Hold me Tight
17 Nunca aceite bebida de estranhos
– Yoongi POV -
Era uma noite quente e úmida de sábado. Hoje fazia exatamente uma semana desde a última vez que eu vira Park Jimin. Por mais que eu odiasse admitir, eu sentia sua falta. A guerra de gangues que eu me envolvera estava cada vez mais próxima, eu podia sentir; era como se estivéssemos todos presos dentro de uma panela, a pressão expandindo e borbulhando ao nosso redor, preparando-se para explodir a qualquer momento. Chegava a ser irônico o fato de que o garoto irritante com bochechas gordinhas e óculos de nerd fosse o único capaz de me distrair da minha vida de merda. Por isso, eu havia acumulado tanta energia negativa nessa semana longe dele – aliás, duas, se você desconsiderar o fiasco no meu apartamento – que eu precisava afogá-la da única maneira que eu conhecia: enchendo a cara.
Por esse motivo eu estava agora estacionando o carro na frente do meu bar favorito, ansiando pelo ardor de uma boa dose de uísque ao som de músicas deprimentes sobre o amor perdido. Entrando no estabelecimento, ri debochado pra mim mesmo, escarnecendo da minha auto piedade, quando senti o riso morrer na garganta. Atrás do balcão do bar, limpando alguns copos, não estava o homem de meia idade que eu estava acostumado a ver, mas sim um garoto alto com cabelos rebeldes tingidos de lilás.
– Mas que porra você tá fazendo aqui? – perguntei ao me aproximar, rezando para que tudo não passasse de um pesadelo e eu acordasse na minha cama, rindo do sonho idiota que eu acabara de ter.
– Boa noite, senhor! Hoje serei seu bartender. O que vai querer? – o garoto me lançou um daqueles sorrisos retangulares que eu achava estranhamente perturbadores, ignorando completamente minha pergunta.
– Cacete, Taehyung. Não brinca comigo. – encarei-o com raiva, me controlando pra não estrangular aquele pescoço fino. – Cadê o ahjussi que trabalha aqui?
– Trabalhava. – ele me corrigiu, sem se deixar intimidar. – Aposentado. Agora sou eu que sirvo as bebidas por aqui.
– Nossa, que ótimo. – bufei, pronto pra dar as costas e ir embora. – Conseguiram estragar o único bar que eu gostava. – comecei a me afastar, mas Taehyung inclinou-se sobre o balcão e segurou meu braço. Encarei sua mão como se ela tivesse algum tipo de doença, até ele entender o recado e me soltar.
– Não vá embora ainda. – ele pediu, fazendo bico numa forma ridícula de aegyo. Revirei os olhos. – Toma alguma coisa primeiro. O que vai querer? Soju? – indagou, dispondo um copo na minha frente.
– Uísque. – disse simplesmente, assistindo-o despejar o líquido âmbar no vidro antes de pegá-lo e partir para meu canto favorito no bar, onde eu poderia apreciá-lo em silêncio. Mal eu me acomodei no assento, e lá estava ele saltitando na minha direção. Silêncio? Que inocência a minha.
– Como você está, Suga-hyung? – fuzilei-o com os olhos ao som da palavra hyung, mas ele pareceu não notar, colocando os cotovelos sobre o balcão e apoiando o queixo nas mãos. – Faz tempo que eu não te vejo.
– Pena que não durou mais tempo. – falei dentro do copo, sem sequer tentar esconder o veneno da voz. – E não me chame de hyung. É Suga-ssi pra você.
– Nah, isso é como Jimin te chama. – disse ele, abanando a mão dispersamente. Senti meus ombros ficarem tensos ao som daquele nome. Taehyung pareceu notar dessa vez. – O que foi, hyung? Aconteceu alguma coisa?
– Não te interessa. – rosnei, esvaziando o conteúdo do copo num gole só. – Só cala a boca e me serve mais um desses.
– Parece que você está um pouco tenso. Isso vai te ajudar a relaxar. – comentou enquanto a bebida preenchia o copo novamente. Respondi com um grunhido, agradecendo aos céus quando um novo cliente aproximou-se do bar, desviando a atenção do bartender. Finalmente eu poderia beber em paz.
