Hoje e Sempre
13 Capítulo 13
Notas iniciais
—Bom dia, Sra. Cullen. — Emmett estava parado na porta do quarto da mãe. Os braços cruzados em uma postura defensiva.
—Emmett, como está? — Ela não esperava o encontrar ali. Queria conversar a sós com Bella.
—Bem. O outro cara levou a pior. — Os lábios dele estavam inchados. Edward o acertou pouco, mas acertou com muita força.
—Eu sei. — Ela endireitou a bolsa. — Preciso ver a sua mãe. — Apontou para a porta pedindo que ele saísse da frente.
—Acho melhor voltar em outro momento. Quando ela já estiver em casa e recuperada. A situação das duas ainda é de risco e eu não vou deixá-la entrar naquele quarto e gritar com a minha mãe.
—Eu não vou gritar com ela. – Retrucou, mentindo. É claro que Esme queria gritar com a ex-amiga.
—Vai sim. Eu sei que vai, porque eu mesmo quero entrar lá e gritar. Estou com tanta raiva. Me sinto traído e sem rumo. Mas apesar de toda a raiva, eu amo a minha mãe. E eu vou protegê-la, de tudo e de todos. O médico disse que ela precisa de repouso e de tranquilidade. Então, por favor, Esme, vá embora. — Ele segurou as lágrimas e Esme tocou no braço dele. Ela o conhecia bem para saber que ele estava sofrendo. Todos eles estavam.
—Coloque gelo nesse machucado. — Esme deu as costas para ele e saiu andando depressa. Se ela não podia falar com Bella, resolveria a situação de outra forma.
[...]
—Onde pensa que vai? — Carlisle dobrou o jornal e encarou o filho.
—Vou ao hospital ver como a Bella e a minha filha estão.
—Precisamos conversar primeiro. – Ele tinha prometido a esposa que conversaria com o filho.
—Pai, não tenho tempo para isso. — Ele não queria discutir com o pai. Ao que parece, ele era o único que não queria matá-lo.
—Então arrume. — Indicou a cadeira a sua frente e Edward a puxou se sentando.
—E a mamãe?
—Foi ao hospital. — Edward levantou derrubando a cadeira. — Calma aí.
—Calma? Pai, o médico disse que a Bella não pode se estressar agora. Vocês podem não dar a mínima para isso, mas eu me importo com a minha filha e com a mãe dela. Não vou deixar a mamãe fazer mal a elas.
—Senta aí. Avisei ao Emmett e ele está cuidando da mãe dele. — Edward ergueu a cadeira e passou as mãos pelo cabelo. Ele precisava de uma boa xícara de café. — Como vai resolver as coisas?
—Separei algumas coisas para vender. Meus vídeos games, minhas revistas em quadrinhos, algumas são bem valiosas. E lembra daquela vez que nos levou a Comic Con? – Ele e Emmett se divertiram bastante, já para Carlisle tinha sido uma tortura ficar andando para cima e para baixo num local cheio. – Consegui autógrafo de metade dos atores dos Vingadores. Fiz uma pesquisa e consigo um bom dinheiro com todas as coisas. Já tirei as fotos e vou anunciar.
—Ei, calma aí. Não precisa vender tudo. Principalmente as coisas que passei o final de semana todo te ajudando a conseguir. – Ele tinha gastado muito dinheiro para ajudar o filho a realizar o sonho de conhecer os atores favoritos dele.
—Tudo bem, vou manter as coisas da Comic Com, por enquanto. De qualquer forma esse era meu plano B.
—E qual é o seu plano A?
—Liguei para um amigo da faculdade e ele me conseguiu um emprego. Não pagam muito, mas já dá para ajudar nas despesas com a bebê. Se as coisas apertarem muito eu tranco a faculdade e arrumo um emprego em tempo integral. — Carlisle estava prestes a protestar. — Eu não quero fazer isso. Mas a minha filha vai ser a minha prioridade. É uma loucura tudo isso e eu não consegui dormir por cinco minutos. Tudo o que fiz foi pensar nela.
—Você não precisa se preocupar com dinheiro. Bella tem um bom emprego e eu vou te ajudar.
—Obrigado, pai. Mas, não. Não quero jogar essa responsabilidade para cima de vocês e não vou deixar a Bella fazer tudo sozinha. É nossa filha e vamos juntos resolver tudo. Criei um cronograma para quando a bebê nascer. Posso vir para cá todos os dias. Tem um ônibus que sai à noite. Vou vir direto do trabalho para cá e depois voltar bem cedo para a faculdade. — Carlisle não estava surpreso. Edward era assim, planejava tudo. Carlisle só não tinha certeza se o filho teria forças o suficiente para cumprir com tudo. Edward estava empolgado e não conhecia a realidade. Uma criança mudava completamente a vida dos pais. — Você deve estar me achando um tolo.
