Hold me Tight

15 Quando a realidade bate na sua porta


Notas iniciais
Olá, como vão? :3 Yachi, queria te agradecer pela linda recomendação! Você fez meu dia, sério. Muito obrigada. ♥

– Yoongi POV -

O sol estava se pondo no céu quando eu estacionei o carro nas proximidades de uma fábrica abandonada, agora tomada por capim e ervas daninhas. Eu estava ali à negócios: hoje era o dia pré-determinado entre Rapmon e Zico para que houvesse a troca de mercadorias. Deste modo, não me surpreendi ao avistar um jipe estacionando não muito distante do meu próprio carro. Eu podia ouvir a batida alta e forte de alguma música pop de rádio que reverberava dentro do veículo fechado, mas a mesma cessou completamente assim que a porta do motorista foi aberta. De dentro do jipe saíram Yukwon e Minhyuk, os entregadores de Zico. Saí do meu próprio veículo preguiçosamente, escondendo um bocejo no punho enquanto fazia caminho até o porta-malas, destrancando-o sem cerimônias enquanto o mais novo entre eles se aproximava.

– Você trouxe o combinado? – ouvi a voz esganiçada de dublador de desenho infantil de Yukwon me perguntar.

– Você acha que eu estaria aqui se não tivesse trazido? – rebati sem nem mesmo lhe dirigir o olhar, abrindo o porta-malas e puxando a maleta que estava ali mais pra perto, a fim de mostra-lo seu conteúdo. Yukwon soltou uma exclamação admirada quando levantei a tampa da maleta, mostrando ali inúmeros saquinhos de plástico individuais fechados à vácuo, contendo desde pequenos cristais de metanfetamina até o pó branco como a neve de cocaína. Havia ali uma fortuna em narcóticos, o suficiente para revender aos seus clientes e ainda sobrar um pouco para festinhas particulares.

– Wah! Hyung, vem cá ver isso! – Yukwon chamou o outro, que estava encostado no jipe observando a cena de braços cruzados. Minhyuk, fazendo uma expressão sôfrega, aproximou-se de nós e espiou entre nossos ombros a mercadoria à sua frente.

– Aigoo, isso é muito mais do que esperávamos. Acho que esse novo acordo foi realmente bom, não? – o mais velho comentou, deixando a covinha na bochecha aparecer ao sorrir triunfante.

– Eu espero que ele tenha sido bom pra nós também. – rosnei, fechando a maleta e levando-a comigo enquanto fazia caminho até o jipe deles. – Cadê as armas?

– Não se preocupe, Suga. Zico foi bem generoso com vocês dessa vez. – foi a vez de Yukwon abrir o porta-malas do jipe verde escuro, revelando uma caixa preta grande e lacrada. O observei abrir as travas de segurança da mesma, e quando ele abriu a tampa, surgiram outros dois compartimentos, o superior e o intermediário. Em cada um deles estavam dispostos os mais variados tipos de armas de fogo. Revólveres grandes e compactos, metralhadoras de mão, shotguns, e até mesmo um poderoso rifle de assalto.

– Vocês vieram equipados mesmo, hein? – brinquei, maravilhado com o arsenal diante de mim. Não era segredo que eu tinha certo fascínio por armas de fogo, chegando a carregar um revólver comigo pra onde quer que eu fosse.

– Ainda não acabou. Aqui também tem alguns silenciadores, lanternas, carregadores, além de munições. – Yukwon anunciava cada item enquanto abria mais a caixa.

– É, você não tava brincando. Zico realmente estava se sentindo generoso. – concordei, pegando uma Glock para examiná-la mais de perto, em seguida mirando-a na cabeça de Minhyuk.

– E-ei! Olha pra onde você aponta esse negócio! – gaguejou o mais velho, levantando os braços em rendição, parecendo extremamente desconfortável com a expressão que eu adquirira. Não consegui conter o riso diante de tamanha reação.

– A arma nem sequer está carregada, idiota. – zombei, devolvendo a arma pro seu devido lugar e deixando que Yukwon fechasse a caixa novamente. – Rapmon vai ficar muito contente. Dê nossos cumprimentos ao Zico.

– Pode deixar. – Yukwon me agraciou com seu sorriso felino, estranhamente semelhante com o gato de Cheshire, enquanto me estendia a pesada caixa carregada de armas. Coloquei minha própria maleta em seu porta-malas, que agora parecia bem mais vazio em comparação. Despedi-me de ambos com um aceno de cabeça, seguindo de volta ao meu carro para depositar a caixa no porta-malas e trancá-lo. Me acomodei no banco do motorista e avistei o jipe se distanciar primeiro, tomando o sentido contrário ao meu.

