Hogwarts Terceira Geração - Interativa
6 Expresso de Hogwarts
Notas iniciais
A Estação de King Cross nunca está tão lotada quanto no primeiro dia de setembro, ao final do verão, quando a maioria das crianças, bruxas e trouxas, estão voltando das viagens de férias para a tão amada cidade de Londres e seus estudos.
Pessoas apressadas caminham de todos os lados à procura de seus parentes, amigos ou quem sabe apenas se dirigem até a sua plataforma, contudo sem dúvida nenhuma era tão lotada quanto a 9 e 1/2, uma vez que todos os bruxos da região vinham trazer seus herdeiros acima de 11 anos para embarcarem no Expresso de Hogwarts.
O trio descendente do bruxo mais famoso da atualidade caminhava com suas famílias e amigos pela estação movimentada. Era necessário se desviar a todo momento para não trombar com o excesso de pessoas deslizando pelas plataformas.
—Ai, estou nervosa... — Comentou uma garotinha de longos cabelos castanhos que segurava no braço da irmã mais velha.
—Calma, Mal. Já estamos quase lá — Confortou-a Violet — Agora é só atravessarmos a coluna entre as plataformas 9 e 10 — A mais nova apertou bem o braço da irmã e as duas caminharam em direção à parede.
Assim que se aproximaram o trouxa de meia idade ao lado de Malina abaixou-se e tocou-lhe a testa com os lábios, para depois abraçar Violet. Ele se despediu das filhas, antes que elas atravessassem a passagem. E quando o fizeram, Mal fechou bem os olhos e os abriu segundos depois ao escutar o murmúrio agitado de várias crianças e estudantes de Hogwarts deslizando pela estação e o Expresso.
—Uau! É tão bonito — Malina exclamou admirada.
—Sim, muito mesmo — Violet concordou.
A garotinha nunca havia ido além da Estação King Cross antes. Ela sempre ficava com seu pai quando a irmã atravessava com a mãe para embarcar. A fumaça cobria a maior parte do local, mas os sorrisos e as despedidas as famílias era o que mais preenchia a plataforma.
—Mas... Algo me preocupa... — Mal encarou a irmã apreensiva — E se eu for para a Slytherin? Eu vou ser a única descendente dos Potter e Weasley a entrar naquela casa em centenas de gerações! — Exclamou preocupada.
Hazel, Júlia e Jessie apareceram ao lado das primas e acabaram por escutar os lamentos mais da nova.
—Calma, você não vai ir para Slytherin — Haz passou a mão nos cabelos castanhos da menina — E se for será o melhor para você porque o chapéu nunca erra.
—E você não vai ser a primeira — Comentou Jessie — Digo, dos Potter e Weasley.
—Verdade — Júlia completou e abaixou um pouco o tom de voz — A primeira foi uma descendente Weasley... E ela é uma garota bastante peculiar. Uma desonra para toda a família, se me permitem dizer. Acho que ninguém iria conseguir ser pior do que ela, então, relaxe Mal.
A mais nova encarou as primas enquanto tentava imaginar quem seria essa garota, a qual elas intitulavam como uma vergonha para a família e que havia concretizado o medo, que Malina tanto sentia. Ela não conseguia imaginar alguém que poderia ter ido para a Slytherin em uma família Gryffindor, e com alguns indícios de Hufflepuff e Ravenclaw. Aos olhos da menina era quase como ser a ovelha negra de um rebanho inteiro.
—Se eu fosse vocês, tomaria cuidado com o que dizem. O vento pode levar a lugares que vocês não vão querer que cheguem — Uma voz ecoou aos ouvidos das cinco e elas se viraram assustadas.
Atrás das primas, estava Joanne, com seus cabelos bagunçados e repleto de mechas cor de rosa magenta. A adolescente fuzilou o quinteto com os olhos azuis cintilantes e apenas passou por elas e adentrou o Expresso de Hogwarts sem nem olhar para trás. A garota se sentou sozinha no vagão do fundo como sempre fazia e colocou os fones trouxas nos ouvidos sem dar atenção ao mundo ao redor.
—Joey? Ela é a Slytherin? — Malina perguntou chocada.
—Quem mais seria? — Júlia perguntou.
—Mas não é como se ela fosse uma completa desgraça. E a Slytherin não é uma tão ruim. Ela tem uma grande lista dos melhores bruxos da história, mesmo que alguns sejam os mais cruéis e dominadores das Artes das Trevas, nem todos são, como por exemplo Merlin, ele era um Slytherin — Comentou Hazel.
—Verdade, Mal. Não se preocupe com a escolha do chapéu. Ele sabe o que faz, apenas confie nisso — Violet colocou a mão no ombro da irmã mais nova, que suspirou e sorriu para elas.
Do outro lado da plataforma uma outra garotinha, estridente, se debatia com a mãe:
—Já vou colocar as vestes de Hogwarts!