Taehyung havia esquecido a garrafa de uísque em cima do balcão, então sempre que meu copo ficava vazio, eu me adiantava e preenchia-o de novo, sem sequer esperar pra ser servido. Quando não havia mais nenhuma gota na garrafa, gritei para que o garoto movesse a bunda e me trouxesse outra logo.
– Eu gostaria de conhecê-lo melhor, Suga-hyung. – o bar parecia mais vazio, então Taehyung achou que era uma boa ideia ficar pra conversar enquanto me servia a enésima dose de álcool. – Jimin fala muito sobre você.
– Ele fala? – soltei abruptamente, quase engasgando com a bebida quando me dei conta da merda que acabara de falar. Tossindo para disfarçar e tentar me recompor, fiz minha melhor expressão de indiferença e torci para que ele relevasse. – Hm. Que bom.
– Sim, ele não consegue calar a boca. É Suga-ssi pra cá, Suga-ssi pra lá... um inferno. – ele revirou os olhos, mas logo em seguida abriu seu sorriso característico. – Quem vê até pensa que está apaixonado.
Dessa vez eu realmente engasguei com a bebida, cuspindo tudo e fazendo uma tremenda bagunça. Taehyung riu, aquela risada rouca e infantil, e me estendeu um guardanapo. Limpando o queixo, fiz questão de fuzilá-lo com o olhar da forma mais ameaçadora possível. – Para de falar merda, garoto.
– Eu só estou falando a verdade. – deu de ombros, limpando a bancada suja com um pano. – Ah, mas... ultimamente Jimin tem estado muito estranho. – acrescentou, seu semblante adquirindo um tom de preocupação.
– Por quê? – tentei parecer o menos interessado possível.
– Ele estava cabisbaixo a semana inteira, e sempre que eu mencionava seu nome ele ficava tenso... – pausou, me lançando um olhar significativo. – Exatamente como você ficou quando mencionei o nome dele. Vocês brigaram?
– Isso não é da sua conta, moleque. Não se mete. – ralhei, esticando a mão na direção da garrafa, na tentativa de extinguir o sentimento de culpa com mais uma dose de uísque.
– Aí que você se engana. – disse, tirando a garrafa do meu alcance. – Jiminie é o meu melhor amigo, e se algo acontece com ele, eu preciso saber. Desembucha, ou nada de bebidas pra você. – ameaçou.
– Taehyung, eu não tô com paciência pra brincadeiras. – adverti, encarando-o.
– Nem eu. – ele rebateu, sustentando meu olhar sem recuar. Esse garoto era abusado demais pro seu próprio bem.
– Não é nada. – suspirei, admitindo a derrota. – Ele só está chateado por eu não ter o visto ganhar a competição. – essa não era a história toda, mas decidi revelar uma meia verdade pra parar de ser importunado. Aparentemente funcionou, porque Taehyung acenava com a cabeça em compreensão, enchendo meu copo.
– Hyung, você gosta do Jimin? – sua pergunta me pegou desprevenido, me fazendo engasgar com a bebida pela segunda vez naquela noite. Arregalei os olhos, incrédulo, enquanto ele analisava minha reação. Maldito Taehyung, era traiçoeiro como uma raposa.
– Que papo é esse agora, caralho? – desviei, limpando a boca na manga da jaqueta jeans.
– É uma pergunta simples, na verdade. – ele continuou me analisando. Isso já estava me dando nos nervos. – Você só precisa responder com sim ou não.
– Eu não preciso responder porra nenhuma. – rosnei, derramando o resto da bebida garganta à baixo.
– Você gosta, não é? Só não quer admitir.
– Por que você não vai encher o saco de outra pessoa, hein?
– Espere aqui. – disse ele ao se afastar. Suspirei aliviado por estar livre de todo aquele interrogatório; porém, minha folga não durou muito. Taehyung retornara, e dessa vez com uma bebida não identificada nas mãos. – Aqui, tome isso. Por conta da casa. – disse, me oferecendo o copo. Cheirei seu conteúdo desconfiado; o líquido era escuro e viscoso, como xarope, e parecia borbulhar levemente.
– Que porra é essa, Taehyung?
– Receita da família. Vai te ajudar com toda a ressaca que você vai ter amanhã por acabar com o estoque de uísque do bar. – respondeu, me dando um sorriso encorajador. Franzi o cenho. – Vamos, tome logo.
