Hold me Tight

27 Não me abandone


— Taehyung POV -

Em momentos como esse, eu me sentia feliz. Música alta explodindo em meus ouvidos, mente entorpecida pelo álcool, pessoas que eu mal conhecia dançando ao meu redor, risadas fluindo livremente de meus lábios; era em momentos como esse que eu me sentia completo. Eu havia descoberto meu habitat natural enquanto dançava no meio da área VIP, copo de alguma bebida chique com nome em inglês que eu não conseguia pronunciar corretamente em mãos, rodeado por jovens da alta classe de Seoul, estes imersos nas mais diversas atividades; alguns dançavam junto comigo, outros beijavam seus parceiros sem o menor pingo de pudor ou corriam até os banheiros aos pares a fim de liberar um pouco da tensão acumulada, rindo como crianças prestes a desobedecer alguma ordem dos pais; haviam ainda aqueles que entorpeciam-se com substâncias ilegais, inalando a trilha branca como a neve, disposta na mesa de centro que era rodeada por tantos outros, ansiosos para ter um gostinho da liberdade. Já eu ficava contente em embriagar-me apenas com o álcool e a felicidade coletiva da juventude humana – as únicas drogas suficientes pra mim.

Do mesmo jeito que eu amava a noite de Seoul, ela me amava de volta. Kim Taehyung, a alma da festa. Aquele capaz de criar laços de amizade tanto com as crianças populares quanto com os desajustados, dando a ambos grande e igual importância. Aquele capaz de elevar o humor de qualquer ambiente caído, seja uma festa grande como essa, ou uma simples reunião entre amigos. Aquele que se tornara tão popular no cenário noturno da cidade, que acabou virando uma lenda viva; desejável, invejável, intocável. Logo na minha primeira festa, quando eu ainda não era ninguém, percebi que era esse tipo de atenção que eu almejava. E agora que eu a tinha, era como um vício: nocivo, mas impossível de largar. Nos últimos meses, pelas mais diversas questões, fui obrigado a me afastar desse estilo de vida e oh, como eu sentia falta. Nunca me senti tão vivo quanto agora: meu peito reverberando no ritmo da batida, suor colando minhas roupas e meu cabelo, bebida derramando no chão por eu não prestar atenção ao tombar o copo nas mãos conforme dançava.

Ao sentir uma mão tocando minha cintura, virei-me para encontrar o rosto longo de nariz fino do amigo de Jimin – como era mesmo seu nome?— sorrindo para mim. Imaginei que ele estivesse me convidando para dançar, portanto apenas uivei naquela forma característica de uma pessoa que está euforicamente embriagada e comecei a pular mais animado no ritmo da música. Porém, ele não me acompanhou. Deixando escapar uma risada baixa, apoiou a mão sobre meu ombro de forma delicada, pedindo silenciosamente para que eu parasse de pular de modo que ele pudesse inclinar-se na minha direção e sussurrar algo em meu ouvido.

— Vamos, Taehyung. Jiminie pediu pra te levar pra casa. – o tom de sua voz me sobressaltou, pois aquilo definitivamente não era um sussurro. Uma parte do meu cérebro rolou os olhos para minha inocência, pois é claro que eu não conseguiria ouvir um sussurro por cima do som alto. Outra parte, porém, ficou em estado de alerta imediatamente. A reles menção do nome do meu amigo me deixou preocupado. Por que Jimin não o acompanhava?

— Onde ele tá? – perguntei, incapaz de esconder a ruga entre as sobrancelhas e o tom aflito da voz.

— Ele está bem, não se preocupe. – o amigo bonito de Jiminie me assegurou, abrindo um pouco mais o sorriso. Ele tinha um sorriso bonito. Combinava com seu rosto. – Ele mandou uma mensagem avisando que tinha encontrado um amigo e que iria pra algum lugar mais reservado, dizendo pra ir embora sem ele. Mas não antes de me fazer prometer que te levaria pra casa são e salvo.

O lado racional do meu cérebro – aquele pouco que ainda não havia sido completamente desligado – gritava comigo, dizendo que algo não estava certo, algo não batia. Mas aparentemente eu estava bêbado demais pra prestar atenção na lógica e fazer as perguntas certas. O amigo de Jimin me disse que ele estava bem. Jimin estava em boas mãos. Estava tudo bem. Certo?

