Hitoribocchi / Solidão
1 Capítulo Único
Joguei a mochila no guarda roupa e, com o meu celular em mãos junto com o fone, os coloquei. A cama se tornou o meu único aconchego junto com a parede dura.
— Não é nada! — respondeu Akane disfarçando a mentira contada.
Escolhi uma música aleatória da lista que uso quando estou triste. Aumentei no último volume abafando todos os pingos de chuva.
Quero que a melodia me consuma. Quero que a música me entenda e me console.
— O que é esse relógio? — o questionei, curiosa por nunca tê-lo visto em nenhum lugar.
— Ah, esse? Eu... Ganhei! Isso! Eu ganhei.
O que são esses segredos que você não pode me contar? Por que tem que mentir tanto e ocultar? Você acha que eu não entenderia caso dissesse?
As lágrimas começam a cair e conforme piorou, me deitei na cama. Abracei minha perna junto com celular ignorando os fios que estão a me embolar.
— Podemos sair depois do clube, eu-
— Me desculpe, Aoi — com as mãos juntas, Yashiro se curvou — Hoje também estou ocupada.
Realmente eu sou uma péssima amiga. Nem a minha melhor amiga quer estar comigo depois da aula. Nem mesmo ela confia em mim para os seus segredos mais íntimos, nem me diz o que está fazendo ou me deseja por perto.
Sou tão horrível quanto as pessoas me dizem? A Akane Aoi verdadeira que está sempre tentando se proteger, fingindo ser forte pra não ser odiada é tão ruim?
Só quero ser como vocês sem ser jogada em um patamar acima. Quero ser vista como alguém com defeitos e não um anjo perfeito, a flor do topo da montanha. Quero não ser invejada pelas outras garotas e quero... Ter amigos de verdade. Desejo acabar com minha solidão, com minhas dúvidas.
As batidas fortes da entrada pude ouvir constantemente e de fundo, a voz do Akane está a me chamar. Abracei ainda mais forte as minhas pernas sabendo que o volume da música não pode ser aumentado.
Pare de perturbar, Aoi Akane. Me deixe em paz. Você não confia em mim e você não me conhece realmente. Não quero que me odeie.
De repente, o som da música foi pausado e, quando olhei, é o Akane me ligando. Ele não se cansa? O que eu tenho de tão especial? O que ele vê de tão incrível em mim? Mas... Não consigo mais ignorá-lo. Desci em passos mais lentos que o normal, apenas para limpar os vestígios do meu choro. Posso dizer que está vermelho por causa de algo que espirrou no meu olho? Seria uma mentira péssima, só que não quero dizer o motivo do meu sofrimento.
A porta abri e tentei expressar raiva.
— O que você quer? — perguntei sendo o mais direta possível.
Palavras não foram dirigidas a mim. Apenas um abraço forte e molhado que me encharca.
— Eu sinto muito! — o ouvi repetir inúmeras vezes me aconchegando mais em seus braços.
Por que o Akane está me pedindo desculpas? Por que ele está tão desesperado? Não o entendo. Não consigo compreender suas atitudes.
As lágrimas voltam a cair sem permissão, o que me irrita muito. Não quero chorar nesse momento. Não quero que ele me veja nesse estado. Mas... O sentir me abraçar tão forte me desmancha por inteira. Só consegui segurar o pano das suas roupas com força enquanto retribuo o abraço caloroso que estou a receber.
Eu odeio ele!
Odeio!
Odeio todas as emoções que me faz sentir!
Odeio como ele consegue saber tudo sobre mim.
Nos afastamos um pouco com ele ainda me mantendo em seus braços. Os seus dedos foram de encontro com o meu rosto para limpar todas as gotas que ainda sobram.
Akane me abriu o sorriso sincero de sempre, aquele que me derrete todas as vezes que vejo. Apesar de que, dessa vez, seu rosto está horrível por causa do choro.
— Seu rosto está horrível — comentou desnecessariamente para me zoar e aliviar o clima.
Encarei-o, brava. Poderia ter dado um soco ou voltar ao modo Perfeita Akane Aoi para fingir que nada aconteceu, mas dessa vez, só quero me dar bem com ele.
— O seu também — retruquei, sabendo que ele não iria ligar muito para o meu comentário.
— Eu sei.
Uma risada descontraída deu o que me fez sorrir.
O Akane não me conta as coisas, mas no final, está sempre junto comigo, cuidando de mim e tentando me fazer sentir bem o melhor que posso.
Pareço uma idiota por duvidar dele e ainda mais por estar assustada, com medo de me entregar.
— Você quer entrar? Podemos fazer algo juntos.
Esperei-o responder só conseguindo o silêncio.
De repente, outra risada foi dada e o meu cabelo bagunçado por suas mãos. De primeira, fechei os olhos, mas logo o encarei novamente.
— Claro.
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