Hold me again.
4 Capítulo 3.
Notas iniciais
— Estava com saudades – ele suavizou a voz, pondo uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Eu também – respondeu baixo e engoliu em seco, sentindo a intensidade do olhar dele sobre si. – Bom, eu... – pigarreou antes de prosseguir, sentindo a voz falhar. – Acho melhor a gente ir antes que comece a chover.
— Certo – ele ajeitou a mochila no ombro e puxou a mala de rodinha, acompanhando-a.
A ruiva sentia suas pernas enfraquecerem e tinha medo de que um passo em falso a fizesse cair, ou que simplesmente tropeçasse em alguma coisa, desastrada que era. Apesar disso, caminhou o mais rápido que pôde até o carro; para seu alívio, James pareceu mais interessado em observar os prédios, ao longe, durante o trajeto. Assim que estavam na pista, ela ligou o ar condicionado no máximo, tentando livrar-se do calor do nervosismo. James a observava, divertido.
— E então, como vão as coisas por aqui? – ele perguntou, finalmente, tirando-os do silêncio.
— Ah, nada muito diferente de quando você foi pra lá – respondeu, tentando parecer tranquila. – A não ser por Remus e Tonks, você deve saber.
— Eles me contaram, mas sem muitos detalhes.
— Acho que vai ser mais engraçado com os Marotos narrando – ela ligou o limpador de para-brisa, visto que algumas gotas de chuva começavam a cair.
— E você? Tem andado muito ocupada? Muitas festas? – perguntava, curioso. Dessa vez Lily precisou segurar um sorriso. Ele nunca era direto quando queria saber de algo específico.
— Eu só tomo café e trabalho – contou, esperando que ele entendesse. – Virei uma adulta chata.
— Não é possível. Você é uma das pessoas mais animadas que eu conheço – ele sorria, como se lembrasse de uma época boa; ela o espiava com sua visão periférica, estava mais bonito do que jamais esteve.
Suas mãos suavam a ponto de umedecer o volante, e ela xingava internamente a cada sinal vermelho que tinha que parar. Por que diabos estou tão nervosa?, se perguntava de dez em dez segundos, sentindo-se irritada consigo mesma. Focou sua atenção em dirigir e chegar o mais rápido que podia na casa do rapaz, enquanto ele parecia curtir o passeio, comentando coisas banais, que ela nem conseguia prestar total atenção. Não demorou até que finalmente chegassem ao seu destino, em pouco menos de quinze minutos. Ela soltou o ar que prendia, aliviada.
— Chegamos – sorriu, voltando-se para ele.
— Lily... – ele a olhou com cara de interrogação. – Acho que você se distraiu um pouco – riu. Ela não entendeu imediatamente, até olhar novamente pelo para-brisa; estavam estacionados na garagem do Edifício Godric Gryffindor.
— Merda! – pensou alto. – Entrei no automático.
— Você faz isso quando está nervosa – disse, fazendo-a corar novamente.
— Desculpa, eu... – respirou fundo, enquanto suas mãos suavam um pouco mais. – Já vou sair – afivelou o cinto, do qual já tinha se livrado, girando a chave na ignição.
— Não, Lily, não precisa. Você já ajudou bastante – saiu do carro. – O porta malas, por favor – tirou suas bagagens. – Vou andando, não é tão longe – disse, enquanto entravam na recepção do prédio.
— Boa noite, Tom.
— Boa noite, Lily – o recepcionista sorriu agradável. – Tempo ruim, não?
— Eu não diria ruim, em outra situação – James falou, fitando a chuva forte através da porta de vidro. Lily tentava pensar em algo que não fosse a sua idiotice.
— Vamos fazer assim – ela então disse. – A gente come alguma coisa lá em cima e, quando a chuva diminuir, eu te levo.
— Lily, você já fez muito indo me buscar no aeroporto – respondeu a ela. – Eu pego um Uber e-
— Se fosse eu, aceitava o convite – Tom opinou, ainda com os olhos na televisão, onde passava o noticiário.