— Ok. – assenti, esvaziando o resto do copo que eu tinha em mãos num gole só antes de deixá-lo sobre uma das mesinhas espalhadas pelo local. Abri caminho entre as pessoas um pouco trôpego, sendo seguido de perto pelo outro, que não sabia se me ajudava ou não. No momento em que paramos diante das escadas que nos levariam à área comum e consequentemente à saída, fui assolado por uma vertigem tão forte, que eu teria rolado os dois lances de escada abaixo – cabeça primeiro – se não fosse por um par de braços fortes rodeando minha cintura e me plantando firme no chão.

— Wow! Calma ai, gracinha. Precisa de ajuda? – o ruivo me perguntou, lançando-me mais um de seus sorrisos bonitos enquanto sua voz transbordava o divertimento que ele sentia às minhas custas.

— Qual seu nome mesmo? – deixei a pergunta escapar subitamente, sem antes refletir sobre a possível grosseria da questão. Para meu alívio, o outro apenas riu e, com movimentos contidos e calculados, ajudou-me a descer a escada. Assim que chegamos ao pavimento inferior sem grandes incidentes, o ruivo chamou minha atenção para si, sorrindo.

— Jung Hoseok. – respondeu com sua voz alegre e divertida, e dessa vez eu fiz questão de gravar o nome na memória. Assenti com a cabeça, incapaz de respondê-lo com palavras devido ao cansaço que finalmente começara a se instalar nos meus ossos, nublando minha mente e pesando meus olhos. Deixei que Hoseok me conduzisse até a saída, fazendo caminho até seu carro que o esperava estacionado nas proximidades da boate, mas eu não havia dado sequer três passos antes do meu estômago revirar de forma brusca.

— Espera, eu— – não consegui nem ao menos avisá-lo antes de esvaziar o conteúdo do meu estômago na calçada, dobrando o corpo pra frente tamanha a intensidade da ânsia de vômito. Felizmente Hoseok tinha reflexos rápidos e desviou da trajetória bem a tempo, posicionando-se atrás de mim enquanto segurava meu cabelo pra trás com uma mão e desenhava círculos nas minhas costas com a outra.

— Acabou? – perguntou-me quando os últimos espasmos cessaram. Respondi positivamente com a cabeça, procurando ficar numa posição ereta mesmo com as minhas pernas bambas, enquanto limpava a boca com as costas da mão. Tomando piedade do meu estado miserável, Hoseok alcançou algo dentro do bolso de sua calça jeans e me ofereceu uma bala de menta. Aceitei de bom grado, ansioso para me livrar do gosto ruim na boca.

— Obrigado. – agradeci, resmungando levemente devido à bala, mas ele apenas desconsiderou como se não fosse problema algum.

Suportando meu peso ao lado do seu corpo, Hoseok me levou até seu carro sem maiores interrupções. Acomodou-me no lado do carona, tomando o cuidado de afivelar o cinto de segurança corretamente, antes de tomar seu lugar no banco do motorista. A viagem até meu apartamento era um pouco longa, mas como as ruas estavam vazias e Hoseok dirigia um tanto acima do limite de velocidade, não demoraríamos a chegar. O interior do carro estava quase que completamente silencioso, com apenas uma balada antiga tocando baixo na rádio servindo de música ambiente, o que acabou contribuindo para meu estado sonolento; no momento que o carro parou, eu já não conseguia mais manter os olhos abertos. Hoseok saiu do carro, abriu a porta pra mim, tirou o cinto de segurança e aguardou pacientemente para que eu me juntasse à ele. Mas eu não movi sequer um músculo.

— Taehyung, acorda. Já estamos na sua casa. – ouvi-o chamar meu nome quase sussurrando, como se falasse com um bebê. Resolvi agir exatamente como um e esticar os braços na sua direção, fazendo gestos de agarrar com as mãos, ainda de olhos fechados. Hoseok apenas riu. – O que é isso?

— Me carrega. – choraminguei, sem a menor vontade de colocar os pés no chão.

— Você tá falando sério? – indagou, deixando algumas risadas incrédulas escaparem. Eu respondi fazendo gestos ainda mais insistentes com as mãos. – Aish, essa criança... – resmungou, porém abriu mais a porta do carro e ajoelhou-se diante de mim, oferecendo-me suas costas. Não pensei duas vezes antes de passar meus braços ao redor do seu pescoço, jogando todo meu peso sobre si. Tomando cuidado para que eu não batesse a cabeça, Hoseok ergueu-se e eu envolvi sua cintura com as pernas, enquanto suas mãos seguravam firme na parte inferior das minhas coxas para impedir que eu escorregasse. Fechou a porta do carro com o pé e dirigiu-se até a entrada do prédio, passando pelo porteiro que o ajudou a chamar o elevador.

