Hold My Hand
1 Capítulo único
Notas iniciais
Essa história também será postada no site Spirit Fanfic, conta: @gabifeels.
Boa leitura.
Era uma terça-feira, ao contrário do que sempre acontecia após o término das aulas, Kageyama e Hinata não estavam no clube de voleibol treinando, em vez disso ambos desciam uma pequena ladeira em direção à uma clínica odontológica.
Já fazia quase uma semana que o pequeno ruivo reclamava de dores em um dente, sendo que estas começaram como pequenas fisgadas, mas agora já impossibilitavam sua concentração para o esporte.
A mãe de Hinata estava trabalhando e não poderia acompanhar o filho ao dentista, tão pouco sua irmãzinha que ainda era muito pequena. Logo o professor Takeda pediu a Kageyama que levasse o outro, sendo que o moreno atendeu ao pedido mesmo estando contrariado.
Não que se negasse a ajudar o amigo, mas clínicas dentistas não eram agradáveis pra nenhum ser humano com o mínimo de sangue nas veias. “Aquele barulho da maquininha...” Sentia arrepiar até os cabelos das sobrancelhas.
O fato era que o levantador da Karasuno tinha medo de dentista, no entanto ele não poderia deixar transparecer, primeiro porque tinha uma reputação à zelar, e segundo que não queria assustar ainda mais o colega de clube.
Aliás Hinata estava apavorado. Fugiu por dias da inevitável consulta. Nem mesmo os conselhos de Suga e as broncas de Daichi fizeram o menor tomar coragem, a situação só se resolveu mesmo quando Kageyama disse que o acompanharia.
A caminhada seguia em silêncio. Kageyama nunca havia visto o amigo tagarela tão calado. Resolveu perguntar qualquer coisa para diminuir a tensão do momento:
— Então... Hinata, há quanto tempo que você não vai ao dentista? — Logo após terminar a frase já se sentiu arrependido vendo a cara do baixinho ficar ainda mais tensa.
— Pior que eu nem lembro. Será que o dentista vai me dar bronca? — disse o ruivo mirando seus olhos preocupados em direção ao maior.
— Não seja idiota. — Kageyama realmente não era bom em acalmar ninguém. — Você não tem que se justificar com o dentista.
— ... — Hinata permaneceu em silêncio até chegarem na porta do consultório. — Ai meu estômago. — Resmungou.
— Não vá vomitar aqui!
— — -
Na clínica os dois primeiranistas aguardavam na sala de espera quando repentinamente uma porta se abriu saindo dela um jovem adulto com o rosto um pouco vermelho, e logo em seguida a assistente de dentista anunciando: — Shouyou Hinata, pode me acompanhar. — O que fez o garoto levantar automaticamente e gritar um "HAI*" para a surpresa e consequente riso de todos que estavam na sala, exceto de seu colega de escola que estava mais ocupado sentindo vergonha alheia.
— Tobio, por favor, entra comigo! — disse o corajoso meia da Karasuno com os olhos marejados estendendo a mão para Kageyama num sinal de súplica.
— Nem à pau! Quem veio tratar o dente podre aqui é você!
— Mas Kageyama, por favor! — Hinata já puxava a mão do moreno numa atitude que envergonharia até mesmo o mais sem noção dos seres.
— Não! Já disse! Pára com isso! — Disse Kageyama tentando soltar a mão presa nos braços do menor, tendo seu movimento interrompido logo em seguida pela voz da assistente que aguardava pacientemente (ou nem tanto) na porta da sala da dentista:
— Temos uma cadeira extra na sala, os dois podem entrar.
— — -
Hinata estava deitado na cadeira do dentista com um babador posto no pescoço, uma luz cegante no rosto, e os fios alaranjados do cabelo mais bagunçados (leia-se: arrepiados de medo) do que costumavam ser.
— Agora abra a boca para eu aplicar a anestesia. — Disse a doutora recebendo de volta um olhar de pânico do paciente.
O menino tinha três dentes cariados, sendo que dois estavam em melhor estado e poderiam ser recuperados com uma simples restauração, já o terceiro precisaria de um tratamento de canal.
— hm... — o ruivo apertou os lábios um contra o outro com mais força impedindo a mulher de começar o procedimento.
— Mas vai ser só uma picadinha, quase não dói querido, eu juro. — Hinata nervoso desviava o olhar para o lado na direção de Kageyama que estava no canto da sala meio curvado, sentado em uma cadeira com o rosto apoiado na mão em uma clara expressão de tédio.
