Hold On
1 Prólogo.
Notas iniciais
Os últimos dias de verão se faziam presentes, e o tempo continuava tão quente e abafado quanto em seu ápice. Isso fazia com que Elliot suasse por de baixo da camisa social branca que usava. Em seu ombro direito, uma mochila preta, que já teve dias melhores, se fazia presente, pesada o suficiente para que ele estivesse levemente curvado para a direita, porém, era quase imperceptível, visto que o case do violão fazia um contra peso na mão esquerda. O garoto possuía um andar lento e incerto, como se estivesse bêbado. Não que isso fosse verdade, no entanto.
Estava completamente deslocado na passagem do local. O bairro nobre em que caminhava, apenas combinava com sua vestimenta social, não com seus cabelos verdes desgrenhados, a aparência cansada e o ar de adolescente rebelde que ele exalava naquele momento, que seria reafirmado se você olhasse os bottoms de bandas de punk rock presos na mochila. Para ser honesto, Elliot estava deslocado em si mesmo naquele momento. Não era o tipo de garoto que andava sozinho pelas ruas às seis e meia da manhã com roupas sociais. Ele nem ao menos usava roupas sociais. Geralmente, se estivesse na rua nesse horário, estaria com os amigos e todos estariam completamente bêbados por terem passado a noite bebendo vinho barato e fumando cigarros igualmente baratos em alguma praça da cidade, não dando a mínima para o fato de serem menores de idade.
Mas, agora, ele duvidava que fosse ver tais amigos de novo. Ele duvidava que fosse ver muitas pessoas de novo. Ele esperava que não visse muitas pessoas de novo.
Ainda com o andar lento e incerto, o garoto caminhou até o fim da rua, parando em frente a última casa do lado esquerdo. O jardim era grande e bonito, com alguns anões de porcelana coloridos espalhados pela grama, o que fez Elliot olhar divertido para eles enquanto atravessava o caminho de pedra que ligava a calçada à porta, dividindo a grama em duas partes. Sua mão tremia quando ele a levantou para tocar a campainha, e ele sentia que podia vomitar a qualquer momento enquanto esperava que a porta fosse aberta. Ele não era ansioso, mas estava nervoso de estar ali.
Então, a porta se abriu e um homem de aparência um tanto asiática, que em nada se parecia com Elliot, se tornou visível por trás dela, o mais novo prendeu a respiração, fazendo uma comparação mental com as fotos que sua mãe lhe mostrou.
"Em que posso ajudar?" Questionou o mais velho, educado demais enquanto olhava estranho para o adolescente em sua porta. Questionava-se sobre o que ele estaria fazendo ali naquele horário e se ele era amigo de seus filhos. Se fosse, teria uma boa conversa com os gêmeos sobre suas companhias.
"Carl Taylor?" Indagou Elliot, que sentia precisar ter certeza antes de qualquer coisa. Certeza essa que veio com um balanço de cabeça por parte do dono da casa. "Eu sou Elliot Dumond. Eu sou seu filho."
Fale com o autor