— Me leva pra cama? – pedi, encostando o nariz na pele macia de seu pescoço, sentindo a fragrância forte e masculina de sua colônia. Estávamos agora dentro do elevador, subindo a curta distância até o quinto andar, e apenas a ideia de ter que caminhar até o quarto com minhas próprias pernas já me deixava cansado.

— Eu adoraria, gracinha. Mas eu acho que você pode se arrepender dessa decisão pela manhã. – riu, ajeitando-me um pouco melhor nas suas costas. Não entendi a conexão da minha preguiça com arrependimentos futuros, mas assim que as portas da máquina se abriram, resolvi deixar pra lá. Hoseok parou em frente à porta do apartamento, virando levemente o pescoço a fim de olhar pra mim e fazendo nossos narizes se encontrarem no processo. Nenhum de nós corou. – Posso bater?

— Sim. Kookie está em casa. – respondi com a voz grogue de sono, piscando os olhos algumas vezes a fim de afastá-lo. Hoseok deu leves batidas na madeira uma, duas, três vezes. Mesmo esperando alguns minutos, ninguém veio.

— Acho que Kookie está dormindo. – comentou com divertimento na voz. – Qual é a senha da porta?

— A data que Jimin veio morar comigo. – respondi, coçando os olhos.

— Sinto muito, gracinha. Essa informação eu desconheço. – meio brincou, meio falou sério.

— 0124. – respondi, assistindo seus dedos longos e finos pressionarem os botões com destreza, para em seguida sermos agraciados com o leve bipe da porta destravando. Hoseok entrou no apartamento e fechou a porta delicadamente atrás de si, atrapalhando-se um pouco ao tirar os sapatos, quase perdendo o equilíbrio em diversas ocasiões, mas conseguindo evitar um acidente com sucesso. Felizmente a janela da sala era grande e não possuía cortinas, permitindo que Hoseok enxergasse o caminho mesmo que as luzes do apartamento estivessem apagadas.

— Pra qual lado eu vou? – indagou ao alcançar o corredor que levava aos quartos; nele haviam duas portas, uma em cada ponta. Uma levava ao meu quarto, a outra levava ao quarto de Jiminie.

— Direita. – murmurei em seu ouvido, sonolento demais pra perceber o arrepio que percorrera sua espinha. Hoseok tomou o rumo que eu indicara, entrando no ambiente que estava bem mais escuro que o resto do apartamento, salvo por um único filete de luz do luar que invadia meu quarto por entre as cortinas e pairava sobre minha cama. Cuidadosamente, Hoseok me depositou sobre o colchão macio, parando para tirar meus sapatos e minha jaqueta e me cobrir em seguida. Aconcheguei-me entre os lençóis, ronronando como um gatinho contente, e antes que ele pudesse se afastar, segurei sua mão com gratidão no olhar. – Obrigado.

— De nada, gracinha. – ajoelhou-se ao lado da cama, inclinando-se para depositar um leve beijo na minha testa. Quando se afastou, ficou preso na intensidade com a qual eu o encarava. – O que foi?

— Você é bonito. – soltei, sem pensar muito nas consequências de minhas palavras. Já podia sentir meus olhos pesando, o sono mais forte do que nunca.

— Você também é bonito. – sorriu. – Agora vá dormir. Já fui babá demais por uma noite. – disse com falsa repreensão na voz, enquanto se dirigia à porta do quarto. – Boa noite. – acrescentou ao atravessar a soleira, mas nunca obteve resposta. Com um último olhar por cima do ombro, Hoseok confirmou que o amigo carente de Jimin estava de fato dormindo, e foi embora.

Quando acordei na manhã seguinte, já completamente sóbrio – e sem o menor traço de ressaca, por incrível que pareça – os eventos da noite anterior invadiam minha mente como um enxame de abelhas raivosas. Ao invés de me preocupar com a quantidade absurda de skinship que eu compartilhei com um semidesconhecido, tudo o que eu conseguia pensar era em Jimin e como ele havia simplesmente desaparecido. Recordava-me de algo sobre Jimin encontrar um amigo e sair da boate com ele, mas não havia absolutamente nenhum amigo que ele poderia encontrar por acaso numa boate chique de Gangnam. Jungkook ficara estudando em casa, além de ainda estar se recuperando dos machucados; e eu duvidava seriamente que Jimin quisesse sequer ver a cara de Suga, muito menos sair com ele. Então com quem diabos ele saiu?