Segui caminho até o estacionamento, pronto pra terminar meu trabalho e ir pra casa dormir, mesmo sabendo que eu ficaria acordado madrugada adentro. Ultimamente eu tenho enfrentado dificuldades pra pegar no sono, principalmente depois daquele dia fatídico, daquela maldita competição de dança. Se eu fosse completamente sincero comigo mesmo, poderia dizer que eu ficara incomodado com nosso pequeno argumento; e o snapback que ele esquecera no meu carro só servia pra me lembrar disso. Mas eu não gostava de ser sincero, não com esse tipo de coisa. Portanto, tudo que fiz foi jogar o boné de qualquer jeito embaixo do banco e fingir que não me afetava. Que ele não me afetava.

Chegando ao meu destino, estacionei o carro numa rua lateral e peguei a pesada caixa carregada de armas, transportando-a sobre o ombro prédio adentro, até que parei na grade que protegia a entrada. Pedindo para que os sentinelas do dia me dessem passagem, fui até a pequena sala nos fundos que servia de escritório vez ou outra, sem sinal de Namjoon nem de Seokjin por perto. Deixei a caixa em cima da mesa no canto da sala e fechei a porta atrás de mim, determinado a encontrar um dos dois e reportar que a mercadoria havia sido entregue.

– Ei, guri. – chamei um dos novatos do grupo, Wonwoo. – Eu tô com um carregamento muito importante lá dentro. Você pode vigiar a sala pra mim?

– Sim, senhor! – ele fez uma breve saudação militar, claramente desconfortável com a minha presença. Revirei os olhos.

– Você sabe onde Rap Monster se meteu? – perguntei, recebendo um aceno negativo em resposta. – E Seokjin?

– Eu acho que ele tá lá em cima... senhor. – acrescentou depois de uma pausa, parecendo um coelho indefeso diante de uma raposa faminta. Bufei, incapaz de compreender o terror que eu provocava no garoto. Sem lhe dirigir a palavra novamente, subi os degraus da escada que me conduziria até o último andar, onde ficava o laboratório de Jin.

Assim que abri a pesada porta de chumbo, fui atingido em cheio pelo odor nocivo que impregnava seu local de trabalho. Tampando o nariz e boca com as mãos, adentrei o espaço, observando Jin e seus assistentes andando de lá pra cá, brincando com fórmulas e reagentes químicos como se estivessem fazendo um experimento para a feira de ciências da escola, e não drogas pesadas. Seokjin trajava o costumeiro jaleco branco sobre roupas casuais, luvas de borracha nas mãos e galochas de borracha nos pés, além daquela máscara de gás sinistra. A julgar pelo modo como ele gritava ordens para seus subordinados, somado com o leve tremor que eu via em suas mãos e o jeito como seus fios negros estavam desarrumados, eu deduzia que eles estavam no meio de uma sessão intensa de trabalho. Sem dúvida o novo acordo com Zico exigia um pouco mais de dedicação de sua parte.

– Yah, Jin! – chamei, minha voz saindo um pouco anasalada por ter o nariz tampado. – Eu preciso falar com você.

– Suga, você tá louco? – o moreno fora tomado de surpresa pela minha aparição súbita, seu grito saindo abafado pela máscara, enquanto corria apressado para me tirar do recinto. Uma vez que estávamos de volta à escada, Jin fechou a porta cuidadosamente atrás de si e puxou a máscara pra cima, deixando-a repousar sobre sua cabeça. – Você sabe que não pode entrar no laboratório quando estou trabalhando sem uma dessas. – ele apontou pra própria cabeça. – A fumaça é tóxica.

– Tá, tanto faz. – desconsiderei o sermão maternal, incomodado com seu tom de voz irritante, mas admito que me sentia aliviado por poder respirar novamente. – Cadê o Rapmon?

– No estúdio, eu acho. Por quê?

– Eu trouxe as armas que Zico enviou. Estão lá embaixo. – apontei casualmente para as escadas atrás de mim.

– Ah, tudo bem. Eu ligo pra ele. – minha única resposta às suas palavras foi um pequeno aceno de cabeça. Depois disso, ficamos presos num silêncio constrangedor, enquanto eu olhava com interesse para meus pés ou para uma barata que passava correndo por nós. Muitas coisas passavam pela minha cabeça, mas nada que eu pudesse verbalizar na frente de Seokjin. Ele pareceu perceber minha inquietação, pois apertou os olhos e arqueou uma sobrancelha pra mim. – Tá tudo bem?

