História De Amor

15 Assuntos Familiares


Notas iniciais
Bem pessoal, espero que gostem do capítulo. Sugestões e criticas são bem vindas. Boa leitura. Beijinhos.

E agora? Será que estou preparado? E se for cedo demais? Eu não quero parecer fácil, não quero que ele pense que sou qualquer um. Pelo contrário, quero que ele venha até mim, desejo seu respeito e sua admiração. Não sei se esse é o correto, mas essa sensação e esse desejo tomam conta do meu corpo, eu realmente quero, mas não sei se devo, não sei se estou preparado. Afinal, ele conseguiu tirar minha camiseta, mas com certo esforço. Posso sentir o seu corpo junto ao meu como nunca havia sentido antes, a intensidade dos beijos, o calor que emana de ambos, poderia ser agora. Contudo, sempre imaginei a minha primeira vez com uma pessoa especial e essa meta eu já conquistei, e também de uma maneira mais romântica, não tão afobada como está acontecendo.

Será que eu digo que não estou pronto? Porque isso cortaria o clima completamente e Hyoga parece estar preparado para o que pode acontecer. Na verdade penso que ele até esperou demais a julgar pelas suas ações na cama, enquanto estou a pensar ele continua a me beijar e a puxar minhas calças, deitando-se por cima de mim, entre carinhos e afagos. Até mesmo consigo sentir o seu membro em minha perna, isso é muito excitante, eu quero, mas não consigo.

–Hyoga. -chamei sua atenção, o afastando carinhosamente.

–O que foi Shun? -pergunta intrigado com a minha ação.

–É... que eu não sei se... -começo a me explicar e logo de cara ele entende o recado.

–Tudo bem. Me desculpa, eu devo ter te deixado apavorado com a maneira que avancei sobre você. — ele novamente deita por cima de mim, beijando suavemente meus lábios, continuamos assim por alguns minutos.

Novamente nos ajeitamos na minha estreita cama e eu acabo por deitar no seu peito, ouvindo seu coração acelerado, um pouco envergonhado. Faz um leve carinho em meus cabelos, beijando minha cabeça, falando que eu não precisava ficar acanhado, pois nunca faria nada que eu não quisesse. Dito essas palavras levanto a cabeça e dou um selinho de boa noite nele. Finjo dormir primeiro e aos poucos percebo que ele pegou no sono, então abro os olhos e apenas com a luz que vinha de fora pude admirar o seu rosto com aquela expressão serena, parecia um anjo, o meu anjo. Hyoga pode não fazer ideia, mas ele esta me ajudando a encontrar a luz no final do túnel. Há muito tempo eu não sentia essa felicidade, esse desejo de viver, mas eu não quero criar muitas esperanças, pois todo o "Olá" termina com um "Adeus". Enfim, é melhor não ficar pensando demais, o abraço mais forte e finalmente fecho os olhos para dormir, mesmo que não precise mais estar adormecido para sonhar.

Do lado de fora do quarto Ikki espiava pela fechadura, não conseguia ver direito, mas havia escutado o que seu irmão disse, deixando-o mais tranquilo, porém para ele a noite estava perdida. Sua vontade era entrar e fazer o circo pegar fogo, expulsar Hyoga a pontapés, quase o fez, chegou até mesmo a virar a maçaneta para entrar, mas lembrou do outro dia quando resolveu que faria o melhor para Shun e se tomasse essa atitude só o constrangeria. Cansado de ver seu irmão chorar, não fez nada, mas permaneceu um longo tempo no corredor para ter a garantia que estavam dormindo e não tentariam mais nada. Pela primeira vez Ikki agiu racionalmente, não se deixou levar pelos instintos, manteve a calma, depois de esmurrar feito louco o chão.

Pensou em alguma maneira de relaxar, desceu e tomou alguns copos de whisky, refletindo sobre o que teria feito se os dois continuassem, sabia que não era errado, mas nunca teve uma conversa sobre sexo com Shun, o que poderia deixar o garoto mais propenso a esquecer de usar proteção, a confiar em todos e também se deixar levar pelas atitudes alheias. Sobretudo pelo fato do mais novo ser muito inexperiente.

