História Akatsuki No Yona: A Escama do Desejo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Depois do último passeio pela cidade, Yun ganhou de brinde uma pequena estrutura rosa, que parecia uma concha ou uma escama. Ao chegar no acampamento foi ler as instruções, mas Jae-Ha, apreçado, decidiu que seria um belo pingente feminino e foi em direção a moça ruiva. Yun terminou de ler e explicou ao grupo que se tratava de uma porção do amor, ou seja, uma espécie de afrodisíaco, chamada de escama de Hakuryuu. Jae-Ha estava a ponto de presentear Yona com aquela pequena estrutura brilhante, quando foi alertado pelo mais jovem, tomando rapidamente das mãos da princesa, que ficou confusa. Kija ainda não havia compreendido a seriedade da situação e brigou com o irmão por ter pego de volta algo que estava dando à princesa. — Devolva já isso à ela! — Disse enquanto mostrava as garras. Yona voltou à floresta para treinar mais um pouco quando percebeu que os demais a estavam evitando. - Querido Kija… — Respondeu aproximando-se – Você sabe o que é isso? É algo que faria a nossa amada mestra querer o seu carinho bem de perto! Você não sente vontade de tê-la em seus braços? — Cochichou no ouvido do rapaz, que sentiu o corpo todo estremecer e negou diversas vezes envergonhado. — Não, não! Jamais eu faria algo assim com a minha mestra! Isso é impensável! — Nem se ela quisesse? — Perguntou maldosamente, enquanto se inclinava em seu ouvido, encabulando ainda mais o menor. E por fim concluiu – Hahaha estou só brincando contigo! Não leve tudo tão a sério! — Hak observava de longe, mas sem muito interesse. Após descobrirem o que aquela escama fazia, ficaram um pouco receosos do que poderiam fazer com ela!
Jae-Ha lambeu levemente a escama pra surpresa de todos que estavam ao redor! E disse ter um gosto doce, como algodão doce. Após uns minutos pôs a mão no peito e gritou de forma abafada, caindo de joelhos no chão. Kija, preocupado, foi acudir o irmão dragão que parecia desnorteado. Quando o viu acordar de olhos arregalados, sentiu uma mão em são rosto e viu o sorriso malicioso nos lábios dele. — Você está bem? Parece estranho! - Perguntou preocupado e recebeu como resposta um ataque que o pôs caído de costas para o chão e sentiu o hálito dele em seu pescoço. Ainda sem entender nada e com medo de que realmente fosse uma espécie de veneno, alertou-o de que Yun já estava preparando um antídoto. Sentiu seu corpo ser pressionado mais contra o chão e uma mão vasculhar por sobre a sua barriga, o que o fez ter um calafrio. — Hey, o que está fazendo?! Pare já com isso! — Repetia enquanto o rosto corava. – Estou só mostrando como me sinto! - Dizia entre os beijos que pregava na lateral do rosto do garoto – Eu odeio o sangue de dragão, odeio correntes, mas por alguma razão… Quando estou perto de você sinto como se estivesse em paz, como se não pudesse sair daqui. — Quando o calor da língua do maior passou pela sua orelha, Kija ralhou ferozmente, não estava gostando daquela brincadeira e ia partir pra briga se fosse necessário! — Não sabia que o olhos caídos era gay. — comentou Hak – Acho que ele não é! Pelo que li, a poção funciona apenas com a primeira pessoa que você vê. — Yun analisava a situação, tomando nota dos efeitos da estranha substância. — Eu mandei você sair! — Esticou as garras para o afastar, mas ele já estava saltando para longe enquanto dizia – Isso funciona mesmo, vou levar um pouco para Yona!
Pegou um copo com água e pôs a escama dentro. Enquanto pulava em direção a garota, quase foi acertado por uma flecha e, no susto, ela gritou, chamando a atenção de todos. Em poucos instantes todos os dragões estavam lá, enquanto Jae-Ha tentava explicar pra ela que não estava machucado. — Desculpe Jae-ha! Mesmo! Eu não queria te machucar! — Exclamava preocupada, o que deixou o rapaz com um sorriso nos lábios – Acalme-se Yona-chan! Haha, estou bem! Você está melhorando muito no arco! — Princesa — Ouviram Hak se aproximar – Que grito foi esse? — Após explicarem a situação, Yun pegou a escama das mãos dele e a confiscou. Todos foram para a barraca novamente, com exceção de Yona, que preferiu continuar treinando.
