Hogwarts Terceira Geração - Interativa
22 O Clímax da Noite de Halloween
Notas iniciais
Júlia Potter — POV's
Após o goleiro e a batedora da Gryffindor vierem falar comigo, minhas irmãs, Klaus, Raimond e Maxon sobre uma nova Armada de Hogwarts que estão fundando devido aos incidentes que percorreram o Castelo, apesar de não estarmos muito por dentro, especialmente eu e as meninas – uma vez que apenas Klaus participara da profecia de Marie – nos dirigimos até uma mesa em um dos cantos do salão.
Raimond sorriu para mim e afirmou que iria buscar algumas bebidas, Maxon levemente nervoso, talvez por ser seu primeiro baile de verdade, concordou com o mais velho e eles despistaram-se em meio a multidão. Minhas irmãs se sentaram ambas a minha esquerda e Klaus ao lado de Jessie. Ninguém dizia nada. A mais nova mexia as mãos inquieta. Ela normalmente estaria muito contente. Especialmente porque era sua primeira festa com um acompanhante e ela estava realmente linda. Minha menininha estava crescendo. Já o garoto e minha irmã mais velha estavam apenas encarando a mesa. Resolvi quebrar o gelo da situação constrangedora. Eu poderia apostar que havia sido causada por conta de que Klaus elogiara Hazel quando ela entrara no salão, embora sua parceira fosse Jess.
—Hey, Haz... — Chamei minha irmã mais próxima de mim, ela levantou o olhar para me encarar. O casal não pareceu se importar comigo — Porque está assim? Não está feliz de vir com o Maxon? Ele parece realmente um garoto que se importa com você.
—Ah... Ele é legal — Ela sorriu falso. Eu sabia que mesmo para uma garota otimista e sorridente como ela, que aquele gesto não era verdadeiro.
—Saiba que o que Klaus disse é verdade. Você está muito linda, maninha — Belisquei sua barriga tentando fazê-la rir.
Ela soltou uma breve gargalhada e, em seguida, olhou para nossa irmã e o setimanista, de relance. Jess não retirou os olhos da mesa e ele apenas encarou-nos da mesma maneira. As bochechas de Hazel começaram a ruborizar e, ela tapou-as com as mãos, nas quais suas unhas brilhavam em um salmão clarinho.
—Obrigada, Jú — Ela sussurrou de volta para mim.
—Hey, você sabe que contamos tudo uma a outra. Porque está tão quieta?
—Eu não estou quieta...
Arqueei uma sobrancelha. Se tinha uma coisa que Hazel poderia apostar era de que eu conhecia as minhas irmãs mais do que qualquer pessoa. Até mesmo nossos pais não sabiam tanto quanto nós. Nossa ligação era imensa e eu sempre fui boa em observar. Sabia perfeitamente que ela estava desconfortável por alguma razão. Não estava tagarelando sobre o quanto o salão estava maravilhoso com a decoração de Halloween, como deveria estar. Até mesmo Jessie estava um pouco estranha, porém acredito que estava chateada com Klaus.
—Ta legal... Eu não quero que a Jess fique brava comigo... Só isso — Apenas encarei-a — Essa é a noite dela.
—Como assim? Essa noite é especial para todos nós. Ela não está com raiva de você, Haz.
—Ela ta brava. E eu sei que por minha causa...
—O que? Nem pensar. Isso... É por causa do Klaus. Mas você ainda é nova para entender.
Ela cruzou os braços e me encarou nos olhos. Todavia sua voz continuava baixa para que apenas eu a escutasse.
—Não sou tão jovem! Eu sei que é por causa dele... Mas também é por minha causa... Eu não devia ter me arrumado tanto.
Agora que ela mencionara acabei por reparar que a garota não havia se intimidado apenas após o acontecido com o garoto. Ela estava assim já havia um tempo. Continuava cativante e animada com os estudos e seus desenhos, contudo toda vez que falávamos sobre o baile ela arranjava uma desculpa para se retirar ou quando brincávamos com ela sobre Maxon, ela simplesmente mudava de assunto. Já hoje tentara fingir um mal estar suspeito, dizendo que não se sentia bem para descer, entretanto fiz com que ela se levantasse e escolhesse o que vestir. Ela precisava se divertir e afirmei que isso tudo era ansiedade por conta da festa, mas que ficaria tudo bem. No fim, ela cedeu e se trocou. Depois Jess, que terminara de se arrumar ofereceu para trançar seus cabelos e Hazel aceitou sorridente. Ela elogiara nossa irmã várias vezes, antes de descermos. Eu sabia que ela admirava Jessie. Éramos todas muito próximas, porém ela sempre admirou-a mais. Poderiam ser diferentes na maioria das coisas, como eu também e isso que nos completava, mas eram mais parecidas do que imaginavam.