Lily encarou James, apreensiva. Não sabia se aquele era o melhor convite, ou o melhor momento pra ficarem sozinhos, mas era o mínimo que podia fazer, não? Anotação mental: comprar um calmante amanhã, pensou, enquanto o rapaz a sua frente soltava um suspiro de rendição.
— OK. Vocês venceram – Lily tentou sorrir, mas teve certeza que aquilo pareceu mais uma careta de dor ou algo assim. Logo eles estavam rumo ao 13° andar. – Elevadores tem um clima estranho, não? – ele comentou no meio da subida. A ruiva apenas deu uma risadinha sem graça, sentindo todos os músculos tencionarem. Precisava conversar com Sirius.
— Continua menor que o seu – ela falou, vendo que ele observava seu apartamento, no instante em que entraram.
— Continuo chamando de aconchegante – deixou a mala, a mochila e os sapatos ao lado da porta.
Lily seguiu até a cozinha, abrindo os armários, se perguntando o que teria para cozinhar ali. Não costumava fazer comida em casa, por mais que gostasse de cozinhar, mas sempre deixava alguma coisa para o caso de emergência, e aquela, definitivamente, era uma situação de emergência.
— Tenho um pouco de macarrão – pôs o pote sobre a bancada. – E, acho que tinha comprado bacon semana passada – vasculhou a geladeira. – Não, nada de bacon.
— Tem manjericão? – ele ergueu as mangas da blusa preta até os cotovelos, se aproximando.
— Não – abriu a geladeira outra vez. – Mas tenho molho para salada – sorriu amarelo, mostrando a embalagem. Ele riu.
— Preciso de uma panela, sal e manteiga – Lily ergueu uma sobrancelha.
— James...
— Não – ele fechou os olhos, negando com a cabeça. – Você trabalhou o dia todo, deve estar cansada. E eu podia simplesmente ter pego um Uber. Então... – pegou um pano de prato pendurado por ali e jogou em cima do ombro. – Eu cozinho. Além do mais, macarrão é a única coisa que sei cozinhar – o encarou por alguns segundos, aceitando, por fim.
Inutilmente, ela tentou ajudar; ele apenas recusou, se dispondo a fazer o jantar sozinho. Para a garota, restou apenas pegar duas taças no armário e servi-los de um vinho que nem sequer lembrava que existia.
— E então, por que voltou mais cedo? – perguntou, debruçada sobre a bancada, observando as costas largas dele, enquanto o mesmo punha a massa para cozinhar.
— Quando me inscrevi no curso, não sei se você lembra – ela fez que sim, agora que ele também a encarava –, dizia que doze meses era o tempo máximo do curso...
— Tá, mas daí nove meses? Achei que voltaria com uns dez, no mínimo.
— É porque, na verdade, tudo dependia do fechamento das turmas, da disponibilidade dos orientadores, e um monte de outras burocracias. No fim das contas eu só dei muita sorte – terminou com um sorriso, antes de bebericar de sua taça.
— Ah, que bom... Eu acho – respondeu, um tanto perdida em pensamentos. James apenas riu.
— E como ficou o projeto da ONG Floreios e Borrões? Vi as fotos que Remus postou no mês passado – ele perguntou, agora voltando-se para o fogão.
— Não era nada extremamente grande, só um anexo, porque o espaço da área pra leitura estava ficando pequeno, com os livros novos chegando e a ONG crescendo. Foi emocionante pra equipe ver aquele monte de criancinhas felizes – contou, animada. – Inclusive, Remus chorou como se fosse uma – os dois riram. O amigo, sendo professor, fez várias doações de livros e ajudava na ONG sempre que podia.
— E você já conhecia a equipe toda? – ajeitou os óculos, encarando-a, agora sério.
— Sim – contraiu o cenho, sem entender o rumo da conversa. – Eles estão comigo há uns cinco meses.
— Hmm... então imagino que vocês tenham bastante... contato...
— É, mas... – olhou-o com atenção, percebendo sua expressão um tanto quanto familiar, compreendendo onde o rapaz queria chegar. – Aaah! – pensou alto.
