Hogwarts: Lana Long-Love
3 TWO - That blonde girl
Notas iniciais
Por dois minutos inteiros, Rose e Alvo apenas encararam a menina, a cada segundo tendo mais certeza de quem ela era. Não foi nenhum dos dois que quebrou o silêncio, nem a sorridente Sunny. Foi James. Ele veio correndo pelo corredor, já movimentado, e, sem fôlego, irrompeu na cabine onde eles estavam.
– Alvo, você está legal? O Lino me disse que foi na sua cabine que barulho aconteceu... – ele ainda não tinha percebido a Sunny, tão preocupado estava com o irmão. Mas isso mudou no instante em que Alvo disse um constrangido “eu estou ok”. James apenas fitou Sunny por alguns segundos e então se sentou ao lado dela no banco. Ficara imediatamente com a beleza da menina. Grandes olhos azuis, cabelos louros muito compridos, pele pálida e bochecha rosada. O modelo de beleza perfeita para James, e ele nunca conhecera ninguém assim... A não ser... – Oi, meu nome é James, futura esposa, qual é o seu nome?
Rose e Alvo riram baixinho, mas Sunny deu uma bela gargalhada, fazendo as bochechas de James corarem.
– Meus amigos e irmãos em Nova York me chamam de Sunny, mas meu nome é Lana, na verdade, eu acho – ela disse, apertando com delicadeza a mão que ele lhe ofereceu.
– Rose, Lana não é o nome da filha desaparecida da tia Luna?... – James começou a perguntar, só quando terminou de perguntar foi que percebeu o que Rose e Alvo já haviam percebido. – Oh, é você! Você não morreu!
– Não, não morri – Lana abaixou a cabeça e suspirou. – A história é muito longa, tá? Eu vou contar, mas não agora. – Lana disse isso olhando para Rose, pois seu pai, Apolo, disse que Rose e Alvo seriam seus melhores amigos e protetores. A menina já sentia, desde o dia em que seu pai mostrou a ela pequenas visões sobre o futuro dela, sobre as coisas que faria, que Rose era sua melhor amiga, mas temia que a outra sequer gostasse dela.- Agora, James, eu preciso da sua ajuda.
– Qualquer coisa – James respondeu, prontamente. Alvo e Rose riram de novo.
Lana suspirou e sustentou o olhar do menino.
– Eu quero muito comer esses feijõezinhos de todos os sabores, eu nunca experimentei nenhum! – Rose percebeu que Lana/Sunny abriu um sorriso encantador demais, destinado a fazer com que James não conseguisse dizer não a ela. E ela também percebeu que Alvo não notou isso. Seria esse sorriso somente destinado aos meninos? Muito interessante.
– Pode deixar que eu vou! – Alvo se levantou, como que movido por algum encanto.
– Não! Eu vou! – James protestou, veemente, antes de sair correndo.
– Como você conseguiu fazer isso? Minha madrinha não consegue nem fazer com que ele escove os dentes sem ameaçar coloca-lo de castigo! – Rose exclamou, rindo.
– Isso é verdade. James nunca obedece. E agora, com você, ele foi feito um filhotinho de cachorro correndo atrás do osso – Alvo brincou. – Eu tenho que contar isso a mamãe na carta de hoje.
Lana sorriu de volta, seu melhor sorriso filha-de-Apolo. Tinha feito James ir buscar os tais feijõezinhos de todos os sabores porque sabia que ele não conseguiria se segurar e falaria para todos que “a filha da Luna está no trem!” e era isso que precisava no momento, para que seus meio irmãos, Luc e Lucan, fossem tirar satisfações com a farsante (eles teriam certeza de que alguém estava inventando isso para ganhar status) e Lana realizaria um de seus sonhos.
– Rose, Alvo, eu sou filha da Luna, sim, mas eu também... Eu também sou filha de Apolo, o deus do Sol, sabe, do mito. Vocês têm que acreditar em mim.
A boca de Rose havia formado um “O” perfeito e Alvo estava ainda mais pálido que o normal. Os três estiveram tão envolvidos na “conversa” que nem perceberam que o trem voltara a andar, e acelerava em direção á tão sonhada Hogwarts, Escola de Magia e Bruxaria.
– Apolo? – Alvo sussurrou. – Tipo, o deus grego da juventude, do Sol e do Arco e flecha?
– Isso. Mas ele também é o deus romano. Longa história. – Lana também estava pálida, mais do que o normal, também. Seus grandes olhos estavam mais arregalados que o normal, a palidez acentuava as sardinhas que ela tinha nas bochechas. – Vocês acreditam em mim, não é? Você acredita, Rose?
Rose e Alvo foram pegos de surpresa pela veemência de Lana. A menina parecia que começaria a chorar se um dos dois dissesse que não acreditava naquela história de ela ser filha de Apolo. Os dois, longe de negar, poderiam jurar que aquela era a explicação mais plausível para o sumiço dela. Simples, seu pai, que era um deus, reclamara seu direito sobre ela. Ele poderia estar tentando protege-la. Alvo se lembrou de algo que seu pai disse, que quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Imagine o poder que uma bruxa misturada a uma (como é que eles diziam nos livros mesmo?)... Semideusa.
– Eu acredito em você. Só vou precisar de mais detalhes mais tarde...
– Quem é que está dizendo que é Lana? – um menino alto e loiro, treze ou quatorze anos, irrompeu dramaticamente na cabine, o rosto vermelho de raiva. Ele olhou para Rose e Alvo, que estavam mais próximos e então seus olhos pousaram numa pálida Lana, que havia se levantado quando ele entrara. – Meu Deus! – era Luc, o mais inteligente e tranquilo dos gêmeos. – É você mesmo!
