Notas iniciais
Sinopse do conto: "Se assim for seu desejo, corra, menina. Corra e volte para casa. Corra e abandone seu lar." — Avisos: nenhum. Classificação indicativa: livre.

Corra, menina

Corra, menina.

Corra para sua casa antes que o Deserto a resseque e a despedace. Fuja e deixe o Caos fazer o trabalho que lhe resta.

Volte para a casa que não habita em nenhuma de suas memórias, a casa que você nunca viu, a casa que você não reconhece. Porque seu lar é aqui, é com as areias, é na aridez do Deserto, é com ela.

Volte para sua casa e esqueça seu lar para sempre ou dê as costas e fique onde e com quem você aprendeu a amar apesar de toda a secura deste universo.

Lembre-se: sua casa pode ser quente e confortável enquanto seu lar é frio e amedrontador. Mas é a aqui que você pertence. Em sua casa, você não poderia ter sentido o que sentiu aqui. Medo, ódio, amor, compaixão, isso você não sentiria num lugar que não é seu lar. E lembre-se ainda mais: as areias escreveram seu nome aqui. Neste chão árido, seus passos residem, e com eles, suas palavras.

Mas se você realmente quiser abandonar todo o universo que sua mente pode conceber, um universo perene e atemporal, para voltar para outro lugar, efêmero e transitório, então sugiro que se apresse.

Apresse-se e corra, menina. Corra porque o tempo urge. A cada passo, a cada milésimo de milésimo que você avança, a cada pensamento que ocorre em sua mente enquanto corre, sua casa fica cada vez mais distante.

Se assim for seu desejo, corra, menina. Corra e volte para casa. Corra e abandone seu lar.