Hold me Tight
4 Por favor, aceite meus sentimentos
Notas iniciais
– Yoongi POV -
Eu estava prestes a ir embora quando ouvi a comoção perto do portão. Suspirando, fui ver o que era apenas pra me deparar com um garoto que eu não conhecia, com cara de quem fora pego comendo a sobremesa antes do jantar.
– Ei, Suga! – Changhyun virou-se pra mim, segurando o intruso pela nuca como se quisesse impedi-lo de fugir. – Esse guri invadiu nosso território procurando por você. Eu acho que ele pode ser aquele desgraçado que você encontrou uns dias atrás. Sabe, aquele que tava roubando a loja.
– O... O quê? – o garoto gaguejou, petrificado de medo, olhos arregalados. – Não, espera! Isso tudo é um mal entendido! Não fui eu que roubei a loja, na verdade, eu-
– Quem é você? – perguntei, cortando sua sentença no meio. Eu apertava os olhos enquanto vasculhava a minha mente atrás da identidade do garoto. Eu já tinha visto esses óculos em algum lugar...
– Na verdade, — ele continuou, desapontamento estampado no rosto. – Você me salvou. Eu sou o caixa da loja... Você não se lembra?
– Ah! – estalei os dedos, finalmente me lembrando de onde conhecia aquelas bochechas. – É verdade, eu me lembro. Mas o que você quer aqui? – adicionei, desconfiado.
– Eu queria te agradecer. – o garoto se desvencilhou de Changhyun, que ainda o mantinha preso pela nuca. Em seguida, fez uma reverência de noventa graus. – Meu nome é Park Jimin. Sou eternamente grato pelo que você fez por mim lá na loja. – adicionou, o rosto inocente e sincero.
– Eu não fiz isso por você. – afirmei secamente, o que pareceu confundir o garoto.
– N-não...?
– Olha. – suspirei, fechando os olhos. – Eu só espantei um verme que não devia estar ali, entendeu? Isso não tem nada a ver com você. Agora se manda. – dei as costas e me afastei, mas pude ouvir os passos insistentes do garoto atrás de mim.
– Espera! – ele chamou. – Escuta, tudo bem se você não fez isso por mim, mas isso não muda o fato de que você salvou a minha vida. Por favor, deixa eu te agradecer.
– Você já agradeceu. Agora vai embora. – continuei andando sem lhe dar atenção, na esperança que a minha hostilidade o espantaria. Aparentemente eu estava enganado, porque agora ele já se colocava na minha frente, determinação nos olhos.
– Eu não vou à lugar algum. – ele disse, um brilho de desafio no olhar. – Eu demorei muito pra achar esse lugar, e não vou embora enquanto você não me disser como eu posso te recompensar.
– Porra cara, você é chato hein? – tirei o gorro pra passar as mãos pelas minhas madeixas loiras. – Eu não quero porcaria de recompensa nenhuma, eu quero que você suma daqui! Entendeu ou eu vou ter que desenhar? – explodi, minha voz elevada atraindo a atenção das pessoas ao nosso redor.
– Nossa, Suga. Eu nunca imaginaria que você tinha amigos. – Seokjin disse atrás de mim. Ele vestia aquele estúpido jaleco branco de médico por cima de roupas casuais, uma camisa preta com estampa de banda de rock – provavelmente furtada do armário de Namjoon – e uma calça jeans escura. Seus cabelos negros estavam meticulosamente arrumados, a franja jogada pro lado, longe dos olhos. Felizmente não havia nenhuma máscara de gás adornando sua cabeça.
– Ele não é meu amigo. – eu disse, deixando minha voz expressar toda a irritação que estava sentindo.
– Oh, ainda bem! Fiquei preocupado, já estava começando a rever todos os conceitos que tinha sobre você. Deus me livre. – Jin zombou, antes de se virar para Jimin. – E quem seria essa gracinha aqui?
– Olá! – o garoto fez mais uma reverência de noventa graus, dessa vez direcionada à Seokjin. – Meu nome é Park Jimin. Prazer em conhecê-lo. – quando se ergueu, ele exibia o sorriso mais ridiculamente doce que eu já vira na vida. Reprimi a vontade de vomitar e me contentei em fazer uma careta. Seokjin apenas riu.
– Aigoo, que pequena bola de fofura que você é! – o tom de voz doce que Jin usou foi o suficiente pra enganar o garoto, fazendo-o pensar que tinha sido elogiado. Mas eu conhecia Seokjin muito bem pra cair nas armadilhas dele. Sabia que sua fala não passava de deboche.