—Uísque de fogo, senhorita? — Raimond apareceu atrás de mim e estendeu uma taça de bebida.
Apanhei contente e dei um enorme gole. Estava delicioso. Pisquei para ele agradecida, assim o garoto sentou ao meu lado. Maxon estendeu um copo para Hazel, antes de se sentar na única cadeira vazia, entre os garotos. A mais nova sorriu levemente e apanhou-o, porém colocou-o sobre a mesa, sem mais tocar nele e nem encarar o jovem nos olhos.
Naquele momento, algo fez sentido em minha mente. Hazel não queria descer porque ela não estava a fim de vir com Maxon. Ela aceitara provavelmente para deixá-lo feliz. Não era um garoto ruim, ela mesmo havia concordado, mas ela não estava tão encantada com ele como ele parecia estar com ela. Isso era típico de Haz. Pensar na felicidade dos outros acima da dela mesma. Uma vez, por exemplo, estávamos brincando no parque com a vovó Ginny e ela nos estendeu três sapos de chocolate que trouxera de surpresa, infelizmente, eu saíra correndo querendo voltar a brincar e acabei por escorregar na areia e cair de uma vez no chão. Meu joelho ficara totalmente ralado, mas o pior fora que eu havia derrubado meu doce com a queda. Comecei a chorar enquanto Jess estava sentada com Haz e lambuzando-se de chocolate, a mais nova que ainda não começara a comer levantou e veio até mim. Ela estendeu a mão para me ajudar a ficar de pé e me entregou a guloseima dela.
—Toma. Você vai se sentir melhor depois disso.
—Mas... É seu.
—Você precisa mais do que eu — A garota deu de ombros e estava prestes a dar meia volta, porém fui comovida pela sua caridade e parti o chocolate ao meio para dividir com ela.
—Vamos comer juntas — Ela sorria gentilmente deixando as covinhas a mostra e saímos para brincar comendo do doce. Eu nem mesmo me preocupei mais com a dor no joelho machucado.
Aquela analogia me fez observar mais uma vez o jovem garoto que a acompanhara. Ela estava olhando fixo para ela, contudo Hazel brincava com o copo sem tomar do conteúdo. Jessie ainda encarava a mesa, quando Klaus pigarreou e fez todos olharmos para ele. Tomei um enorme gole do uísque de fogo e minha garganta queimou deliciosamente.
—Jess, você não gostaria de dançar? A banda Ta tocando... — Ele estendeu a mão para ela. Parecia tentar se redimir.
Hazel mordeu as bochechas e encarou as mãos sobre o colo. Havia algo de misterioso em sua atitude. Terminei de, uma só vez, tomar minha bebida. Quando Jessie, finalmente, lhe dirigiu o olhar o garoto estava à sua espera. A morena sorriu fraco para ele, parecia prestes a esquecer o mal entendido. Ela aceitou sua mão e começaram a se distanciar em direção à pista e a melodia lenta de uma das musicas da tão famosa banda. Klaus ainda lançou um breve olhar para Haz que se esforçava para não encará-los, apenas levantou os olhos quando eles já estavam distantes.
—Jú, me daria a honra? — Raimond acariciou meus fios ruivos e me chamou para também dançar.
Embora ara mim não fosse tão entusiasmante uma dança, resolvi que deveria dar-lhe essa experiência, afinal passar um tempo mais agarrada a ele não seria má ideia. Hazel me lançou um olhar se súplica. Não me senti tão bem em deixá-la sozinha com um garoto de quem não estava a fim, contudo queria me divertir com Rai.
—Eu sei que ainda não bebeu mas... se também quiser dançar como elas — Maxon sugeria nervoso. A mais nova pareceu não querer mesmo ficar a sós com ele, pois concordou.
—Não quero beber... Vamos dançar — Eles levantaram e nos seguiram.
A música explodia por todo o salão apesar de o ritmo lento e envolvente fosse o que predominava. Puxei o moreno a minha frente para mais perto pelos ombros e ele abraçou minhas costas enquanto nos mexíamos lentamente de um lado para o outro. Olhos nos olhos. Me permiti sorrir e sentir o calor que emitíamos de nossos corpos ao passarmos tanto tempo próximos. Permaneci por um longo tempo apenas sentindo sua presença e o batimento apressado de meu coração em sintonia com a música.
