Notas iniciais
uma pequena trégua acontece quando Penelope "escapa" do Mr. Scratch.

Apesar de Derek insistir que estava bem para continuar a busca por Penelope e por Peter, ele foi levado para o hospital.

— Eu vou sedar você se não parar, agente Morgan. – O médico gritou depois da terceira linha se rasgar. – Eu vou mandar você parar agora.

Derek obedeceu a contragosto. Ele odiava hospitais.

— Acha que ela se perdoará? – Reid perguntou. – Acha que ela ficará bem?

— Não sei, Spencer. – Hotch fechou os olhos. – Há dias que eu desejei que Penelope tivesse aulas de tiro, porém coisas como essas me fazem pensar que eu nunca tivesse a idéia.

— O que eu não entendo e desculpe perguntar. – Rossi olhou para os dois. – Qual o jogo desse cara?

— Talvez devêssemos chamar Emily. – Hotch disse. – É a melhor amiga dela.

— O que ela poderia fazer? – Reid ainda se sentia traído pela forma que ela saiu. – Ela preferiu ir para longe quando todos precisávamos dela.

— A partida foi pior para Penelope, Spencer. – Rossi repreendeu o agente. – E para Hotch, afinal eles estavam noivos.

— E agora ela tem um filho de dois anos desse relacionamento. – Hotch completou. – Que eu pouco vejo, porém amo.

— É sério que vocês vão discutir aqui? Agora? – Rossi repreendeu ambos os agentes. – Derek está sendo atendido e Penelope, Deus sabe onde esse maníaco a levou. Então vamos ser profissionais e ser amigos. Resolvam as pendências no estande de tiro.

— Desculpe. – Hotch murmurou olhando para baixo.

— Foi mal. – Reid pegou o livro outra vez.

JJ acompanhava Derek no atendimento. Ela estava cansada como ninguém. Dois filhos para cuidar, um marido ocupado e agora ela tinha que assistir Derek lutando com o médico.

— Deixe o homem te costurar, Derek. — Ela falou. – Não vai conseguir encontrar Penelope com uma infecção no ombro.

— Porque demora tanto? – Derek reclamou outra vez. – Porra. Vai saber o que esse doente do caralho está fazendo com minha Baby Girl.

— Qual a jogada dele, afinal? – JJ fez a pergunta que todos queriam. – Quem ele vai atingir em seguida?

Hotch se afastou do grupo. Aquilo o estava deixando louco. Era culpa dele, Penelope ter sido um alvo imediato.

Ele viu dois enfermeiros correndo pelo corredor e teve flashes de quando eles a levaram para a emergência da primeira vez.

— Como está levando? – Rossi apareceu ao seu lado, pronto para uma resposta atravessada.

— Uma agente sequestrada, um ferido. – Ele disse sarcasticamente. – Não parece uma coisa boa.

— Conseguiu alguma pista sobre Peter? – Rossi queria qualquer coisa.

— Duas testemunhas viram um homem que corresponde a ele junto com uma garota que pode ser Garcia indo em direção a rodovia norte. – Ele não estava feliz. – O problema é que ele pode ter seguido qualquer direção.

— Então não temos nada? – Rossi apoiou as mãos no mesmo corredor que Hotch. – Eles não podem ter sumido no ar. Ela não pode ter ficado bem depois daquilo.

— Ele a drogou com escopolamina e sevoflurano, Dave. – Hotch revelou. – É o método dele.

— Quer dizer que ela não poderia parar aquilo? – Rossi tirou um peso das costas. – Foi por isso que ela atirou.

— Todos concordamos que ela não ter treinamento com armas foi bom. – Hotch deu um sorriso. – Se ela tivesse Derek sairia daqui mais do que apenas um tiro no ombro.

— Gente. – Reid chegou correndo. – Acabei de receber uma mensagem de Penelope.

— O celular está com Derek. – Hotch pegou o telefone de Reid.

Apenas diga que ele está bem.— Reid leu sem olhar. – Isso quer dizer que ela está tentando se comunicar.

