Notas iniciais
Boa Leitura!

Harry estava preocupado com a garota adormecida ao seu lado, havia sido uma surpresa para ela assim que soube. Na verdade era difícil de acreditar que uma coisa dessas existia, por um instante fechou os olhos e depois os abriu na esperança de tudo não passar de um sonho, mas infelizmente não era.

O dia havia sido chuvoso, após chover a manhã toda houve uma trégua a tarde, foi nesse momento que saíram a procura de comida. Charlotte estava mais calma, mas Harry podia ver que ainda continuava um pouco abalada com toda aquela situação.

Agora, a noite estava pairando lá fora, podia ouvir o piar de uma coruja, os galhos das árvores balançando, o vento soprando de leve em meio as frestas da casa onde estavam desde cedo.

Harry estava sem sono, os pensamentos fervilhavam sua mente, estava entre a cruz e a espada definitivamente. Continuava deitado, olhando para o telhado com os braços cruzados atrás da cabeça. Depois de algum tempo acabou adormecendo.

Assim que amanheceu, Harry que já estava em pé, pois não havia conseguido dormir direito a noite, resolveu pegar algumas frutas para comerem. Quando voltou encontrou Charlotte acordada, ela o saudou com um bom dia, estavam comendo algumas frutas quando do nada perguntou:

— Vamos tentar achar uma forma de sair desse lugar? – suspirou. – Pelo jeito temos muitas coisas para fazer...

— Tudo bem. – arrumou as coisas na mochila, colocou algumas frutas também, de fato o rapaz havia se surpreendido com a pergunta repentina da garota. Na verdade não esperava tal atitude dela. Mas, por fim sentiu-se um pouco aliviado, afinal ela começara a entender...

— Harry, – teve os pensamentos interrompidos. – você está bem?

— Ah! Sim, estava distraído, apenas. – sorriu de leve.

Charlotte apenas acenou com a cabeça, saíram daquela casa e rumaram por entre a mata, em direção ao leste, não sabiam onde iriam parar, mas precisaram escolher uma direção. Dividiram o tempo entre caminhar e descansar, conversaram sobre várias coisas, riram bastante sobre outras. O caminho de fato estava sendo mais descontraído do que o esperado.

— Pelo jeito ainda estamos longe. – disse. – Ma ainda não tem sinal! – olhava para o celular. – O seu tem?

— Hum... – murmurou enquanto olhava. – Também não tenho.

...

O tempo foi passando, ambos continuavam na floresta, em algum momento perderam um bom tempo ao andar em círculos, após mais algum tempo puderam observar melhor a passagem do tempo, pois era visível o sol já bem centralizado no céu. Mas mesmo assim continuaram até notarem que mais a frente a mata ia ficando menos densa, não demorou muito para enfim enxergarem algo nova, uma choupana era visível ao longe. A medida que iam se aproximando viram que da chaminé saia fumaça.

Assim que chegaram a clareira onde ficava a choupana não viram ninguém do lado de fora, mas a porta estava entre aberta, chamaram, mas não tiveram resposta, então resolveram entrar.

Quando entraram encontraram um ambiente simples, era um casa de chão batido, tinha uma mesa de madeira, duas cadeiras, uma porta com uma espécie de cortina rasgada no lugar da porta, não entraram, mas deduziram que seria um quarto. Mais adiante tinha uma espécie de fogão a lenha feito de barro .

Tudo ali era antigo, nunca tinham visto nada daquilo, a não ser em fotos de livros ou em documentários na televisão.

— Quem são vocês? – escutaram. Ao virarem-se em direção a voz deram de cara com um homem, vestia roupas surradas, levava um chapéu velho na cabeça e tinha um machado em mãos.

Assim que o homem bateu os olhos na garota, derrubou um palito que tinha entre os lábios, sua expressão mostrava espanto, abria e fechava a boca, mas nada dizia estava com os olhos marejados e com a respiração pesada.

— O senhor está bem? – perguntou Harry pronto para ajudá-lo se necessário.

O velho nada respondeu ao rapaz apenas gaguejou ao tentar dizer:

— Cha... Char... Charlotte. – praticamente sussurrou.

O velho parecia que iria ter um piripaque, colocou o machado no chão, se apoiando no mesmo ao procurar manter o equilíbrio.

Harry foi até a mesa e trouxe uma das cadeiras, pôs perto do velho, o qual sentou-se, caso contrário, não aguentaria ficar em pé por muito tempo, estava pálido, respirava com dificuldade.

Charlotte pode ver que uma lágrima solitária rolava pela face daquele senhor maltrapilho. Sentiu um aperto no peito ao vê-lo naquele estado, então aproximou-se, se abaixando perto do velho senhor e sorrindo.

As lágrimas desciam rapidamente e escorriam na face sofrida daquele senhor. Em seus olhos não via mais espanto, apenas emoção.

— É você mesmo? – indagou baixinho. – É você Charlotte? – tornou a perguntar-lhe. – Seria possível? – disse incrédulo.

A garota paralisou ao ouvi-lo, não havia dado importância na primeira vez em que o velho tinha falado, pois pensou que havia escutado errado, mas agora tinha a total certeza de que ele falou o seu nome. Na verdade ele parecia a conhecer, embora não soubesse de onde. Mas a garota havia sentido uma certa simpatia naquele velho senhor, embora não entendesse o por quê.

Harry que estava a poucos metros presenciava tudo atentamente, não deixando passar nenhum detalhe, na verdade achava muito estranho tudo aquilo. Mas sabia que coisas ainda mais estranhas estavam por vir...