Histórias da Rua Cavalera
2 Henrique e Joana
"Você não consegue fazer o gol!" Debochava Henrique para Joana.
Ela,com raiva,chutou a bola. Ele desviou e passou do gramado da fazenda para fora da floresta.
Eles entreolharam,olharam para a fazenda e foram.
A floresta era tudo,menos linda. Era asquerosa,fechada,escura. Do outro lado eles viram a bola. Correram ao encontro dela.
"Corrida?"
"Corrida."
Então apostaram. Correram como se a vida fosse um monstro que iria pegá-los.
Quando chegaram,ignoraram a bola. As bocas caíram. Uma casa fabulosa (mas abandonada) estava lá. Ninguém disse sobre essa casa (talvez fosse porque não queriam que eles entrassem).
Quando eles voltaram para a Residência Cavalera,a mãe o esperava.
"Henrique. Joana. ONDE VOCÊS ESTAVAM?" Ela berrava.
"Desculpe mãe. Fomos pegar a bola na floresta."
"Na floresta ?"
"Sim."
"Pegaram?"
"Sim."
"Então coma seu jantar e vá dormir."
No outro dia,os irmãos acordaram e logo pensaram em ir à casa. Eles atravessaram a floresta dialogando.
"O que acha que tem lá?"
"Um monstro bem grande,pra comer você!"
E eles riram.
"Espero que coma você,isso sim!"
"Não,tem que comer você e te prender em um quarto pra sempre."
A imaginação fértil dos meninos crescia a cada segundo.
"E o monstro tinha cara de lobo,braço de porco e rabo de esquilo."
Eles gargalharam.
"Assim como a mamãe?"
"Sim."
E gargalharam ainda mais.
"Achei que você seria chato."
"E não sou?"
"Não."
"Sabe,Joana,talvez a mamãe não tenha piedade desse jeito,mas ela nos ama. Ama e não nos trocaria."
"Eu trocaria você." Ela olhou. "Por um presuntão. Daqueles gigantes mesmo."
Eles riram.
E olharam para cima.
A casa estava lá,esperando.
Quando eles abriram,cada um foi espiar os lados da casa.
"Uau! Já pensou se achássemos dinheiro aqui?"
"Ficaríamos ricos,saíamos desse buraco e viveríamos felizes!"
Eles riram. Algo,lá em cima,mecheu.
Eles tremeram.
Cheios de curiosidade,subiram as escadas.
O que eles viram debaixo da cama de um quarto foi surreal.
Um homem,de cara pálida e casaco preto os olhou. Ele tirou o casaco e revelou um nariz de palhaço. Decidiu tirar. Colocou uma máscara de médico. Então a porta fechou e o escuro os enguliram. Quando eles abriram os olhos,o médico estava em uma maca. Então,sem Henrique fazer nada,ele sentou na maca. Joana tentou reagir. Tentou abrir a porta,mas também,sem fazer nada,sentaram na maca. A escuridão veio e eles estavam em uma espécie de porão. Ele pegou uma faca e um bisturi.
"Qual você prefere?" Disse o médico.
"O bisturi." Disse Joana.
"Escolha sabiamente. Faca ou bisturi? A sua escolha será a escolha de seu amigo."
"Não,Joana,não! Bisturi não!"
"Sim,João." As palavras jorraram.
"Bisturi,então."
O homem tirou a pele do rosto de Joana,que reprimiu um grito. Depois foi Henrique. Então ele colou. Assim Joana e Henrique voltaram para casa. Henrique com a face de Joana e vice versa.A mãe gritou tanto que suas cordas vocais quase estouraram.Depois disso,uma carta veio para a casa dos Cavalera.
Querida Família Cavalera. Você ganhou um lote para formar uma rua. Você pode fazer o que quiser com esse lote,menos vendê-lo. De: Seu vizinho.
Os filhos gelaram. A mãe também. Então,dois dias depois,ela mandou construir a Rua Cavalera,que,até 3012 viveu pessoas com história para contar.
Fale com o autor