Hogwarts Terceira Geração - Interativa
20 O Baile de Halloween - Parte 2
Notas iniciais
Lary Malfoy — POV's
Logo após conversarmos com meu irmão e Violet, eu e Maxwell voltamos até onde havíamos deixado Marie e seu parceiro para o baile, Brendan. A ruiva estava com os cabelos envoltos em um coque bem feito com algumas mechas avermelhadas soltas e presilhas douradas. Ela usava um vestido branco de mangas grandes, barra na altura dos joelhos e gola preta. Estava com um ar bastante fofo e clássico como nos anos 50.
Me aproximei do meu casal de amigos. Assim que estávamos saindo da comunal com Marie há cerca de meia hora, encontramos rapidamente com os meninos saindo de seus dormitórios e todos fomos juntos para o Salão Principal. Combinamos que eu falaria sobre o plano para meu irmão mais novo enquanto a ruiva ficaria à espera de nossas outras duas amigas, Coraliny e Leny.
Dessa forma, quando nos aproximamos pude perceber que uma garota de cabelos longos e loiros quase brancos estava ao seu lado. Ela usava um vestido branco com gola alta e levemente rendado, junto de um cinto marrom avermelhado, e estava com o braço direito entrelaço em um garoto moreno e familiar. Ela não me contara com quem iria esse ano, diferentemente de Cora que estava usando um vestido creme com uma espécie de laço próximo aos ombros e a barra longa e preta, junto dos cabelos soltos e escovados de forma que ficassem extremamente lisos: ela me dissera que viria com um quartanista da Hufflepuff, Luke Harrington.
—Lary! — Leny se aproximou de mim e me abraçou apertado.
—Vejo que conseguiu um par... — Não entendi porque mas senti uma pontada em meu coração quando minha mente se deparou com ele. Quem estava com ela era um garoto da Gryffindor, nosso artilheiro e um dos meus únicos amigos: Jensen.
—Jensen me convidou anteontem! E eu... — Ela olhou para ele e sorriu timidamente, então sussurrou para mim — Estou muito feliz que o tenha feito. Não reparei antes, mas ele é uma gracinha, não é?
Concordei com a cabeça e fechei minhas mãos em punhos, tentando me acalmar. Não entendia de onde aquela raiva surgira, mas ela estava incendiando meu peito como fogo em um prédio em chamas. Leny estava acompanhada de Jespen e ela não havia me contato? Me senti traída, embora não fosse algo tão sério quanto quando Marie não votou em mim para capitã... Uma lembrava me atingiu em cheio. Jespen. Ele fora o único a ficar do meu lado naquele dia e agora ele esta rindo com minha melhor amiga. Deveria ficar feliz por eles. Eu quero estar feliz por eles, porém não consigo expressar o que percorre minha mente.
—Lary? — Cora colocou a mão no meu ombro e me fez voltar de meu devaneio.
—Ahn? — Indaguei confusa.
—Estava acabando de sugerir que como Brendan é melhor amigo do Klaus deveríamos deixar que ele vá convidá-lo para a AH com a Marie.
Concordei com a cabeça. Evidentemente era uma ótima ideia. A ruiva também concordou. Ela já havia convidado Brendan e ele logicamente aceitara e fizera um movimento de armas com as mãos como se fosse um ator de um filme de ação trouxa afirmando que acabaria com todos eles. Apesar de como nós não saber quem são os eles.
Em poucos minutos e a diretora subiu ao palco e pediu silêncio a todos, usando o feitiço de microfone.
—Boa noite a todos, alunos e professores. Espero que estejam tendo uma noite incrível, apesar dos acontecimentos recentes e de três de nossos estudantes terem sofrido um ataque... Consegui trazer-lhe uma banda muito famosa, uma banda que aposto que todos aqui vão amar: pode entrar Eletric Freak!
A diretora caminhou para perto dos professores e como em um truque de mágica a baterista, o guitarrista, o baixista, o tecladista e a vocalista da banda aparataram em cima do palco e o salão inteiro explodiu em gritos. A cantora de cabelos vermelho berrante girou sobre sua saia longa e rasgada preta e em seguida levantou os braços e começou a bater palmas:
—1, 2, 3, 4 — Ela dizia enquanto movimentava os pés de um lado para o outro e os instrumentos começaram a tocar e a música agitada invadiu todo o ambiente.
