Hold On Hope
3 Outro Lado
Notas iniciais
Mabel's POV
Fui acordada com a luz cegante que vinha da janela.
Levei as mãos ao rosto, numa tentativa totalmente falhada de escurer o ambiente. Por que é que eu não fechei a janela antes de dormir? Podia muito bem entrar um maniaco aqui dentro. Ou a luz do sol.
Não estava funcionando. Ainda me recusando a abrir os olhos, agarrei o edredom roxo e o puxei até cobrir minha cabeça.
Por um tempo pareceu funcionar, mas o edredom além de me deixar com calor, começou a me sufocar. Abri completamente os olhos, e afastei o edredom com o pé.
Estiquei o braço até a mesinha, tateando todos objetos alí até achar o meu celular. O puxei, colocando-o em frente ao rosto.
Liguei, e logo me vi encarando o papel de parede com tema dos Beatles. Sim, Beatles, francamente, acho que nasci na época errada.
No canto da tela estava avisando que eu tinha treze ligações perdidas de Matt. Imediatamente me assustei. Matt nunca me ligava, quem dirá entupir meu telefone de notificações. Resolvi deixar para lá. O que ele tiver que me falar, ele me fala hoje. Meu celular marcava que eram 12:40. Faltei a aula em plena quarta feira. Estanhei ninguém ter esmurrado minha porta para me mandar para o colegio. Ou talves tenham mas eu não ouvi. Tenho um sono tão pesado, que pode aconteser um apocalipse no andar de baixo e eu não vou mover um dedo.
A tela ficou preta e eu devolvi o aparelho para onde ele estava. Depois de um bocejo levantei-me da cama, dando fim a todos os meus pensamentos de levar em conta ficar o dia inteiro na cama olhando o teto. Estou com fome demais para fazer isso.
Caminhei em direção ao guarda-roupas, abrindo as portas de madeira. Optei por um short jeans, e tennis all-stars Meus olhos caíram no único tecido rosa no meio de todas as roupas. O peguei na mão. Uma blusa lisa rosa com mangas compridas. Inclinei a cabeça em duvida entre usa-la ou não. Não visto nada rosa desde que eu tinha sete anos
Lembro-me do sangue manchando o tecido, dele sendo lavado em vão. Afinal, não importa o quão bem são lavados, o sangue sempre vai estar lá para sujar os lençois. Isso é besteira, não é como se rosa me desse azar. E fora que as mangas compridas são perfeitas para esconder minhas cicatrizes. O dia que minha mãe as viu foi desastroso. Ela disse que se vi-se eu me cortando de novo, iria me mandar para um colegio interno bem longe de Atlanta, onde eu não podese voltar. Na época aquilo acendeu uma esperança em mim, a esperança que ela ainda se importava comigo, mas desapareseu quando pensei na possibilidade dela só ter falado isso para não ter que explicar minha morte para as pessoas. O que é bem provavel.
Carreguei os tennis e as roupas junto com uma toalha para o banheiro, colocando tudo em cima da tampa da privada.
Girei a manivela do chuveiro, surpreendendo-me quando a água não caíu. Franzi o celho. Problemas no encanamento? Vou pedir a papai para resolver isso. Papai. Pensar nele era a mesma coisa que pensar naquela cena tralmatizante da noita passada. Alguma coisa se mecheu no meu estomago, e eu senti que iria vomitar. Rapidamente controlei-me. A última coisa que queria era vomito dentro da privada sendo que eu não poderia dar descarga.
Troquei aquele vestido de festa pelas roupas confortaveis que havia escolhido. Fui até o espelho.
Encarei primeiramente meus cabelos que pareciam um ninho. Torci o nariz, sem motivaçã nenhuma para tentar ajeita-los. Resolvi deixar do mesmo jeito. Depois encarei o reflexo dos meus olhos, que além de inchados estavam vermelhos, e maquiagem seca estava sujando logo abaixo deles e minhas bochechas.
Tive que me virar com os lençinhos para limpar aquela maldita mascara. Depois retornei o meu quarto, só para pegar meu celular e os fones de ouvido.
Assim que saí do quarto, me surprendi ao notar o completo silencio que pairava. Sem gritos de briga dos meus pais. Até mesmo irritante reck reck do chão sendo esfregado estava ausente. Sorri. Talves usar rosa não esteja sendo tão ruim.
Para não perder o custume, coloquei os fones e fui passando a playlist do celular algo que quisese ouvir. Acabei apertando o play em Don't Let Me Dawn.
Enquanto a musica tocava, eu descia as escadas e caminhava em direção a cozinha, decidida a engolir tudo o que tinha na cozinha com uma mordida só. Passei pelo vão de madeira, e peguei o saco de pão, a faca, e o queijo na geladeira, e os coloquei em cima da bancada de pedra. Peguei o suficiente para um sanduiche, mesmo sabendo que precisaria de pelo menos quatro para saciar minha fome. Mamãe dizia que eu era um elefante no corpo de um palito. Dizia.
Enquanto cortava o queijo, oui um estrondo atrás de mim, como se alguem tivesse derubado uma panela ou algo do tipo.
-Olá?-Chamei, recebendo um grunhido em resposta.
Franzi o celho. O motorista, Joe, entrou em meu campo de visão. Nao pude deixar de notar coisas em sua aparencia: sua pele estava doentiamente pálida, e seus dentes batiam um contra o outro ruidosamente. Seus olhos sempre foram daquela cor cinza?
Mamãe não negaria dar uns dias de folga para alguém com uma aparencia tão pessima. Pelo menos por medo da infecção que eu presumo que ele está ser contagiosa.
-Você está bem...?-Perguntei, mesmo que o não seja obvio.
