Hitsuzen
2 Fumo
Notas iniciais
PONTO DE VISTA DO NARRADOR
Já era a segunda aula, e nem um sinal de Yuuko. Estaria ela, matando aula? Como representante da classe, Watanuki não poderia permitir tal ato. Está certo que, por baixo dos panos, ele não era um dos melhores exemplos que alguém poderia ter. Bebia execivamente; não fumava, mas estava a ponto de fazer isso. O que a morena de cabelos longos pensaria dele se soubesse? Nada. Nada que prestasse.
O sinal para a saída bateu, os alunos costumavam sair da escola para almoçarem em suas casas ou em lanchonetes próximas à instituição. Watanuki saiu da sala, passou por uma porta que dava no terraço e sentiu um cheiro familiar e característico. Fumo.
Fumar? No colégio? Nem ele fazia isso. Tal pessoa receberia uma severa punição. Correu em direção onde vinha o odor adocicado. Não havia ninguém lá. Notou, então, uma nuvem de fumaça que vinha de cima do cubículo onde se encontrava a porta. Com dificuldade, subiu lá em cima.
Topou com a pessoa que menos esperava, Ichihara Yuuko.
YUUKO\'S POV
Ouvi um estrondo enorme, alguém subia no local onde estava escondida. Nem me dei ao trabalho que fugir, quem quer se fosse, não me denunciaria a menos que tivesse amor à vida. Mesmo que não tenha transparecido, surpreendi-me. Watanuki via-me com suas íris azuladas.
- O que? — perguntei inespressiva.
- Como assim \'\'o que\'\'? Sabe que isso que está fazendo não é permitido. Ao menos, não aqui. — estava com a voz alterada. Irritante.
- Está bem, está bem. — curta e grossa, algo normal. Eu andava meio alterada mesmo. — Vou ir embora logo.
Watanuki exalou uma face de reprovação. Eu já estava perdendo a paciência. Decidi dar uma trégua.
- Quer ir comigo?
A face enrubresceu-se. Não sabia qual era o motivo para tanta vergonha. Tsc, quanta ingênuidade. Ele apenas assentiu com a cabeça, enquanto provavelmente, fitava os calçados límpidos. Era o meu primeiro dia de aula alí, e eu nem pude fazer o que gostava em paz. Desde o início do dia, estava sendo interrompida por ele.
Depois de um tempo, já havíamos saído do prédio e estávamos longe da escola. Tirei uma carteira de cigarros da bolsa e ofereci um ao rapaz ao meu lado. Inegávelmente, ele fumava. Eu sabia disso.
Ele olhou pra mim com uma face hesitante, eu ainda fitava-o inespressiva. Aceitou sem dizer nada. Eu coloquei a cigarrilha entre os lábios enquanto procurava o esqueiro na bolsa. O cheiro era algo inconfundível, penetrante, doce. Já havia deixado de contar quantas vezes me perdi em seu odor pecaminoso.
- Quer ir pra loja? — perguntei, quebranco o silêncio.
- Q-Que loja? — respondeu ele, de imediato.
- Quer ir, ou não?
Ele apenas assentiu, novamente. Argh, como eu detestava isso.
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