Histórias Infantis... Ou Não!
17 Princesa
Notas iniciais
Nem todas as histórias que começam com “era uma vez” terminam em “felizes para sempre”. Nem todas as histórias servem para serem contadas... Mas a da nossa princesa é diferente.
Ela não nasceu para ser a princesinha presa na torre. Mas desde que se lembra foi criada como tal. Sempre foi assim.
Proibida de sentir qualquer coisa e obrigada a sempre sorrir e fingir... A princesa fingiu por muito tempo ser o que não era.
Ela precisava ser aceita e amada por todos. Eram as ordens da Rainha. Aquilo havia se tornado algo mecânico, tão vazio quanto seus motivos – se é que ela tinha algum.
A princesa passou a vida tentando agradar a Rainha, que nunca ficava contente. Mas a princesa não desistia, ela sempre tentava de novo, de novo, e de novo... Mas a Rainha nunca sorria. Nunca era o suficiente.
A princesa cresceu acreditando em uma mentira. Cresceu fazendo coisas pelos motivos de outras pessoas. Ninguém pode ser feliz o tempo todo, não tem nada de errado nisso! Não há problema em chorar, afinal de contas, todo mundo se machuca! Então... Por que se esconder?
Mas a Rainha não aceitava e sempre arrumava um jeito de prender a princesa novamente em sua torre. Mesmo vendo que a princesa tinha a sua cabeça cortada todos os dias.
“Lembro-me de como costumava me sentir sozinha, a minha mãe dizia que era tudo besteira, que eu estava “trancada num mundo perfeito”, mas eu não conseguia ver muita graça nas coisas da minha sala. Eu só conseguia pensar que poderia estar fazendo tantas coisas emocionantes em vez de ficar sentada no chão da sala colorindo o meu futuro”.
A princesa teve uma boa infância. Claro, mesmo estando sempre trancada. Uma infância repleta de mimos e presentes, mas sem ninguém para conversar.
“Eu acho que eu nunca fui uma verdadeira criança, porque eu não brincava na rua com a ‘garotada’, nunca brinquei de mãe da rua ou essas coisas, eu era na maioria das vezes solitária, nunca tive muitos amigos. Para ser sincera, ninguém NUNCA me entendeu, eu gosto de me entreter comigo mesma, até hoje a minha mãe tem uma espécie de negação com esse fato, ela vive tentando me fazer interagir, "agir como uma garota normal"."
A Rainha nunca entendeu a princesa bem, a princesa lamentava muito por isso. A princesa tentava se esforça para viver bem com a mãe, mas não dava muito certo, as duas não eram muito unidas, elas quase não conversavam, as duas eram um pouco distantes uma da outra.
A princesa gostaria muito de ser diferente sem sentir dor.
“Só nós mesmos sabemos os motivos que nos levam a determinados caminhos.”
Sim, ela detestava cobranças, sermões e conselhos.
“Enquanto eu sofro desesperadamente com o tédio, as horas passam tão devagar que me sufocam!”
A princesa dormiu tortuosamente nos braços da solidão e na sombra da rejeição. Porque tudo o que é doce termina deixando um gosto amargo. A inocência é levada sem mais nem menos, ela não deixa rastros, e quando menos esperamos, ela se vai tão alegre para outro lugar onde aja felicidade.
“Você sabe como é morrer diariamente por se sentir sozinho?”

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