Brendan começou a balançar a cabeça conforme o ritmo e imitou os movimentos divertidos do guitarrista. Coraliny segurou minha mão e a de Marie e começou a nos puxar para mais perto da pista. Max e Luke nos seguiram um pouco atrás enquanto Leny pousava os braços ao redor do pescoço de Jensen e começava a sacudir em meio a multidão animada. Ele sempre mais retraído apenas riu para ela e apoiou em sua cintura. Bufei e me virei para a frente. Ignorando a cena.
Curtimos as primeiras musicas com toda a animação possível. Cantávamos, mesmo errando as letras uma vez ou outra. Max e Marie estavam um ao lado do outro e pareciam saber uma das musicas de cor. Aquela música costumava ser a favorita dos dois porque uma vez fizeram uma paródia sobre o sapo do moreno nA' Toca, no verão dos meus 9 anos, ou seja, quando Max tinha 8 e Marie 7. Percebi o quanto ficamos cada vez mais próximos. Estávamos jogando no mesmo time. E agora fundamos a AH juntos. Ele passava mais tempo com a gente do que com seus melhores amigos, como Frederich e Brendan, apesar de essa noite Marie estar acompanhando o goleiro. Cora acabou se distanciando um pouco para dançar ao lado de Luke que a acompanhou em completa sintonia do ritmo. Ele era bem mais alto que ela, porém combinavam perfeitamente. Marie se virou e sussurrou para mim, dizendo que ela iria com Brendan procurar por Klaus e as irmãs Potter, que estavam com ele essa noite. Me virei e percebi que o moreno viera buscá-la, uma vez que ficara para trás antes junto do casal. Aquele pensamento me fez virar e procurá-los. Eles estavam no fundo do salão.
Leny havia parado de dançar e estava sussurrando algo no ouvido direito de Jensen, provavelmente para que ele conseguisse ouvi-la porque a música estava realmente alta.
"I saw you tonight
and the butterfly at my heart
Begun to beat against my bars
With the force of a twist
Twist, twist, twist witch
But you weren't alone
She became with her tone
And made my mind got explode
With the force of a twist
Twist, twist, twist witch"
A letra da música soava distante agora que eu os estava observando. Marie e Brendan nos deixaram no meio da pista. Cora e Luke dançavam animados e riam a beça. Jensen levantou o canto esquerdo do lábio em um meio sorriso que o deixou complemente fofo e Leny soltou uma risada nervosa. Não consigo imaginar sobre o que estavam conversando, mas conheço minha amiga o suficiente para ter certeza de que ela estava envergonha porque estava dizendo ou recebendo um elogio. Eles deviam estar se declarando... Como eu em todo esse tempo de amizade e companheirismo não percebi que o meu melhor amigo do quadribol e minha melhor amiga da vida real, tirando Marie, estavam apaixonados?
Leny sem nem ao mesmo parecer perceber se aproximou dele e eles estavam em silêncio agora. Ele sorria levemente para ela e a loira parecia insegura, mas também prestes a fazer algo e não poderia ver isso. Eu sabia que ela estava se aproximando porque inconscientemente queria beijá-lo! Imagina! Eu os veria se beijar!
Forcei meu corpo a se virar embora meu olhar estivesse petrificado naquela imagem que nem ao menos vira acontecer e, sem querer, me esbarrei em Maxwelll que estava observando a banda de costas para mim. O garoto de 1,80 de altura se virou em minha direção, que por estar usando saltos mais de 10cm azuis escuros — combinando com meu vestido de festa de mesma cor e, que com a noite e as luzes, parecia reluzente — ficara apenas poucos centímetros menor que ele.
—O que foi? — Ele me encarou por um momento e tentei ao máximo parecer natural, no entanto foi em vão — Você está chorando?
—Não... — Eu não estava chorando. Não sei de onde ele tirou isso. Talvez estivesse com uma expressão estranha, mas o que eu queria era sair do meio da multidão. O excesso de gás carbônico estava me deixando tonta — E-eu preciso de ar.
Comecei a empurrar as pessoas a minha volta para que abrissem passagem para mim. Aos poucos fui me afastando, entretanto percebi que Max estava me seguindo de perto e, quando atingi a porta do Salão Principal e estava prestes a deixar a festa, ele segurou em meu pulso.
—Onde você vai? — Indagou e me encarou nos olhos.
—Eu vou tomar um ar... Vou até o lago — Disse o primeiro lugar que me veio a mente. Precisava sair dali.
