Hogwarts Terceira Geração - Interativa
30 Slytherin x Gryffindor
Notas iniciais
Vários dias se passaram depois da virada do ano. Logo, todos os alunos estavam de volta em Hogwarts e a AH tratou de se dedicar grandiosamente mais para a preparação do antídoto sem que nenhum adulto interferisse em seus planos.
Após Joey informar Lilith sobre o perigo dos Slytherol e que elas deveriam entregar o restante do pote para a professora Cremont, a loira se dirigiu até seu esconderijo o mais rápido que pode e apanhou as esferas dentro do vidro e as trouxe com cuidado até a garota de cabelos coloridos. Ambas foram ao encontro da diretora de sua casa e lhes entregaram os objetos. A mulher pareceu realmente surpresa e perguntou onde elas teriam encontrado aquilo.
—Como vocês apanharam isso? — A mulher observou as esferas ainda brilhantes dentro do pote — E elas não atraíram vocês? Ainda estão com vida.
—Não... não me senti nem um pouco atraída — Joey deu de ombros.
—Eu as encontrei em uma sala... — Lily não queria ter de entregar seu lugar secreto — Não sei qual. Às vezes Hogwarts parece um labirinto e eu não conhecia aquela sala... Foi por acaso — Ela não havia mentido por inteiro, uma vez que eram verdades, apesar de esconder outra afirmação oculta em suas palavras.
—Ah... Obrigada, meninas — Ela abraçou o pote — Vou informar o ministério e vamos dar um jeito nisso.
A mulher já estava se virando quando a morena puxou-a pela manga da veste negra de veludo.
—Espera! Nós também descobrimos algo...
—Como?
—Essas esferas são Slytherols. Elas foram criadas por Arte das Trevas.
—Como sabem disso?
—Ahn, estudamos.
As duas se entreolharam. Lilith assentiu as afirmações da mais nova e as duas tentaram ao máximo parecerem tranquilas. Isso era um talento natural para a quintanista, portanto ela apenas manteve o olhar sério enquanto Joanne se esforçou para não entregar seus colegas. Por fim, Lily se despediu e puxou o braço da garota para que ambas deixassem a professora sozinha. A mulher franziu a testa surpresa e levemente confusa, porém não levantou mais suspeitas e se dirigiu até a sala da diretora para informar sobre a descoberta o quanto antes.
Em contra partida, o restante da AH continuou a se encontrar em reuniões planejadas e escondidas, apesar da falta de dois integrantes outrora atacados. Eles já haviam reunido uma poucos ingredientes razoavelmente mais fáceis de se adquirir, inclusive alguns trazendo de casa ou do estoque de poções dos familiares depois das férias de natal, todavia a maioria eles ainda não tinham ideia de onde conseguirem. Lily começou a fazer parte dos treinos depois de que Joey incluíra na equipe pois ela decidiu ajudar por conta de Jack, contudo fez todos que sabiam dos verdadeiros motivos juraram não revelarem ao garoto a respeito de nada do que ela estava fazendo.
A loira se mostrou bastante poderosa e por isso acabou sendo uma das experientes nos treinos de duelos na Sala Precisa. Ela ensinou várias magias adiantadas que havia estudado e aperfeiçoado, e apesar de ninguém ter facilidade no início estavam indo bem. Mais uma vez ela dominara Hogwarts e Joey continuou com raiva da menina e passou a treinar sozinha as magia para que estivesse pronta e excelente quando voltassem a treinar. A competitividade dominava suas veias quando de tratava da Rainha de Hogwarts, que continuou sem conversar com ninguém da AH durante as aulas e os intervalos, apenas se dirigia a eles durante as reuniões.
Durante o restante do dia, ela passava nos seus normais afazeres. Cumprimentava a todos por onde passava e recebia olhares admirados e submissos dos demais alunos. A única pessoa com quem ela realmente continuava passando o tempo e se deixando ser vista era o sempre, seu companheiro, Parker Monterey.