Lily precisou conter, novamente, uma risada, quando James virou-se para o fogão, um pouco rápido demais. Tirando o par daquela situação constrangedora, o som baixo de Don’t Let Me Down, de The Chainsmokers, fez-se ouvir.
— Então... – disse ele, quando tirou o celular do bolso. – Dá uma olhada aqui rapidinho... Eu preciso, sabe – apontou, desajeitado, para o objeto que tocava. – Eu já volto – e se afastou.
A garota aproximou-se da panela, com um pequeno sorriso nos lábios. Na tal foto, Carter Dippet, um de seus colegas de trabalho, a abraçava pelos ombros. Imaginou James vendo a publicação; riu. Sacudiu a cabeça, afastando aquela cena da mente. Calma, Evans. Ele não está com ciúmes, claro que não, tentava se convencer daquilo, mas seus pensamentos só queriam repetir infinitamente o olhar de James.
— Meu Deus! – externou, baixinho, porém eufórica.
— O que foi? Ficou pronto? – o moreno se aproximou, guardando o smartphone.
— Quê? – assustou-se levemente com a aparição silenciosa dele. – Ah, sim – apagou o fogo, retornando à bancada.
— Era Sirius no telefone – disse, compenetrado no que fazia. Lily sentiu o estômago dar uma cambalhota, quase se engasgou com o vinho.
— O que ele queria? – fez a voz mais firme que conseguiu.
— Nada. Só perguntou se eu já tinha chegado. Provavelmente vamos sair no final de semana.
— Ah – foi o que respondeu, ainda tensa; ao menos ele não percebeu isso.
— Onde guarda os pratos? – perguntou, tirando-a do transe momentâneo.
— Terceira porta, da direita pra esquerda – aproveitou para ligar o computador e colocar uma playlist para tocar.
Levou o vinho e as taças para a sala de estar, largando-os sobre a mesa de centro para ajudar o rapaz com os pratos. Logo eles se ajeitavam no sofá e degustavam a comida, esfomeados. Lily sentia seu nervosismo diminuir à medida que bebia, conversava e ria de uma coisa ou outra que James contava sobre a viagem.
Tudo fluía tão fácil com ele.
— E teve um dia que Paul, um colega que conheci lá, esqueceu nosso trabalho em casa. Tivemos que refazer dez minutos antes da aula – dizia; um dos braços jogado sobre o encosto do sofá e o outro buscando a taça e levando até os lábios, a essa altura, tingidos pela bebida. Lily riu um pouco.
— Isso me lembra Hogwarts – onde tinham estudado juntos desde os onze anos até o colegial; ela, as garotas e os Marotos. – Nossos trabalhos juntos nunca davam certo.
— A culpa não era minha se você me distraía – ralhou, mas sorria. Ela corou um pouco.
— Era bom – disse, observando o líquido em sua taça. – Hogwarts – acrescentou.
Quando seus olhares se encontraram foi que a ruiva percebeu o quanto estavam próximos. O barulho da chuva – que, horas depois, continuava a cair – misturava-se com a música, e os spots de luz iluminavam apenas o necessário. Só faltaram as velas, ela pensou por um momento.
— Lily... – começou ele. – Me desculpa – ela contraiu o cenho. – Eu não devia ter deixado de conversar com você, eu devia ter ligado, mantido contato – ele pareceu chateado, encarando um ponto qualquer.
— Tá tudo bem – respondeu, sem saber exatamente o que dizer, sem saber o que ele queria dizer. Ele fez que não com a cabeça.
— Eu senti tanta falta – seus olhos se encontraram novamente, Lily sentiu o estômago girar. – As primeiras semanas foram muito bagunçadas e, quando tudo finalmente estava acertado, já tínhamos nos distanciado e eu não quis atrapalhar.
— James... – ela pensou na merda de beijo que tinha trocado com Sirius, nos dois beijos. Se xingou como nunca. Desejou nunca ter feito aquilo. – Não tinha o que atrapalhar.
Eles estavam realmente próximos. Ou algum tipo de força os puxava para perto, passados os segundos.