—Tolo, não. Só um ingênuo. As coisas não são tão fáceis quanto você imagina. — Carlisle suspirou. — Mas estaremos aqui para te ajudar. Agora, para a sanidade da sua mãe e minha curiosidade, como isso aconteceu?
—Lembra de quando levei a Bella ao karaokê?
—Lembro de ter dito para você tomar cuidado. – Carlisle tinha dito aquilo apenas para provocar o filho, nunca imaginou que realmente poderia acontecer algo.
—Eu tomei. Naquela vez e em outras, mas acabamos nos descuidando na última vez.
—Teve mais de uma? — Agora Carlisle estava surpreso. Ele sabia que o filho era apaixonado por Bella, mas não imaginava que ela fosse corresponder a qualquer investida dele.
—Pai, eu a amo, de verdade. — Carlisle não tinha dúvidas sobre aquilo. — Só que ela não sente o mesmo. Eu me casaria com ela hoje mesmo.
—Vamos com calma, tudo bem? — Colocou a mão sobre a do filho. — Vocês precisam pensar na criança primeiro e depois resolvam a situação de vocês.
—Está certo.
—Então, o dia em que foram ao karaokê… — Edward sorriu e contou tudo ao pai. Ele precisava desabafar e de conselhos.
[...]
—Voltou rápido. — Carlisle estava preparando o almoço, fechou o forno e se virou para conversar com a esposa.
—Não precisa fingir. — Levou as mãos a cintura. — Sei que ligou para o Emmett e disse que eu estava indo ao hospital. Ele estava feito um cão de guarda e não me deixou falar com a Bella.
—Garoto esperto. — Esme bufou.
—Pelo menos conversou com o Edward?
—Conversei sim e foi muito interessante.
—Carlisle, por favor, isso é sério. — Ela o repreendeu.
—Eu sei que é sério. E os sentimentos do Edward pela Bella também são.
—Por Deus! — Ela precisava estar sentada para ter aquela conversa. — Ele é só uma criança, o que sabe sobre sentimentos?
—Aos 17 eu já sabia que te amava. — Eles se conheciam desde a adolescência, namoram até o final do ensino médio e depois se separaram. Aos 30 anos eles reataram e casaram poucos meses depois.
—Mas as nossas vidas deram muitas voltas. Ter um filho é permanente. Ele não vai conseguir se livrar “disso”.
—Você não está chamando a nossa neta de “disso”, está? Ela não é um objeto, é uma pessoa.
—Ela pode vir a não existir. A Bella ainda corre riscos de perder o bebê.
—Estarei orando para que nenhum mal aconteça a elas. Você pode não gostar, pode ficar com raiva e tramar vários planos, mas ela é nossa neta. E pode vir a ser a única neta que teremos. Não deveria desejar o mal para ninguém, muito menos para as pessoas da família.
—Se a criança for mesmo do Edward, é claro que vou amá-la. Mas a Bella nunca será parte da nossa família.
—Meu amor. — Segurou as mãos dela. — Ela já faz parte da família. Sabe o porquê não estou desesperado? É porque eu acho que os dois serão muito felizes juntos. — Esme se afastou do marido. — A Bella é incrível, bonita, batalhadora, inteligente, divertida e vai cuidar muito bem do nosso filho. Eu prefiro que seja ela do que alguma garota chata. Nós a conhecemos e sabemos que ela não vai magoar o Edward.
—Eu não a conheço mais. A mulher que eu conhecia jamais teria se envolvido com o nosso filho. Ela vem abusando dele há muito tempo?
—É claro que não. — Carlisle a defendeu. — Pelo que o Edward contou foi ele que correu atrás dela. — Ele sorriu orgulhoso do filho.
—É claro que você acha graça. Tem orgulho do seu filho ter conquistado uma mulher mais velha? Vai se gabar disso aos seus amigos?
—Estou orgulho porque ele foi atrás do que ele julga ser a felicidade dele. Nosso filho é inteligente e sabia das consequências, mas ele arriscou assim mesmo. A criança não foi planejada e poderiam ter esperado um pouco mais, mas ele está feliz. Já arrumou um emprego e está cheio de planos. Eu vou apoiá-lo e você deveria fazer o mesmo. — Esme balançou a cabeça negando. — Meu amor, você está com raiva porque você sempre tratou o Emmett como um filho.
—Eu ajudei a criar aquele garoto. — Houve uma época em que Emmett passava tanto tempo na casa dos Cullen que Esme passou a comprar tudo em dobro, um para Edward e outro para Emmett.