Patrícia Ginevra Potter — POV's
Exatamente uma semana antes do próximo passei a Hogsmead, ou seja, o dia 14 de fevereiro, a qual se comemora o feriado do dia dos namorados na Inglaterra e na maior parte do mundo, eu me acomodava sentada em uma poltrona na biblioteca juntamente de alguns dos integrantes da armada: minha melhor amiga, Malina; meu irmão gêmeo, Tom; as três irmãs Porter, Jessie, Julia e Hazel; e minha prima, Violet. Todos nós, netos de Ginny e Harry Potter estávamos investigando paginas e paginas dos livros de Poções e Herbologia, nos esforçando para encontrar algo sobre os mais difíceis ingredientes do antídoto. Aqueles que ainda não conseguiramos reunir.
—Ei, espera! — Violet estendeu uma página para nós — Ah, não. Aqui diz vísceras de acromantula... eu achei outra coisa... — Ela resmunga levemente — É muito difícil.
—Mas não podemos desistir... — Hazel mordeu o lábio inferior — Deve ter algo que possamos fazer ou que estamos deixando passar...
Todos nós entreolharmos e, em seguida, tratamos de folhear repetidas vezes as paginas velhas e amareladas dos livros em nossas mãos. Me esforcei para concentrar nas palavras enquanto minha mente dava voltas a encontrar alguma solução para nossa situação. De repente, um local brilhou diante de meus olhos.
—Já sei! Tenho uma ideia!
—Ah, não... Qual regra teremos de quebrar dessa vez? — Tom pareceu apreensivo e dei-lhe a língua.
—Precisamos invadir o armário de poções da professora de poções.
—Quer que invadamos o depósito da Srta. Della Monarte? Isso é loucura! — Violet exclamou.
—Mas ela tem razão.
Jessie concordou e seus olhos se iluminaram. Júlia encarou-a e pareceu compreender exatamente o que minha cabeça estava planejando.
—Ela deve ter alguma coisa rara guardada por lá... Que seria bastante útil para gente.
—Isso! Quem vem comigo? — Levantei a mão.
—Eu tenho aula daqui a pouco... — Violet deu de ombros.
Hazel e Jessie também tiveram de se despedir de nós, porém o primeiro ano só teria aula daqui 3 horas e Júlia disse que poderia nos acompanhar. Tom parecia nervoso, apesar de já estar acostumado com nossas aventuras pelo castelo. A ruiva estava sorridente e ansiava por perigos assim como eu, ela sempre fora bastante desafiadora e ameaçadora.
—Por que você não pode seguir as regras de vez em quando? — Mal perguntou debochada.
—E como vamos fazer sem a capa de invisibilidade do Max? Ela ficou no malão dele em casa! — Tom preocupou-se.
—Detalhes. Vamos dar um jeito. Malina você pode vigiar do lado de fora e dar um jeito de distrair alguém que se aproxime. Isso já deu certo uma vez.
A morena assentiu contente por ser um elemento importante na ação. Ela fora uma ótima distração no dia em que procuramos informações sobre os Slytherols e sabia que dessa vez não seria deferente. Tom e Júlia iriam comigo procurar pelos ingredientes. E o plano estava formado.
~*~
Assim que atingimos o corredor do armário de poções, Mal se instalou rente à parede enquanto Júlia usou Alohomora para que a porta se destrancasse e pudéssemos entrar. Não foi nem um pouco difícil nossa entrada. E todos acendemos Lumus para facilitar a lermos os nomes que rotulavam os diversos frascos e potes nas prateleiras empoeiradas do cômodo estreito.
Júlia começou a espirrar por conta do pó e sem querer acabei pisando no pé de Tom, por estamos espremidos, o que o fez gemer de dor. Malina colocou a cabeça para dentro e não mandou fazermos silêncio. Todos prendemos o riso embora quiséssemos muito cair na gargalhada com a situação.
Continuamos por alguns segundos até que Jú estendeu um frasco em nossa direção e, em seguida, eu mesma encontrei um pote necessário.
—Achei pó de chifre de unicórnio — A ruiva informou.
—Aqui tem penas de grifos irlandeses — Segurei o vidro com firmeza.
—Não encontrei mais nada — Tom comentou e estreitou os olhos nas estantes mais uma vez — Já olhei repetidas vezes... só isso mesmo.
—Precisamos apanhar só um pouco para não dar tanta falta — Júlia abriu o frasco — Aqui diz que precisa de 50 gramas de pó de chifre de unicórnio... Ou seja, para acordar 6 pessoas precisamos de 300 gramas.