O garoto avançou até estar de frente para a menina, agora, lutava para segurar as lágrimas. Ela sonhara tanto tempo com aquele momento! Luc ficou lá, analisando o rosto da irmã, tão parecido com o da própria mãe... Hesitante, ergueu a mão direita e ergueu um cacho do longo cabelo de Lana, e teve a impressão, por um breve instante, de que estava segurando o cabelo de sua mãe.
– Lana, é você mesmo! Como isso? – Luc perguntou, com voz embargada. – Todos acharam que você estava morta... Você desapareceu há tanto tempo...
– É... É uma longa história – Lana gaguejou.
– Luc, Luc! Você a encontrou? – Lucan gritava do corredor. — Que história é essa? Quem é a...
Lucan perdeu a voz quando viu a menina. Lucan era diferente de Luc em todos os sentidos. Enquanto Luc era loiro, como Lana, Lucan era moreno. Luc era magro e tinha uma aparência fofa de nerd responsável e Lucan já era mais encorpado e forte, com a aparência de rebelde sem causa.
– Santa vaca! – ele exclamou, andando até parar atrás do irmão. – É ela, irmão.
– É mesmo, não é? – Luc sorriu para Lana. – Posso abraçar você?
Lana sorriu, deixando escapar umas poucas lágrimas que estivera prendendo. Seu sonho de conhecer os irmãos finalmente se realizara! Eles não duvidaram nem por um instante de que ela era a irmã desaparecida deles. Ela foi abraçada com força por Luc e depois, foi abraçada com a força de seu amigo ciclope, Tyson, por Lucan. Ria à beça quando percebeu que a cabine em que ela estivera sozinha com Alvo e Rose agora não conseguia mais abrigar todas as pessoas que queria dar uma olhadinha nela. Metade daquelas pessoas era Weasley.
Uma hora mais tarde, quando todos voltaram para os vagões que estiveram ocupando, pois já estavam chegando a Hogwarts, Alvo, Rose e Lana riram, felizes, pois a noite começara muito bem. Depois de passarem uma experiência tão gostosa juntos, era inevitável que gostassem um pouquinho mais uns dos outros. Foi um começo de uma história muito bonita de amizade. Lana tinha agora o apoio de que ela precisava para continuar a viver, apesar dos desafios que a aguardavam.
– Eu acho que James esqueceu-se de trazer os feijõezinhos. Eu queria mesmo experimentá-los – Lana brincou, piscando para Rose. A outra entendeu.
Um sininho tocou, quando o trem finalmente parou, anunciando que eles haviam chegado á Hogsmead, como Rose explicou a Lana. Rose também explicou que Hogsmead era um vilarejo só de bruxos, que havia uns dois ou três trouxas (pessoas não mágicas), mas que eram todos bruxos.
– Primeiro ano, aqui comigo – Lana ouviu uma voz masculina forte gritar por cima do barulho da multidão. Lana descobriu que o nome do homem (que era um gigante, não maior que Tyson, mas ainda assim, alto) era Hagrid. Várias crianças por ele e gritavam o nome dele, ele Hagrid sempre respondia a pessoa pelo nome.
Querendo saber se o que seu pai dissera era verdade, que ela era a cópia da mãe dela quando tinha sua idade, Lana também gritou “hei, Hagrid!” quando se aproximou da fila de alunos o primeiro ano. Hagrid a olhou por apenas um segundo e logo gritou “hei, menina Luna!” de volta. Parou um momento e semicerrou os olhos, olhando-a de novo.
– Espera um instante, você não é a menina Luna...
– Ela é Lana, Hagrid, a filha desaparecida da tia Luna – Rose anunciou alegremente, depois que Hagrid a abraçou e beijou sua bochecha. – Isso não é incrível?
Lana percebeu que Rose tentava parecer uma pessoa mais animada e extrovertida quando estava ante um publico maior. Lana acreditava que Rose não queria parecer uma nerd chata, o que era muito charmoso, na opinião da menina. Não achava nada mais interessante do que ficar conversando por horas com sua madrinha, Annabeth, Patrona dos Heróis, deusa da Arquitetura, que era uma filha de Atena.
– É. É incrível, mesmo – Hagrid respondeu, ainda tentando se recuperar do choque. Chacoalhando a cabeça, ele desviou o olhar de Lana e começou a dar instruções sobre os barquinhos. Cada barquinho carregava quatro crianças, eles deviam manter braços e pernas para dentro do barquinho e apreciar a vista.
Rose, Alvo e Lana foram num barquinho com um menino muito branco e com cabelos louros quase tão claros quanto os de Lana, Scorpio, segundo Rose. Filho de Draco Malfoy, um dos “menos amigos” de Harry Potter e os bonzinhos do Mundo da Magia. Quando tentou falar com ele, dizendo um oi animado, o menino pareceu se encolher como se fosse uma lesma querendo entra na casinha do caramujo (o Acampamento estava com uma infestação horrorosa de caramujos, então, aquilo ficava na cabeça da menina).
Lana tinha uma sensação esquisita sobre aquele menino, não de todo ruim. Sabia que ele significaria alguma coisa em sua vida, mas não tinha certeza de o que. As únicas coisas que seu pai lhe mostrara foram sobre o que ela precisava saber, tipo o básico do básico. Mas, ela tinha essa sensação de que esse menino, o Scorpio, significaria alguma coisa realmente importante na vida dela.
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