Histórias Cruzadas
25 ⊱⊰ 24. — Uma visita ao inferno — 2Chan
Notas iniciais
Aquela era a primeira vez que o Changbin fazia algo assim, adentrar o inferno de livre e espontânea vontade, isso definitivamente não era algo em sua lista de coisas que precisasse fazer, mas a sua vida havia mudado nesses últimos tempos, ele namorava o próprio Lúcifer e bem agora ele se encontrava contemplando o inferno.
Ele tinha sua própria definição quanto ao lugar maldito por todos, mas o que viu chegou o surpreender.
Não era lindo, longe disso, mas era organizado e aquilo agradou ao caçador que observava tudo com muita atenção, já instintivamente calculando por onde ele fugiria dali se precisasse um dia.
— O que está achando daqui Bin? — A voz do seu namorado quebrando o silêncio o pegou desprevenido o trazendo de volta de seus devaneios. — É como você imaginava?
— Na verdade, Channie, parece melhor do que imaginei.
O Christopher riu alto, ele amava o jeitinho do Changbin.
— Isso que você está vendo, amor é só o começo, a entrada, por assim dizer, e se me permitir quero te mostrar tudo, ou até onde você conseguir ir.
— Até onde eu conseguir?
— Sim, amor, pode ser que algumas áreas sejam difíceis para você, e se chegarmos nelas me avise e nós paramos, está bem?
— Tudo bem, Channie. — Ele tentou imaginar o que ele não suportaria ver e decidiu que aguentaria o máximo que pudesse.
O Lúcifer estendeu a mão para seu namorado caçador e o encarou seguindo em uma reverência.
— Bem vindo ao inferno Seo Changbin.
O caçador, diferente do que o demônio imaginou, sorriu largamente encarando o próprio rei do inferno com desejo.
— Promete que quando eu morrer e vir para cá, você me receberá exatamente assim Channie? — Ele segurou em sua mão e o puxou para um beijo — Você ficou muito sexy me recepcionando para uma eternidade de danação e sofrimento.
Os dois sorriram e se beijaram novamente.
— Você é um tolo Changbinah, mas sim, se quando você morrer, você realmente vier para cá, eu mesmo farei sua recepção, eu prometo.
[...]
Antes de qualquer outra coisa, os dois foram ao salão do trono do rei, era lá onde eles rastreariam o Belfegor, através do espelho do Lúcifer.
E era isso que eles faziam agora.
— Nossa, que espelho macabro, — O Changbin encarava o grande espelho, ele o olhava, mas via a figura do Christopher o encarando, exatamente como ele estava. — Por que não sou eu ali?
— Não? — o demônio sorriu. — Então o que vê?
— Vejo você, meu bem, do jeitinho que está aí, braços cruzados e tudo.
O Christopher sorriu feliz.
— Esse espelho mostra seu maior desejo, Changbin, ele reflete sua alma, mente e coração e não o seu reflexo físico como em um espelho comum.
O caçador corou por ser pego e se afastou do espelho.
— E como você vai achar o idiota do Belfegor nele? Você o deseja também? O ama?
— Bom, partindo do princípio de que estamos querendo encontrá-lo, sim, eu o desejo, e por ele ser um de meus filhos, sim, eu também o amo..., mas ele é um dos piores, geralmente eu o castigo o torturando até que ele se despedace, ai eu o refaço e o quebro novamente, e é assim nosso relacionamento pai e filho.
— Meu senhor...
— Não fale isso aqui no inferno, amor. — Ele disse sorrindo por achar a expressão confusa do Changbin muito fofa.
— Ah sim, verdade... — O caçador se lembrou de onde estavam — Me desculpe.
— Não por isso querido, mas voltando ao espelho, você é mais suscetível a ele do que eu, então ele o expôs assim — O demônio sorriu com o novo rubor que tomou seu namorado. — Mas comigo é ao contrário, eu que ordeno sobre o que ele me mostrará.
— Tão poderoso...
— Pois é, agora vamos ver… — o Lúcifer parou em frente ao espelho, tomando sua forma naturalmente demoníaca, não completa para não assustar demais ao Changbin, mas seus chifres apareceram e ele tirou seu sobretudo e sua camisa se rasgou nas costas revelando suas asas também ao caçador.