Ele se voltou para mim e grunhiu. Não sei se me senti mais confusa ou ofendida. Confusa, pela sua resposta. Se é que aquilo é resposta. Ofendida, por seu rancor. Eu sei que não sou lá a pessoa mais simpatica do mundo, mas um "sim" ou "não" não mata ninguém.
Tudo foi prenchido por medo quando Joe veio mancando até mim. Definitivamente ele não estava bem. Alguma coisa dentro de mim gritava "CORRE". Seus dentes estavam a mostra e ele ignorava tudo a frente, os olhos fixos em mim, como se sua vida depende-se disso.
Meu coração bateu mais rapido e minha respiração acelerou, a adrenalina tomando conta de mim. Não consegui pensar em nada naquele momento. Olhei em volta em busca de uma rota de fuga, mas eu estava presa entre as bancadas de pedra.
-Joe, para!-Gritei.
Não foi uma boa ideia. Ouvi grunhidos parecidos com os que Joe estava emitindo, mas de um lugar mais longe. A última coisa que queria era mais pessoas iguais a Joe perto de mim.
Minha única escapatoria era a faquinha suja de comida que estava na minha mão. Balançei a cabeça. Eu nunca mataria uma pessoa. É dontio tirar a vida de uma pessoa, arancar as oportunidades dela. Quem sou eu para julgar assassinos, eu estou assassinando a mim mesma quase todos os dias.
Me destrai com minha linha de pensamentos de assassinos pelo tempo que Joe precisou para atravesar a cozinha e vir até mim. Xinguei todos os palavrões que conhecia, mas meu linguajar vulgar era a menor das minhas procupações no momento.
As mãos frias de Joe envolveram meus ombros e me puxaram bruscamente para mais perto. Seu rosto estava tão proximo que consegui sentir seu cheiro de carne podre. Senti a ultima coisa que comi revirar em meu estomago.
Agi sem pensar. Meus dedos tremulos seguraram a faca com força desnessaria. Enterrei a lamina na testa de Joe.
Imediatamente ele parou de se mexer e caíu sem vida aos meus pés.
Eu...matei uma...pessoa. Fiquei desesperada. Não sei o que papai e mamãe farão quando descobrirem. E Matthew não ira mais cuidar de mim, ele vai me odiar. Isso me faz um monstro.
Senti meus tennis ficarem molhados. Desci os olhos até Joe, seu sangue encharcava meus tennis. Tudo que eu tinha comido finalmente saíu. Virei a cabeça para o lado e vomitei. Foi horrivel no começo, mas o bom foi que o enjoou passou.
A faca escorregou e caíu ruidosamente ao lado de Joe. Eu pricisava de ar fresco
Com o coração praticamente na garganta, atravessei o corpo, indo em direção a porta dos fundos. Atravessei-as, e logo já estava no pequeno jardim detras da casa.
Respirei fundo, passando a mão pelo meu cabelo desgrenhado, com medo do que iria aconteser comigo. Será que meus pais seriam capazes de me entregar para um reformatorio? O pensamento me assombrou. Sentei no chão, e enterrei a cabeça nos joelhos. Não sei quanto tempo fiquei me torturando com meu suposto futuro deliquente, mas fui puxada para a realidade com o som de um latido.
O latido era do meu Goldem Retriever, Hero. Juro que não sei o que passou na minha cabeça quando escolhi esse nome. Meu pai me deu quando eu tinha dez anos, quando ele ainda se importava comigo. O pai, a mãe, a filha, e o cachorro da familia. Que lindo. Uns meses depois mamãe não queria a "bola de pelo pulguenta" dentro de casa e o enfiou no canil construido no jardim dos fundos.
Levantei, e corri até o canil, afim de saber o que estava havendo com Hero. Estaquei no lugar quando vi duais pessoas iguais a Joe balançando as grades do Canil, enquanto Hero latia para elas. Ele não gosta de pessoas desconhecidas.
Seja lá o que Joe queria fazer comigo, não vou deixar aquelas pessoas fazerem com meu cachorro.
Me agachei, na esperança em que as plantas altas me escondesem. Pensei rapido, pois faltava pouco para aquelas pessoas derrubasem as grades. Senti um ardor na mão e rapidamente a puxei, analisando em frente ao rosto. Estava com pequeno arranhado. Olhei para o chão, e vi que tinha enterrado a mão em uma pedra afiada. Uma pedra afiada.
A segurei entre as mãos e a arremei na lata de lixo que estava do outro lado do jardim. Sorri quando a pedra derrubou a lixeira, fazendo um barulhão quando caíu no chão.
Isso atraiu a atenção dos dois, e eu aproveitei enquanto eles caminhavam até a lixeira para correr até o canil.
Os olhos negros de Hero me encontraram. Como eu já sabia que ele estava prestes a latir, encostei un dedo nos labios. Tinha certeza que ele iria entender. Ele é inteligente.
Abri a grade, e acariciei a cabeça peluda do animal. Adorava o fato de seu pelo cor de creme ser macio. Deixei a coleira para lá, já que não iria precisar dela para controla-lo.
-Eles já foram-Disse para o cão, mesmo não sabendo ao certo de ele me entendia ou não-Vamos embora daqui.
Não queria mais ficar alí. Vai que tinha mais deles dentro de casa. Não queria mais assassinados no historico.
Assoviei para Hero e nos fomos embora dalí.
Tinha várias coisas para pensar. Onde estava Matthew, onde estavam meus pais, o que eram aquelas pessoas, o que elas queriam, o que eu irei fazer daqui para frente, porem, a única coisa que passava pela minha cabeça era: "Nunca mais na minha vida uso rosa."
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