Hit And Run

9 Fique Comigo


Quando Hotch e Rossi chegaram a casa, Reid estava lendo algo. Como sempre, era um livro grande.

— Tendo uma leitura agradável? – Hotch perguntou meio ironizando.

— Apenas vendo as complicações que uma pessoa com cadeira de rodas enfrenta. – Ele respondeu.

— Reid. – Hotch se preocupou. – Está dizendo que...

— Ela disse a ele que não sente as pernas, Hotch. – Reid completou a frase.

— Bom Deus. – Rossi exclamou. – Se o tivéssemos o afastado nada disso teria acontecido com nosso gatinho.

— Isso é culpa de Battle. – Derek falou, aparecendo na sala. – E em parte minha.

— Não é sua culpa Derek. – Hotch falou. – JJ E Emily estarão aqui para fazer parte dessa conversa também.

— Ei! – Garcia gritou. – Eu posso estar no quarto, porém ainda estou nessa casa. Não precisam falar de mim pelas costas.

— Não me faça eu ir aí te dar uma palmada. – Derek gritou de volta.

— Adoro palmadas! – Ela gritou retornando.

— Eles ainda estão aqui Baby Girl. – Derek advertiu. – Seu chefe inclusive.

Hotch o olhou com um pequeno sorriso. Ver seus dois agentes juntos era o sonho dele. Embora ele não pudesse ter salvo Haley, ele conseguiu salvar Penelope. Ok, tecnicamente foi Derek que a salvou.

Toda a equipe se mudou para o quarto de Penelope fazendo ela participar da conversa.

— Vejo que você mudou de paisagem. – Rossi entrou no quarto decorado.

— Meu cavalheiro me resgatou. – Ela sorriu de verdade. – Acho que quase morrer tem seus encantos. Não que isso seja bom.

— Derek está te tratando bem, Penelope? – Hotch tentou parecer mais profissional. – Senão é so me avisar.

— Ele me deu um anel, Boss man. – Penelope mostrou o anel para Hotch. – Ele vendeu uma das propriedades para comprar.

Todos viraram para Derek. Eles sabiam o quão caro foi o anel, mas não esperavam por isso.

— Sério mesmo Derek? – JJ entrou sem se anunciar. – Talvez eu devesse ter feito Will comprar um assim para mim.

— Ei. – Penelope chamou a amiga. – Está linda JJ. Tão linda quanto antes.

— Você está encantadora, Penelope. – JJ abraçou a amiga. – ainda mais com esse anel no dedo.

— Eu disse a ele que era errado gastar tanto dinheiro em um anel. – Penelope disse.

— Eu não gastei apenas no anel. – Derek se manifestou. – Comprei esses aparelhos e uma surpresa para você.

— Derek. – Penelope esperava que não fosse algo extravagante.

— Eu queria que fosse seu presente de boas-vindas. – Ele desapareceu pelo corredor. Derek aprontava algo. Ele voltou dez minutos depois com um computador novo. – Uma vez que o seu foi jogado no saco de provas até que Kevin seja preso, você poderá usar esse.

Ela tirou um computador Apple da caixa.

— Derek. – Ela olhou para ele. – Você vai acabar falido se me mimar sempre assim.

— A proposta da ponte ainda está de pé, deusa. – Derek deu mais um beijo.

— Pessoal. – Hotch chamou os dois. – Ainda precisamos prender Kevin.

— Teríamos que ter algo sólido contra ele além de jogar ela da ponte. – Rossi começou. – Parece estranho, mas o fato que ele pode usar uma desculpa qualquer como um medicamento novo ou uma crise nervosa.

— A defesa dele seria baseada em ciúmes e remédios? – Derek perguntou. – Acha que ele tem alguma estratégia pronta?

— Se ele voltar para os EUA ele vai ser preso imediatamente então eu espero... – Hotch nem terminou sua frase e todos os telefones começaram a zumbir.

Um a um eles pegaram os telefones com a mensagem que mudaria toda a vida.

De: FBI.

Subject: Kevin Lynch sob custódia. Fugitivo se entregou depois de sair de um voo Rússia- Eua.

Eles se olharam sem coragem para contar para Penelope.

— Ele está de volta, não é? – Ela perguntou triste.

