Histórias de um xamã anonimo

7 7-Ao invés de abertas, as portas da percepção foram arrombadas.


Mais um dia em casa, pensativo e entediado, a noite estava calma e tranquila quando recebo a ligação de minha tia dizendo que não viria pra casa naquele dia e eu teria que dormir só. Não liguei porque acontece as vezes e lembrei que eu tinha meio litro de ayahuasca guardado que havia comprado 2 meses antes mas que não cheguei a tomar pelo gosto ser ruim e pela falta de oportunidades dai decidi tomar o chá, optei por tomar sozinho pelo simples motivo: havia comido uns cogumelos meses antes e chamei um amigo pra me observar, ele só me atrapalhou, me assustou e ficou usando meu computador para jogar.

Aproveitei minha noite e fui começar os preparos, sendo que não achei o copo do mixer que era onde eu ia medir a quantidade que eu iria ingerir naquela noite (200ml) mas infelizmente não achei o copo e fui fazer a dosagem “no olho” e acabei errando a dose, tomei 3 copos pela metade o que no final deu em torno de 350-400 ml, o dobro do que deveria.

Coloquei as musicas de tambores xamanicos e deitei no sofá, apaguei as luzes e pretendi meditar, em 15 ou 30 minutos estava incomodado e abri os olhos porém para minha surpresa tudo estava colorido, como em um filme 3d com óculos com lentes verdes e vermelha, as coisas pareciam duplicadas, com um brilho talvez uma aura não sei definir e fiquei preso nisso e não consegui me concentrar novamente na meditação, estava absorto no sofá olhando os objetos, plantas e insetos que tinham na minha sala mas com uma atenção meia desfocada mas por incrível que pareça conseguia prestar atenção em detalhes mínimos, como se minha visão estivesse com mais precisão.

Decidi levantar e tirar a musica pois incomodava demais, o som parecia corroer minha cabeça, tudo girava, o chão parecia afundar e subir de nível subitamente e então me senti perdido quase desesperado por ter caído em uma “realidade” totalmente diferente da que eu planejava então me deitei novamente e fiquei a observar as coisas, do nada senti meu estômago embrulhando pelo gosto forte e amargo da ayahuasca logo corri ao banheiro e vomitei bastante, sujei tudo o que tinha dentro:vaso, chão, tapetes. Voltei mais leve mas ainda sim bastante enjoado e meio tonto.

Nesse ponto a clareza já tinha se perdido, o max que eu conseguia era lampejos de sobriedade mas logo era desbancado pelo forte efeito do chá e eu voltava a “vegetar”, fui no meu quintal e tudo parecia igual com variações de cores mas senti um medo tremendo de perder o controle e ir para a rua e acabar dando algo errado, entrei em casa e tranquei a porta, pegava o celular e via um brilho extremo da tela, perdia longos minutos olhando pra mão e vendo as dobradiças da pele. Do nada veio uma vontade incrível de ir ao banheiro e fui mas quando vi ainda estava tudo sujo pelo vomito que eu dei anteriormente mas não tive forças pra limpar então deitei no box do banheiro pois caso eu sujasse algo ali seria mais fácil de limpar depois, felizmente consegui controlar e a vontade passou mas não consegui sair do box depois, fiquei estirado como um bêbado no chão de um bar, queria falar mas a língua parecia presa e salivava bastante, tentei ligar pra uma amiga mas a vó dela não é tão boa pessoa assim então desliguei assim que tocou 2x pois não queria incomodar ninguém, depois tentei ligar para um monte de gente mas ao invés de 9 dígitos eu só conseguia digitar 3 pois tudo era uma grande dificuldade, eram 5:00 e eu ainda estava bem lento então sentei no computador e estava relaxando, senti que o efeito estava passando, quando foi 6:30 eu me sentia meio vegetativo e diria com uma pitada de tristeza talvez ainda sobre o efeito do chá mas meus movimentos eram normais apesar de lentos, então fui dormir e só levantei as 14h.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.