Todos observamos o vidro na mão da ruiva. Ele não era muito grande embora estivesse cheio até quase o topo. E quando conseguimos fixar nossos olhos no rótulo percebemos que ele cabia 400 gramas, e como já havia uma pequena parte usada, a resposta era óbvia.
—Mas isso é quase o frasco inteiro... — Tom começou a apertar as mãos uma na outra.
Estávamos tentando encontrar uma forma de levarmos o ingrediente ser ter de deixar a mostra que roubamos da professora, quando escutamos a voz de Malina alta do lado de fora. Alguém devia ter aparecido no corredor e tentando entrar no armário, porque ela começou a dizer que estava com muita dor no tornozelo.
—O que aconteceu?
A voz de Parker Monterey ecoou no corredor. O garoto quase nunca abria a boca, mas reconheceria o tom grave em qualquer lugar. O monitor da Ravenclaw estava prestes a nos desmascarar.
—Eu cai... Eu torci meu pé... não consigo ir até a Ala... — Ela choramingou.
O garoto pareceu hesitante, mas logo, ouvimos seus passos se dispersarem pelo corredor. Precisamos ser breves. Sem Malina para nos vigiar era perigoso demais permanecer aqui.
—Vamos logo — Ordenei.
—Já sei! — Júlia despejou o conteúdo em um outro frasco em sua bolsa e depois jogou um pó prateado que era semelhante ao verdadeiro dentro do frasco.
—O que é isso? — Tom perguntou curioso.
—Sombra. Não vai enganar por muito tempo, mas a vista da para disfarçar — Ela pegou o meu pote — E precisamos de uma pena por pessoa. Essa vai ser fácil. Aqui tem umas 50 penas. Ela não vai sentir falta de apenas seis.
Jogamos as penas dentro da bolsa de Júlia e tratamos de colocar os potes onde os encontramos e saímos em disparada pelo corredor a fora. Ninguém estava por perto e foi fácil de alcançarmos o andar de baixo, onde decidimos nos separar. Tom e eu iriamos até a Ala Hospitalar encontrar com Malina, uma vez que suspeitávamos que ela estaria lá com o Rei de Hogwarts. Enquanto Júlia iria até a Sala Precisa guardar os mais novos ingredientes antes que os perdêssemos.
~*~
Quando alcançamos a porta do extenso cômodo repleto de camas hospitalares, avistamos Malina sentada em uma delas e Parker ajeitando seu pé para que ficasse levantado em uma almofada. Não havia sinal da Madame Betsy e por isso deveríamos tirá-la dali antes que percebessem que não estava machucada.
—Ah, Mal! Você por aqui? — Perguntei fingindo surpresa.
—Ela caiu, eu acho — O loiro se voltou para nos — Ia chamar a Madame Betsy, mas já que apareceram tem como chamá-la? Preciso fazer um favor para a Prof. Dela Monarte.
Assentimos e quando ele atravessou o portal tratamos de ajudar Mal a descer da cama. Nossa aula ainda demoraria alguns minutos, portanto decidimos esperar no pátio de transfiguração, enquanto comíamos alguns bolinhos que pegamos no Salão Proncipal, onde teríamos nossa aula com a professora mais detestável da escola.
Vicent Klaus Malfoy — POV's
Estava sentado observando a paisagem através da janela do salão comunal enquanto meu livro de música jazia em mãos. Minha caneta pendia dentre os lábios enquanto mordiscava as penas e relembrava todos os momentos tão maravilhosos que o último mês havia sido para mim.
Apesar de todo o problema em Hogwarts, me sentia rejuvenescido e flutuante. Era como se em cada lugar que eu passasse, estivesse levitando e não caminhando. E todo esse êxtase era proporcionado por uma única pessoa: Hazel. A morena fazia com que meu coração se sentisse aquecido e tranquilo, porque eu não tinha mais que me preocupar com vê-la com outros garotos ou com meus sentimentos. Ela já sabia, havia me exposto.
E depois de nosso primeiro beijo na virada do ano, havíamos concordado em deixarmos as coisas acontecerem naturalmente. O que mais importava era estarmos juntos, sem apressarmos as coisas. Não queria assusta-la e, de certa forma, ainda ficava apreensivo com nossa diferença de idade. Contudo, Haz me lembrava todos os dias quando nos encontrávamos no almoço ou em algum intervalo que ela transbordava felicidade. Algo que realmente me deixava contente em relação à sua proximidade era que a garota não hesitava em me abraçar. A todo momento ela estava com os braços envolta do meu tronco. A sensação de tê-la em meus braços, e de poder sentir o seu perfume doce e cítrico, aquecia o meu peito.