—Então, eu vou com você — Ele passou pela porta e o segui — Está muito escuro e tarde. É meio perigoso e se alguém nos pegar provável que vamos levar punição... Aliás, sou seu acompanhante, não vou te deixar se encrencar sozinha.
—Valeu, Max — Respondi baixo e caminhamos em silêncio pelo Hall de Entrada até a saída. O moreno ainda segurando levemente em meu pulso direito.
~•~
A noite escura tomava conta de toda a região do castelo. Continuei caminhando ao lado de Max completamente em silêncio enquanto me guiava até onde meus extintos diziam ser o Lago Negro. Contudo, apanhei minha varinha de dentro da minha bolsa azul marinho metálica que jazia solta sobre meu ombro esquerdo e estendia-a à minha frente.
—Lumus — Murmurei o feitiço e um feixe de luz se acendeu da ponta do objeto de madeira.
O caminho foi parcialmente iluminado. Foi mais fácil alcançarmos à beira do lago, que a essa altura estava completamente vazia e fria. Fechei os olhos e respirei fundo deixando com que o oxigênio enchesse completamente os meus pulmões e, em seguida, expirei. Meu peito que antes estava apertado e me deixara sufocada no meio do salão, agora estava completamente leve.
No momento em que abri os olhos senti a força leve da brisa de outono contra minha pele. Essa era a estação mais agradável do ano quando não se estava muito calor e nem muito frio. A grama estava convidativa à beira do lago. Apaguei a ponta da varinha e guardei-a, então me aproximei mais um pouco, todavia senti meus pés afundarem aos poucos na terra. Não era a melhor opção usar saltos naquele momento, me abaixei e retirei cuidadosamente meus sapatos e os coloquei ao lado enquanto deixava todo meu corpo sentir a sensação do gramado contra meus pés descalços. Relaxante e calmante.
—Ahn... Está melhor? — Por alguns minutos havia me esquecido completamente de Maxwell.
Me virei rapidamente e encarei o moreno um pouco atrás de mim. Ele estava me olhando. Talvez estivesse me observando há um bom tempo. Sorri levemente e assenti enquanto me voltava para encarar a água.
—Muito melhor... O silêncio daqui é melhor que aquela bagunça lá dentro — Apontei atrás de mim, onde estava o castelo.
O garoto se aproximou sorrindo e me deixei sentar próxima da água. Passei a mão levemente sobre a superfície e senti que estava gelada, mas ao mesmo tempo gostosa. No centro do lago o brilho da enorme lua cheia fazia com que o cenário parecesse um sonho. Max não disse nada. Ele deixou com que contemplasse a paisagem, porém senti seus olhos sobre mim e, por fim, ele sentou-se ao meu lado, cruzando as pernas como um índio.
Me ajeitei de forma que meu vestido não subisse sobre minhas cochas e deixei que minhas pernas caíssem sobre a água até a altura de meus joelhos. O contato frio me fez sentir viva. Fora da festa, somente com Maxwell era bem mais "festivo" do que em meio a toda a escola e tendo que suportar minha melhor amiga agarrada com o meu colega de time.
—É bem bonito aqui a noite, hein? — Maxwell tenta puxar assunto comigo. Consigo sentir que ele comentou apenas por comentar, apesar de ter completa razão.
Levanto os olhos para encarar as estrelas e vejo o quão belas estão nessa hora da noite. Nessa região é possível ter uma boa visão delas. Pequenas e brilhantes. Reluzentes entre o céu enegrecido.
—Realmente. Aqui é lindo.
—Bem... Não sei se devia te perguntar, mas porque você saiu daquele jeito?
—Eu já disse — Mordi o lábio inferior e abaixei o olhar para minhas mãos sobre meu colo. Encarei minhas unhas bem feitas e pintadas de prata metálico — queria tomar um ar.
—Não parecia ser só isso... — Ele deu uma pausa, porém logo continuou — Você estava chorando...
—Eu não estava chorando — Interrompi-o e levantei a vista para encará-lo — Eu estava me sentindo sufocada... E tonta.
O moreno, se abaixou um pouco para ficar exatamente da minha altura e me encarou diretamente nos olhos. Ele franziu a testa e suas sobrancelhas se abaixaram o deixando com uma expressão de inteligência. Não que ele não fosse inteligente, mas Max normalmente não se importava com os estudos, livros e algo desse tipo, assim me deixando bastante supresa. O seu olhar estava profundo e fixo. Senti como se ele pudesse ler minha mente e desviei de forma rápida meus olhos do oceano azul dos dele.