—Você é a garota mais linda, Jú. Eu não imaginei que aceitaria... Me sinto lisonjeado... Faz tempo que fico te observando — Ele sussurrou para mim e colou nossas testas.
Minhas bochechas começaram a queimar. Não me sentia completamente agradável em momentos expostos como aqueles, em que um garoto me elogiava e exaltava. Não gostava de demostrar os sentimentos. Eu era melhor escondendo-os, mesmo sabendo que sentia o mesmo pelo Slytherin. Apenas mordi o lábio inferior e levantei meus olhos para penetrar nos seus cintilantes, a luz da pista.
—Cale a boca — Sussurrei de volta. Ele pareceu levemente surpreso, quando continuei — E me beija.
Envolvi seu pescoço com a minha mão esquerda e permiti que nossos lábios se encontrassem. Ele me abraçou ainda mais forte. Suas mãos ágeis subiram pelas minhas costas e passaram pelos meus cabelos cor de chamas. Intensifiquei o beijo aumentando o contato de nossas bocas e um enorme frio na boca do estômago atingiu meu ventre e me fez sentir borboletas flutuando ao meu redor. Era uma sensação semelhante à de levitar. Eu poderia sentir como se estivesse prestes a sair voando por aí se Raimond não estivesse lá para me segurar e me manter firme no chão.
—Wow — Ele soltou assim que nos afastamos e respirei fundo sentindo meus batimentos se estabilizarem a medida que o oxigênio atingia meus pulmões por inteiro — Você é uma garota incrível, Júlia Potter.
—E você deveria calar a boca, Raimond Corner — Retruquei de forma doce e com o intuito de fazê-lo parar de me elogiar e tentar fazer-me sem graça, algo que não apreciava tanto.
O moreno obedeceu-me e sorriu de volta para mim. Dessa forma, envolveu minhas costas com seus braços fortes e permitiu que pousasse o queixo em seu ombro e relaxasse ao ritmo da sessão de musicas lentas que se seguiam. Havia por alguns minutos me esquecido do dilema de minhas irmãs, porém assim que pousei o olhar na mais nova, um pouco distante de nós, acabei por me lembrar. Ela estava segurando da forma mais afastada, com os braços esticados, os ombros de Maxon, que apenas tocava em sua cintura levemente e sorria nervoso. Uma pessoa qualquer que os observasse certamente pensaria que eles estavam deslocados porque era seu primeiro encontro ou primeiro baile com acompanhantes, e poderia realmente ser, mas conhecia minha irmã mais nova o bastante para saber que ela estava afastada por outro motivo. Enquanto o jovem a encarava, seus olhos mantinham-se desviados para alguma coisa ao seu noroeste, ou mais precisamente, Klaus e Jessie.
A mais velha tinha um sorriso dentre os lábios e entrelaçava as mãos em seu pescoço. O garoto segurava em sua cintura e a guiava, uma vez ou outra rodopiando-a. Ele parecia contente por ela ter perdoado-o ou ao menos deixado de se preocupar com uma provável bobagem. As vezes suas bocas se mexiam, o que indicava que estavam conversando entre si. Hazel continha um olhar distante, apesar de pousado no demais casal. Naquele momento, fora como se tudo fizesse completo sentido para mim. Ela não estava a fim de Maxon, mas também afirmara estar com receio de se envolver entre Jessie e Klaus, especialmente deixar a irmã zangada, e isso não era pelo simples fato de ele tê-la elogiado, porém sim porque ela estava apaixonada. Percebi a maneira como Haz o olhava. O brilho que refletia em seus olhos quando ele sorria, cantava com ela ou encontrava o olhar dela. Quando ela o observava dançando com outra, mesmo sendo sua maior admiração, o brilho se apagava e tornava-se fosco. Ela queria poder ter ido com o Ravenclaw e não o Slytherin. Meus olhos se arregalaram um pouco ao absorver a informação óbvia.
Hazel Potter — POV's
Após dançarmos cerca de quatro musicas lentas, finalmente, consegui me desvencilhar de Maxon. De maneira alguma queria magoá-lo, porém tampouco poderia continuar enganando-o daquele jeito, por isso permiti que dançássemos um pouco com os demais e depois me inclinei para perto dele, que estava bastante distante, e informei que iria no banheiro e voltava logo.