— Eu acho que é uma armadilha Spencer. – Concluiu Hotch. – Devemos mentir.

— Se for ela, isso vai matar ela. – Reid disse.

— Temos que arriscar. – Hotch seguiu firme. – Mandei o técnico rastrear o celular.

Motel Terrence Vista Motor Lodge...

Algumas horas antes...

Ela esperou por uma boa noticia de Spencer. Derek havia lhe indicado o celular na planta do corredor apenas com uma palavra. Mesmo em total submissão, ela fingiu cair antes de Peter a agarrar. Ela pegou o aparelho e sentiu tudo ficar preto.

Ela achou estranho que Peter não tivesse tirado o celular dela. O cara era um maníaco por controle. Comida, água e um lugar para dormir. Matara os dois hospedes que restaram, o dono do lugar e sua esposa.

Alguém daria falta dos hospedes, talvez não a tempo.

Ela esperava que eles rastreassem a mensagem e viessem em seu socorro. Ela esperou uma notícia positiva, porém o que recebeu a fez estremecer.

— Derek está morto. – Era apenas o que havia escrito. Ela surtou e forçou a porta do quarto onde ela estava trancada.

Ela correu pelos corredores, rezando que Peter não a encontrasse antes de ela conseguir fugir.

A estrada deserta só perdia para as arvores na floresta mais à frente. Ela resolveu arriscar. Entre ficar com cobras a ter que estar com Peter, ela preferia as cobras.

— O técnico rastreou a mensagem. – Rossi anunciou. – Vem dos arredores do Motel Vista.

— Filho da puta. – Morgan gritou. – O que estamos esperando?

— Já podemos ir por favor? – JJ queria a amiga de volta.

— Vamos. – Hotch conduziu o grupo para duas SUV.

— Não pode dirigir Derek. – Rossi impediu o agente. – Seu ombro.

— Dirija como se fosse sua filha lá. – Derek pediu.

— Eu farei isso. – Rossi acelerou seguindo a outra SUV.

Penelope correu para a floresta a sua frente. Os pés machucados não a ajudavam tanto ela queria, sua cabeça ainda girava, ela não tinha comido nada em horas, porém se estar malnutrida e machucada fosse o preço da liberdade, ela o faria.

A noite seria um problema. E ela estava chegando. E ela precisava achar um lugar para dormir. Ela caminhou por no mínimo meia hora antes de cair de joelhos, chorando e lamentando por fugir.

Ela estava muito longe para conseguir voltar quando conseguiu ouvir sirenes. Ela estava começando a ver tudo dobrado, porém tentou voltar. Não vendo o galho aos seus pés, ela tropeçou batendo a cabeça e apagando.

— FBI. – Hotch gritou ao chutar a porta logo que desceu do carro. – Peter! Penelope!

Ele encontrou um corpo na recepção.

— Está vivo, Aaron? – JJ perguntou.

— Morto. – Ele gritou. – Foi um tiro a queima roupa.

Eles pararam e respiraram. Nos quinze minutos seguintes, abrindo cada porta, cada banheiro, apenas para achar mais três corpos, ambos com tiros na cabeça.

— Diga que ela não está na floresta. – Derek tremeu.- Por favor.

Eles se olharam. Reid se sentou ao lado de Derek e colocou uma mão solidaria no amigo.

— Quanto tempo temos, Spencer? – Hotch perguntou. – Quanto tempo temos até ela...

— Se ele não a alimentou corretamente, ela não aguenta nem quatro horas. – Reid começou. – Há insetos com doenças virias, cobras venenosas, ursos, bichos peçonhentos.

— Já chega. – Rossi gritou. – Não podemos ficar sentados enquanto nossa amiga e a mulher de Derek está naquela mata.

— Dave. Eu... – Hotch começou. – Eu não posso permitir que a gente brigue assim. Esse caso está matando todos nós. E pode ser uma das táticas desse cara para não encontrarmos Penelope ou ele.

— Só temos a lua e as estrelas para nos guiar. – Rossi disse, olhando pela janela. – Nossa Kitten está sozinha naquela mata. E nem achamos esse psicopata ainda.

