Histórias sem fim
2 Viagem
Notas iniciais
Um dia de sol entre nuvens. E que nuvens! Parece que Deus está em cima de uma delas, de pé, olhando com orgulho sua obra mais querida.
Estamos no carro há uma hora, já saindo do Rio de Janeiro. A fronteira com Minas Gerais será atravessada a qualquer momento. A paisagem vai mudando aos poucos das enormes árvores de mata atlântica, para os arbustos do cerrado. Aqui e ali, avistamos um Ipê Amarelo. Que árvore linda! Um dia terei ao menos um plantado no meu quintal.
Ô Minas Gerais! Uma terra de gente simples e trabalhadora! Campos férteis, a perder de vista! Leite fresquinho, saído no dia anterior da vaca. “Não esquece de ferver antes de tomar, menina!” Dizia minha mãe. Cachoeiras maravilhosas, cada uma melhor que a outra! Sejam cidades históricas, pequenas vilas ou uma grande metrópole, o mineiro sabe dar um tempero diferente e especial, que só as terras deles tem.
Diamantina, com suas igrejas e o casario antigo. Os arredores são tão bonitos quanto a cidade em si. A vila de Biri-Biri, os vilarejos ao redor, suas cachoeiras! E Ouro Preto? Lá, a história é ainda mais bem preservada. Obras de arte inestimáveis estão em suas igrejas.
Dessa vez, estamos a caminho de Ibitipoca. Como será o lugar? Mal posso esperar!
Mais duas horas de carro, e começamos a subir a serra para Ibitipoca. Uma verdadeira aventura! A estrada é ruim, muito buraco. Precisamos sair do carro em alguns pontos, para que ele consiga subir os trechos mais complicados. O carro está pesado, muita bagagem, fora o fato de não ser muito potente.
Finalmente conseguimos vencer os obstáculos, a vila é uma graça! Muitos jardins floridos. As casinhas antigas, placas de madeira rústica, comida gostosa. Seguimos para o chalé no alto de um monte, onde vamos nos hospedar pelos próximos dias. Olhando ao redor vejo uma floresta de eucaliptos, algumas fazendas uma estrada lá longe, de terra batida e uma ou outra casinha, bem distante da nossa.
Entre a cerca de madeiras e arame, desce o sol entre as montanhas. Sua luz refletindo nas nuvens e iluminando tudo com um belo brilho vermelho e laranja. Ao anoitecer, percebemos que a lua está cheia e enorme. Um brilho incomum a rodeando, parecendo uma grande aura. As nuvens próximas também estão iluminadas. A hippie, dona do chalé conversa com a gente. Que moça simpática! São ela, o marido e o filho, Bernardo. Conversamos sobre o céu, sobre arte e sobre espiritualidade. A casa é pequena, mas muito aconchegante. Muitas esculturas enfeitam tanto seu interior, como o jardim. São gnomos, corujas, ... Realmente encantador!
Os dias foram passando. Conhecemos o parque de Ibitipoca, com suas muitas trilhas, grutas e cachoeiras, fomos ao centro da vila e desbravamos os arredores.
O céu aqui sempre é uma atração a parte. Uma beleza cativante, proporcionada pela natureza, pelo universo. A medida que a lua foi diminuindo, em sua fase minguante, o céu foi se mostrando o mais estrelado que já vi.
Estou aqui admirando a noite, olhando as estrelas e, ao longe, acontece uma incrível chuva de raios.
Realmente inesquecível.
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