O que não mata te deixa mais forte, pensei, dando de ombros. Esvaziei o conteúdo do copo num único gole, me arrependendo amargamente de tê-lo feito. Fazendo uma careta, tentei amenizar o gosto ruim com mais um pouco de uísque. Estava pronto pra xingar o garoto e toda a sua família junto, quando de repente minha língua começou a formigar. Em seguida, todo o meu corpo estava formigando, e então eu apaguei.
Estava tudo escuro. Meus membros pesavam como se fossem de chumbo, e eu me sentia sufocado. Podia ouvir algumas vozes ao meu redor, mas elas estavam abafadas, como se eu estivesse submerso em água.
“O que você fez agora, Taehyung?”
“Não tenho tempo pra explicar, Jiminie. Me ajuda aqui.”
“Nossa, ele é pesado. Quem diria?”
“Cadê o carro dele?”
Aquelas vozes... a quem pertenciam? Eu sentia como se as conhecesse, mas nada do que diziam fazia sentido pra mim. Mãos invisíveis me arrastavam, levando-me pra algum lugar desconhecido. O que estava acontecendo? Eu só queria dormir.
“Tae, você sabe dirigir?”
“Mais ou menos.”
“Cuidado! O poste!”
“Ufa, essa foi por pouco.”
“Não ria, idiota!”
Eu podia sentir que estava sendo arrastado novamente, mas ainda não conseguia ver nada. Meu corpo ainda pesava. De repente, senti uma dor aguda na cabeça. Que diabos de sonho esquisito é esse?
“Cuidado com a cabeça!”
“Ops.”
“Que merda ele tá fazendo aqui?”
“Vai dormir, Jungkook.”
“Onde eu coloco ele? Tá pesado pra caramba.”
“No meu quarto.”
Acordei com os raios solares aquecendo meu rosto. Que tipo de filho da puta dormia com as cortinas abertas? Abri os olhos apenas para levar o maior susto da vida: em cima de mim, me encarando, estava Taehyung. Levantei num pulo apenas para cair novamente no travesseiro com uma dor de cabeça miserável. Gritando de dor, levei as mãos aos olhos, bloqueando-os da claridade que agia como agulhas perfurando meus globos oculares. Tudo doía: meus olhos, meu corpo e principalmente minha cabeça. Tentativamente, levei uma das mãos até o alto do meu crânio, encontrando ali um galo. Mas que porra tinha acontecido ontem à noite?
– Bom dia! – exclamou Taehyung, animado. Grunhi de irritação. – Que bom que você acordou. Jiminie tá fazendo panquecas!
– Onde eu tô? – perguntei meio retoricamente, já que podia adivinhar a resposta.
– Na nossa casa, bobinho. – ele riu como uma criança de sete anos. – Ontem você apagou, então eu te trouxe pra cá.
– Ah, sim. – cuidadosamente, me sentei na cama – ou melhor, no futon – tentando assimilar o espaço ao meu redor. Era um quarto simples, bem arrumado. Além do futon onde eu estava deitado, havia uma cama, um criado-mudo separando a cama do futon, um armário escuro de madeira e uma escrivaninha cheia de livros; em cima do criado-mudo, havia uma foto de Jimin com um casal sorridente – seus pais. – Refresque minha memória. O que aconteceu ontem mesmo?
– Você tinha bebido muito, então eu resolvi te dar algo pra ajudar... – ele fez uma pausa, brincando com a bainha do pijama. – ... e talvez eu tenha colocado algo pra dormir na bebida.
– Taehyung. – chamei, calmo, tentando assimilar suas palavras. – Você quer dizer que me drogou? – o garoto afirmou timidamente com um aceno de cabeça, e então todo o meu auto controle foi pro espaço. Voei para cima de seu pescoço, determinado em quebrá-lo ao meio. Infelizmente Taehyung era mais ágil, e meu estado debilitado em nada me ajudava. Assisti o pestinha sair correndo do quarto, chamando por ajuda. Com muito esforço, corri atrás dele apenas pra interromper o trajeto subitamente. O maldito usava Jimin como escudo, e este me olhava com um misto de confusão e vergonha.
– B-bom dia. – Jimin gaguejou, parecendo um tanto nervoso.
