História Vazia
1 História Vazia
No interior de algum lugar, vivia X.
X é uma garota. Ela não vê muito futuro para sua vida, seus pais só querem saber de bebidas e churrasco na laje e pouco se fodem pra ela. Pode-se dizer que ela está apenas ali, largada, sobrevivendo mesmo sem saber o porquê, e ao mesmo tempo não consegue ter aquele impulso para se matar. Ela apenas vive, sobrevive, digamos assim, ela sobrevive no lugarzinho afastado da capital que ela mora com seus pais e foi criada desde que ela se conhece como pessoa.
É uma vida tão insossa, que vemos em seu corpo o resultado. Ele está bem longe dos padrões de beleza que alguém faria uma homenagem a ela. É gorda, seu rosto é oleoso, tudo decorrente de uma dieta que tem mais gorduras do que outra coisa. Provavelmente pro que ela diz “para não chegar a velhice”. A ideia de ser idosa não a agrada, que só queria estar morta de uma vez.
X na verdade é o seu apelido ganho quando ela ainda estudava, é X por ela ser uma incógnita, ninguém a entende, ninguém sabe o que ela quer da vida, e na época que o vazio interior dela crescia numa velocidade gigantesca, algum engraçadinho de sua turma de colégio achou que seria legal chamá-la de X, não só por ser curto como quando tentavam conversar com ela e nada conseguia fluir, mas por na época todos na turma de X estudarem problemas para descobrir o X. E assim surgiu a analogia, X = Incógnita = Nossa protagonista de 85kg.
Vale citar que cada vez que o vazio dela cresceu, além de ficar mais gorda, piores as notas dela ficavam, apesar de não ser burra, não havia mais motivação em sua mente para algo, então ela só fingia que ia pra escola, mas na realidade ficava é só num canto parada, num local abandonado a alguns km de onde ela estudava e apenas ficava em seu notebook, que ela ganhara por passar num Ensino Médio Público Técnico, daqueles que você precisa prestar prova e tentar a sorte, ela apenas ficava olhando coisas, assistindo, ao invés de estudar, ela nem queria mais ir às aulas, o resultado disso foi que ela acabou sendo expulsa, já que nas poucas vezes que ia, arrumava confusão e suas notas eram horríveis. Terminou num público qualquer que apenas fingia-se estudar, e que ela ia na mesma, só fingiu e quando terminou pode-se dizer que terminou, não houve tentativa de entrar na faculdade, apenas fez o que já fazia: Porra Nenhuma.
Ela vai de bicos em bicos, e o mais recente é um num festival de cinema que ocorria em sua cidade. Esse festival era um projeto da prefeitura de onde ela mora para revitalizar o tal local abandonado que ficava perto de onde X estudava e matava aula. O investimento foi tanto que chamaram até mesmo atores meia boca, mas que tinham certa popularidade para chamar o público local e de cidades vizinhas.
Esse evento era basicamente ao ar livre e com alguns galpões onde os filmes eram exibidos e em alguns deles tinham os atores meia boca para fazer um deleite do público comum.
Numa das entradas estava X, com aquela mesma cara vazia de sempre e do seu lado uma garrafa de um suco que ela devia oferecer a todos que apresentarem os ingressos e entrarem. Apesar de tudo, X não queria que aquilo acabasse, não porque gostava, mas por passar pouco tempo em casa, o que a agradava muito. X por ser do jeito que é virou o desgosto da família, a ponto dela meramente ter um teto e cama apenas por obrigação da família. Já que pelo seu pai, ela estaria na rua há muito tempo para aprender a ser gente, mas por ser uma cidade pequena e eles serem influentes, havia aparências a se manter, logo era mais vantajoso ouvir as críticas por X ser do jeito que é, uma NEET que só faz bicos, às criticas de alguém que expulsou a própria filha de casa. Seu pai que seus negócios ultrapassam facilmente os limites geográficos da cidade, preferia claramente a segunda opção. Logo podemos dizer que X apenas vive na casa deles, mas que não existe nenhuma relação afetuosa de carinho e amor.