E ele estava boquiaberto, jamais imaginou que se apaixonaria ainda mais ao vê-lo de forma mais natural, mas fora exatamente o que aconteceu e a mente do caçador estava um verdadeiro turbilhão nesse momento.
As asas do demônio eram enormes, pretas, e brilhantes, extremamente lindas e encantadoras para o caçador e agora que o demônio havia ficado de frente com ele, o caçador também reparou nos chifres, eram lindos e imponentes o que deixava a figura do rei do inferno em sua frente impecavelmente bela.
Fora os olhos vermelhos, a expressão intensa e aquele corpo que aparentemente ficou ainda mais definido.
— Channie... você é perfeito. — O Changbin falou em um quase sussurro. — Lindamente perfeito é o que você é.
O Christopher estava feliz, havia apenas verdade saindo dos lábios de seu namorado, pois quando ele estava naquela forma, absolutamente ninguém conseguia mentir para o pai da mentira.
— Fico feliz que isso não o tenha assustado.
— De jeito nenhum amor, só me fez o desejar ainda mais, acredite em mim, Channie, eu o tomaria aqui e agora se pudesse.
O demônio sorriu ladino.
— Vamos encontrar o Belfegor, depois te levarei aos meus aposentos e você poderá me tomar o quanto quiser.
— Então ande logo, não sei se consigo aguentar muito mais.
O Lúcifer sorriu amando o estado de seu namorado.
— Serei breve.
A busca demorou mais do que imaginavam, pois o Belfegor encontrou um jeito de esconder seu rastro muito bem, mas depois de um tempo em sua busca o Christopher o encontrou, e assim como o anjo da guarda pediu, ele não o evocou como era de sua vontade, muito menos mandou demônios menores o vigiarem, pois a essa altura o rei do inferno que já não confiava muito em ninguém estava ainda mais desconfiado de tudo e todos, e por todo o tempo o caçador não tirava os olhos de seu amado, ele estava hipnotizado e amava tudo o que via.
— O que está fazendo Channie? Esse aí é o tal Belfegor?
— Sim, Binnie, o próprio, e eu estou colocando um rastreador nele, ele não vai mais fugir de mim.
— Um rastreador? Pelo espelho dá para fazer isso?
— Sim e sim Changbinnah, apenas observe.
O Lúcifer esticou seus dedos e um rastro vermelho vivo saia dele, atravessava o espelho e entrava no demônio sem que ele notasse.
— Nossa, eu deveria ter medo de te ver fazendo isso?
— Por que pergunta?
— Porque é algo muito ao contrário de medo que estou sentindo agora.
— Você é terrível amor, mas adoro seu jeitinho sabia? — Ele continuou fazendo sua conexão até finalizar e encarou seu namorado quando acabou. — Pronto caçador, agora sou todo seu!
O Changbin o encarou com um sorriso de canto, ele o olhava de cima a baixo o desejando.
— Eu sei que você já entendeu bem meus pensamentos, então me diga; podemos fazer isso aqui, ou você tem um quarto demoníaco aonde poderemos ficar juntos sem que haja interrupções?
O Lúcifer sorriu largo, ele estava rendido ao seu humano e melhor ainda era sentir que a recíproca era verdadeira.
— Podemos começar aqui e terminar nos meus aposentos Changbin, o que me diz?
— Isso foi sexy Channie. — Ele foi indo até seu namorado e o abraçou com firmeza. — Quero você assim do jeito que está, chifres e assas, tudo bem para você?
— Tudo perfeito... você é perfeito Binnie.
Eles iniciaram um ósculo selvagem e se entregaram ali mesmo aos seus desejos mais íntimos.
[...]
Em algum lugar distante do inferno.
— Posso dizer com convicção que eles já descobriram sobre o verdadeiro propósito deles.
— Não seja tolo Belfegor, como saberiam?
— Muito me espanta você Gabriel, subestimando o Jisung? Ninguém em sã consciência se atreveria a isso, mas você está todo confiante, não é?
— Sim, eu estou, aqueles dois humanos matarão Lúcifer e o anjo da virtude como está escrito que seria, e nós já teremos ligado eles pelo sangue e assim que ambos morrerem os humanos também morrerão, chega ser tão simples que é entediante.