O mais velho larga o copo em cima da mesinha, passando as mãos no rosto e bagunçando o cabelo. Joga a cabeça para trás, ainda pensativo e um pouco perturbado pelo que tinha visto. Nada a ver por ser dois meninos, mas sim por não aceitar e nem acreditar que o caçula já começava a construir seu caminho, dar os primeiros passos, começar a crescer e formar opiniões mais sólidas e se sentir mais confiante.

A bebida começa a surtir efeito, o deixando sonolento, fazendo com que Ikki apague ali mesmo no sofá.

NO DIA SEGUINTE:

–Ikki. –chamei por meu irmão, tocando em seu braço para acordá-lo. –Ikki, você ta bem? –questiono ao ver a garrafa de bebida quase vazia ali perto.

–Ãnh. –gemeu, provavelmente pela ressaca. –To bem. –respondeu esfregando os olhos.

–Mano por que você bebeu tanto? –digo chateado, odeio quando ele começa a beber.

–Shun, o Hyoga ainda ta por ai? –resmungou voltando o seu olhar para mim.

–Não, ele já foi faz tempo. –sabia que meu irmão poderia ter nos visto e quando o vi dormindo no sofá, tive certeza.

–Que horas são? –pergunta confuso.

–Uma hora da tarde. –respondo sentando na poltrona.

–Nossa, dormi tudo isso. Por que não me acordou antes?

–Eu tentei, mas você só murmurava, virava para o lado e dormia de novo. –explico sobre todas minhas tentativas falhas.

–Shun você ta bravo comigo não é?

–Não mano, só não gosto quando você bebe.

–Temos que conversar. –fala seriamente, trocando de assunto.

–Eu sei, mas antes vai tomar um banho. Vou fazer algo para você comer. –digo levantando da poltrona, indo em direção a cozinha.

Escuto os passos de meu irmão subindo as escadas, eu sei que provavelmente vem bronca por ai. E para ele ter bebido como bebeu noite passada, só pode ter nos visto e como estávamos ocupados demais, nem percebemos sua presença.

Faço um sanduíche de atum, o seu favorito, acompanhado de suco de limão, que ele também adora, afinal de contas quero adoçar um pouco ele antes dele começar a brigar. O espero na cozinha sentado a mesa, balançando os pés demonstrando meu nervosismo. Passam-se mais ou menos trinta minutos e vejo ele entrar, continuava muito sério e não parava de me encarar, escorou-se na bancada e me chamou.

–Shun!

–Ikki.

–Você sabe bem o que temos de conversar não é mesmo? –pergunta em um tom quase irônico.

–Eu sei sim. –respondo abaixando a cabeça de vergonha.

–Você sabe que fez errado não é mesmo? –continua a me questionar, como se eu fosse uma criança pequena.

–Mas Ikki... –tento explicar.

–É minha vez de falar. –me repreende, fazendo com o que eu não diga mais nenhuma palavra. -Shun eu não te reconheço mais. –balança a cabeça negativamente, respirando fundo continua a falar. -Eu tenho me perguntando onde esta o meu irmão doce e inocente? Eu aceito o fato de você estar crescendo e tudo mais, mas ontem passou dos limites. Não tem problema algum você trazer seu namorado aqui, não gosto dele, mas você não me avisou que ele viria posar aqui em casa. Realmente não gostei dos terem dormido juntos e sim isso é puro ciúme e cuidado meu. –meu irmão tem toda a razão, não medi as consequências de minhas ações, mereço o que estou ouvindo.

–Me perdoa irmão, eu só... –tento me desculpar, já com os olhos marejados, mas novamente sou interrompido por ele.

–Você “só” quase transou com o Hyoga, e se tivessem feito com certeza seria sem proteção, porquê você não tem preservativo e aposto como ele também não tinha. –diz demonstrando grande preocupação.

–Mas mano eu sou... –em vão, tento contestar novamente.