— O que quer dizer? – a garota respirou profundamente. Era aquela conversa. A conversa em que diriam exatamente o que queriam saber. Ela não tinha tomado vinho o bastante; nunca foi boa nesses assuntos.
— Você sabe o que eu quero dizer – ele negou com a cabeça. Lily tomou o que sobrava em sua taça, buscando coragem para dizer o que tinha que dizer. – Você acha mesmo que, em menos de três semanas, eu teria esquecido a sua existência?
— Não – respondeu, sincero. – Mas achei que tentaria.
— Bom... eu tentei, só não tão rápido – encarou as mãos. – E, mesmo assim, não deu certo – o coração dela batia acelerado, acabara de dizer “não deixei de te amar”, com outras palavras. Sentia o olhar dele arder sobre sua pele.
— Também não deu certo pra mim – ele respondeu em alguns segundos.
Lily levantou os olhos até encontrar os dele. Aquelas pupilas castanho-esverdeadas, que transmitiam calmaria, sob os óculos, pareciam quentes, fazendo-a derreter embaixo delas. A ruiva se perguntou se tinha ouvido corretamente. James tinha acabado de dizer que ainda a amava? Era isso? Não pôde raciocinar muito. Aquela força, de novo, os aproximava.
James pôs suas taças sobre a mesa de centro, devagar, como quem não quer assustar alguém que dorme. Tão perto, ela pensou, sentindo toda a extensão de sua pele se arrepiar quando o calor da respiração dele bateu contra o seu rosto. A última coisa que viu, antes de fechar os olhos, foram os lábios dele, e esses logo tocaram os seus.
As mãos do rapaz se fecharam em torno da sua cintura, ao mesmo tempo que eles recordavam, depois de tanto tempo, o sabor um do outro. É isso, um letreiro neon brilhou na mente da garota, era isso que procurava. Era ele quem queria, o tempo todo era ele. Suas unhas arranharam levemente a nuca dele, fazendo-o morder o lábio inferior dela, que sorriu com o feito.
O beijo, antes calmo e constante, se tornou, em pouco tempo, caloroso e urgente. Foram nove meses separados, nove meses de saudades, incertezas, tentativas – todas falhas. Agora ele estava ali, em seu apartamento, em seu sofá, em sua boca. E parecia tão cobiçoso quanto ela. De repente nada mais importava, nada que não fosse tirar-lhe a maldita camisa. O fez.
Não demorou até que a ruiva estivesse deitada no sofá; James sobre ela. As pernas entrelaçadas, desejos entrelaçados. Ele intercalava os beijos com algumas mordidas no pescoço, roçando o queixo por ali, o que a fazia morder o próprio lábio – adorava barba feita.
— James – sussurrou assim que ele subiu sua blusa. – A cortina... está aberta – respirava com dificuldade.
Ele se afastou para fitar seus olhos. Era ainda mais lindo assim tão perto.
— Vem comigo – disse, um pouco rouco, puxando as pernas dela em direção ao próprio quadril.
Lily jogou os braços em volta do pescoço dele e prendeu as pernas onde ele as havia posto. James se levantou e rumou em direção ao quarto, parando numa das paredes, onde encostou a garota e arrancou-lhe a blusa, beijando seu colo salpicado de sardas, marcando ali com alguns chupões. A pôs com cuidado sobre o colchão, observando cada movimento dela, do mesmo jeito que ela o observava. Seus olhos brilhavam.
As mãos dela desabotoaram a calça dele, livrando-se da peça. Ele fez o mesmo com o jeans dela, beijando a parte interna de suas coxas. Não tinham pressa, mesmo que cada movimento fosse muito abrasado. Queriam se sentir, se tocar, relembrar. Lily arfou quando ele, finalmente, a despiu de seu sutiã, acariciando seus seios; ora com as mãos, ora com a boca.
Ela então se pôs sobre o moreno, sentindo seu membro rijo sob a roupa íntima, deixando escapar um sorriso completamente maroto. Provocou-o um pouco antes de lhe tirar aquela última peça, fazendo-o respirar pesado; ele fechou os olhos quando ela o tocou, agora nu. Extremamente inflamado, foi a vez de ele incentivá-la. Conheciam o corpo um do outro, sabiam exatamente onde ir, e essas eram suas melhores armas, podiam se provocar como ninguém saberia fazer.