— Anjos são tão soberbos, vocês me enojam sabia?
— E demônios são tão limitados, não sei mesmo como conseguem andar e falar ao mesmo tempo.
O demônio revirou os olhos.
— Sua sorte é que preciso que você cumpra seu papel e quando o inferno e o céu estiverem finalmente trancados poderei fazer meu próprio reino na terra, senão eu acabaria com você agora mesmo.
— E você acha que está vivo e de pé na minha presença por qual motivo demônio?
— Você acredita mesmo que será o novo deus? — o Demônio gargalhou — Que patético Gabriel.
— Não mais que você querendo ser o novo Lúcifer, Belfegor.
— É aí que está a diferença entre nós meu caro, eu não almejo ser como o meu pai, ao contrário de você, eu quero apenas fazer melhor do que ele, ir além, entende anjinho?
— E como você pretende fazer isso?
— Hum... deixa eu pensar aqui... — o demônio sorria sarcasticamente e o anjo revirava os olhos. — Não é da sua conta futuro deus?
— Vai se ferrar Belfegor...
— Com prazer, e agora mesmo, pois tenho que resolver umas coisas.
Sem despedidas, o demônio simplesmente desapareceu.
— Demônio idiota, mesmo com o céu e o inferno trancados o equilíbrio deverá ser mantido e eu cuidarei para que isso se dê Belfegor, você não vai atrapalhar o balanço natural das coisas fazendo da terra seu inferno particular, eu não permitirei.
[...]
O rei do inferno e o caçador estavam extasiados com o sexo intenso que acabaram de fazer, nunca nenhum deles teve nada assim, o que para o caçador era mais que perfeito e para o demônio era surreal devido ao seu tempo de existência.
— Binnie, não sabia desse seu fetiche. — Ele falava ofegante e com um largo sorriso no rosto. — Mas com toda certeza adorei saber, isso foi infernal de tão bom.
O caçador sorriu e tomou seu namorado em um beijo ardente.
— Eu não tinha fetiches assim, a culpa é toda sua por ser esse gostoso do caralho.
Os dois sorriam, os medos se afastaram por um momento e agora eles apenas se curtiam.
— Você que é o gostosão de nós dois, nem acredito que estou tão rendido assim a você amor.
— É bem estranho mesmo saber que amo o rei do inferno, imagino como deve ser para você saber que ama a um reles mortal.
— Não imagine bobagens okay? Amar você é perfeito para mim, por isso que estou tão puto com tudo isso...
O Changbin faz um afago no rosto do Chris.
— Eu também estou puto, com ódio de verdade, mas vamos achar uma saída, não vamos? Isso não acabará com as nossas mortes trancando céu e inferno, nós mudaremos isso amor.
— Claro que vamos achar uma forma de sobreviver a isso, olhe bem para nós Changbinnah, nós somos exatamente como o amor deve ser, e isso não será destruído por caprichos idiotas seja lá de quem for, enfrentaremos isso juntos, vamos nos proteger assim como ao Yang e ao seu irmão e todos sairemos vivos dessa.
O Changbin o abraçou tão forte que parecia que ele estava se agarrando não só ao corpo do Christopher, mas a cada palavra que ele proferiu.
— É isso, meu Channie, vamos conseguir, temos que conseguir...
O demônio maior correspondeu com a mesma intensidade o aperto do abraço em que estava, e deixando selares no ombro desnudo do caçador ele se sentiu feliz, nunca havia amado tanto assim, e se algo valia a pena nesse mundo a ponto de ele ter que lutar com unhas e dentes, era o seu amor pelo caçador, e depois de um tempo assim o demônio se afastou o encarando.
— Vamos ao tour pelo inferno Binnie? Quero ir para sua casa depois.
— Claro, vamos lá conhecer o que me espera após a morte.
— Não seja tolo Binnie, se você não for ao paraíso por conta desse seu coração enorme, ficará ao meu lado no inferno, reinaremos juntos, o que acha?
— Reinar ao seu lado me parece algo que eu faria facilmente, não pelo reino, ou pelas almas perdidas, mas por poder ficar ao seu lado pela eternidade.
— Isso foi romântico, você é um fofo sabia?