Me encaminhei no meio das pessoas na pista até fora do salão e me dirigi ao banheiro mais próximo a passos vacilantes. Logo que atingi a porta, espiei torcendo para que estivesse vazio e, quando constatei, que apenas uma garota retocando a maquiagem se encontrava dentro, entrei e me encaminhei até um dia box. Fechei e escorei sobre a porta enquanto fechava os olhos. Era uma completa tortura observar Klaus com minha irmã. Sempre quis ser como ela. Forte, poderosa, determinada, segura e guerreira. E agora ela conseguira o garoto que eu tanto desejara. Mordi o lábio inferior e prometi a mim mesma que não faria da noite deles um desastre por minha causa. Apenas queria minha irmã feliz e não deixá-la mal. Respirei fundo e concordei que tinha de voltar para não preocupa-los.
Abri a porta do box e caminhei pelo corredor, a garota se maquiando havia estado poucos segundos antes e, rapidamente, estava de volta no Salão Principal. Procurei em meio a multidão de pessoas dançando, algum sinal de minhas irmãs e nossos acompanhantes, contudo eles não estavam mais dançando. Demorei algum tempo para -avista-los sentados na mesa a qual estávamos pouco antes.
—Olá... — Sorri fraco — Não querem mais dançar?
Eles estavam comendo algumas guloseimas. Julia me ofereci um pedaço da sua torta de abóbora sabendo o quanto eu amava. Aceitei, apesar de não sentir fome. Me sentei entre Maxon e Jú. Observei-os conversar um com os outros enquanto mordia lentamente meu pedaço de torta. Tentei ao máximo evitar de olhar para o casal a minha esquerda, todavia não consegui me conter o suficiente e me peguei encarando Klaus. Nossos olhos se encontraram, embora ele desviara para Jessie e, por fim, levantou a mão para ter a palavra.
—Aqui está meio cheio. Porque não vamos fazer uma roda de música embaixo da árvore? À noite está linda para isso.
Ele se abaixou e estendeu o violão inseparável. Ele havia trazido e deixado embaixo da mesa. Sorri sem perceber com a possibilidade de ouvi-lo tocar e assenti com a cabeça. O restante também acabou por concordar e deixamos o salão para adentrar em meio à escuridão da noite. A árvore tão disputada que havíamos compartilhado com Klaus e Brendan em setembro, naquela altura da noite estava completamente vazia, escura e gélida, porém bastante convidativa.
O cantor sentou-se escorado no tronco e ajeitou o instrumento sobre o colo. Jess sentou à sua direita e Raimond à esquerda, ele envolveu seus braços em Julia que deitou sua cabeça em seu ombro. Me senti contente em ver a ruiva tão alegre e apaixonada. Sentei-me à frente deles com Maxon ao meu lado. O mais velho abriu um lábios de forma sorridente.
—Certo... Como sugere que começamos? — Ele perguntou. Primeiro olhando para Jessie que deu de ombros. Ela não era muito boa com música e não apreciava arte por trás dela como outros nós.
Em seguida, ele olhou para mim, porém abaixei o olhar. Júlia fora quem nos salvou da situação esquisita que se formava.
—Aquele dia você estava com um caderno cheio de canções escritas. Pareciam diferentes... Você que compôs? Porque não toca uma delas?
Encarei-o quando Klaus engoliu em seco. O silêncio imperou por algum tempo, então, o moreno começou a dedilhar o violão lentamente e me observou de relance, em seguida, Jessie. Por fim, concordou que era uma boa ideia e que tocaria uma composta por ele recentemente.
I can not really say
How does my whole body reacts
When your voice crosses my brain
The electric shock that runs through my veins
When I hear your laugh
I don't know why my heart is like a hurricane
When you are around
All the time that I see you
A música atingiu minha mente e fez meu corpo todo estremecer. O som era calmo, profundo e verdadeiro. Sua voz soava maravilhosa e sincera. Me permiti observá-lo. Klaus estava com os olhos fechados e dava vida aquelas letras perfeitamente. Não consegui retirar o olhar de sobre ele. Ao mesmo tempo que sentia que aquela letra era exatamente como me sentia sobre ele. "Eu não posso realmente dizer como meu corpo inteiro reage, quando sua voz percorre meu cérebro". Um arrepio percorreu todo o meu corpo ensaindo eu o escutava. Sua voz atingia meu cérebro e meu corpo enlouquecia, da mesma forma que a letra descrevia. Finalmente, consegui desviar o olhar para Jess. Ela observava a grama enquanto ouvia a canção. Maxon estava intercalando entre me observar ou a Klaus.