—Calma, Patrícia! Acabamos de chegar — Georgia se aproximou atrás da filha enquanto segurava a mão de seu irmão gêmeo.
A morena sem dar ouvidos a mulher jogou as vestes por cima do vestido trouxa cheio de babados que a mãe a fez usar e o retirou por baixo da roupa, então estendeu para sua mãe, que revirou os olhos e guardou no malão da menor.
—Vou sentir muito a falta de você, vovó! — Tom abraçou a segura ao seu lado pela cintura e depois pulou nos braços da mãe — E a sua também.
—Eu sei, querido. Mas você vai amar a escola. É muito divertido e é lá onde você vai se descobrir ainda mais — Georgia se abaixou para beijar a bochecha de seu menino e, em seguida, se virou em direção do mais velho, atrás dela — Maxwell, sei que vai estar ainda mais ocupado esse ano com os NOM's, mas só quero deixar bem claro que fique de olho em seus irmãos, está certo?
O garoto suspirou e assentiu enquanto dividia o olhar entre o calmo e tímido, Thomas, e a espoleta e travessa, Patrícia. A loira sorriu e o abraçou apertado. Max tentou desvencilhar-se do abraço.
—Mãe! Todos estão olhando...
—O que foi? Uma mãe não pode mais abraçar o seus filhos e dizer o quanto os ama? — A mulher se distanciou e deu um passo atrás indignada.
James colocou a mão em sua cintura e puxou-a para mais perto de si e deixava os três filhos conversarem com os amigos e primos, sem que ela os atrapalhassem.
—Deixa para lá. Ele já está crescendo. Cada vez vai se distanciar mais de nós, mas ele nos ama e sabemos disso — O homem sussurrou para ela — E o importante é que você sempre vai ter a mim.
Georgia observou o filho mais velho de lembrando de quando ele nascera e era o seu garotinho, então, suspirou e entrelaçou a mão na do marido, concordando com o que ele dissera.
Uma garota de cabelos loiros acizentados passou correndo pela plataforma e foi de encontro até duas de suas amigas, Marie e Lary. Elas a abraçaram animadas.
—Como estou contente em encontrá-las!
—Muito bom te rever, Leny. Estou muito feliz de volta à Hogwarts! — Lary sorriu enquanto ajeitava o cabelo.
—Hey, não vai esquecer sua varinha — Comentou Marie e a menina colocou a mão nos bolsos a sua procura.
—Ei! Não está aqui... Espera... Mãe! — A menina saiu em direção de uma mulher do outro lado da estação, que conversava com Lily Potter.
—Como sabia que ela estava esquecendo? — Lary perguntou se virando para a prima.
—Hum, intuição — Murmurou.
Marie havia herdado o dom da mãe, Dakaria, que além de ser uma bruxa excelente podia prever o futuro. Ambas tinham o dom da clarividência, algo que muitas vezes deixava a garota insegura por não ser uma arte muito apreciada por sua avó Hermione, que realmente odiava as aulas de Adivinhação e qualquer coisa do gênero.
Klaus se aproximou da irmã, que estava mexendo nas pontas dos cabelos loiros e ondulados e perguntou-lhe enquanto observava ao redor à procura de alguém.
—Lary, o vovô não vem?
—Ele teve que sair d'A Toca bem cedo. Sabe como é, algo com o Ministério da Magia, no setor dele — A garota respondeu como se fosse a coisa mais óbvia.
—E como você sabe? Ele... — Klaus hesitou e engoliu em seco.
—Ele foi me dar um beijo de boa sorte, mas ele tava muito apressado.
O garoto suspirou. Isso era o que ele temia e, na verdade, esperava que acontecesse. Por mais que ele insistisse em chamar a atenção do avô que admirava, parecia que ele não era nem sequer notado por ele, que sempre estava ocupado e nunca tinha tempo para falar com ele ou quando tinha apenas paparicava a neta, que parecia ser a preferida dele e deixava Klaus realmente decepcionado. Ao menos, ele tentava corrigir os erros com presentes uma vez ou outra, e as três relíquias do jovem haviam sido dadas por ele.
O apito do Expresso de Hogwarts ecoou por toda a plataforma. Era hora de embarcar. Os estudantes davam um último abraço de despedida em seus parentes e corriam para subir no trem. Alguns que já estavam dentro acenavam nas janelas dos vagões.
~•~
Frederich, Brendan, Maxwell e Klaus sentaram-se juntos em um dos vagões e, logo, que a senhora do carrinho de doces passou por eles, todos se aproximaram e compraram a maior quantidade possível de doces para a viagem.
—Hum, tirei Dumbledore de novo... Arrg, nunca vou completar todas as figurinhas! — Comentou Freddie assim que abriu mais um sapo de chocolate.