Agora que ela sabia que era a inspiração para todas as minha musicas, soube que deveria presenteá-la com uma canção nova e que expressasse tudo que estava sentindo em apenas nosso primeiro mês de namoro. Queria que percebesse o quanto era especial e, portanto, iria surpreendê-la no dia 14, em nossa visita a Hogsmead.
—Escrevendo sobre uma jovem Gryffindor? — Um garoto de cabelos extremamente claros e bastante alto se jogou ao meu lado no parapeito da janela.
—Você sabe, está chegando o dia dos namorados, Freddie — Comecei e desviei o olhar para encará-lo — Haz merece um presente.
—Aposto que ela vai ficar feliz com qualquer coisa que você der — Ele desviou a atenção para minha página aberta e estendeu a mão — Posso ver?
—Ainda tenho muito o que fazer...
Revelei os pequenos versos que começará a compor. O loiro sorriu e me parabenizou, afirmando que era realmente muito bom. Em seguida, me devolveu o objeto e revelou-se uma ideia que acabara de ter.
—Estou muito feliz por você finalmente ter dado ouvidos ao seu coração — Ele ri — E por isso queria saber o que acha de passarmos o dia 14 juntos? Digo, com a Violet e a Hazel.
—Você sugere um encontro duplo?
Ergo uma sobrancelha. Seria engraço ter um encontro com meu irmão. Gostava de vê-lo com a Violet e era uma boa ideia dividirmos aquele tempo juntos, mas era a primeira namorada de meu irmão. Uma vez que ele nunca havia dado conta de seus sentimentos antes, apesar de ter sido beijado por uma garota no ano passado, porem aquilo ano contou. Eles nem namoraram nem nada e a menina, uma trouxa, na verdade, que morava inclusive na rua da Violet e da Malina disse que era parte do jogo de Verdade e Desafio que ela estava jogando com suas amigas: ela deveria beijar um dos garotos que estavam no quintal dos Carver, e ela o escolheu ao invés de mim. Mas isso ela nunca revelará o porquê e quase não mais a vimos e nem mesmo falamos mais com ela.
—Cerro, Romeu — Fechei meu caderno e me coloquei de pé — Vamos encontrar com a sua Juliet — Olhei para o relógio cucu, pousado, logo, acima da lareira na comunal a Ravenclaw — Faltam só alguns minutos para o jogo de quadribol começar. Não vamos querer perder isso.
~*~
Após guardar meu caderno no dormitório do sétimo ano, caminhamos pelo quinto andar em direção aos terrenos de Hogwarts, até o campo de quadribol, onde aconteceria o terceiro jogo do ano. Frederich aperfeiçoou a ideia que estivera tendo para que preparássemos tudo para as meninas. Eram ótimas ideias. Ela estava se revelando um verdadeiro romântico.
De repente, quando estávamos nos aproximando do Saguão de Entrada escutei meu nome sendo chamado por uma voz delicada e profunda que penetrou meu crânio e fez meu coração saltar contra minhas costelas. Em seguida, uma outra voz doce clareou meus pensamentos e, eu e meu irmão nos voltamos para encará-las do pé das escadas.
Violet e Hazel – a mais nova com algumas mechas falsas douradas e vermelhas nos cabelos para incrementar sua torcida – vinham descendo em nossa direção. Elas estavam juntamente de Júlia e Jessie, mas as mais velhas permaneceram distantes, enquanto nossas garotas se aproximavam. Vi sorriu para Freddie e o loiro lhe fez um carinho na bochecha, enquanto Haz abriu os braços calorosos e envolveu meus ombros entre si. Lhe dei um beijo nos cabelos enquanto sentia o cheiro de seu perfume atraente.
—Estávamos agora mesmo pensando em vocês — Comentei no momento em que Hazel começou a se afastar.
—A gente estava querendo chamá-las para uma espécie de encontro duplo em Hogsmead... Mas vai ser uma surpresa. A gente encontra vocês uma hora depois perto da Casa dos Gritos, o que acham? — Frederich assumiu as rédeas e estendeu a mão para Violet.