— Me perdoe por antes, ok? Apesar de ter exagerado um pouco, essa droga é realmente forte. Por um instante perdi completamente meu autocontrole. – disse ao irmão platinado, que ainda estava corado – Você me atacou! Seu pervertido! Vamos jogar isso fora! — Gritou Kija, mas, antes que pudesse fazer isso, foi interrompido por Yun, que tinha a intenção de conseguir um bom dinheiro vendendo a especiaria na feira da cidade. O copo ficou sobre a mesa improvisada na cabana e todos deixaram essa estranha experiência de lado, já que tinham muitos afazeres. Shin-ha e Hak treinavam batalha de espadas, Jae-Ha preparava o fogo e ajudava Yun na organização do jantar, já Zeno tentava caçar algo diferente no matagal próximo. Já de noite todos esperavam Yona para comer e descansar, estranhando a menina não ter voltado até aquela hora.
— Acho que deveríamos procurá-la – Disse Hak, recebendo um aceno de concordância dos seus parceiros. Yun e Zeno ficaram na barraca enquanto os outros a procuravam. Após um tempo de busca, decidiram retornar para ver se ela havia voltado e se surpreenderam com a cena que encontraram. Yona havia voltado exausta e sedenta, assim que chegou cumprimentou os dois amigos animada e Yun saiu para avisar os rapazes, enquanto Zeno reaquecia a comida. O que ninguém esperava era que ela tomaria aquele estranho líquido sobre a mesa. Quando viu a água meio rosada pensou que fosse algum chá medicinal de seu colega mais novo, que sempre preparava algo diferente para ela. Como estava longe durante os acontecimentos mais cedo, não fazia ideia do que se tratava e, quando os rapazes entraram novamente na tenda, já era tarde demais.
Observaram a moça de costas para eles, tomando as ultimas gotas da poção. Jae-ha sugou o ar espantado, todos ficaram tensos, Kija ia gritar para impedi-la, mas Hak tampou sua boca, para que não fosse a primeira pessoa que ela visse. Todos prenderam a respiração por um instante, observando preocupados a moça engasgar e pôr a mão sobre o peito com um gemido de dor, enquanto se desequilibrava. — Yun, que chá é esse? Me sinto meio… - Falou enquanto se reequilibrava sobre os pés, enquanto Zeno, preocupado com a saúde de sua mestra, corria para ajudá-la a se levantar. - Está bem senhorita? — Quando os olhos se encontraram a garota sentiu o rosto ferver, ficando vermelho como seu cabelo. Sua garganta secou de repente e ela perdeu a voz por um instante, tudo o que conseguia fazer era admirar aquele belo homem à sua frente.
— Yona-chan, aconteceu um engano! — Jae-ha tentou se aproximar dos dois, que não haviam desviado o olhar um do outro. - Você acabou tomando… Érm… Olha, talvez seja melhor você ir descansar um pouco na sua tenda! Não acha querida? — Enquanto falava ela não o olhou sequer uma vez, tinha sido hipnotizada pelo oceano azul do olhar de Zeno. Hak também tentou se intrometer, mas quando a moça levantou a mão, sinalizando que ele não avançasse mais, ele parou. Nunca a vira tão focada em alguém, quanto no velho rapaz. Kija tinha o rosto queimando de nervoso e ansiedade, cobrindo a boca com as mãos. Shin-ha tirou a máscara para enxergar melhor, queria ter certeza que a princesa estava bem. Yun decidiu tomar nota do que acontecesse.
As primeiras palavras que saíram da boca da ruiva foram – Você está perfeito essa noite. — Dando um passo à frente, ficando mais próxima dele, mas sem que se encostassem. Jae-ha foi para trás, ao lado de seus companheiros que estavam perplexos em ver a menina flertando pela primeira vez. O loiro se encabulou um pouco, levando a mão direita em direção ao rosto para tampá-lo – Zeno não sabe lidar com elogio senhorita! - Arregalou os olhos ao perceber que a moça dera mais um passo em sua direção, sentindo, ainda que levemente, a respiração dela sobre seu rosto. Corou com o toque da mão esquerda dela sobre a que estava sobre seu rosto, abaixando-a lentamente para expor melhor sua face. — Não seja tímido. Deixe eu te ver um pouco mais. — Senhorita… Você não parece bem agora… Talvez seja descansar que nem o Jae-ha disse! Haha, você deve estar cansada! - Tentou mudar de assunto, sentindo o rosto corar gravemente, mas não se afastou, olhando para um ponto distante. Ela ainda segurava sua mão direita, ele sentia o peito palpitar com isso. Com o indicador direito, ela moveu o queixo dele da lateral para que ficasse reto com seu rosto, forçando-o, mesmo que delicadamente, a encará-la. Deu mais um passo a frente, ficando a poucos centímetros de distância da sua boca. Seus narizes praticamente se tocavam, o olhar não tremia. O dedo o acariciava levemente o queixo do rapaz, de forma convidativa. Ninguém ousava falar nada! Todos com os rostos vermelhos, ansiosos, nervosos, mas ao mesmo tempo excitados para ver o que iria acontecer. Seja lá o que estivesse acontecendo, era palpável o clima entre o casal.