– Tá. – pigarreei, coçando a nuca num gesto de nervosismo. – Só tenho muita coisa na cabeça. Preciso ir. Até mais. – despedi-me dele rapidamente, sem deixar brechas para que ele me impedisse. Desci as escadas dois degraus por vez, não parando em nenhum momento pelo caminho até o automóvel preto que me esperava do lado de fora.

De volta ao aconchego do meu humilde apartamento, peguei uma garrafa de soju enquanto me jogava no sofá de maneira preguiçosa, mudando os canais da televisão incontrolavelmente, falhando em encontrar algum programa do meu agrado. Derrotado, deixei num talk show qualquer enquanto tomava pequenos goles da bebida em mãos. Não demorou muito para que meus pensamentos fossem levados de volta para o mesmo tópico que tirara meu sono a semana inteira: Park Jimin. Grunhi de irritação, as risadas estridentes e aplausos da plateia no programa servindo de contraste para meu humor atual. Tentei ao máximo prestar atenção na TV, rindo debochado das brincadeiras forçadas dos apresentadores, mas infelizmente eu não conseguia me concentrar por muito tempo. Flashes daquele final de semana invadiam minha mente sem permissão; de repente eu me pegava pensando no modo como o corpo de Jimin se movia ao dançar, movimentos fluidos intercalados com outros mais poderosos, o modo como seu rosto se transformara completamente em cima do palco, o modo como ele se derretia e corava sob o olhar daquele cara.

Puta que pariu, pensei. Min Yoongi, toma vergonha nessa cara.

Não é como se eu nunca tivesse me... interessado... por outro homem antes. Mas digamos que da primeira – e última – vez que isso aconteceu, as coisas não deram muito certo. Além do mais, relacionamentos com mulheres eram muito mais fáceis. Algumas eram idênticas a mim: apenas procuravam alguém pra dividir a cama numa noite particularmente fria e solitária; sem cobranças, sem problema. Quando não eram, bem... Os homens eram mesmo famosos por não ligar de volta, certo?

Foi com esses pensamentos que, decidido, peguei o celular e comecei a procurar um certo contato na lista. Todos aqueles pensamentos impróprios que assombravam meus sonhos eram frutos da carência, sem dúvidas. Eu só precisava de ajuda pra cuidar desse pequeno problema, e tudo iria se resolver. Finalmente eu poderia dormir em paz.

Bati o pé impaciente no chão da sala, enquanto esperava a ligação ser atendida. Um, dois, três toques.

Alô? – a voz feminina do outro lado da linha atendeu, trazendo um sorriso aos meus lábios.

– E ai, Jia. Como vai? – tentei não parecer tão óbvio quanto às minhas intenções. Sem sucesso, obviamente.

O que você quer, Suga? – suspirou, soando impaciente. Não consegui conter a risada.

– Nada. Só quero saber como você está.

Suga, querido. Você sabe que não pode mentir pra mim. – escarneceu. – Agora, vou te dar uma segunda chance. Fale a verdade, ou eu desligo na sua cara. O que você quer?

– Merda. – suspirei, passando as mãos pelos cabelos em derrota. – Eu tô com a cabeça muito cheia de bobagens, noona. Eu preciso que você me ajude a esquecer. – pedi, tentando transmitir o bico miserável que meus lábios faziam através da linha telefônica. Fiquei inquieto quando tudo que ouvi foi silêncio por alguns segundos, mas logo a ouvi suspirar.

Viu só? Nosso relacionamento funciona muito melhor quando somos sinceros. – brincou, sua voz adquirindo o tom jovial de sempre. – Já estarei ai.

Nem uma hora havia se passado quando ouvi leves batidas na porta da frente. Abri a mesma para ser agraciado com a visão de Jia apoiada no batente. Nós nos conhecemos há aproximadamente um ano atrás; a garota provara ser uma de nossas clientes mais fiéis. Seu cabelo rosa lhe dava uma aparência doce, que contrastava drasticamente com as roupas surradas que usava: camisa preta com estampa de alguma banda de metal, rasgada nas mangas e na gola, mas um pouco grande demais pro seu tamanho – sem dúvida alguma peça roubada do armário do ex-namorado – acompanhada por shorts jeans rasgados e tão curtos que não deixavam quase nada pra imaginação. Analisei-a da cabeça aos pés antes de permitir que entrasse no apartamento, fechando a porta atrás de mim.

