Histórias da Rua Cavalera

5 As Crianças da Meia-Noite


As pessoas viam de sua janela,os olhos grandes,rostos aterrorizados.

Três crianças ficaram paradas,a dois palmos do chão,flutuando,sem fazer nem barulho,sem se mecherem.

"Isso é surreal." Disse o menino,espiando.

"Sim,sabemos. Não fale,pode acordá-los."

As pessoas podem ficar olhando,até chegar as três da manhã,e eles desaparecem,sem deixar rastro,em um segundo.

"Você viu ontem à noite?!"

"Vi sim."

"Disseram que irão tocar nelas."

"Sério? Vou dormir hoje à tarde,não quero perder o espetáculo." Disse uma,rindo.

Então,à noite,uma pessoa foi ao encontro dos meninos,no meio da rua.

Chegando perto,o homem tremia. Ele tremeu a mão,até tocar o menino. Ele balançou,cambaleou, e então flutuou. Ele flutuava para cima,para cima,para cima,até que ele podia tocar o céu.

Chegando a uns trinta metros do chão,ele caiu. Foi caindo,caindo,caindo,até que se despedaçou no chão da rua. O corpo grudado. Todos gritaram e correram para sair da rua,mas os meninos abriram os olhos,e,rapidamente,eles flutuaram e caíram. Depois,o desaparecimento e a satisfação dos meninos. A Rua Cavalera ficou vermelha naquela noite.