A morena apanhou-a e concordou. Hazel sorridente comentou que já se sentia bastante animada com a ideia e entrelacei meus dedos nos dela enquanto atravessávamos o saguão. Jessie e Julia acabaram nos alcançando, e combinamos todos de assistirmos ao jogo juntos. Iriamos todos não sentarmos e torcermos para a Gryffindor, era óbvio. As três Potters e nossas amigas residiam aquela casa e nossos dois melhores amigos outrora atacados eram daquele time de quadribol.
Marie Weasley — POV's
Lary estava tão nervosa que não conseguia parar de dar voltas em círculos no vestiário da Gryffindor. Eu poderia jurar que se ela continuasse, abriria um buraco no chão pelo excesso de atrito. Estávamos, todos os restantes da equipe, sentados com nossos uniformes de quadribol. Jensen ao lado de Peterson, eu de frente para eles e ao lado de Patrícia, e Lary em nosso centro.
—O que é que vamos fazer? — Ela perguntou descontrolada — Temos dois jogadores a menos! Dois! — A loira fez o sinal com os dedos da mão esquerda.
—Calma, a Slytherin também está sem um dos artilheiros — Tentei tranquilizá-la, em vão.
—Mas estamos sem um batedor e, o pior, nosso capitão e ainda mais, o goleiro! Não da para entrar lá sem goleiro! Vamos ser massacrados!
A garota escondeu o rosto entre as mãos e balançou a cabeça repetidamente, até que um dos garotos se levantou e colocou as mãos em seus ombros. Ele sussurrou para que ela se acalmasse.
—Vamos lá, não vai ser tão ruim. Daremos um jeito — Ele sorriu fraco — E também, nos temos nossa capitã. Eu não votei em você por nada.
A garota levantou o olhar para encarar Jansen. Os dois se encararam por um breve instante, até que ela murmurou um agradecimento e o moreno soltou seus ombros e se sentou novamente. Sorri para ela e concordei:
—Isso! Você vai ser nossa capitã representante, agora só precisamos de um goleiro. Posso lidar sozinha com os balaços.
—Certo... Se é tudo que podemos fazer... — Ela suspirou — Jensen, posso contar com você?
—Sempre — Ele se levantou e fez um sinal de continência.
Patrícia começou a rir e, de repente, a onda havia se espalhado e todos estávamos rindo descontroladamente da situação. Nossos corações se agitavam a medida que o tempo se aproximava e a incerteza de se conseguiríamos vencer nos dominava, porém não poderíamos abandonar por completo a diversão e lazer que os jogos proporcionavam. E claro, iriamos tentar ao máximo e não desistir, por Max... E também, por Brendan.
~*~
Finalmente, nos posicionamos todos, os jogadores de ambos os times, no campo juntamente da professora de voo e juíza de quadribol, Vanessa Wakaliki. A mulher estava com a mala contendo as quatro bolas ao lado e segurava firmemente entre os dedos seu apto de arbitra. Ela fez o sinal para que os capitães se aproximassem e fizessem o cumprimento que daria inicio ao jogo, ou seja, Lilith e a nossa capitã substituta, Lary, se colocaram de frente para a professora e se encararam.
A mais velha suspirou. Eu conseguia notar o quanto ela estava nervosa porque imaginava que a nossa vitória estava em suas costas. Lily estendeu a mão direita com suas unhas extremamente bem feitas e delicadas. Lary apertou-a por um breve momento, então, se afastaram e Vanessa aptou, nos informando que deveríamos alçar voo. Em seguida, abriu a maleta e liberou o ligeiro pomo de ouro e os pesados balaços em direção ao céu nublado de fim de inverno, por fim, atirou a goles para o alto e a partida começou.
Apertei firmemente meu bastão entre as mãos e me preparei para atirar um dos balaços quando necessário. Sabia que deveria me esforçar ainda mais sem a ajuda e presença de Maxwell. Jensen parecia bastante aflito enquanto sobrevoava a área que separava os três aros do gol do time adversário do restante do campo. Agucei meus ouvidos para escutar a voz do comentarista dos jogos, Maxon, enquanto meus olhos se mantinham atentos aos movimentos dos jogadores.