O caçador riu pequeno.
— Vamos antes que o rumo dessa conversa nos leve a um quinto round.
— Estraga prazeres...
— É, eu sabia que era esse o seu plano..., mas deixa para mais tarde está bem? Quando estivermos em casa que tal?
— Promete? — Ele selou seus lábios ao do caçador que mais uma vez se pegou em um sorriso sincero.
— Prometo.
— Okay, então vamos.
[...]
O rei do inferno levou o caçador a muitos lugares que ele julgava que o outro aguentaria firme, e de fato ele aguentou, ele olhava as almas sendo estraçalhadas, torturadas, o cheiro forte de alguns dos lugares o fez nausear, mas em momento algum ele se ressentiu com seu amado como ambos acreditavam que seria, e aquilo foi surpreendente ao Lúcifer.
Ele não estava à vontade com o que via, longe disso, mas ele conseguia compreender a natureza de tudo aquilo, era horrível, mas era algo que sempre foi assim, não tinha como mudar, e não era algo que lhe cabia julgar, por isso ele apenas observava tudo com atenção.
— Então cada pecado tem mesmo sua área específica de punição eterna?
— Sim, achei melhor fazer assim, acho injusto colocar os pecados todos misturados, pois assim dá para controlar melhor o tipo de punição eterna que receberão.
— Faz sentido, e essas punições? Você mesmo as estabelece? Ou seus carrascos têm liberdade poética para escolhê-las?
O Christopher sorriu, seu namorado era mesmo um ser único em sua opinião.
— Podemos dizer que ambos, eu estabeleci a maioria delas, mas suas vertentes são criações dos demônios encarregados, eles têm sim liberdade poética como disse, mas tudo passa por mim antes, então se eu me agradar eu aprovo.
— E isso tudo te faz bem? Assim, eu entendo um pouco que para você deve ser prazeroso punir aqueles pelos quais seu pai o baniu dos céus, mas isso não cansa?
— Ah já cansou faz tempo Binnie, tanto que hoje em dia como viu antes eu mal vejo as almas, fico mais no controle dos meus filhos, os puno se me desobedecem ou se passam dos limites e fico de olho para que aqui não vire uma zona, mas humanos, com todo o respeito tá, são indiferentes para mim, não sou eu que os julgo, na verdade, eu apenas os recebo aqui, pois meu pai não faz a mínima questão dos pecadores, mas por mim são um bando de lixo que o velho joga aqui por não se agradar deles.
O caçador ouvia tudo atentamente, ele realmente entendia os pontos, mas mesmo assim era sinistro para ele.
— Você se apaixonou por um desses lixos, Channie.
— Eu sabia que diria isso, mas sabe do que mais? Essa perfeita ironia é o que tem me feito enxergar tudo diferente.
— Diferente? — O caçador o olhou confuso.
— Sim, diferente, não que eu me compadeça porque não, mas pelo menos agora entendo melhor os humanos, através de você eu vejo melhor como eles sentem, pensam, e agem, posso dizer até que os respeito minimamente agora.
— Eu entendo, é como enxergo tudo aqui também, vocês fazem o que foram designados a fazer, e buscam a excelência, tem os seus motivos para serem como são e fazerem o que fazem, e se uma alma humana veio parar aqui...
— Foi por conta de suas próprias escolhas. — O anjo caído completa a fala do caçador pegando na mão de seu namorado, e o olhando com serenidade.
O caçador não precisava tentar o entender, mas só por demonstrar que tentava já deixava o demônio completamente em paz.
— Vamos para casa agora, Channie, acho que já vi o suficiente.
— Vamos sim Binnie, obrigado por ser compreensivo, quem dera todos fossem, mas vamos logo, quero notícias do Jisung, preciso prender meu filho rebelde e fazê-lo falar ou eu não terei sossego.
De mãos dadas eles saíram dali, e com a conexão estabelecida entre o Lúcifer e o Belfegor, ele não precisaria mais de seu espelho para o rastrear com facilidade, então quando chegasse a hora, estaria pronto para arrancar as verdades do seu filho.
✶✫⊶⊷ ⊱⊰ ✧✦꒰✟꒱✧✦ ⊱⊰ ⊶⊷✫✶
Fale com o autor