Is like the first time
Is like the first time
I saw you just a while
Black hair and perfect smile
Naquele momento percebi que a música não poderia ser sobre meus sentimentos pois ele não sabia como eu me sentia. E também dissera claramente: "Toda vez que eu te vejo é como a primeira vez, é como a primeira vez, que eu vi você apenas um instante, cabelo preto e sorriso perfeito". Sem dúvida seu sorriso era o mais perfeito, mas seus cabelos se voltavam para um castanho claro e não eram negros como os cabelos de Jess. Obviamente aquela letra havia sido escrita para ela. Meus olhos vacilaram. Não queria chorar. As emoções invadiam meu corpo de forma rápida e inconstante. Estava prestes a deixá-los aproveitar a noite e me dirigir até a comunal, quando meus olhos cruzaram com os de Júlia. Ela estava me observando atentamente. Tentei explicar com apenas o olhar que estava bem apenas cansada.
Is like the first time
Is like the first time
Oh oh oh, first time
No momento em que o refrão acabou não aguentei mais continuar ali. Klaus ainda estava com os olhos fechados e concentrado na música. Me levantei sem nem ao menos perceber que não havia me despedido de ninguém e caminhei rapidamente em direção ao castelo. Meus olhos estavam marejados, mas segurei o choro e continuei sem olhar para trás. Apenas quando atingira o lance de escadas do saguão de entrada, foi que meu nome ecoou pelo corredor. Sentiram minha falta. Meus pêlos de arrepiaram quando ele tocou meu braço levemente.
—Haz — Era Klaus. Não fazia ideia do porquê ele me seguida — Espera. Você ta bem?
—S-sim... — Sussurrei e me voltei para ele — Estou só cansada... Vou me deitar... Podem continuar sem mim.
—Tem certeza? Quando abri os olhos e percebi que não estava lá fiquei preocupado. Bem, todos ficamos.
—Sim. Certeza. A propósito sua música é linda... Você escreve tão bem, Jess vai amar ouvir as outras que compôs para ela, mas eu tenho mesmo que descansar...
Desviei o olhar do dele para facilitar me afastar. Ele suspirou e me soltou, mas antes de ir, resolveu que tinha de me dizer algo.
—Haz, sobre isso... — Ele estava sendo sincero. Quis saber o que ele diria, foi interrompido quando Maxon atravessou o corredor até nós.
—Tudo bem? O que foi?
Ambos, antes com o olhar cruzado, nos desviamos para encarar de frente o Slytherin que acabara de chegar. Klaus se afastou para dar espaço a ele e o mais novo se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro enquanto checava se eu havia me machucado ou estava passando mal. Neguei com a cabeça e retirei delicadamente seu braço enquanto abraçava a mim mesma, semelhante a maneira que fazemos quando sentimos frio, e me esforcei ao máximo para sorrir levemente.
—Estou bem. Não foi nada, só estou cansada... Acho que já vou me deitar... A noite foi — Suspirei, intercalando o olhar entre Maxon e Klaus — Longa.
—Ahn... Bem, foi uma ótima noite... Digo, você foi uma ótima companhia, Hazel — Ele sorriu sem graça para mim e estendeu a mão em direção a escada — Eu te acompanho até a sua comunal.
Engoli em seco. Ele estaca sendo, verdadeiramente, gentil e eu não poderia recusar, embora não pudesse magoá-lo e enganá-lo daquela forma. O garoto queria me acompanhar até o 7º andar, uma vez, que seu dormitório se encontrava nas masmorras. Ele estava oferecendo muito a mim e eu sabia bem que não podeira retribuir como ele desejava. Encarei o mais velho de relance. Ele nos observava, enquanto fingia não participar da conversa, porém sabia que ele estava nos ouvindo muito atentamente.
Respirei fundo imaginando que Júlia e Raimond juntos embaixo da árvore. Eles combinavam perfeitamente juntos. Então, a visão de Jessie atingiu minha mente e me lembrei de que como Klaus viera atrás de mim ela estava sozinha. Estava cansada de passar por isso. De ser a causa do desentendimento deles e de me sentir mal. Eu queria me deitar, apesar de saber que não conseguiria dormir tão cedo, por mais que tentasse. Me voltei para Maxon e afirmei com a cabeça, concordando com ele me acompanhar até a comunal da Gryffindor. Por fim, me despedi de Klaus com um aceno amigável.
—Boa noite e obrigada por se preocupar... Mas estou bem, e vou me deitar... — Subi o primeiro degrau, contudo Jess insistia em aparecer em dominar meu cérebro — Ah, e é melhor voltar para Jessie, ela deve estar esperando por você.
