Notas iniciais
Gente, oi oi, to postando atoa mesmo. Algumas coisas não batem com o contexto histórico, mas foi preciso adaptar para a O.S. Espero que gostem :3

Alemanha — 1941.

Os dois rapazes estavam deitados em sua cama, o ar úmido entrava pela janela com a mesma força em que seus corações batiam um para o outro — já faziam 2 anos desde que Hitler decidiu romper os tratados com os demais países e agora estava em marcha para seu triunfo.
Os dois garotos se abraçavam intensamente. Faziam alguns meses desde que não se viam. Henrique, o mais velho, teve que servir o exército de última hora, pois o país precisava de todas as forças disponíveis no momento. Enquanto Gustavo, ainda com 16 anos, teve que ficar de fora da batalha.
Henrique era alto, moreno, desajeitado e nada atlético. Na verdade, nem sabia do que lhe era útil na guerra, só fora convocado por sua maior idade. Lutas nunca foram seu forte. Gostava mesmo era de pintar, fotografar, e seu modelo favorito era Gustavo, seu namorado.
Gustavo era baixo, engraçado, destemido e dono de um enorme coração. Ele gostava de escrever, escrever coisas sobre o mundo, seu cotidiano, sobre Henrique. Mesmo com pouca idade, já era convicto de seus atos e desejos e, apesar de tudo, não fora impedido de criar algo com seu amado.

— Rico… — Chamou o menor, usando o apelido que dera ao namorado. — Eu ouvi dizer que Hitler está perseguindo gays e os matando.

Henrique engoliu em seco, de fato, Hitler estava disposto a criar uma nova raça, mas entre eles não existiam gays, negros e, tampouco, judeus. — Não se preocupe, Gus. — Henrique beijou a testa do menor. — Tudo vai ficar bem.

***

Já era de madrugada quando henrique despertou, ainda tinha pesadelos com as cenas vistas em combate. Ele colocou as mãos na cabeça e respirou fundo, olhou para o lado e não encontrou Gus, o buscando com os olhos ao redor do quarto. Como de habitual, Gustavo estava sentado em uma janela, com um caderno velho em mãos, sobre pouca iluminação tecia, minuciosamente, uma nova história.
— Gus, já ta tarde. — Henrique levantou e foi em direção do menor, fechando o caderno do mesmo. — Você deveria descansar, amor.

Gustavo ficou calado por um instante, mas depois se levantou e fechou seus braços ao redor do maior. Quase chorando, disse — Eu te amo, eu não quero perder você.

Henrique não soube o que dizer, de certo, estava com medo de perder seu pequeno, a guerra não era fácil e ele só era um frente de batalha que mal sabia se defender, desejava nunca ter sido recrutado. Sem saber o que fazer, segurou no queixo de Gus e o puxou para um beijo, descartando tudo ao redor, como se só existissem os dois naquele momento.
Não demorou muito para que estivessem na cama se despindo, Henrique entre as pernas do menor, terminando de tirar sua última peça de roupa. Gustavo o fitava com ternura e prazer, o olhar dos dois se chocaram e, mesmo na tensão, sorriram.

— Vai com calma dessa vez, Rico. — Gus reclamou. — da outra vez você me deixou machucado.

Henrique sorriu. — Eu não posso resistir. — E você também não.

Os dois voltaram a se beijar, iluminados pelas estrelas, estamparam a noite, assim, com seus gemidos.

***

Os dias correram na medida em que o medo se espalhava, os dois tentavam mascarar a angústia, mas estava notório. Quando o dia de retornar à base chegou, Gus já estava desesperado, mas Rico logo o acalmou.
Um veículo grande com outros soldados estavam parados do outro lado da rua, aguardando o mais velho.

— Parece que o alvo agora vai ser a união soviética, é um pouco arriscado, mas precisamos tentar. O futuro do país depende disso. — Henrique se dirigiu ao menor.

— Promete que vai se cuidar, Rico?

— Eu prometo, Gus. E não se esqueça, fora do nosso quarto sou apenas alguém bondoso cuidando de um órfão, tudo bem? Não quero que as coisas se compliquem por aqui.

O menor sorriu de lado, com os olhos marejados. Gostaria de envolver o namorado e o beijar até que o mundo acabasse, mas precisava se conter. Ele respirou fundo e sorriu, dizendo baixo. — Ich liebe dich*

*Eu te amo.

O coração de Rico apertou, e ele retribuiu o amor do menor. Não demorou para que estivesse a caminho da base, onde se prepararia para o novo passo de Hitler.