James tocava Lily em seu lugar mais íntimo, arrancando-lhe alguns gemidos e suspiros. Ela alcançou o membro dele com sua mão, estimulando-o também. Podiam chegar lá, daquele jeito mesmo, tamanha era a excitação compartilhada. Mas não queriam assim. Queriam mais.
—Lily – ele passou uma das mãos por entre os cabelos, agora molhados pelo suor. – Você tem preservativo? – ofegou. Ela esticou-se para a mesa de cabeceira, enquanto ele beijava suas costelas. Tirou da gaveta uma embalagem prateada e logo voltavam para as posições anteriores.
O rapaz ainda distribuiu alguns beijos pelo corpo dela, algumas mordidas, carícias. Lily arqueou as costas, sentindo-o roçar em seu ventre.
— James – sussurrou. Sua voz era baixa, quase falha.
Ele então se ajeitou sobre ela, encaixando-se perfeitamente ao seu corpo, deslizando por entre suas virilhas, devagar, suave. Os sentimentos em demasia, pelo tempo, pela saudade, pela vontade de estarem ali, juntos. Se amavam na mesma frequência.
Os movimentos começaram lentos e intensos. Os lábios dele abafavam os rumores de prazer dela, sendo quase que devorados pela mesma. Ela cravava as unhas em seus ombros e, hora ou outra, abria os olhos para apreciá-lo sobre seu corpo. Era tão atraente assim, com as coxas a mostra, o tronco nu, úmido, quente. Lily ofegou.
Sem demora os movimentos se tornaram acelerados, sedentos, frenéticos. A ruiva sentia cada centímetro dela protestando a favor daquilo, cada molécula sua gritava desesperadamente por James Potter, e era recíproco, tudo era recíproco.
Ávidos, chegaram ao ápice quase ao mesmo instante. Lily apertou os olhos, sentindo-o pulsar em seu interior, enquanto James escancarava a boca, no momento mais alto do prazer. O êxtase percorrendo suas veias, seus corpos suados. Se pertenciam, se completavam, com direito a todas as coisas piegas.
James se deixou cair no travesseiro ao lado. Recuperaram o ar, as forças. Então o rapaz puxou Lily para si, deitando-a sobre seu peito. Ela mergulhou uma das mãos nos cabelos molhados dele, ouvindo seu coração bater, sua respiração se acalmar, junto da dela. Seus olhos foram ficando pesados; quando estava quase caindo no sono, a voz de James sussurrou:
— Amo você. E na próxima eu te levo junto – ela sorriu.
— Também amo você.
Logo adormeceram.
A ruiva acordou cedo na manhã posterior. Observou o moreno ressonar ao seu lado, tranquilo, quase angelical. Sorriu. Era, definitivamente, maravilhoso tê-lo de volta. Podia passar o resto do dia assim, velando seu sono, mas se lembrou que precisar resolver a coisa com Sirius. Agora, sabendo que James sentia o mesmo que ela, aquilo era ainda pior. Suspirou, pondo-se de pé. Vestiu um roupão e procurou o celular, encontrando-o na bancada.
Rolou os contatos e clicou para fazer a ligação.
— Alô? — atendeu, segundos depois. A voz rouca de sono.
— Sirius, temos que conversar.
— Lily? — pareceu confuso.
— James dormiu aqui em casa, Sirius. Temos que falar pra ele. O que vamos falar pra ele? – tentava falar baixo, mas o desespero a estava invadindo.
— Quê? Fala devagar, você me acordou.
— James. Ele tá aqui em casa. O que vamos dizer?
— Eu... não sei. Sei lá. Não consigo pensar em nada.
— Sirius, eu preciso falar pra ele!
— Lily? – a voz de James a fez dar um salto. Ela deu meia volta para vê-lo parado, sem óculos, apenas de cueca. – Tudo bem? Algum problema com Sirius?
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