Com essa dúvida martelando na cabeça e preocupação apertando no peito, livrei-me dos lençóis que me envolviam com um pouco de dificuldade, pois eu era o tipo de pessoa que, ao dormir, mexia-se como louco na cama e acabava por ficar imobilizado pelo tecido. Cai com um baque surdo no chão do quarto, mas rapidamente estava de pé e praticamente corri até a sala de estar, louco pra descobrir o paradeiro do meu melhor amigo. Possibilidades terríveis inundavam minha imaginação: Jimin preso à uma cadeira no meio de um armazém abandonado, Jimin vendido para o mercado sexual, Jimin morto e jogado na sarjeta. Contudo, lá estava ele, empoleirado no banquinho da bancada da cozinha, bebericando café na sua caneca do incrível Hulk e soltando risinhos infantis para algo que via no celular. À salvo.

Mal consegui conter o suspiro de alívio ao vê-lo, sentindo uma vontade enorme de apertá-lo num dos meus abraços de urso e choramingar no seu ouvido. Mas antes eu precisava cumprir meu papel de namorado enciumado e mãe preocupada, os dois combinados num só. Encurtei a distância entre nós com passos largos e duros, parando diante dele com os braços cruzados e uma carranca feia estampada no rosto.

— Por que você sumiu? Pra onde você foi? Com quem você estava? – cuspi pergunta atrás de pergunta, assistindo Jimin desviar a atenção do celular sobressaltado, encarando-me com olhos arregalados. – Por que você me abandonou?

— Olha só quem fala, né. – retrucou irritado diante da minha última pergunta, mas eu podia ver um centelho de divertimento no seu olhar. – Não passou sequer um segundo comigo na festa, e ainda se acha no direito de fazer perguntas. Aish, as crianças de hoje em dia.

— Não brinca comigo, Jimin. – adverti, apoiando as mãos na bancada atrás de si, uma de cada lado de seu corpo, enquanto aproximava meu rosto ao seu. – Eu estou falando sério.

— Eu também. – rebateu sem deixar-se abalar, retribuindo meu olhar na mesma intensidade.

— Com quem você estava? – repeti a pergunta, esperando que ele respondesse ao menos uma delas.

— Com um amigo. – respondeu com um encolher de ombros, sendo propositalmente vago pra me provocar.

— Que amigo? – insisti.

— Conheci na boate ontem. Você não sabe quem é. – dessa vez eu não consegui conter uma risada de escárnio.

— Como pode ter tanta certeza? Eu conheço todo mundo, lembra?

— Olha, Tae. Eu realmente gostaria de ficar e conversar, mas eu preciso ir. – inclinou-se para plantar um beijo estalado na ponta do meu nariz. Eu podia ver um brilho de travessura em seus olhos; ele estava se divertindo às minhas custas. – Estou atrasado. Mais tarde a gente se fala, ok? – disse, empurrando-me levemente para conseguir passar por mim. Olhei incrédulo para suas costas, observando-o parar no hall para calçar os sapatos antes de sair pela porta.

— Onde você vai? – perguntei, torcendo para que ele não notasse o tom de choramingo.

— Sair com meu novo amigo. – foi a última coisa que disse antes bater a porta atrás de si.

E assim foi pelos próximos dias. Jimin passava cada vez menos tempo conosco, preferindo passar seu tempo livre entre faculdade e trabalho com seu mais novo amigo. Até mesmo no dia sagrado em que saíamos da aula no mesmo horário, ele recusou minha oferta de sair pra comer hambúrguer com uma desculpa esfarrapada de que precisava resolver algo no trabalho, mas eu sabia que ele ia se encontrar com o amigo misterioso de novo. Algo no fundo da minha mente remexia-se inquieto, como algum tipo de mau pressentimento, toda vez que Jimin não estava ao alcance dos meus olhos. Meu coração doía cada vez que ele me ignorava, cada vez que saía com uma desculpa. Parte de mim estava possessa de raiva pela traição cometida por ele, já que Jimin me prometera que nunca mais me esconderia nada; a outra parte, porém, chorava de saudades do meu melhor amigo.