— Sim. – Hotch falou. – Derek não vai sair daqui do seu lado e posso deixar uma das garotas.

— Posso te perguntar algo Aaron? – Derek levou Hotch para a outra sala. – O que você quer dizer com ele se entregou?

— Ainda não sei nada sobre isso. – Hotch confessou. – Nós sabemos que ele pode alegar insanidade mental ou qualquer merda.

— Eu tenho que chamar o médico aqui. – Derek falou. – Talvez ele precise explicar a ela sobre a condição.

— Seja o que for, Derek fique com ela. – Hotch desceu as escadas bufando vento.

Derek voltou para o quarto onde Penelope olhava pelas janelas.

— Estava tudo tão bem. – Ela falou ainda olhando para a janela. – Qual o plano dele, Derek?

Por uma vez na vida Derek não tinha respostas. A equipe planejou um velório público para Penelope alertando a todos no lugar para não falar com a imprensa.

Dois dias antes...

JJ não ficava com medo ou ansiedade diante de uma coletiva de imprensa. Porém agora era uma situação diferente. Ela ensaiou seu discurso muitas vezes e teve que lembrar que para o público em geral, Penelope Garcia estava morta. Para o bem dela ela precisava fazer isso.

Derek se colocou ao lado de JJ. Reid estava com Penelope e Hotch na casa de Derek. Derek se certificou que ela estaria em um sono profundo no momento do anúncio.

JJ se colocou na bancada. Câmeras piscando por todos os lados e fotos sendo tiradas, assim como vídeos.

— Obrigado por virem aqui hoje. – JJ começou. – Há alguns anos uma garota doce e bastante nerd foi chamada para trabalhar em nossa unidade. Era uma das melhores Hackers dos Estados Unidos, quem dirá a melhor. Há alguns meses, porém, um louco a sequestrou por duas semanas e acabou tentando matar ela a jogando de uma montanha e a atropelando quando ela ficou no fundo da estrada.

Derek parecia calmo e tenso ao mesmo tempo.

— Ela suportou longos nove meses em uma UTI e sendo cuidada pelo seu noivo, o Agente Derek Morgan, que está ao meu lado. – JJ apontou para Derek que deu um sorriso triste. – Infelizmente ontem ela acabou não resistindo vindo a falecer.

Os jornalistas se olharam quando JJ os informou.

— A nossa unidade convocou essa pequena reunião de jornalistas para mandar uma mensagem ao seu assassino, o ex-namorado Kevin Lynch. – JJ cerrou os olhos em uma foto de Kevin com procurado em cima. – Vamos encontra-lo Kevin e prometemos tratar você como o animal que você é.

JJ saiu do pequeno palco, abrindo espaço para Derek fazer sua declaração. Ele sabia que ela saberia e ele poderia mandar sua mensagem bem codificada.

— Eu serei todo seu quando nos encontrarmos outra vez, minha Baby Girl. – Derek falou em binário que só um gênio conseguiria descobrir.

Reid traduziria para ela eventualmente.

— Eu conheci Penelope quando eu a prendi. – Derek confessou para quem quisesse ouvir. – Eu vi nela um coração e um belo par de olhos. Eu só quero dizer que você Kevin Lynch é um cara morto. Assim como Jason Battle.

Battle. Essa lembrança bateu em Derek como pedra caindo do céu.

Cinco anos antes...

Derek estava na igreja. Seu celular desligado sendo fervorosamente entupido com mensagens, algumas nenhum pouco amistosas.

Ele estava na igreja quando finalmente resolveu ligar o celular e pedir desculpas para Penelope.

— 12 Chamadas perdidas. – Ele leu nas notificações.

Mensagem 1: Jennifer Jareau: Derek sou eu, JJ. Olha aconteceu uma coisa grave. Precisamos de você agora. É urgente.

Mensagem 2: Aaron Hotchner: Derek. Onde diabos você está? Olhe. Eu sei que você e Garcia estão brigados e eu sei que provavelmente você está esperando amanhecer para pedir desculpas, mas não vai dar. Ligue assim que receber.

Mensagem 3: Spencer Reid: D. sou eu, Reid. Precisa vir ao hospital com urgência. Droga Derek tire esse telefone do silencioso.