—E isso era por causa da multidão e da falta de ar ou... Não seria por efeito de um artilheiro?
Arregalei os olhos e meu queixo tremeu. Como ele poderia pensar isso? Maxwell pensara que eu estava chorando por causa de Jensen? Eu não chorei. Mas como ele sabia que eu estava desconfortável por causa dele? Balancei a cabeça negativamente.
—Não. Não sei do que você ta falando.
—Ah, pois eu sim. Acha que eu não vi que estava observando o Jensen e a Leny? — Engoli em seco. Ele estava prestando total atenção no show, não estava? — Acha que eu não presto atenção em você, Lary? Pois eu presto e muito.
—Não tem nada a ver. Eu só estava... Isso não é sobre o Jensen, é sobre a Leny. Ela estava a fim dele e não me contou... Me senti traída...
Escutei as palavras saindo de meus lábios, mas era como se não estivesse sendo completamente sincera comigo mesma, embora fosse verdade.
Permanecemos um tempo em silêncio. Apesar de que aquelas palavras ditas por Maxwell ainda ecoassem em minha mente. Foi então que me deparei com as últimas e me surpreendi por não ter notado a força delas antes.
—Ei, Max... — Ele estava observando o horizonte e se virou pra me encarar — Você disse... Presta atenção em mim?
—Ah... É claro. Eu estava... Eu me preocupo com você, Lary.
As palavras chegaram até meus ouvidos e encheram meu corpo. Estremeci. Ele dissera tão sincero que tudo que estava relacionado com a festa desapareceu completamente da minha mente. Estava tão acostumada a ter o Maxwell ao meu lado que não me preocupava com o quanto ele era importante para mim. Ele confessara que estava preocupado comigo. Foi apenas naquele instante que percebi que estava contente por ter sido convidada por ele e estar o acompanhando. Quando estava com ele passava a maior parte do tempo discutindo e, sabia que ele não era a pessoa mais correta do mundo, porém ele era alguém que sempre estivera comigo e fazia-me sentir bem. Levantei meus lábios em um meio sorriso e me aproximei dele.
O moreno se assustou quando pousei minha cabeça em seu ombro e sussurrei próximo ao seu ouvido:
—Valeu, Max... Por estar e se preocupar comigo... Fico feliz de ter vindo ao baile com você.
Pude sentir que ele sorria e que se desvencilhou um pouco quando minha voz entrou em contato com sua orelha. Ele se arrepiou. Provavelmente não estava esperando que eu fizesse aquilo, porém colocou os braços ao redor da minha cintura, me aninhando em seu peito. Fechei os olhos e me senti protegida.
Minutos após e ainda estávamos na mesma posição. Meus pés moviam-se lentamente embaixo d'água. Sentia a ponta das algas indo de encontro com meus dedos e mesmo a sensação de frio à noite e a brisa gélida não conseguiam me atingir. Max estava me abraçando forte com seu smoking despojado, que o deixou com um ar romântico sem ser meloso ou exagerado, no momento em que se encontrou comigo na sala da comunal. Aquele toque fazia com que me sentisse aquecida e mesmo que não estivéssemos conversando era como se não precisássemos de palavras para nos aproximarmos.
Sorri levemente com o pensamento que me veio à cabeça. Realmente parecíamos melhores amigos agora... Não sei. A sensação de estar tão próxima dele era diferente da que normalmente sentia. Eu finalmente estava grata por ter ele por perto. Não havia percebido o quanto era importante para mim estar com ele. Se o moreno não fosse meu amigo, talvez... Nem gostaria de pensar em algo assim. Ele era parte de mim... Era como se fôssemos... Não sei. Irmãos?
Levantei a cabeça e abri os olhos para encará-lo depois de tanto tempo em silêncio. Ele estava me observando. Sorri de lado e o moreno encontrou meus olhos com os seus. Nunca tinha percebido antes como eles eram tão azuis. Era quase como se fosse irreal. Duas safiras brilhantes em meio a uma paisagem enegrecida. Fora o que senti ao encara-los no escuro. Ameacei abrir a boca, contudo algo dentro do meu peito se acendeu.
