irônico, mas no fim sorria. Os dois se abraçaram e logo se acomodaram no sofá.

— A que devo a honra dessa visita ilustre? – abria suas garrafinhas de cerveja amanteigada; as comprou a caminho de casa.

— Tentei ligar, mandar mensagem, sinal de fumaça, mas você não respondeu a nada. Resolvi passar pra ver se tinha chegado mesmo.

— Achei que você desse aula a noite.

— Hoje não – deu uma golada na bebida. – E então? Qual o motivo do isolamento?

— Não me isolei – passou a mão nos cabelos, bagunçando-os mais um pouco. – Só tô cansado do voo.

— Aham. Então não tem nada a ver com Sirius Black e Lily Evans? – James o encarou. – Ele me ligou.

— Maravilhoso – falou sarcástico.

— James, você sabe que não foi nada demais né?

— Nada demais, Remus? Sério? Sirius sempre foi como um irmão, ele sabe que eu amo a Lily, todo mundo sabe.

— Você não pode se sentir como se tivesse levado um chifre, Pontas. Vocês não estavam namorando, estavam? – Remus sempre era calmo e moderado em situações complicadas. James geralmente se alterava um pouco, era cabeça dura.

— A questão não é essa – entornou a bebida na boca. Remus rolou os olhos.

— Tudo bem. Concordo que foi um pouco esquisito, nunca imaginei. Mas o Sirius não gosta dela, nem ela gosta dele. Você sabe disso.

— E o que leva duas pessoas que não se gostam a se beijarem?

— Whisky de fogo, cerveja, rum.

— Ah, Remus, qual é? Isso não é desculpa.

— James, a Lily largou três caras no meio dos encontros – o outro arqueou uma sobrancelha.

— Ela te falou isso?

— Tonks – James soltou um "aah". – Você parou de falar com ela, então ela achou que você tivesse ocupado.

— Ela também não falou comigo!

— Você sabe como a Lily funciona, James – o rapaz soltou um suspiro, sabia muito bem. Ela nunca foi do tipo que corre atrás do que a deixa. – Segundo Tonks, ela não estava indo muito bem na coisa "esquecer James Potter".

— E o que diabos Sirius tem a ver com isso?

— Ele e Marlene têm brigado, quase como no colegial, você deve ter percebido no grupo do WhatsApp. Ele não admite, nem ela, mas tá na cara que estão afim um do outro. Ele está frustrado, estressado. Lily também não estava longe disso. Fomos num bar, eles encheram a cara, tanto que eu tive que levar a moto de Sirius – o resto não precisava ser dito.

— E a segunda vez? – encarava os próprios pés, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Não foi muito diferente disso. Talvez menos bêbados – mergulharam no silêncio por um tempo. James suspirou.

— Você acha que eles...?

— Não faço ideia.

XXXX

Lily levantou do sofá, onde tinha passado a tarde inteira, para abrir a porta assim que a campainha tocou. Marlene entrou com uma bolsa e uma sacola de supermercado. As duas se abraçaram por um tempo; a ruiva sentiu os olhos marejarem novamente.

— Se você chorar de novo eu vou enfiar esse pote de sorvete na sua garganta – Lene ameaçou, largando-a e seguindo até a geladeira.

Elas faziam uma bela dupla. Se tornaram amigas logo que se conheceram, em Hogwarts, ainda com onze anos; a partir dali nunca abandonaram uma a outra. Costumavam perguntar se as duas eram irmãs, primas, tanto que andavam juntas. E agora, mesmo depois de adultas, com vidas um tanto diferentes, mantinham aquela ligação. Era algo que nunca perderiam, por mais que rumassem por caminhos opostos.

— Então... ele só foi embora? – a loira perguntou, após ouvir a história. As duas compartilhavam o pote de sorvete, sentadas no sofá.

— Ele não falou muito. Eu achei que ele fosse ficar irado. Não que eu quisesse isso, mas eu estava pronta pra isso – Marlene baixou os olhos para o pote de sorvete. Lily contraiu o cenho. – O que foi?

— Sirius também me ligou, logo depois de você. James apareceu na casa dele, deu um soco e foi embora.

— Ah, que merda! Que merda! – enfiou o rosto nas mãos. A amizade dos dois era uma das que mais admirava.

— Sirius disse que ele parecia nervoso – Lily soltou um suspiro longo e então levantou os olhos para encarar a amiga.

— Desde quando o Sirius te liga? – arqueou uma sobrancelha. Marlene corou. Marlene nunca corava.

— A gente saiu – olhava as próprias mãos, como se suas cutículas fossem muito interessantes no momento. – No sábado – aleluia, Lily pensou.

— E então?

— Então nada. Não é o momento pra falar disso – se recompôs, ainda com as bochechas avermelhadas. Pigarreou. – O que você vai fazer?

— Quê?

— Com James? O que vai falar? Já tentou ligar?

— Claro que não. Eu tô perdida. Ele não vai mais querer olhar na minha cara – lamentou em tom choroso. Lene rolou os olhos.

— Claro que vai. Vocês se amam.

Bom, não foi o que pareceu pelas duas semanas seguintes.

Notas finais
Eu sei :( me perdoem. Jily mal chegou e já foi embora (será?). Não me xinguem, juro que vai melhorar! Contem o que acham que vai acontecer nessas tais duas semanas, quero ver as teorias de vocês ♥ Gente, pra quem não sabe, eu tenho outras fanfics do shipp supremo (lê-se Jily), caso alguém se interesse, segue o link de uma delas: https://fanfiction.com.br/historia/704614/Sera_que_os_fins_justificam_os_meios/ Antes de fechar essa página, talvez se interessem em saber os atores que representam as personagens. Deixo o link da minha pastinha de fotos de HMA pra vocês: http://weheartit.com/gabyramllo/collections/125635251-hold-me-again-fanfic ♥ Se gostaram da fanfic, adicionem aos favoritos e deixem uma ficwriter mais feliz :D Obrigada pela leitura, e voltem sempre ♥ * Fanfic postada também no Spirit Fanfics e Wattpad. ♡ Não seja um leitor fantasma, comente! ♡