"Ambos dois artilheiros de cada time partiram em disparada para alcançar a goles, uma vez que há a falta de um artilheiro de cada time nessa partida... E a bola está em posse da Slytherin! Angeliqué parte em direção ao gol! Lary e Peterson partem para cima, porém a garota é interceptada pelo outro artilheiro da Slytherin... Peter está prestes a agarrar a goles das mãos de Angeliqué... Espere! Au, essa doeu... Peter acaba de receber um balaço direto no queixo! Lembrando que a Slytherin tem a vantagem de um batedor a mais do que a Gryffindor nessa partida. Ei, Jensen se prepara para impedir o gol... Opa, e são 10 pontos para a Slytherin! Angeliqué fez um gol!"
Mordi meu lábio inferior com força enquanto observava a bola grande e vermelha voando em direção ao aro à direita do moreno. Ele se esforçou para apanhá-la, porém não conseguiu ser tão ágil quanto Brendan teria sido. Jensen era um artilheiro incrível, contudo nunca fora tão bom goleiro. Apesar de ser nossa única esperança hoje. Lary balançou a cabeça enquanto os dois artilheiros da Slytherin se abraçavam por um breve momento antes de darmos continuidade ao jogo.
Peter apanhou a goles e voou em disparada até o outro lado do campo. Lary se posicionou na frente de Angeliqué e impediu que a ruiva ultrapassasse, enquanto Jacob disparou na direção de Peterson. Avistei um dos balaços e cerrei os dentes no momento e que atingi meu bastão com toda força na bola. Ela voou até o Slytherin e chocou contra o cabo de sua vassoura. O garoto rodopiou e quando conseguiu o controle do objeto de madeira novamente, ele estava ao contrário de Peter. O loiro chegou a apenas um metro e meio de distância do goleiro, Steves. Ele levantou a goles acima da cabeça. Pronto para atirar. Prendi a respiração. Observei de relance que Patrícia e a demais apanhadora, Lilith, estavam atentas à procura do pomo e nem mesmo desviavam um segundo se quer para apreciarem o jogo. Finalmente, o garoto atirou a bola, porém ele ainda parecia estar meio tonto devido ao balaço no queixo, portanto jogou diretamente nas mãos do Slytherin que começou a rir de sua atitude. Ainda estávamos 10 pontos atrás.
~*~
O jogo deu continuidade por mais uma hora e meia e o uniforme vermelho e dourado já estava começando a incomodar minha pele. Eu soava com o esforço de atingir os jogadores adversários com a maior quantidade de balaços que podia, e sem a ajuda de Max estava sendo complicado. Não havia nenhum sinal do pomo. A equipe verde e prata estava na frente por consideráveis 50 pontos, enquanto Lary havia conseguido apenas um gol, ou seja, 10 pontos, porém ainda não tínhamos nos entregado completamente, até o momento em que Angeliqué atirou a bola mais uma vez na direção do gol.
Jensen não conseguira defender nenhum gol até aquele momento. Ele parecia se sentir pressionado, principalmente com a grande quantidade de vivas a cada gol e das vaias quando errávamos. Todavia, ele segurou a goles entre dedos dessa vez. Relaxei o meu bastão nas mãos e virei o rosto em direção de Lary. A loira estava com um sorriso enorme nos lábios. Peter deixou escapar um suspiro, quando, de repente, Carl e John, ambos batedores da Slytherin lançaram os dois balaços de uma só vez em direção ao moreno sextanista. Uma das bolas se chocou conta a cocha esquerda do garoto e a outra bateu em seu ombro direito, o que o fez soltar um gemido abafado, porém alto o suficiente para até mesmo as apanhadoras olharem em nossa direção e a goles desequilibrou de suas mãos e lançou-se em direção do aro central. Coloquei uma das mãos sobre os olhos e apenas enxerguei por entre as frestas dos dedos quando o gol foi realizado. Jensen fizera acidentalmente um gol contra. As arquibancadas explodiram em vaias e vivas. E Maxon anunciou mais 10 pontos para a Slytherin.
Lary se aproximou de mim e sussurrou:
—Ele está se esforçando tanto... Olha como ele está vermelho... — Ela observava-o com um olhar extremamente preocupado — Não deveríamos tê-lo deixado ser o goleiro.
—Bom, realmente precisamos de um milagre — Abaixei os olhos, antes de a loira sobrevoar para outra parte do campo.
O jogo tinha que continuar.