Pude sentir o seu olhar surpreso e penetrante sobre mim. Ele me atravessava como uma espada afiada. Meu peito se contorceu quando pronunciei aquelas palavras verdadeiras e dolorosas. Ele não disse nada. Imgainei que estava voltando para a árvore, dessa forma, me apressei a subir com Maxon ao meu alcance, sem conseguir prestar atenção no que suas palavras diziam. O garoto falava e eu devaneava. Minha mente estava ocupada demais com meus pensamentos sufocantes para ouví-lo. De repente, um estrondo forte seguido por um estampido agudo atingiram meus ouvidos e meus olhos se arregalaram. Nos entreolhamos antes de ambos encararmos a porta do Salão Principal, de onde saíra aquele barulho estranho.
Lilith Saphire Noble — POV's
A noite de Halloween já estava chegando ao seu auge. A banda tocava a suas últimas músicas e os jovens já estavam começando a se sentir cansados de tanto dançarem e satisfeitos de tanto comerem. Passara a maior parte da festa cumprimentando as pessoas que vinham me desejar uma boa noite ou dizer o quanto meu vestido era bonito. Eu não podia discordá-los... Eu estava completamente deslumbrante. Minha mãe mandara para mim mais cedo pelo correio-coruja um vestido que eu estava esperando ficar pronto desde as férias, quando encomendara-o. Ele era longo, não permitindo nem mesmo a visão de meus saltos agulha metálicos, com a barra rodada e que se ajeitava complemente ao meu corpo ao caminhar. O vestido era negro, repleto de pedrinhas prateadas que faziam com que eu combinasse perfeitamente com o céu — encantado para imitar o céu fora do Castelo — do Salão Principal, onde a lua cheia e as estrelas brilhavam. Além de conter uma fina alça preta e um certo decote. Completei com uma pulseira e brincos exóticos que ganhara de uma das viagens de meu pai e a maquiagem prateada para iluminar meus olhos.
—Hey, a noite já está acabando... Não quer mesmo dançar? — O garoto Ravenclaw de cabelos loiros e pele bronzeada, sentado ao meu lado em uma das mesas centrais, passou o braço por dentre meus cabelos longos, sedosos e ondulados soltos sobre meus ombros e sussurrou próximo ao meu ouvido.
Exatamente como em todos os anos anteriores, ele me convidara e eu aceitara. Tinhamos uma relação que mais parecia um contrato. Éramos vistos como o casal ideal de Hogwarts. Os mais populares. Mais desejados. Mais poderosos. Ambos monitores-chefes de suas respectivas casas. Em eventos como o baile de Halloween sempre íamos juntos e sorríamos para todos gentilmente, como um casal de celebridades. Ele insistia em segurar em minha cintura sempre que andávamos juntos. E algumas vezes quando nos encontrávamos pelos corredores ele me abraçava e permanecia algum tempo segurando meu rosto próximo de seus olhos. Ele me desejava como aos demais garotos, uma vez que era meio veela. Porém certamente e diferente dos demais pensava que me tinha. E talvez, realmente, o tivesse. Mas não completamente como a maioria das pessoas pensassem ao nos ver andando pelos corredores alguns vezes. Parker Monterey me tinha ao seu lado, contudo, tão pouco havia conseguido fisgar meu coração. Eu sorria e apreciava sua presença. Dois herdeiros de ricas famílias bruxas e com personalidades próximas. Todavia o que mais gostava ao estar junto dele era que ele não me obrigava a falar. Ficávamos apenas sentados ou de mãos dadas, sem dizer nada, algumas vezes ele sussurrava algo próximo a minha orelha, provavelmente, com o objetivo de me fazer estremecer, entretanto nunca ocorria. Eu fechava os olhos e os abria para, então, encará-lo.
—Certo — Me apressei para me levantar. Não aceitara dançar com ele durante a noite toda, mas resolvi que era a hora, já estava quase no fim — Eu aceito.
O sorriso perfeito surgiu dentre seus lábios. Ele estendeu a mão para me guiar — mais uma vez segurando em minha cintura — até o meio da pista, onde, se virou para estar a minha frente e apoiou a outra mão, também na curva em meu abdômen. Coloquei os braços ao redor de seu pescoço e começamos a nos movimentar ao som de uma música, não muito lenta, porém nem tão pouco agitada. Mordi o lábio enquanto minha mente vagueava sobre o que estava próximo a acontecer.