– Sai da frente, Jimin. – ordenei, bufando de raiva, fuzilando o garoto de cabelos lilases que apenas ria como se tudo não passasse de uma brincadeira. – Eu vou matar esse filho da puta.
– Se acalme, Suga-ssi. – Jimin pediu, o tom de voz baixo e contido. – Ele não fez por mal.
– Há, você só pode estar de brincadeira. – bufei, cruzando os braços. – Eu fui drogado, mas tudo bem, por que ele não fez por mal? Conta outra.
– Eu só queria que vocês se resolvessem... – Taehyung disse numa voz manhosa, brincando com os dedos e mordendo os lábios como se fosse uma criança levada levando bronca do pai. Me sentindo extremamente auto consciente, olhei para meus pés, percebendo que estavam descalços. Minha jaqueta também havia sumido, me restando apenas a calça preta e a camisa branca que usava por baixo. Um arrepio percorreu minha espinha. Era extremamente perturbador saber que haviam me despido – mesmo que parcialmente – enquanto estava desacordado. Será que foi Jimin? Será que ele fez mais alguma coisa? Para com isso, Suga, pensei, me dando um tapa mentalmente. Não é hora pra pensamentos indecentes.
– Tae-Tae, vá acordar Jungkook. O café já está pronto. – pediu na tentativa de desviar o assunto, voltando para a cozinha a fim de pegar os pratos. Taehyung foi fazer o que lhe foi pedido, gritando pela casa, ansioso pela oportunidade de comer panquecas.
– Deixe que eu te ajudo. – pedi ao ver Jimin se equilibrar entre quatro pratos de panquecas, tirando-lhe dois. Nossos dedos se encontraram por um breve momento, assustando o garoto com a minha aproximação repentina. Observei suas bochechas adquirirem um adorável tom de rosa enquanto ele deixava os pratos na mesa e fugia para a cozinha, trazendo consigo canecas cheias de café preto e fumegante. Arrumamos a mesa da melhor maneira possível, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, fui interrompido por uma voz muito irritante.
– Vai ficar pro jantar também, Suga? – o tom desdenhoso que Jungkook usara não passou despercebido por mim. Revirei os olhos.
– Ah não, sua cara feia poderia me dar indigestão. – retruquei, arrancando risinhos de Taehyung, que vinha logo atrás.
– Vamos parar, por favor? – Jimin suspirou, parecendo exausto. Todos sentamos ao redor da mesa circular, Jungkook me enviando olhares de ódio, enquanto Taehyung parecia pular de alegria com a mera visão das panquecas. Muito em breve o ambiente fora preenchido apenas com o ruído de talheres raspando contra porcelana, os três garotos ao meu redor devorando a massa fofa como se não vissem comida há dias. Enquanto isso, eu bebericava o café em pequenos goles, olhando distraidamente pela janela da sala, apreciando a vista, panquecas intocadas à minha frente.
– Não vai comer? – perguntou Jimin num tom levemente magoado, notando minha falta de apetite.
– Ah, é que... – pigarreei, me sentindo constrangido por algum motivo. – Eu não sinto fome pela manhã.
– É um mal agradecido mesmo. – Jungkook estalou a língua, me encarando como se eu fosse o ser humano mais rude que já vira na vida. Talvez eu fosse.
– Experimente, hyung! – Taehyung exclamou, pegando um pedaço da própria panqueca no garfo e estendendo-o na minha direção, o que acarretou um olhar de choque da parte de Jimin. Me sentindo auto consciente novamente, afastei sua mão com um tapa e peguei meus próprios talheres.
– Eu posso comer sozinho, muito obrigado. – cortei um pedaço considerável com a faca e levei-o com o garfo até a boca, comendo em silêncio. Me espantei com as habilidades culinárias de Jimin: a textura era macia e o sabor era doce na medida certa, definitivamente a melhor refeição que eu tivera em dias – por morar sozinho e ter zero paciência pra cozinhar, tudo que eu comia era porcaria. Não consegui conter um ruído de aprovação. – Sua comida é muito boa, Jimin. – elogiei, recebendo um sorriso de alívio do garoto; constrangido, Jimin encheu as bochechas de comida como um esquilo, na tentativa de esconder o rubor que coloria sua face.