Sentindo a mão tremer um pouco e ouvindo o próprio batimento cardíaco, tentou pela última vez alertar a garota, mas ao falar percebeu que o tom de sua voz não era mais o agudo e risonho de sempre, mas grave e intenso. — Senhorita… - Ela então rompeu o contato visual pela primeira vez, descendo o olhar para a boca rosada a sua frente — Eu te quero Zeno… — Sussurrou sobre os lábios do rapaz e se aproximou lentamente, até selar um beijo com ele. No primeiro momento foi apenas um selinho, mas intenso. Ainda sem abrirem os olhos, ela moveu um pouco para o lado a cabeça e continuou o beijo, sendo bem recebida pelo loiro. Era lento, delicado, e deixava ambos fervendo. Zeno então subiu a mão livre pelo braço dela, tão suave que quase não encostava, até o pequeno rosto de sua parceira, aprofundando o beijo, o que tirou um suspiro audível dela. Yona soltou as mãos entrelaçadas, levando ambas para o pescoço do parceiro, abraçando-o. Zeno aproveitou assim para também segurar a cintura dela. Sentiu então a pequena língua dela passar por sobre seu lábio inferior, pedindo permissão para entrar. Ela nunca havia beijado ninguém, como saberia o que fazer? Estava apenas seguindo seus instintos, mas pedia silenciosamente para que ele a guiasse. Ele abriu levemente a boca, encostando a língua na dela, o que deu um arrepio em ambos, inclusive nos expectadores. Com a permissão dada, o beijo foi ficando cada vez mais intenso e molhado, vez e outra roubando um suspiro ou um pequeno gemido de aprovação da ruiva. Kija ficou tão perplexo que sentiu as pernas enfraquecerem e, ao apoiar a mão numa mesinha, a fez cair, chamando a atenção de todos. O barulho trouxe Zeno de volta para a realidade, que num pulo assustado se afastou da menina e encarou os irmãos que não sabiam como reagir, senão devorar aquela cena.
Nervoso, falou – Senhorita… me perdoe! Eu… Eu não devia ter feito isso… — Sendo interrompido pelo indicador da menina sobre seus lábios. — Não tem o que desculpar! — Ela então levou uma das mãos aos cabelos dele, o que lhe deu arrepiou fortemente. Ela afastou uma mecha dourada, pondo-a atrás da orelha. - Não há nada de errado nisso. Você é meu, certo? Meu raio de sol… Meu dragão. — Questionou aproximando-se novamente. - Você… E eu… Somos partes um do outro. — Afirmou ainda acariciando seu cabelo. Ele que evitava olhar novamente para ela, se pegou a encarando novamente. Ela era como uma doce sedução. A moça então mostrou um olhar apreensivo e se afastou dele completamente, o que o deixou confuso – A menos que… Você não me queira… — Olhou-o preocupada, o que quebrou completamente a fina linha de autocontrole que ele ainda tinha. — Eu esperei 2000 anos por você… Como eu posso não te querer? — Surpreendeu-se com a própria sinceridade, mas se perdeu novamente quando ela atacou – Eu estou bem aqui Zeno… — Tomou a mão direita dele e pôs entre seus seios, para que ele pudesse sentir seu coração batendo forte. A sensação o atordoou completamente, só conseguindo se concentrar na maciez sob seu tato e na batida estonteante do coração de sua amada… Ele havia esperado tanto pelo seu mestre… E, ainda que não fosse o Hyriuu, sua alma estava ali, na pessoa que o encantava todos os dias desde que conhecera, no corpo de sua amada e secretamente desejada, Yona. Pensara que nunca amaria assim novamente, mas, como de costume, ela quebrava todas as suas expectativas. Sem que pudesse esperar nem mais um segundo, agarrou a moça em um beijo apaixonado, trazendo sua cabeça para perto com os dedos entrelaçados nos cabelos vermelhos que ele sempre amou, enquanto a outra mão lhe puxava a cintura, encostando seus corpos. Aquele roçar entre os dois era bom demais para pensar em qualquer outra coisa. Só sentira uma mulher tão próxima assim uma vez há centenas de anos, ainda mais agora, com a sua mestra.