Uma chama quente aqueceu todo o meu corpo e uma pequena sensação de calor me comprometeu quando percebi que Maxwell estava tão próximo. Não parecia errado ou algum problema antes, mas agora era tortura. Ele fora tão doce comigo e estávamos sozinhos... Realmente havíamos acompanhado um ao outro no baile. Em todos os sentidos da palavra. Alguma parte de mim, desesperadora, clamava para que ele se aproximasse ainda mais. Para que os centímetros que nos separavam desaparecessem, apesar de outra querer se afastar e ir embora. Deixá-lo o mais distante possível.
Uma batalha estava sendo travada dentro de mim, quando Maxwell resolveu intervir e decidir qual lado deveria vencer a luta. Ele se ajeitou na grama de forma que acabássemos nos separando. Mordi meu lábio inferior e permaneci encarando seus olhos na escuridão. Não conseguia encontrar palavras ou algo que pudesse fazer, ou como agir.
Devido meus braços estarem novamente em contato com a brisa gelada, minha pele se arrepiou é uma pequena sensação de frio se apoderou de mim. E mesmo agora com uma distância maior entre nós, seus olhos pareciam vagalumes azuis ao meus ver. Apenas desviei o olhar quando o moreno abaixou as pálpebras e direcionou a vista em meus lábios. Senti as palmas das minhas mãos suarem e todo o frio que começara a sentir se esvaiu por inteiro, deixando apenas uma nuvem de calor ao meu redor.
Umedeci meus lábios enquanto abaixava os olhos em direção aos seus finos. Sua boca estava entreaberta e Max se inclinou em minha direção e apoiou uma das mãos em meu pescoço. Ele estava decidindo entre falar ou agir. O contato fez meu corpo estremecer. Algo dentro de mim fazia sentir que eu não deveria continuar ali, entretanto a outra parte fora mais forte e minha mão instintivamente se levantou e envolveu cuidadosamente a dele, em meu pescoço.
Minha atitute pareceu despertar algo no interior de Max. Algo aparentemente adormecido até então, e ele finalmente ultrapassou a ponte entre nós e me puxou com sua outra mão pela cintura. Mais perto. Nossos lábios se encontraram e uma explosão de energia atingiu meu peito.
Por meio segundo permanecemos estáticos sem nos mover. Para que nossos cérebros assimilassem a situação, todavia logo ele levou a mão esquerda, que antes envolvia meu pescoço, para meus cabelos curtos e a mão direita pressionou minha cintura, me aproximando mais. Retirei meus pés da água gelada e minhas mãos envolveram a gola de seu smoking surrado e intensificamos o beijo.
Meu estômago se contorceu dentro de mim como se milhares de borboletas batessem as assas ao mesmo tempo. A parte de mim que queria estar cada vez mais perto e sentir os lábios de Max contra os meus parecia a mais forte até o momento, quando a outra se fortaleceu e me fez afrouxar as mãos e, aos poucos, cuidadosamente me afastar dele.
—Eu... Max... — Sussurrei assim que o oxigênio atingiu meu peito.
—O que... — Ele respirou fundo. Seus olhos me encaravam e ainda estávamos a poucos centímetros embora não nos tocássemos mais — O que aconteceu...?
—Max você me beijou...
Ele engoliu em seco e mordi meu lábio inferior. Esperei que ele dissesse alguma coisa, que intervisse, mas não fez nada a não ser se calar. E como quem cala consente, eu sabia que ele estava apenas concordando. Ele havia me beijado, isso era um fato. Não tinha o que discutir. Embora claramente uma parte de mim também quisera aquilo.
Suspirei e resolvi tomar frente. Eu havia separado o nosso beijo e eu sabia realmente o que havia me feito me afastar... Precisávamos de uma explicação. Ele precisava. Mas eu principalmente precisava explicar a mim mesma.
—Isso... Não foi certo... É melhor a gente...
—Entrar — Ele completou minha frase é levantei o olhar assustada com sua reação — Eu concordo... Vamos?
Assenti levemente e apanhei minha bolsa, que com nossa aproximação havia se escorregado dos meus ombros. Max se levantou e ameaçou estender a mão para me ajudar, porém recolheu-a pra dentro de um dos bolsos da calça preta. Me levantei sozinha e apenas caminhamos um ao lado do outro. Ninguém apanhou a varinha para que pudesse iluminar o caminho. Não falamos nada e de alguma forma, mesmo em meio à escuridão, conseguimos nos guiar em direção ao castelo sem grandes dificuldades.
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