Desviei o olhar dentre a multidão, sem ter real certeza do que procurava, mas assim que o avistei, uma sensação estranha se apoderou de mim e soube que era exatamente o que desejava. Jack estava parado, encostado, em uma das paredes, segurando um copo de Uísque de Fogo. Seus olhos estavam fixos em mim, desde quando estaria me observando? Ele não estava acompanhado de ninguém. Havia me convidado antes mesmo de Parker, mas sabia que ele o faria e não poderia ser vista em um baile ao lado do moreno. Ele poderia estar me ajudando com o plano e, de alguma forma, despertava algo dentro de mim que me deixava desconfortável e intrigada, todavia também me fazia sentir vulnerável e isso era algo que eu recusava de todas as maneiras. Mas ele também era apenas um garoto comum e eu precisava ser vista com o melhor. Ser considerada a melhor. A mais invejada e desejada.
Os olhos de Jack se encontraram com os meus e era quase como se ele pudesse ler minha mente. Desviei rapidamente assustada, porém sabia que ele não o havia feito. Que permanecia me olhando, enquanto desviava o olhar para Parker, que me guiava na dança. Obviamente ele apoiou a mão em meu queixo e levantou meu rosto para que ficasse ainda mais próxima do seu. Eu sabia perfeitamente o que ele iria fazer, e como todas as demais vezes que isso acontecia, deixei que ele me beijasse. Não sentia vontade de fazê-lo, mas sabia que era parte de nosso romance "contrato" e que deveria beijá-lo em público, por isso, envolvi minhas mãos por seus cabelos dourados e me forcei a fechar os olhos enquanto ele me puxava para perto e nossos lábios se encontravam. Senti uma pontada em meu coração ao pensar em Jack. Ele estaria ainda nos observando? Ou teria ido embora após nosso contato? Retirei aqueles pensamentos inoportunos de minha mente e intensifiquei o beijo, agora envolvendo minhas mãos no colarinho de seu smoking, para nos aproximarmos ainda mais.
~*~
Alguns poucos minutos mais tarde e a diretora subiu novamente ao palco, logo após, a banda se despedir de todos, e usou o feitiço de microfone para roubar a atenção da imensa multidão por todo o salão. Ela informara que estava quase na hora de terminar o baile e que ela gostaria de anunciar a dupla mais votada da noite, diferentemente de todos anos, para a roupa mais elegante da noite. Ainda estava dançando com Parker, embora não nos beijássemos mais, contudo nos afastamos assim que ela subiu ao palco e agora ele apenas apoiava a mão em minha cintura, como de costume.
—E o casal vencedor é.... — Permiti que meus lábios levantassem lentamente ao ouvir a palavra em conjugação feminina — Sr. Monterey e Srta. Noble!
Luzes, semelhantes a de um holofote, nos iluminou em meio a multidão de alunos e Parker sussurrou "parabéns" em minha orelha, antes de começarmos a caminhar em direção a Rose Malfoy. A mulher nos parabenizou exatamente como a maioria das pessoas fizeram. Os alunos explodiam em vivas e palmas. Apontei para a minha garganta com minha varinha e conjurei o feitiço de alto-falante para agradecer docemente. Parker apenas deu um giro e sorriu de modo encantador para os alunos, a maioria das meninas suspiraram. Respirei fundo, pois havia chegado a hora.
Não me surpreendera com o resultado dos votos, pois sabia perfeitamente que seria a vencedora. Há 4 anos consecutivos eu vencia, embora antes não elegessem um casal e sim uma pessoa apenas. Esse ano estava diferente, contudo essa seria uma noite diferente apenas por esse prêmio, mas sim pois havia preparado uma surpresa para todos os presentes, como em nenhum ano havia tido. Parker reverenciou e apanhou uma taça como símbolo, antes de descer do palco. Apanhei o buquê de rosas que a diretora me entregara e agradeci a todos pelos votos, então, procurei uma segunda vez pelo moreno em meio aos alunos. Ele estava afastado, mas batia palmas. Pisquei para ele, indicando que havia chegado o momento. Finalmente, todos veriam o que havia preparado a tanto tempo e aposto que ficaria para a história.