~*~
Meu coração estava realmente apertado após quatro horas de jogo. Meus punhos doíam com o esforço de segurar o bastão. Minha cabeça estava começando latejar de tanto suor e poucos minutos de hidratação que a professora nos permitia durante a partida. A grande maioria dos torcedores, e inclusive, jogadores já haviam desistido tentar algo mais, quando Maxon reafirmou quanto estava o placar:
"E agora estamos com 200 x 30 para a Slytherin."
Não havíamos conseguido virar o jogo em nenhum momento apesar de que Peter e Lary conseguiram, cada um, fazer mais um gol nas últimas horas e Jensen melhorara consideravelmente e defendera cinco gols, o que na alta conjuntura era muito mais do que poderíamos esperar dele. Ele deveria estar tão sem esperança quanto o restante de nós, porém parecia muito mais seguro de si e habilidoso com o tempo de prática. De repente, minha atenção foi desviada da goles e dos artilheiros quando um brilho dourado passou quase imperceptível a minha frente e a pequenina bola com asas parou bem ao meu lado. Não demorou nem mesmo meio minuto para que ambas, Lilith e Patrícia, percebessem a oportunidade que tinham de colocar fim a partida.
As duas se entreolharam. Elas pareciam terem lido a mente uma da outra, quando deram galeio e voaram em minha direção. Desviei assustada para o lado oposto a bola e a loira alcançou a vassoura da primeiranista e lhe deu um solavanco para impedir que ela atingisse o local antes que ela pudesse por si mesma. Tiça se descontrolou um pouco e, acabou, ficando alguns centímetros atrás da quintanista. Franzi a testa, então, girei os olhos pelo campo e notei que todos os demais jogadores estavam observando a cena. A goles estava na posse de Jacob, mas ele quase não voava até Jensen e ninguém se atrevia a interceptá-lo. Notei um balaço próximo a mim e minha mente se acendeu. Mesmo com os braços cansados e as costas doloridas atirei-me para cima da bola e usei todas as forças restantes que conseguira adquirir para bater o balaço.
Lilith foi atingida por ele bem no quadril e, involuntariamente, acabou por parar por um segundo, o suficiente para que Pati passasse por ela, antes que a loira conseguisse recuperar o fôlego e voar atrás da menor. Minha boca se entreabriu e meus olhos se relaxaram quando a garotinha se virou para a multidão e estendeu a mão com a pequenina bolinha entre os dedos. Eu não fui capaz de encontrar forças para dar vivas, porém Lary e Jensen, ambos, próximos começaram a gritas e bateram dois Hi-5 entusiasmados. Era o fim do jogo e Patrícia havia apanhado o pomo. Peter assobiou alegremente. Esse era o milagre de que tanto precisávamos... Bem, ao menos era o que pensávamos, porque ninguém estava descansado o bastante para somar os fatos, contudo, Maxon o fizera por todos, quando sua voz ecoou pelos alto falantes:
"Patrícia conseguiu a façanha de apanhar o pomo de ouro e angariar mais 150 pontos para a Gryffindor. O placar final fica, então, entre 200 x 180. E a vitória é da Slytherin por apenas 20 pontos de vantagem! Viva! A vitória é nossa, serpentes!"
Vanessa Wakaliki lhe lançou um olhar de desaprovação devido a última frase, uma vez que mesmo Maxon sendo um Slytherin ele estava como comentarista e não deveria demonstrar preferência de forma alguma durante a partida. O garoto ficou vermelho, pude perceber mesmo a distância, e se desculpou com a professora, antes de desligar os altos falantes. A mulher aptou e todos deslizamos com as bolas para o gramado, afim de guardá-las e comemorarmos o jogo, ou pelo menos isso era o que a Slytherin estava fazendo, quando Carl e John levantaram a bela Lilith entre os ombros e o mesmo fez Jacob e Steves com a artilheira Angeliqué enquanto uma multidão se reunia para parabenizá-los. Peterson se ofereceu para guardar as vassouras e se dispersou cabisbaixo em direção ao nosso vestiário.
Patrícia estava com os olhos marejados quando Thomas e Malina lhe abraçaram apertado. Caminhei até Jensen e Lary, ele estava se desculpando com ela por qualquer problema e por ter nos feito perder, porém por mais estranho que pudesse parecer, ao invés de a loira gritar com ele como, obviamente, teria feito se fosse Maxwell e de sair raivosa por termos perdido, ela apenas colocou a mão em seu ombro consolando-o.
