"Você não consegue fazer o gol!" Debochava Henrique para Joana.

Ela,com raiva,chutou a bola. Ele desviou e passou do gramado da fazenda para fora da floresta.

Eles entreolharam,olharam para a fazenda e foram.

A floresta era tudo,menos linda. Era asquerosa,fechada,escura. Do outro lado eles viram a bola. Correram ao encontro dela.

"Corrida?"

"Corrida."

Então apostaram. Correram como se a vida fosse um monstro que iria pegá-los.

Quando chegaram,ignoraram a bola. As bocas caíram. Uma casa fabulosa (mas abandonada) estava lá. Ninguém disse sobre essa casa (talvez fosse porque não queriam que eles entrassem).

Quando eles voltaram para a Residência Cavalera,a mãe o esperava.

"Henrique. Joana. ONDE VOCÊS ESTAVAM?" Ela berrava.

"Desculpe mãe. Fomos pegar a bola na floresta."

"Na floresta ?"

"Sim."

"Pegaram?"

"Sim."

"Então coma seu jantar e vá dormir."

No outro dia,os irmãos acordaram e logo pensaram em ir à casa. Eles atravessaram a floresta dialogando.

"O que acha que tem lá?"

"Um monstro bem grande,pra comer você!"

E eles riram.

"Espero que coma você,isso sim!"

"Não,tem que comer você e te prender em um quarto pra sempre."

A imaginação fértil dos meninos crescia a cada segundo.

"E o monstro tinha cara de lobo,braço de porco e rabo de esquilo."

Eles gargalharam.

"Assim como a mamãe?"

"Sim."

E gargalharam ainda mais.

"Achei que você seria chato."

"E não sou?"

"Não."

"Sabe,Joana,talvez a mamãe não tenha piedade desse jeito,mas ela nos ama. Ama e não nos trocaria."

"Eu trocaria você." Ela olhou. "Por um presuntão. Daqueles gigantes mesmo."

Eles riram.

E olharam para cima.

A casa estava lá,esperando.

Quando eles abriram,cada um foi espiar os lados da casa.

"Uau! Já pensou se achássemos dinheiro aqui?"

"Ficaríamos ricos,saíamos desse buraco e viveríamos felizes!"

Eles riram. Algo,lá em cima,mecheu.

Eles tremeram.

Cheios de curiosidade,subiram as escadas.

O que eles viram debaixo da cama de um quarto foi surreal.

Um homem,de cara pálida e casaco preto os olhou. Ele tirou o casaco e revelou um nariz de palhaço. Decidiu tirar. Colocou uma máscara de médico. Então a porta fechou e o escuro os enguliram. Quando eles abriram os olhos,o médico estava em uma maca. Então,sem Henrique fazer nada,ele sentou na maca. Joana tentou reagir. Tentou abrir a porta,mas também,sem fazer nada,sentaram na maca. A escuridão veio e eles estavam em uma espécie de porão. Ele pegou uma faca e um bisturi.

"Qual você prefere?" Disse o médico.

"O bisturi." Disse Joana.

"Escolha sabiamente. Faca ou bisturi? A sua escolha será a escolha de seu amigo."

"Não,Joana,não! Bisturi não!"

"Sim,João." As palavras jorraram.

"Bisturi,então."

O homem tirou a pele do rosto de Joana,que reprimiu um grito. Depois foi Henrique. Então ele colou. Assim Joana e Henrique voltaram para casa. Henrique com a face de Joana e vice versa.A mãe gritou tanto que suas cordas vocais quase estouraram.Depois disso,uma carta veio para a casa dos Cavalera.

Querida Família Cavalera. Você ganhou um lote para formar uma rua. Você pode fazer o que quiser com esse lote,menos vendê-lo. De: Seu vizinho.

Os filhos gelaram. A mãe também. Então,dois dias depois,ela mandou construir a Rua Cavalera,que,até 3012 viveu pessoas com história para contar.