– Quando vocês vão fazer as pazes? – Taehyung perguntou curioso, enfiando uma quantidade considerável de comida na boca e mastigando ruidosamente, olhando para nós dois como se fosse uma criança presa entre os pais divorciados.
– Nós não estamos brigados. – respondi, encarando Jimin, que apenas desviou os olhos. – Estamos?
– N-não. – Jimin balbuciou, arriscando lançar um olhar na minha direção apenas para desviá-lo novamente quando notou que eu ainda o encarava.
– Nossa, vocês dois me dão nojo. – bufou Jungkook, levantando-se da mesa. – Perdi o apetite.
Jimin acompanhara o garoto entrar no quarto com preocupação nos olhos, mas Taehyung apenas deu de ombros e pegou a panqueca esquecida no prato de Jungkook e colocou-a no seu próprio, mastigando contente sua comida favorita.
– Ele é sempre assim? – perguntei com o cenho franzido. Qual era o problema desse garoto?
– Liga não, hyung. – disse Taehyung com a boca cheia. – Ele tem ciúmes do Jimin com qualquer pessoa, até comigo.
– Por quê? Ele tá apaixonado? – provoquei, erguendo uma sobrancelha ao dirigir um olhar significativo para Jimin, que apenas engasgou com seu café.
– Não diga bobagens. – ralhou, mas suas orelhas vermelhas o denunciavam. Apertei os olhos, olhando-o desconfiado.
– Eu aposto todo o meu dinheiro que está. – respondeu Taehyung, limpando o prato com a língua e recebendo um tapa dolorido de Jimin no braço. – Ai!
– Hm... É mesmo? – indaguei casualmente, olhando para a paisagem na janela enquanto pensava em mil e uma maneiras de matar Jungkook. Jimin me olhava de maneira nervosa enquanto Taehyung roubava o pouco da panqueca que restava em meu prato, pensando que eu não perceberia. Deixando o garoto se safar dessa vez, rapidamente me livrei dos pensamentos que envolviam Jungkook e instrumentos de tortura, escarnecendo da minha própria imaturidade. Não era como se eu fosse dono do Jimin, certo?
Oh, merda, pensei. Eu queria ser dono do Jimin. Queria fazê-lo meu, e somente meu, ao vê-lo me encarar com preocupação nos olhos castanhos, sua pele levemente bronzeada ainda tingida de rosa, seus incisivos brancos e levemente tortos mastigando o lábio carnudo. Sentindo o clima pesado e constrangedor que se instalara no ambiente, fiz menção para sair também. – Acho melhor eu ir. Obrigado pela hospitalidade, Jimin.
– Espere! – ele pediu, dando a volta na mesa apressado. – Eu te acompanho.
Fomos até o hall de entrada, onde encontrei meus sapatos e minha jaqueta pendurada num cabideiro ao lado da porta. Olhando um pouco ao redor, encontrei meu revólver pousado desajeitadamente sobre um aparador.
– Ah, me desculpe por isso. – pediu, lançando um sorriso apologético na minha direção. – Quando tirei sua jaqueta, vi que você estava armado e, bem... não queria que você dormisse com isso e causasse algum acidente. – riu sem jeito.
– Não se preocupe. Seria realmente uma droga se eu atirasse na minha própria bunda enquanto dormia. – brinquei, arrancando algumas risadas agudas e borbulhantes que eram características de Jimin. Me arrumei depressa e, tomando coragem antes que fosse tarde demais, lancei um meio sorriso em sua direção.
– Vê se aparece no covil qualquer hora dessas. Eu... – pigarreei, desviando os olhos enquanto coçava a nuca desajeitadamente. – Jin sente sua falta.
Pude ver a decepção tingir seu olhar por uma fração de segundo, mas logo ele a substituiu por aquele sorriso radiante que escondia seus olhos. Por algum motivo, não achava que era sincero. – Claro, pode deixar. Sinto falta dele também.
Sem saber o que dizer, despedi-me com um aceno de cabeça e saí porta afora. A viagem de elevador foi tomada por pensamentos de culpa e arrependimento, mas tudo fora esquecido assim que vi meu carro porcamente estacionado do lado de fora do prédio, sua pintura arranhada e para-choque amassado.
Eu vou matar Taehyung.
Fale com o autor