— Temos que começar uma busca. – Reid ofereceu sua opinião.

Derek não esperou uma resposta. Saindo porta a fora, pegou uma lanterna e foi em direção a mata. E ele não sairia de lá sem sua dama.

Chicago...

— Por favor Esther. – Fran falou. – Pare de chorar. Vai ficar tudo bem.

— Mamãe. – Ela chorava com medo. – Porque a mamãe?

— Acredite docinho. – Fran a enrolou nos seus próprios braços. – Sua mãe é uma pessoa forte. A mais forte que eu conheço.

— Papai vai trazer ela de volta, não vai? – Ela olhou para Clooney e Sérgio ao pé da cama.

— Vou te contar uma coisa sobre seus pais, querida. – Fran a deitou na cama. – Eles passaram coisas horríveis antes de você vir ao mundo. Nove meses em um coma profundo, e mais quatro meses desaparecida quando ela estava grávida de você. Sua vinda ao mundo partiu de uma queda de escada.

Ela parou de chorar quando sua avó lhe disse isso.

— Se tem uma coisa que eu sei sobre Penelope Garcia é que ela é teimosa e nunca desistirá. – Fran a olhou nos olhos. – Então você também deve ser.

Ela pegou no sono olhando para o teto. Tanto quanto estava com medo, ela confiava em seu pai.

Los Angeles...

A equipe entrou na mata e lá ficaram durante a noite inteira. Derek sabia que ela estava lá, pelo pedaço de tecido que ela deixou. Ele não sabia até onde ela havia caminhado.

Já estava amanhecendo e todos se reuniram para um café preto forte. Os ajudantes da polícia local chegaram para ajudar nas buscas.

As nove da manhã, quase perto de um riacho, cansado como se tivesse sido atropelado por um trem, Derek pensou em desistir.

Seus joelhos encontraram a terra e ele desabou.

— Eu sei que sou um pária por não ter fé. – Ele falou olhando para o céu. – Eu sei que tenho duvidado ultimamente, mas eu preciso de você. – Ele começou a chorar mais uma vez. – Eu simplesmente não posso ficar sem ela. Temos uma menina juntos. Me mostre um sinal.

Um barulho de coisa quebrando ao longe atraiu Derek. Era obvio demais.

— Spencer? – Derek chamou. – Hotch?

— MMM. – Penelope tentou gemer ao ouvir a voz de Derek.

Ela não tinha força o suficiente. Outro galho caiu ao seu lado.

Derek seguiu o barulho e torceu para um fim naquela tortura toda. Dois dias longes dela era demais.

Ele viu o que ele pensava ser um corpo esticado e correu. Parando ao lado da figura de cabelos loiros, ele tinha um sorriso triste.

Ele sabia que ela não tinha tempo. Virando ela para frente, seus olhos estavam fechados, ela estava respirando fraco e seu pulso parecia sumir e voltar.

— Baby girl. – Derek passou a mão pelo cabelo dela. — Acorde por favor.

Ele tinha lágrimas pelos olhos em ver ela nesse estado. O rosto com uma mistura de sangue e terra, hematomas de agressão recente. Ele torcia para um kit estupro limpo.

Ele a levantou nos braços e desceu o pequeno morrinho. Ele não se importou em molhar sua roupa no riacho enquanto a carregava. Ele teve que parar. Ele forçou a mão para o telefone via satélite ele discou para Hotch.

— Diga que ela está com você. – Hotch praticamente exigiu.

— Ela está comigo. – Derek respondeu. – Eu acho que ela bateu a cabeça.

— Consegue trazer ela até a nossa posição inicial? – Hotch sinalizou para Rossi voltar e procurar uma maca.

— Essa é uma pergunta óbvia, Aaron. – Ele desligou.

Ela parecia tão bela mesmo nessa bagunça. Olhando de longe para onde ela estava, ele reprimiu um pensamento de ela passar a noite ali, sozinha.

Notas finais
Algo me diz que o Mr. Scratch tem um plano ardiloso para Penelope ainda em progresso.