Era exatamente nesse estado que eu me encontrava agora, sentado no sofá da sala, aguardando pacientemente – ou talvez nem tanto – a chegada de Jimin. Era fim de tarde de um domingo, e havíamos combinado de jogar videogame depois que seu turno no restaurante chinês acabasse. Jungkook estava sentado no chão, assistindo alguns vídeos no laptop disposto sobre a mesa de centro, seus ferimentos completamente cicatrizados. Ele não parecia tão ansioso quanto eu, mas eu sabia que o maknae também se preocupava com a ausência de Jimin. Suspirando pela enésima vez, decidi jogar o orgulho próprio pela janela e procurar na lista de contatos do celular o número que eu desejava.

Tae-Tae?— a voz de Jimin soou confusa porém risonha do outro lado, como se estivesse rindo de alguma piada agora a pouco.

— Você tá vindo pra casa? – indaguei com a voz manhosa, esperando que meu aegyo pudesse apressá-lo.

Hm, Tae... acabou surgindo um imprevisto e—— uma voz suave juntou-se à dele do outro lado da linha, dizendo algo que eu não consegui compreender e cortando sua sentença ao meio.

— Você tá com ele, não é? O seu amigo. – perguntei, mesmo já sabendo a resposta. Pelo canto do olho, pude ver Jungkook me encarando. Soltei uma risada baixa, seca. – Eu nem sequer sei o nome dele.

Eu sei, foi culpa minha. Aquele dia eu só não te contei porque estava com raiva por ter sido abandonado na boate. Agora eu sei que foi criancice da minha parte. Desculpa, Tae.

Suspirei mais uma vez, tentando engolir o choro que ameaçava transbordar, mas não consegui impedir que a minha voz falhasse. – Você prometeu, Jiminie. Prometeu que nunca mais esconderia nada de mim.

Tae-Tae, me perdoa.— o pedido parecia sincero, mas o estrago já estava feito. Mordi os lábios para impedi-los de tremer. – Prometo que quando eu chegar em casa, te contarei tudo sobre ele, tá bem?

— Tá bem... – respondi com a voz fraca, me sentindo patético.

Eu preciso ir agora. Te vejo mais tarde, ok?— Jimin despediu-se do seu jeito habitualmente alegre, totalmente ignorante diante do meu estado deprimido.

Deixei escapar um soluço, e dentro de instantes Jungkook estava ao meu lado, colocando um braço sobre meus ombros de forma embaraçosa. Ignorando suas péssimas habilidades de trazer conforto à alguém, escondi meu rosto no seu ombro enquanto apertava o tecido de sua camisa no punho. O mais novo apenas continuou com o meio abraço, dando-me tapinhas nas costas como se não soubesse como proceder. Deixei que as lágrimas corressem livres até que secassem naturalmente. Quando constatei que a crise de choro havia passado, virei um pouco o rosto a fim de lançar ao moreno um olhar cheio de julgamento.

— Você é péssimo pra confortar os outros. – mesmo com a voz embargada de choro, não pude deixar de zombar de seu jeito todo vergonhoso e desajeitado.

— Aish, da próxima vez deixo você chorar sozinho. – resmungou, empurrando-me sobre o braço do sofá com uma careta adoravelmente irritada no rosto. – E ainda deixei você fazer uma lambança na minha blusa. Ingrato. – acrescentou, arrancando algumas risadas da minha parte. Ao ouvi-las, o rosto de Jungkook pareceu um pouco menos irritado e um pouco mais vermelho.

— Kookie... – chamei, atraindo sua atenção. – Você acha que Jiminie está nos abandonando?

— Claro que não. Você faz muito drama, Taehyung. – bufou, mas de alguma forma suas palavras rudes conseguiram soar reconfortantes.

— Promete? – indaguei, encarando-o com olhos grandes e marejados.

— Aish, você e suas promessas. – reclamou, mas calou-se assim que viu a esperança nos meus olhos. Um pouco envergonhado, Jungkook desviou o olhar, mas em pouco tempo ele direcionava as orbes escuras para as minhas próprias novamente. – Prometo. Jimin nunca nos abandonaria. – assegurou-me com certeza na voz e um pequeno sorriso, que lhe caía muito melhor do que a constante carranca que adornava seu rosto belo e jovial. Nunca na vida eu torci tanto para que alguém tivesse razão.