– Você realmente não veio vestida pra impressionar, hein? – brinquei.

– Por que eu vestiria roupas bonitas se você vai tirá-las de qualquer forma? – retrucou, sem perder a língua afiada que eu conhecia. Dei risada, admitindo a derrota. Jia então olhou em volta, fazendo uma careta de desaprovação. – Parece que você nem se incomodou em arrumar a casa pra visita, hein? – o apartamento que eu morava era pequeno e precário, dotado de sala, uma micro cozinha, um cubículo que servia de banheiro e um quarto. Mas tive que concordar com ela dessa vez. A sala estava quase completamente escura, as pesadas cortinas impedindo que a luz artificial provinda de um anúncio de perfumes no prédio ao lado invadisse a pequena janela, deixando que a única fonte luminosa no recinto fosse a televisão que agora transmitia um programa musical. Espalhados por toda e qualquer superfície existente estavam caixas vazias de pizza, garrafas de bebida de todo o tipo, e pelo menos três cinzeiros repletos de bitucas de cigarro. Definitivamente, meu apartamento não era o ambiente mais saudável de todos.

– Foi mal. – dei de ombros.

– Nah, o meu tá pior. – assegurou, jogando-se no sofá e dando batidinhas no assento ao seu lado para que eu me juntasse à ela. – Fiquei sabendo que você precisa da minha ajuda pra esquecer algumas coisas. Qual o nome dela?

– Você precisa mesmo saber? – indaguei, afundando meu rosto em seu pescoço enquanto deixava minha mão passear por suas coxas.

– Não, eu só queria puxar assunto. Mas já que você está com pressa... – riu, puxando meu rosto para capturar meus lábios com os seus. Nosso relacionamento era um pouco difícil de explicar; eu poderia dizer que Jia era uma amiga, mas uma que vinha com grandes benefícios de brinde. Pouco tempo depois ela me tinha preso entre seu corpo e o sofá enquanto rebolava no meu colo, aprofundando o beijo.

Descolei meus lábios dos seus apenas para grudá-los em seu pescoço, mordendo a pele macia e suave enquanto Jia entrelaçava os dedos no meu cabelo e puxava com força. Esgueirei uma de minhas mãos por suas costas, lutando para abrir aquela peça de roupa maligna que chamavam de sutiã. Rindo da minha desgraça, Jia se afastou para me proporcionar um pequeno show ao desabotoar o maldito sem esforço, deslizando as alças pelos braços e retirando a peça pela gola da camisa. Eu nunca me cansaria daquele truque.

– Você é tão gostosa, noona. – elogiei numa voz baixa e rouca, dando ênfase no tratamento, pois sabia como ela gostava de ouvir aquilo. Deslizei minhas mãos por sua barriga até chegar aos seios pequenos, tomando cuidado para dar aos dois atenção igualmente especial. Jia arquejou, curvando as costas na direção do contato e jogando a cabeça pra trás. Infelizmente, minha diversão durou pouco, pois Jia gostava de dominar. Afastando minhas mãos com um empurrão, ela voltou a devorar meus lábios enquanto puxava minha camisa na intenção de tirá-la. Acatei seu pedido, levantando os braços para que o tecido deslizasse facilmente. Logo era eu que estava impaciente com a quantidade de roupas que ela ainda vestia, então desabotoei seus shorts e abri o zíper num movimento fluido. Jia levantou-se, fazendo graça ao deslizar a peça ofensiva pelas pernas, chutando-a para longe em seguida. Engoli em seco quando observei-a se ajoelhar à minha frente, abrindo minha calça jeans e puxando-a até o meio das minhas coxas para encontrar... nada.

Suspirei, frustrado, enquanto cobria os olhos com a palma das mãos. Não podia acreditar que isso estava acontecendo comigo. Aqui estava eu, com uma bela mulher seminua ajoelhada diante de mim, pronta pra me levar à Hong Kong com a língua, e não havia o menor indício de atração sexual entre minhas pernas, nem um mísero volume protuberante na boxer preta que eu usava. Que bela merda.

– Ah, bem, isso acontece. – ela tentou me tranquilizar, mas não pude deixar de notar o tom de decepção na sua voz. – Estou com saudade de casa. Podemos pedir comida chinesa? – perguntou com uma voz mais leve, tentando dissolver o clima pesado que se instalara. Assenti e a ouvi discar um número qualquer no celular e fazer pedidos ao atendente do outro lado da linha.