—Não foi culpa sua. Você deu o seu melhor lá... E eu que fui uma burra por te deixar ser o goleiro sabendo que você não estava pronto para isso... Eu mesma devia ter encarado de frente.
—Eu não podia deixar que fizesse isso — Ele levantou os olhos e encarou-a. Tão profundamente que me mantive parada e parei de me aproximar — Eu não ia permitir que se machucasse tanto lá.
—Oh, Merlin! E você está bem? — O garoto estava mancando devido ao balaço forte na cocha. A loira acariciou seu machucado no braço e, o moreno sorriu delicadamente para ela com os lábios fechados.
—Muito melhor agora que acabou e você...
Ele parecia prestes a dizer algo realmente importante. Lary estava atenta a suas palavras e, igualmente eu. Mesmo sentindo que deveria deixá-los conversar sozinhos e não me entrometer, minha curiosidade falava muito mais alto, ou melhor, ela gritava em minha cabeça e forçava meus pés a permanecerem parados. Embora, antes que o garoto pudesse terminar a frase, uma garota entrou no meio dos dois e se jogou em seu pescoço. Lary mordeu a bochecha e deu um passo atrás para permitir que Leny tivesse o garoto só para si.
—Você ta legal? Parecia tão mal lá de cima! — Ela exclamou preocupada.
O garoto gemeu levemente e a empurrou delicadamente para frente.
—Tô bem... Só que você apertou minha perna... E ta doendo para caramba.
—Parece mesmo inchada... Vou te levar até a Madame Betsy — Ela finalmente se virou para nós, agora que eu me aproximara o suficiente para me colocar ao lado de Lary — Eu me sinto péssima por vocês terem perdido... Estava mesmo torcendo para a Gryffindor... Foi um jogo injusto!
Assentimos para ela, então, Leny deixou que Jensen se apoiasse em seus ombros e ajudou o garoto a passar pelo campo enquanto seus longos e extremamente claros cabelos loiros balançavam enquanto ela se locomovia. Desviei a atenção para Lary ao meu lado. Ela parecia arrasada com a partida, porém enquanto seus olhos encaravam o casal deixando o gramado e cada vez ficando mais distantes, sem nem ao menos piscar, percebi que ela estava ainda mais arrasada por conta deles. Eu estava tendo dificuldade de entender minha amiga há um bom tempo. Ela estava muito diferente e distante. Não agia mais como normalmente quando estava com Max e muito menos com Jensen. Fora esse o motivo pelo qual eu não fora visitá-lo no ano novo. Mesmo que me doesse por dentro tudo que estava acontecendo com ele. E o fato de não me despedir antes de voltar a Hogwarts. Fizera isso por ela.
Enquanto o mais novo sempre fora seu primo distante irritante, a qual ela sempre discutia e implicava, o mais velho sempre fora seu melhor amigo, a quem ela sempre dividia as aulas e se divertiam quando ela não estava comigo ou com Leny. Um fora seu adversário para capitão de quadribol esse ano e o outro fora o único a permanecer do seu lado. Ela me revelara ter beijado Max na noite de Halloween enquanto eu presenciara Leny beijar Jensen. Ela chorara quando Max fora atacado e quando fomos visitá-lo no hospital, porém também havia chorado por ciúmes de Jensen. Sim, estava claro agora.
Pensara antes que minha clarividência estava falhando depois que tivera minha primeira profecia, mas não. Eu conseguia ler as emoções de quem era próximo a mim como quando antes, só estava tendo bastante dificuldade agora, talvez porque Lary estava abalada demais ou porque ela mesma não fazia ideia de como se sentia. Ela estava confusa eu podia notar isso, porém estava claro agora... Tão claro como cristal o que ela realmente sentia pelos dois. Talvez, ela não tivesse mesmo percebido seus sentimentos ainda e não ia ser eu a tomar a decisão por ela, mas podia ver em seus olhos e no modo como ela estava reagindo atualmente quem realmente pertencia ao seu coração a ponto de ela não conseguir viver sem. Aquele que sem ele, ela não seria capaz de sobreviver. Ao menos, não ao ponto de conseguir trocá-lo por mais ninguém e muito menos ser trocada por ele.
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