Joanne Jordan — POV's
As palmas dominavam o salão por inteiro. A amada Lilith vencera mais uma vez e não me surpreendi com sua vitória, contudo algo roubou minha atenção quado desviei a atenção do palco. Um garoto moreno estava prestes a acender alguma coisa com a ponta de sua varinha. Meu coração parou por um instante e me aprecei até Jack. Ele e Lily estariam tramando alguma coisa, com certeza, não muito agradável e tinha de impedi-lo. Subira para a festa apenas com o objetivo de me deliciar com as diferenciadas guloseimas de Halloween, uma vez que não fora convidada por mais nenhum menino além de Jack, a quem recusara com prazer e tentara evitar a noite toda, e já estava prestes a me deitar quando a vencedora do melhor traje da noite foi eleita. Tentei agarrar a camisa polo do garoto antes que ele fizesse algo indesejável.
—Jack, não! Você é melhor do que isso! — Exclamei e ele me olhou incrédulo antes de ser tarde demais.
Uma explosão roubou a atenção de todos os estudantes e professores quando uma espécie de fogo de artifício, muito parecido com os vendidos na Gemialidades Weasley ou na Zonko's. Qualquer um que estava ao redor do garoto, inclusive ele que escondera o saco no casaco, se afastaram dando lugar aos pequenos foguetes que começavam a decolar em direção ao teto, que imitava o céu exterior banhado pela lua cheia, porém era completamente falso. Alguns gritos ecoaram o salão e pude perceber que professores como Madelyn, Eveline e Elliot retiraram suas varinhas e se prepararam para agir. O rosto da diretora estava desesperado, quando uma risada dominou o local. Lilith não parecia se preocupar, logicamente porque eu sabia que ela e Jack estavam juntos nessa, mas querer destruir a noite de jovens inocentes?
A loira me respondeu quando levantou as mãos e com certos movimentos foi capaz de fazer com que os foguetes mudassem de direção e contornasse-a, em seguida, formavam estrelas e corações com suas fumaças cinzentas, como em um grande espetáculo. Eles sobrevoaram os estudantes e soltaram faíscas brilhantes, então, reaproximaram-se da "rainha de Hogwarts", prestes a explodirem, entretanto segundos antes Lily girou e cerrou os punhos, fazendo-os apagarem de uma só vez e perderem o equilíbrio, sendo jogados ao chão pela força da gravidade.
Jack se apressou para apanhá-los, no momento em que ninguém fora capaz de se preocupar com ele a não ser explodir em palmas e vivas animados e surpreendidos. Os professores se entreolharam aliviados e guardaram as varinhas. Rose Malfoy suspirou e deixou a expressão preocupante dar lugar a um sorriso. Balancei a cabeça incrédula de como ela havia conseguido manipulá-los facilmente. Ela quase causara um grave acidente e eles a aplaudiam? Lily mexeu as mãos para mandá-los cessarem e finalizou:
—E esse foi o meu agradecimento por votarem em mim e apenas um show especial para levar esse baile ao clímax — Ela fez reverência como se agradecesse ao público pelo seu espetáculo e revirei os olhos, desejando estar em qualquer lugar menos ali.
Bufei fazendo as mechas azuis soltas do coque frouxo balançassem a frente de meus olhos claros. Não conseguia imaginar como ela conseguia se safar de situações como essa e sabia perfeitamente que estava querendo mostrar o quão poderia ser poderosa. Talvez quisesse se redimir depois de perder a luta contra mim. Felizmente, a diretora subiu ao palco e tomou a frente de toda a multidão enfurecida.
—Se acalmem! A noite foi divertida, mas essa foi uma brincadeira bastante perigosa e por isso a festa será encerrada. Todos vamos nos deitar assim como os primeiranistas e segundanistas, uma hora mais cedo, devido ao "clímax" da Srta. Noble — O suspiro dominou o local — Certamente, foi surpreendente e sua magia é poderosa, mas não deve colocar estudantes de uma escola toda em perigo dessa maneira. Vamos, todos, nos deitar.
A mulher desceu e guiou a multidão pelo hall de entrada. Lilith acabara com o baile, o que poderia deixar muitos chateados, porém não sofrera nenhuma punição e a maioria a parabenizava quando se esbarravam. Sabia que um dia sua máscara iria cair, entretanto não havia sido o momento. Me movi até a saída desejando que chegasse rápido.
Jack provara ser um ótimo assistente e finalmente o que eles planejaram a tanto tempo fora revelado. Uma dúvida tomou conta da minha mente enquanto descia as escadas apressada, com meus tênis azuis fluorescentes e meu vestido preto rasgado e minha meia calça rastão, até as masmorras. Agora que ela já realizara seu espetáculo, seria mais uma trama entre meu primo e a metade veela, os ataques aos estudantes da Hufflepuffle? Ou estaríamos lidando com algo diferente?
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