O tempo que esperamos pela comida foi extremamente desconfortável. Pra mim pelo menos, já que Jia parecia se divertir com um programa cômico na TV. Eu havia me vestido novamente, constrangido demais pela minha péssima performance para ficar seminu. Ela, por outro lado, parecia confortável o bastante para desfilar por meu apartamento só de blusa e calcinha. Quando ouvi batidas na porta que indicavam a chegada da comida, levantei-me apressado para atendê-la. Eu apenas nunca esperaria encontrar aquela pessoa na minha porta.

– Aqui está seu pedido, senhor... Suga? – Jimin me encarava com olhos arregalados, vestindo o uniforme do restaurante chinês enquanto carregava uma sacola cheia de comida quente e cheirosa.

– O que você tá fazendo aqui? Você já não tem um emprego? – indaguei, cenho franzido, enquanto tirava a sacola das mãos dele.

– Ah, é que... – ele riu meio sem jeito. – Eu precisei arrumar mais um.

– Suga! Vamos comer. Tô com fome. – Jia chamou atrás de mim, mas antes que eu me desse conta e a impedisse, ela já estava ao meu lado na porta, envolvendo seus ombros com meu braço. Jimin pareceu surpreso com a sua presença, suas bochechas rapidamente adquirindo um forte tom de vermelho ao notar o estado pouco vestido que a garota se encontrava.

– Ah... claro. – concordei, me atrapalhando ao pegar o valor da comida no bolso da calça e dá-lo à Jimin. – Obrigado. – balbuciei, incapaz de sustentar seu olhar por muito tempo.

Jimin permaneceu em silêncio por alguns segundos, seus olhos castanhos adquirindo um tom de tristeza ao olhar de mim para Jia e depois de volta pra mim. Antes que o clima ficasse esquisito, ele forçou um sorriso e fez uma breve reverência. – De nada. Bom apetite. – assisti a silhueta de Jimin se afastar no corredor e descer as escadas com um nó na garganta. Amaldiçoando os céus e todas as entidades existentes pela minha falta de sorte, fechei a porta e me voltei para a garota ao meu lado, apenas para encontrar um de seus olhares significativos direcionados à mim.

– Era ele a fonte dos seus problemas? – Jia perguntou casualmente, tirando a sacola da minha mão e colocando-a sobre a bancada da cozinha.

– Sim. – admiti, suspirando em derrota. Não adiantava mais negar à essa altura. Passei as mãos pelos cabelos num gesto desesperado, bagunçando-os.

– Ele é bonito. – elogiou, enfiando uma grande quantidade de macarrão na boca. – O que te incomoda?

– Ele é homem. – disse, mas sabia que era apenas uma desculpa.

– E daí? – retrucou, colocando mais comida na boca enquanto me olhava curiosa.

– Ele é irritante. – continuei.

– E você não é?

– Tem razão. – ri.

– Então qual é o problema? – insistiu, terminando de comer para me dar sua completa atenção.

– Eu... Eu não sei, noona. – suspirei mais uma vez, sentindo-me frustrado e derrotado. – Minha vida é um inferno, eu não sei como me relacionar com as pessoas... Eu não sei como fazer isso. – fiz um gesto genérico na direção da porta. – Não sei como gostar de alguém.

– Para de falar merda, Suga. – Jia desconsiderou meu falatório com um gesto das mãos, como se afastasse uma mosca. – Você só precisa fazer exatamente o que estávamos fazendo no sofá, só que muito melhor. – zombou.

– Me desculpe. – pedi, me sentindo um lixo novamente.

– Ah, me poupe. – ela riu, me lançando um olhar sugestivo. – Pelo menos agora eu sei que o problema não sou eu em si, mas sim a falta de algo bem grande e duro entre as minhas pernas. – brincou, fazendo movimentos obscenos com as mãos.

– Cala essa boca. – rosnei, sentindo minhas orelhas ficarem quentes. Isso só arrancou mais risadas suas.

– Agora vê se para de ligar pra menininhas indefesas na esperança de encontrar sua cura gay. – ela enfatizou as últimas palavras fazendo sinais de aspas no ar. – Por que você já passou desse ponto, meu querido. – escarneci com seu comentário, permanecendo em silêncio enquanto a observava se vestir propriamente e arrumar o cabelo. Acompanhei-a até a porta, e antes de ir, Jia se inclinou para plantar um beijo na minha bochecha. Fechando a porta atrás dela, encostei-me na mesma e deixei que meu corpo deslizasse pela madeira até que eu ficasse sentado no chão, com um olhar de completo desespero no rosto.

Puta merda, Min Yoongi, pensei. Você tá muito fodido.