Havia passado há pouco a hora do almoço, uma sessão já iria começar, e logo haveria as tais pessoas para atender. X não via a hora de fazer tal serviço tão tedioso que era ter que ficar checando os ingressos. Pode-se dizer que se fosse o filme e a data batesse, você entraria fácil na sala, mesmo que tenha comprado uma meia sem ter direito a ela, já que ela pouco se importa. A fila passou e logo surgiu uma pessoa ingrata.
Essa pessoa ingrata é Y, Y é um antigo colega de X, ele é a pessoa que fez X ser conhecida por X, ele era o brincalhão idiota da turma, aquele que ninguém sabe como a escola não expulsava ou como ele passava de ano. Aquele tipo de idiota que tem uma turminha, e que tem o ódio de metade da turma, você provavelmente deve identificar algum desse tipo, não é mera coincidência, já que toda turma de colégio tem um.
Ao lado de Y havia Z. Z era basicamente aquelas garotas bonitas mas sem conteúdo que todos adoravam fazer homenagens entre quatro paredes. Para definir de forma mais completa, pegue toda a descrição de X até agora, Z é totalmente o contrário. Se X é gorda e feia (e nada gostosa), Z é magra e linda (e totalmente gostosa).
O ponto de Y e Z é que eles estavam bem bêbados, e eles não não eram o tipo de bêbado bom, e sim aquele tipo que é péssimo.
Sem portar ingresso e querendo entrar, Y arrumava confusão e quando X pensava em chamar o segurança algo que a deixaria puta aconteceu. Z tentando impressionar seu namoradinho, deu-lhe uma bofetada forte na cara de X, que caiu no chão com o rosto vermelho. Mesmo sendo forte e alta, o tapa dado em X foi dado com bastante precisão e por ser algo inesperado, não era nenhuma surpresa que ela caíra no chão com o impacto.
Quando X se levantava do tapa, Y aplicou-lhe um chute na barriga de X, que estava quase em posição de quatro ao tentar levantar. Naquele momento, X mandou um foda-se para a possibilidade de chamar o segurança do local. Ela decidiu que aquele momento seria a vingança pessoal dela por toda a encheção de saco que ela teve de Y. No momento, nada mais se passava na mente de X além do desejo de arrebentar com Y e Z. Os dois metidinhos a besta mereciam apanhar (segundo a moral de X) e ela não podia deixar barato.
Z não estava tão bêbada quanto Y, e naquele momento ela notará algo e quando pensou em sugerir algo, usando uma força gigantesca, X moveu sua pesada massa em uma velocidade incrível e apanhou Y. Y bêbado como estava, conseguiu fazer nada além de começar a tomar a sequência de socos que deixaria qualquer Ora, ora no chinelo.
Vendo seu namorado apanhar sem dó, Z puxou em sua bolsa um estilete que ela tinha para proteção, caso algum idiota resolvesse que era uma boa ideia aproveitar seu corpo.
O estilete que logo fora apontado para X e que em sequência cortou seu rosto num golpe de aviso serviu apenas para isso: Fazer o corte, que por sinal foram 3. Já que a parte do aviso foi dar uma volta, já que X enfurecida não viu como um aviso, e sim como mais um motivo para bater naquele lindo rostinho branquelo.
X logo desferiu uma joelhada em Z que teve em sua sequência um soco que foi aplicada tamanha força que talvez nem uma semana o inchaço passaria (quando na realidade alguns dentes fora quebrados).
Quando o terceiro golpe por parte de X ia ser aplicado, Y logo tentou dar uma chave de braço no pescoço dela para tentar parar aquilo que ele mesmo tinha começado. Mas foi inútil, já que ele esqueceu de um detalhe bastante importante: X era gorda, e em suas brigas antigas ela sempre soube usar isso ao seu favor, e dessa vez é claro que não foi diferente.
X jogou seu peso para trás e enquanto Y perdia o equilíbrio, com seu braço esquerdo, X aplicou-se uma cotovelada nas costelas. Que é claro, ele não resistiu e cedeu, dando fim a chave que ele tentará aplicar.