Mensagem 4: Emily Prentiss: Seu pamonha. Estamos cogitando uma busca para você. Eu acredito que todos vamos deixar recados até você pegar essa merda de telefone.

— Quanta agressividade. – Morgan falou.

Mensagem 5: David Rossi: Derek do céu. No que você está se metendo? Aaron disse que a polícia te cogita como principal suspeito do atendado. Afinal vocês brigaram antes dela sair.

Derek percebeu o que estava acontecendo. Não era sobre um caso.

Mensagem 6: Desconhecido: Agente Derek Morgan. Meu nome é enfermeira Tina Callahan. Sou enfermeira do D.C General. Estou entrando em contato por você ser o contato de emergência da senhorita Penelope Garcia. Precisamos do senhor aqui o mais rápido.

Ele teve que respirar por um momento. D.C general, Penelope Garcia. Na mesma frase. Ele saiu correndo para o carro. Ele ainda tinha seu telefone na mão. Ele queria conferir as outras ligações, talvez nem tanto amistosas de seus colegas.

Mensagem 7: Spencer Reid: Derek o que você está fazendo? Você não atende o telefone da sua casa nem seu telefone celular. Eu entendo que você a ama tanto que a possibilidade de ela ter um novo amor te faz ficar mal, mas porra Derek. Esse não é você.

Mensagem 8: Emily Prentiss: Seu teimoso, filho da mãe. Está na hora de você aparecer, Derek. Ela está na sala de cirurgia por quatro horas e você não se dignou a aparecer.

Mensagem 9: Aaron Hotchner: Considere-se demitido se não estiver aqui quando ela sair da cirurgia, ouviu Derek? Nem se digne a aparecer. Está na hora de você contar o que você sente por ela.

Ele dirigia o mais rápido que conseguia até o hospital. Não, ele não culparia seus colegas e amigos por ofender ele nessa hora. Ele tinha sido um babaca em não se apresentar no hospital mais cedo.

Mensagem 10: Jennifer Jareau: Eu obtive uma atualização do quadro clinico dela e não é bom Derek. Não sabem se ela vai ficar bem quando sair da cirurgia. Por favor Derek. Venha logo.

Mensagem 11: FBI: Agente Morgan. Eu realmente espero que tenha um álibi para a hora do atentado. Eles disseram que Penelope saiu com alguém e que vocês dois estavam brigando.

Agora...

Derek desceu do quarto deixando Reid com Penelope. o agente mais novo insistiu para isso. Ele estava esperando notícias boas a um curto prazo.

O médico bateu na porta fazendo descer dos devaneios.

— Entre. – Derek o guiou para o quarto.

— Posso participar dessa festinha? – O médico brincou antes de entrar em assuntos sérios. – Eu soube que você não sente suas pernas.

Penelope fechou a expressão. Ela sabia que teria que saber logo sobre isso.

— Bem. – O médico começou. – Sua lesão na coluna foi extensa e severa. Fizemos um bom trabalho nela, mas nunca a estudamos porque você entrou em coma logo em seguida.

— Eu vou voltar a andar? – Ela perguntou preocupada.

— Vou ser franco com você Penelope. – Ele a olhou nos olhos. – Suas chances de voltar a andar são de 10 em cem. Uma vez que você consiga fazer um exame mais detalhado sobre essa lesão podemos determinar.

— Eu não vou mais poder andar? – Ela perguntou, ignorando a fala anterior do médico. – Eu moro em um lugar com escadas e essa casa tem. Todos os meus colegas têm casas altas.

Derek fechou a cara. Ela estava triste.

— Eu vou ser um fardo para eles se ficar em uma cadeira de rodas. – Ela falou. – Eu não quero ser um fardo.

— A chance de dez por cento é apenas um parâmetro básico até agora. – O médico explicou. – A fisioterapia a longo prazo pode muito bem ajudar a fazer você voltar a andar.

— Posso mesmo? – Ela ficou animada. – Eu vou ter que mudar minha vida para isso.

— Eu faço isso. – Derek se manifestou depois de ouvir. – Mesmo se for todos os dias.

— Eu não quero ser um problema, Derek. – Ela se colocou em seus braços.

— Apenas fique comigo Pen. – Derek falou. – E eu posso fazer isso.

Seria um longo caminho e para dizer a verdade, Derek estava feliz em poder fazer.