—E eu tirei Severus Snape... — Klaus jogou sua figurinha em cima de uma grande pilha.
—E eu... Arrg... Consegui cera de ouvido.
Brendan fez uma careta e afastou o pacote de feijãozinhos de todos os sabores para longe, enquanto Maxwell começava a rir freneticamente e levava um soco do amigo no braço para que parasse.
~•~
Em outro vagão estavam sentados, os primos, Patrícia, Thomas, Hazel, Júlia, Violet e Malina. As mais velhas do grupo tentavam tirar todas as dúvidas dos menores e novatos a respeito de Hogwarts e a vida no castelo.
—Vocês vão ir de barco hoje, porque são primeiranistas, enquanto o restante de nós vamos nas carruagens — Comentou Violet enquanto brincava com o gatinho em seu colo.
—E elas são realmente puxadas por cavalos invisíveis? — Patrícia perguntou aturdida e entusiasmada.
—Sim, mas não são cavalos, são testrálios, que são vistos apenas por quem já viu a morte, ou seja, já viu alguém morrer — Júlia corrigiu a prima e voltou a atenção para a paisagem através da janela.
—Quem viu a morte? — Perguntou Tom curioso.
—Isso. Eles são aterrorizantes como a própria morte — Jú fez uma careta para o priminho.
O garoto desviou o olhar assustado apenas por imaginar e Hazel deu um leve chute na canela da irmã mais velha, repreendendo-a.
—Não liga para ela — Haz começou — Ela não poderia saber. Ela não consegue vê-los. E além disso, eles são criaturas inofensivas — A morena colocou a mão no joelho do primo e sorrio para ele, que sorri fraco de volta.
~•~
À noite caiu e a viagem já ia longa, quando o expresso começou a frear lentamente nos trilhos e vários dos alunos monitores dispersaram pelos vagões a fora, avisando sobre a parada.
Jessie deslizou as portas do vagão, onde estavam Klaus, Frederich, Maxwell e Brendan. A garota prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto e sorriu na direção dos rapazes.
—Já vamos descer. É melhor guardarem os doces — Ela se virou para avisar aos outros estudantes.
Enquanto, no vagão das meninas e do pequeno Tom, quem apareceu para informá-los que já haviam chegado, fora uma garota alta e bonita. Seus olhos eram atraentes e seu sorriso encantador. Ela atraía a atenção de todos, especialmente dos garotos por onde passava. Seu crachá de monitora chefe reluzia em suas vestes da Slytherin.
Thomas boquiabriu-se levemente quando a jovem de longos cabelos loiros soltos por suas costas como uma cascata brilhante adentrou o seu vagão e Patrícia revirou os olhos com a superficialidade dela. Lilith apenas fixou os olhos em Malina, enquanto dizia:
—Acabamos de chegar, e se eu fosse você me apressaria em colocar as vestes de Hogwarts, primeiranista.
Dizendo assim, Lily deu meia volta e deixou o vagão enquanto seus cabelos balançavam ao andar. Mal encarou suas roupas trouxas e rapidamente apanhou as vestes pretas de dentro de seu malão e começou a se vestir enquanto se virava para as primas e irmã mais velhas.
—Quem era aquela? E como ela sabia que sou do primeiro ano?
—Lhe apresento a rainha de Hogwarts — Júlia cruzou os braços entediada com a resposta.
—Rainha? Não sabia que aqui existia esse título embora estejamos em um castelo — Comentou Thomas um pouco confuso.
—E não existe, mas se existisse ela ocuparia o lugar — Jú disse e se levantou.
—O que ela quer dizer é que a Lilith é a garota mais popular de Hogwarts. E, Mal, ela conhece todos, e todos conhecem ela. É impossível não saber da sua existência — Hazel dizia enquanto ajeitava as vestes da Gryffindor — Então, ela sabia que você era primeiranistas porque nunca a vira antes.
Violet ajudou a irmã a terminar de se arrumar e o Expresso finalmente parou e os corredores se encheram de alunos dispersando para descerem. Jessie já estava à frente e esforçava-se para gritar aos novatos.
—Primeiranistas! Se dirijam até os barcos! Por ali — A morena apontou com a varinha e conjurou uma seta que guiou os alunos até o local dito.
Malina respirou fundo e segurou nas mãos dos primos, Patrícia e Thomas, para que não se perdessem no meio da multidão e o trio caminhou apressados até os barcos. Jess ajudou-os a se sentarem em um dos primeiros, e logo, já estavam partindo em meio ao lago de Hogwarts.
Os três encararam os muros do castelo em meio à luz das estrelas e o reflexo nas águas. Eles estavam encantados com tanta beleza e entusiasmados com a Cerimônia de Seleção que estava por vir. Malina apertou as mãos dos primos gêmeos completamente ansiosa. Thomas engoliu em seco um pouco nervoso. E Patrícia sorriu esperançosa e radiante.
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