Gus voltou para dentro de casa, trancou todas as portas, janelas e se deu o prazer de chorar. Aqueles não estavam sendo um de seus melhores momentos. Estava exausto, só queria poder viver como antigamente com Rico, sem essa besteira de guerras mundiais.
Ele respirou fundo e enxugou as lágrimas, tinha muita coisa do que lembrar, coisas boas. Pegou seu velho caderno e o folheou, foi até o inicio e começou a ler algumas histórias: De quando conheceu Rico em um parque, de como o maior cativara o mesmo e o tentara ajudar desde muito novo, de como passaram a morar juntos e descobriram o amor ali guardado.

— Foram bons momentos. — Recordou-se. Gus adorava Henrique, sempre teve um fascínio imenso pelo maior, apesar de muito cabeça dura, não gostava de demonstrar sua feição por ele, muitas vezes o maltratando e sendo rude. Mas eram águas passadas, os dois estavam relativamente estáveis, e ele adorava isso. Adorava amar e ser amado.

Gustavo se deitou na cama, abraçando o travesseiro de Henrique, deu um suspiro profundo e esperou, esperou, esperou…

Certo dia o carteiro depositou um envelope em sua porta. Gus, mais do que de pressa, o recolheu. Em seu verso estava escrito: Para meu irmão de consideração.
Ele sorriu, quase chorando e começou a ler. A carta relatava os acontecimentos na União soviética e, apesar da quase derrota, haviam conseguido o apoio que queriam, apesar de conflitos e quase perder uma das pernas (apenas detalhes), ele estava bem, a caminho de Smolensk e logo após, Moscou. Terminou dizendo para não deixar suas historias morrerem, pois sabia que o menor não gostava de escrever durante sua ausência, porque simplesmente não tinha o que escrever.

Henrique voltou para o visitar mais algumas vezes, mas por pouco tempo, pois as disputas nos eixos haviam se acirrado e as tropas de Hitler começavam a oscilar. Eles se beijavam e iam para a cama intensamente, como se fosse a última vez em que poderiam realizar isso.

E a cada encontro, um adeus.

Rico parou de escrever, o carteiro parou de vir.

Meses se passaram e… nada.

Até que Rico apareceu, mas desta vez estava acompanhado por outros militares. Não parecia muito feliz, estava machucado e acabado.
Gustavo correu para o acudir, mas os soldados o afastaram com um tom rude e autoritário. Entraram em sua casa sem permissão, revistando tudo o que lhe era visível.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntou o menor, aflito.
— Recebemos uma denúncia de que os dois são gays e mantém um romance há anos. — Um dos homens disse, aparentemente irritado. — Hitler não gosta disso, precisamos intervir.
— Não, não. — Gus se afastou, com medo. Tentava olhar nos olhos do maior, mas o mesmo estava acolhido, chorando. — Ele me adotou, ele salvou minha vida.
— Bom, mocinho, você vai ter muito o que falar quando estiver sendo sufocado em uma câmara de gás. — Um dos militares segurou Gustavo pelos braços e o arrastou, enquanto o menino gritava em desespero.
— JÁ CHEGA! — Henrique se pronunciou finalmente, mal aguentava falar. — Ele não é gay, eu sou, EU SOU! Ele nunca teve família, então eu o ajudei, mas em troca eu o violentava toda vez por abrigo. EU FORCEI ELE A TUDO, ELE NUNCA QUIS ISSO.

Gustavo ficou abismado, não sabia o que falar, tentou dizer algo, mas sua voz ecoou além do audível. O soldado ainda o segurava, mas sem a força de antes.

— Isso é verdade, garotinho?
— N-Não… — Tentou dizer. — Ele não me forçou a nada.
Rico olhou dentro dos olhos de seu amado e pediu com todos as preces inaudíveis possíveis. Seu rosto escorria sangue, provavelmente dos combates enfrentados e por uma surra dos militares. — Não precisa mentir mais, Gustavo… você está livre agora.

O menor só soube gritar enquanto os militares arrastavam o seu namorado para fora, aquela seria a ultima vez que o veria. Ele caiu em cima de todas as pinturas que o maior havia feito dos dois e se pôs a chorar, incansavelmente.

***

Ele esperou por um milagre.
Esperou que o namorado tivesse fugido.
Que tivessem ouvido suas preces.
Que a guerra nunca tivesse acontecido.

Mas a guerra ainda acontecia e Henrique não estava mais com ele.
Vez ou outra ignorava jornais anunciando mais uma matança em massa da raça oposta aos arianos. De certo, seu namorado já havia morrido. Não havia mais esperanças. Estava à beira do abismo quando se lembrou das doces palavras do maior, para que os nunca deixassem morrer em suas histórias.
E, assim feito: Henrique estava vivo, estava com Gustavo, estavam felizes, se amando.

Em uma pagina de um caderno velho.

Logo já não cabiam mais cadernos em sua estante, mas Gustavo não pararia.

Pois histórias não morrem.

Notas finais
O que acharam? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!