–Virgem. Sim, eu sei. Mas me diz, aquele loiro de farmácia também é? A julgar pelo jeito que ele te agarrou posso dizer que das duas uma: ou ele tem assistido muito vídeo pornô e tocado punheta ou então ele não é mais tão virgem quanto você pensa. Shun você precisa tomar cuidado, ele respeitou sua vontade. Ponto para aquele macarrão sem molho. Mas e se fosse outro que quisesse investir e seguir em frente? Tem um mundo de tarados por ai e eu te conheço é difícil você dizer não meu irmão. Não falo isso para te magoar, mas é a pura verdade. Daqui para frente, quando quiser trazer o Hyoga, vai ter que me avisar e ele vai dormir no sofá cama, na sala.

–Ikki...

–E não é só isso, o Hyoga pode não ser o seu único parceiro para a vida toda, ninguém garante que você não tenha uma aventura daqui a algum tempo e se prevenir é importante, você não engravida, mas não esta livre das doenças. Você é esperto e sabe que elas podem levar a morte e algumas nem mesmo tem cura, apenas se pode controlar.

–Eu não pensei nisso... –afirmo começando a chorar.

–Não pensamos em nada nesse momento, por isso já temos que ter bem firme em mente tudo isso. E eu não entrei no quarto por respeito a você, não quis te constranger, até mesmo porque você pediu para parar. Agora se tivessem prosseguido, eu sinceramente não sei qual seria a minha reação, então não me critique se eu bebi como fiz, eu precisei, depois de ouvir meu irmãozinho gemendo nos braços daquele cara. Me senti intimidado, por isso digo que você me desrespeitou.

–Me desculpa. –peço perdão aos prantos, morrendo de vergonha.

–Vem cá. –fala abrindo os braços para me abraçar. -Não chora. Só quero que você seja mais aberto comigo. Você é muito emotivo Shun, pensei que falaria comigo quando encontrasse a pessoa certa para se entregar. Você só tem uma primeira vez, é um momento de grande intimidade, então pense bem, às vezes os sentimentos podem falar muito mais alto do que a razão. –ao terminar me abraça apertado, ficamos assim por vários minutos. –Agora vou comer aquele sanduíche que você fez, ele já ta me chamando. –disse se soltando do abraço, indo em direção ao lanche.

–Mano eu vou subir para o quarto. Estudar um pouco. –digo vendo ele com a boca cheia, apenas fazendo sinal positivo para mim.

Abro a porta e começo a pegar meus livros e cadernos, os jogando em cima da cama, abro o de literatura e começo meus estudos, afinal essa é a minha maneira de relaxar e depois de tudo que meu irmão me disse, eu preciso mesmo começar a deixar de agir como uma criança e parar de tomar atitudes no impulso. Mas enfim, agora é hora de aprender os diferentes tipos de figuras de linguagem.

CASA DE HYOGA:

–Enquanto você viver sobre o meu teto, vai ter que obedecer as minhas regras. –gritava Camus com o filho mais novo.

–Como se você se importasse muito com o que eu faço, ou deixo de fazer. Tira essa máscara de bom pai. –berrava o loiro com o pai.

–Eu sempre me importei. Se não importasse não teria mais de quarenta chamadas perdidas no seu telefone. –retrucava o homem, seguindo Hyoga pela sala.

–Isso é medo que você tem de se sentir culpado. Não que você se importe com alguém que não seja você, só não quer mais peso em cima dos seus ombros. –dizia Hyoga entrando na cozinha.

–Mais peso do que eu carrego por meu filho me odiar? –pergunta Camus entristecido.

–Dá para parar de me seguir, eu só quero tomar água e ir para o meu quarto. –pediu o russo pegando um copo e servindo água.

–E eu só quero saber onde você passou a noite? –insiste o adulto.

–Em algum lugar que não te diz respeito. –responde indo para o seu canto da casa.

–Hyoga já chega, você esta de castigo, vai imediatamente para o seu quarto e de hoje em diante só vai de casa para a escola e da escola para casa. – repreende em voz alta, demonstrando irritação.

–Eu já sou castigado. Porque todos os dias tenho que te ver e ouvir sua voz. –resmungou seriamente, entrando no quarto em seguida.