– Você quer fazer o favor de ir embora? – direcionei para Jimin, fazendo seu sorriso morrer. Com isso, recebi um tapa na nuca de Seokjin.
– Yah, seu moleque! Para de ser mal educado, deixa o garoto ficar. – o moreno envolveu um braço ao redor dos ombros do mais baixo, exibindo um sorriso acolhedor. – Meu nome é Seokjin, aliás.
– Muito prazer, Seokjin-ssi! – Jimin lhe devolveu o sorriso, mas apenas conseguiu arrancar uma careta de Jin ao ouvir o jeito formal que o outro falara.
– Ah, por favor. Me chame de hyung.
– Ok... hyung. – o garoto disse, tentativamente. Ao receber um sorriso de aprovação do mais velho, Jimin soltou um risinho agudo e borbulhante, como se ele tivesse apenas cinco anos de idade. Revirei os olhos. – Posso te chamar de hyung também? – ele me perguntou.
– Tente, e eu quebro seus dentes. – respondi, minha voz pingando veneno. Jimin pareceu desapontado e um pouco triste, mas eu não ligava nenhum pouco. Só queria aquele moleque longe da minha vista. Ganhei outro tapa na nuca.
– Yah, seu... – Jin bufou. – Eu juro que vou enfiar algum respeito nessa sua cabeça oca, nem que tenha que usar a força. – ele me repreendeu com seu melhor tom maternal. – Por que você está perdendo seu tempo com ele, afinal de contas? – a pergunta fora direcionada a Jimin.
– É que... – ele começou, meio acanhado. – Há alguns dias atrás, a loja de conveniência onde eu trabalho foi assaltada. Eu estaria morto se não fosse por ele. – Jimin me lançou um sorriso tímido, e pude ver o brilho de reconhecimento nos olhos de Seokjin. Ele lembrava da história que eu contara, mas não sabia que havia uma vítima. Claro que não, pois eu mesmo não achava que isso tinha a menor relevância na história.
– Não exagera, garoto. – eu intervi. – Ele não ia te matar, o máximo que ele iria fazer era te dar uma porrada na cabeça com as costas da arma se você tentasse resistir.
– Mesmo assim, eu sinto que estou em dívida com você. – ele parecia em conflito. – Por favor, me deixe retribuir o favor de alguma maneira.
– Hm... eu tenho uma ótima ideia. – disse Jin, atraindo a atenção de nós dois. – Por que você não volta aqui sempre que puder e faz companhia pro nosso querido Suga?
– Jin... – eu o avisei.
– Sabe, — ele continuou, me ignorando completamente. – ele não tem muitos amigos, apenas Namjoonie e eu. A cara feia dele espanta qualquer um que tente se aproximar. Mas com você... Com você pode ser diferente.
– Cala essa boca. – tentei interrompê-lo.
– Agora que você mencionou a loja, eu me lembro claramente do que ele disse aquele dia. – Jin fitou o teto com um sorrisinho nos lábios, como se estivesse se lembrando de uma piada engraçada. – Ele me contou de como não conseguiu ficar parado quando viu aquela arma apontada pra você, de como precisava fazer alguma coisa pra ajudar. E quando viu o quão fofo você era, ficou envergonhado demais pra dizer algo e foi embora. – eu fiquei sem palavras diante da tamanha mentira que Seokjin contava sem nem ao menos piscar um olho. Infelizmente eu não pude deixar de notar o tom avermelhado que a pele de Jimin adquiriu, a ponta de suas orelhas tão vermelhas quanto tomates. Seokjin riu. – Você entende, nosso Suga não é muito bom em fazer novos amigos, mas acho que ele adoraria passar mais tempo com você. O que você me diz?
– Ahn... E-eu... – Jimin gaguejou. – Eu vou passar de novo aqui amanhã! Até mais, hyung... S-suga-ssi... – ele fez breves reverências pra nós dois, seus olhos se demorando nos meus um pouco além do necessário. Quando ele estava suficientemente longe, me virei pra Jin, tentando colocá-lo em combustão apenas com a força do meu olhar.
– Eu vou te matar. – disse, e estava falando sério.
– Me agradeça depois. – Jin deu mais um tapa na minha nuca, apenas por divertimento, enquanto fazia seu caminho de volta pro laboratório.
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