—Eu sei disso. Eu também o vejo como um filho. Mas a Bella nunca foi assim com o Edward. Ele era apenas o amigo do filho dela. Você está com raiva porque queria que ela também o visse como um filho. Que tivesse cuidado dele como você cuidou do Emmett. As coisas não foram assim e eles acabaram se envolvendo de uma forma que você acha inaceitável.
—É inaceitável. Ela o conhece desde que ele era só um garotinho. Ele pode já ter 18 anos, mas ainda é uma criança e eu não consigo perdoá-la por isso.
Esme se lembrava muito bem do dia em que conheceu Bella. Foi a amizade dos filhos que as tornaram amigas.
[...]
—Mãe, olha o meu amigo Emmett. — Edward apontou para um garotinho que observava a discussão de um casal. O homem se afastou e a mulher passou as mãos no rosto, só quando eles se aproximaram que Esme notou que ela estava chorando. — Emmett! — Edward acenou e o garoto acenou de volta. Os dois correram e se abraçaram.
—Então você que é o famoso Emmett? — O garoto estendeu a mão e ela apertou.
—Oi. — Ele sorriu exibindo as covinhas.
—Mãe, o Emmett pode ir na nossa casa?
—Temos que perguntar aos pais dele primeiro.
—Olá. — A mulher se aproximou e forçou um sorriso.
—Você deve ser a irmã do Emmett. — Esme estendeu a mão para cumprimentá-la.
—Na verdade, eu sou a mãe do Emmett. — Ela cutucou o filho e ele deu uma risadinha. — Não sei o porquê, mas ele gosta de dizer que sou a irmã.
—Você é bem jovem.
—Eu tenho 27 anos. — Falou rispidamente e depois suspiro. — Me desculpe. Tive uma discussão com o meu marido. Sou Isabella Black, mas pode me chamar apenas de Bella.
—Esme Cullen.
—Mãe. — Edward olhou suplicante para a mãe e Esme riu.
—Bella, Edward gostaria de saber se o Emmett pode ir até a nossa casa para os dois brincarem.
—Por favor, mãe, deixa. — Emmett juntou as mãos.
—Não quero te incomodar. — Bella falou olhando para Esme, que abanou a mão.
—Não é incomodo algum. Eu amo crianças e vai ser bom para o Edward ter companhia.
—Se não for realmente um incômodo, pode sim. — Os dois garotos comemoraram.
—Onde vocês moram?
—Perto do corpo de bombeiros. Na rua 5.
—Moramos na rua 6. Somos praticamente vizinhos. — As duas riram com a coincidência. — O que acha de vocês irem jantar na nossa casa amanhã? Tem mais filhos?
—Não, é apenas o Emmett. Vai ser um prazer jantar com vocês. O que quer que eu leve? Faço uma torta de limão maravilhosa.
[...]
—Eu sempre achei o Jacob um idiota. Não faço a mínima ideia do que a Bella viu nele. Ela nunca foi feliz com ele. E agora refletindo, ela estava tão feliz no pouco tempo em que ficou com o Edward. Os dois farão muito bem um ao outro. É um choque tremendo, até mesmo para mim.
—Você sabia que os dois estavam envolvidos?
—Mais ou menos... Eu sabia que ele gostava dela. Todos os garotos parecem gostar dela. Achei que fosse só uma paixonite boba, por isso que impliquei com ele aquela vez em que foram ao karaokê. A propósito, foi quando tudo começou e ela não foi a primeira dele. Então pode parar de pensar que a Bella seduziu o seu bebê.
—Achei que ele nos contasse tudo. – Esme lamentou.
—Se ele escondeu isso foi porque não sentiu confiança em nos contar. E podemos mesmo julgá-lo? Olha como você reagiu. – Apontou exasperado. – Se a Bella não estivesse no hospital não quero imaginar o que poderia acontecer. Surte o quanto quiser e precisar, mas tem que superar, meu amor. Nós somos sim uma família e sempre seremos. Sei que vai ser uma mudança e tanto e que não é a melhor hora para ele ser pai, mas nós criamos bem o nosso filho. Ele vai ser um pai melhor do que eu sou. Nossa neta será amada e feliz.
—Eu realmente queria aceitar essa situação como você está aceitando. A Bella era a minha melhor amiga. – Esme balançou a cabeça afastando o pensamento e Carlisle a abraçou.
—Sei que não é fácil. E é por isso que precisamos nos apoiar.
—Vou me esforçar, mas sendo sincera, esse ano seremos só nós três no Ação de Graças. – Os Cullen e os Swan sempre se reuniam para passarem os feriados juntos.
—Quem sabe no próximo ano possamos estar todos reunidos. – Esme suspirou, um ano não seria o suficiente.
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