— Você! — a dentista disse olhando em direção ao moreno. — Coloque sua cadeira aqui por favor. — Ela apontava para o lado do móvel onde Hinata estava.
Após Kageyama posicionar a cadeira e sentar-se a jovem profissional continuou dizendo: — Certo. Agora segure a mão do seu amigo.
Kageyama arregalou os olhos escuros-azulados para a médica demostrando seu espanto, mas esta não se mostrou intimidada ordenando: — Vamos! Ande! Senão não terminaremos nem tão cedo. — Fazendo assim o rapaz entrelaçar os dedos com o menor sem questionar.
— O medo diminuiu, querido?
— Sim.
— Ótimo! Agora abra a boca.
Hinata tomou a injeção na gengiva e ficou levemente choroso. A dentista poderia mentir quantas vezes quisesse, mas aquela agulhada doía como o diabo.
Quando a profissional tocou com a broca a área prejudicada do dente, Hinata soltou um grito assustando todos no interior da sala, e provavelmente no exterior também. — O que foi? Está doendo? Eu mal encostei... — Perguntou a mulher.
— Sim! Acho que não pegou a anestesia!
— Você tem certeza? Isso pode ser psicológico, por causa do me...
— Não! Eu tenho certeza! Tá doendo! Aplica outra! AAAAAAA
— PÁRA DE GRITAR, IMBECIL! — Berrou Kageyama, não seguindo a própria ordem.
— ...Certo então. — disse a dentista. — Prepare pra mim outra anestesia, por gentileza. — Falou olhando na direção da assistente que estava no canto da sala.
Alguns minutos depois Hinata estava tomando a segunda anestesia, e Kageyama se perguntava se a primeira realmente não tinha feito efeito, ou se o colega de time era apenas um completo idiota por querer tomar outra agulhada na boca. Preferiu guardar pra si o questionamento.
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A cada vez que o aparelho odontológico encostava no dente do menino, Kageyama tomava um apertão doloroso na mão, que nesse momento já estava suada e vermelha. Pensava em como seria bom enfiar a mão na cara daquele anão, e quase se arrependia por ter aceitado o pedido do professor de acompanhá-lo. "Poderia estar na quadra treinando meus levantamentos", pensava ele.
Apesar de tudo ele sentia pena do amigo. Hinata estava visivelmente assustado, e Kageyama entendia o medo. Ficava feliz em poder ajudar de alguma forma.
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— Terminamos, querido. Pode cuspir aqui. — Disse apontando para a cuspideira, que Hinata acabou errando. — Você deu sorte, como todos os dentes cariados estavam próximos, eu pude terminar tudo hoje.
— Agora eu ganho um doce?
— Não... Isso é para as crianças.
— Ok...
Quando ambos os garotos estavam se levantando, a dentista chamou a atenção de Kageyama: — Você não gostaria de fazer um orçamento, digo, que eu visse se está tudo certo com seus dentes?
— Não, obrigado.
— Você está com medo baka**yama? — O mais baixo desafiou, olhando para o outro com um sorriso torto, provavelmente por causa do anestésico.
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Os dois agora subiam a pequena ladeira voltando para casa, Shouyou cutucava o lábio inferior se divertindo com a dormência. Kageyama tinha a expressão mais fechada que nunca, afinal perderia mais alguns dias de treinos pra terminar de restaurar os cinco dentes cariados espalhados por todos os cantos da boca.
"Maldito Hinata!" Pensava ele, enquanto lembrava que não teria ninguém pra segurar sua mão.
Notas finais
*Hai - Sim;
**Baka - Idiota.
Referências [SPOILER]:
* Episódio de "As Visões da Raven" (adoraaava!), em que a personagem Raven leva seu irmão Cory ao dentista para apoiá-lo, no entanto acaba ela mesmo entrando em pânico quando descobre que precisa fazer um tratamento dentário.
P. S.: Na verdade a maior inspiração foi uma situação idêntica que aconteceu comigo quando fui levar minha prima ao dentista, sendo que a parte das duas anestesias e a das cinco cáries diferentes (risos nervosos) realmente ocorreram.
Se gostou favorite. Sério! Só assim eu vou saber que estão gostando do modo como eu escrevo. Tenho muitas ideias de fanfics de Haikyuu!!, e de outros animes amorzinhos, e se essa for bem recebida talvez eu escreva outras.
Até.
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