Z rapidamente recobrou a consciência e viu o estilete ao seu lado, sem demorar ela o pegou novamente e partiu para o ataque. Por ser uma patricinha sem noção de luta, foi fácil para X desviar dos golpes que eram desferidos.
Sem problema algum, X quebrou a mão que Z segurava o estilete e aplicou-se uma cabeça bem dada, que deixaria outra marca no rostinho bonito de Z (seu nariz se quebrou, e assim ela deu adeus a revista que ela tiraria fotos em breve para o inicio de sua carreira de modelo, já que esconder o rosto marcado era fácil, o nariz quebrado bem mais complicado). Z, naquele momento, caía no chão agora finalmente finalizada.
Mas por algum motivo que ultrapassa a razão, Y ainda consegui lutar e conseguiu pegar o estilete caído, que logo foi aplicado como uma injeção na perna de X. Obviamente doeu, e quando X ia aplicar o último golpe, um segurança que estava próximo quando ela gritou de dor apareceu e deu fim a briga.
Todos os três foram parar na polícia, e é claro que X foi dispensada do bico que ela tinha no festival. Como era o primeiro dia, ela recebera nenhum centavo. Tudo que ela ganhou forá suas mãos quebradas e sua perna machucada com o estilete.
No dia seguinte foi tudo explicado o que aconteceu, Y e Z haviam visto de longe X ali trabalhando, quando querendo ser zoeiros, apostaram com W, um amigo de faculdade de Y e Z que conseguiriam bater fácil em X.
W que na hora que o segurança apareceu foi visto gravando toda a briga entre os três, por ser de dia ficou fácil mesmo que ela tenha corrido quase que de forma instantânea, mas como cidade pequena todos se conhecem, tudo foi explicado. Porém, como Y e Z tinham famílias mais poderosas que a de X, Y e Z foram liberados sob fiança e X foi presa.
Antes de ser chamado a polícia, W chegou a fazer o upload da briga na internet, que rapidamente se tornou um viral, ainda mais pelo título que foi posto “Gordona mete a porrada em dois riquinhos”.
O vídeo logo foi deletado, mas já era tarde, a viralização já havia ocorrido e chegou a uma pessoa que logo foi até a cidade impressionado com as habilidades de luta de X.
Nesse meio tempo, X foi liberada do hospital e transferida para a prisão.
X que naquele momento se encontrava na solitária por brigar com outra prisioneira foi chamada para conversar com o homem.
O homem que aqui chamaremos de Q, era um produtor de lutas bastante conhecido no meio, ele fizera alguns testes antes em busca de uma lutadora para lançar como a primeira de sua empresa. Mas nenhuma havia agradado tanto quanto X, ele viu um potencial gigantesco dando sopa ali, e ele não podia tardar para agir.
Ao chegar a prisão, X se recusou a lutar novamente. Segundo ela própria, ela não serve para lutar, e aquilo tudo foi feito num momento de puro ódio, e de qualquer forma ela estava presa.
Porém X não sendo ligada ao mundo das lutas, simplesmente esqueceu de avaliar a possibilidade de ele ser uma pessoa influente e que ao contrário dos pais dela que já declararam que fariam nada, ele podia soltá-la.
E foi isso o que aconteceu, usando seus contatos, ele conseguiu na justiça que a prisão dela fosse anulada por ser tratar de legítima defesa (e realmente era, só não foi antes por ter acontecido subornos aos juízes para isso ser ignorado, já que os pais de Y e Z nunca admitiram a merda que seus filhos fizeram).
Ao ser solta e decidida a não voltar a seus pais (afinal, quem não passaria a odiar pessoas que simplesmente decidiram que não valia a pena lutar para soltá-la, e ainda essas pessoas sendo seus pais), X embarcou com Q na jornada para se tornar uma lutadora. De uma briga sem sentido, X ganhou uma chance aleatória e iniciou sua jornada.
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