A porta bate forte e assim que Camus tem certeza que o filho não vai sair de lá, senta na guarda do sofá. Chorando e se perguntando se um dia as coisas vão mudar, ele conhece o motivo da raiva que Hyoga tem por ele, mas já não encontrar mais forças e nem mesmo alternativas para fazer seu filho o amar como antes. Até mesmo trocou de país para que tudo voltasse para o lugar, mas pouco mudou, pois o loiro jamais deixou a tragédia se apagar por completo.

–Calma pai. Hyoga sempre foi assim, é melhor não se abalar dessa maneira. –diz Isaak pousando sua mão sobre o ombro do pai, o consolando.

Dentro do quarto Hyoga encontrava-se sentado no chão, escorado na cama, deixando as lágrimas escorrerem pelas suas bochechas. Brigar com seu pai nunca lhe fazia bem, mas o considerava culpado, porém não conseguia tratá-lo melhor do que aquilo. Então acaba mudando sua linha de pensamentos, abrindo um pequeno sorriso ao pensar em Shun.

CASA DE SAORI

–Saori anda depressa, eu não aguento mais esperar. –reclamava a loira sentada na cama da garota, apertando um dos seus bichinhos de pelúcia.

–Já estou pronta. Vamos? –fala saindo do seu closet.

–Vamos. Por que você demorou tanto? Nós vamos devolver a cesta para o Hyoga, não encontrar com o Seiya lembra? –provocou a amiga, sabia o quanto ela se sentia incomodada ao falar do colega.

–Por que você sempre menciona o Seiya em nossas conversas? –pergunta Saori indignada.

–Porque é divertido quando você se irrita ao falar dele. –responde sorrindo, levantando da cama com a cesta na mão.

–Não é engraçado me deixar chateada. –rebate o comentário vindo de June.

–Então você admite que fica mexida quando eu falo dele. –continua com o assunto que não agradava a outra.

–June vamos logo! Você não estava com pressa? –diz Saori puxando a menina pelo braço.

–Ai ta bem, não ta mais aqui quem falou. –fala enquanto é arrastada para fora do cômodo.

–A propósito você sabe onde ele mora não é mesmo? –questiona Saori.

–Sim eu sei, é numa casa enorme, com muros bem altos e um portão azul, duas quadras abaixo da minha. –explica para a amiga.

–Não sabia que eram quase vizinhos. –diz pegando o telefone.

–Eu acho que ele nem sabe que moramos no mesmo bairro. –resmunga, pegando um porta retrato com a foto de Saori e seu avó.

–Como assim? –pergunta discando um número.

–Eu vi ele saindo de lá um dia desses, só pode morar ali. –responde soltando o objeto no lugar.

–Mas só porque você viu ele saindo, não significa que mora lá. –retruca.

–Enfim, se ele não mora lá, alguém que mora o conhece e nós perguntamos o endereço. –diz sorrindo.

–Só você mesmo. –responde rindo da amiga.

–O que ta fazendo?

–Chamando o motorista.

–Nada disso, vamos como pessoas normais, caminhando. E você ta precisando. Porque ta meio inchadinha, ta naqueles dias? –diz passando a mão nas curvas da garota.

–June vamos de uma vez. –puxava ela para fora novamente.

A mansão de Saori não era muito longe dali, em quinze minutos já se encontravam tocando a campainha da residência que pensavam ser do loiro.

–June se essa não for a casa dele eu te mato. –fala para a loira.

–Relaxa. Vamos seguir o meu plano, além do mais, ele nunca comentou nada com a gente sobre onde mora e sobre quem mora com ele. –diz intrigada.

–Nisso você tem razão ele é bem fechado. –concorda apertando a campainha de novo.

–To escutando barulho de chaves. Acho que vão nos atender.

As duas continuam conversando, enquanto a pessoa do outro lado abre o portão.

–Olá meninas. No que posso ajudá-las? –cumprimenta educadamente ao ver as duas.

–Diretor Camus! –exclamam as duas surpresas.

Continua...

Notas finais
Obrigada pela leitura, beijinhos :3