A essa altura todos só faziam encarar o casal, com um desejo que nunca haviam experimentado antes. É verdade que o ciúmes era grande, não queriam que ninguém mais a tocasse, mas lá no fundo, o simples fato de vê-la daquela forma… Já era o bastante para se deliciarem. Após trocarem olhares entre si, decidiram sentar a certa distância, observando a cena. O loiro havia esperado tanto tempo que se perdeu em seus sentimentos, entregando-se completamente. Com as mãos segurou a parte traseira das coxas de Yona, levantando-a, enquanto ela entrelaçava as pernas ao redor de sua cintura. Nada mais importava. Ela o queria e ele a serviria no que quer que ela precisasse. Ela se assustou um pouco com a atitude do rapaz, prendendo-se ao seu pescoço, mas logo relaxou e voltou ao beijo apaixonado até sentir que ele a abaixava, deitando-a de costas no sofá improvisado que tinham no meio da tenda. Ele estava inclinado sobre ela, com uma mão levantando seu queixo e a outra ainda em sua coxa, que agora estava exposta, com a mudança de posição. Ao sentir a pele quente dela embaixo de si, Zeno afastou-se novamente, sentindo-se culpado por se deixar levar dessa forma. Olhou novamente os companheiros, que pareciam hipnotizados. Ele temia que estivessem cruzando uma linha no relacionamento de todos que nunca mais pudessem voltar atrás. – Desculpe senhorita — Disse tentando recuperar o fôlego – Não deveria te tratar assim… — Quando percebeu que ele pretendia levantar, ela alcançou seus combros com as mãos e num movimento rápido pôs-se sobre o seu colo, sentada, com as pernas ao redor dele. Isso o pegara de surpresa, tirando-lhe novamente o fôlego. Como reflexo ele a segurou pela cintura, estremecendo quando a sentiu se ajustar sobre seu colo, e as suas mãos novamente encontrarem seus cabelos. O beijo era perfeito, sincronizado, molhado e apaixonado. Essa mulher o enlouqueceria qualquer dia… Ainda preocupado com seus amigos, os olhou novamente, nada mudara neles, mas sentiu-se arrepiar ao ouvir a voz no pé do ouvido – Deixe eles verem… — Fechou os olhos e gemeu ao senti a língua dela sobre sua orelha, descendo pelo pescoço. Cada lugar que beijava deixava em chamas, o que o fez apertar a cintura dela para tentar não tocá-la de forma indevida, ainda que quisesse. Depois que voltaram a se beijar, não pode deixar de provocá-la um pouco também, fazendo conforme ela havia feito com ele. Após um longo tempo nesse gostoso romance, Yona sentiu uma estranha protuberância sob sua intimidade, não entendia muito bem o que era, mas sabia que precisava daquilo. Curiosa, roçou o quadril sobre o rapaz, arrancando um gemido agudo de ambos. Ele então desceu a mão direita para sobre a coxa dela, acariciando levemente. Ela arqueou as costas, levando os seios em direção a sua face. Antes que pudesse pensar, ele escorregou a mão da cintura para as costas, a abraçando, enquanto punha o rosto na maciez de seus seios, que arfavam a sua frente. Mesmo vestidos, ele se embriagou naquele cheiro feminino e mordeu seu pescoço, fazendo-a gemer alto com tantas investidas ao mesmo tempo. Tentando se controlar, voltou a atenção para a boca dela, pois sabia que se continuassem assim logo ela estaria sem roupa. Ela desatou o nó de seu kimono e o abriu, afastando-se um pouco para observar a reação do rapaz, que a olhava hipnotizado. Deixou deslizar a veste pelos seus ombros, ficando apenas com o curto vestido que usava de roupa íntima. Ele queria tê-la. Vê-la assim, expondo-se para ele... No que mais poderia pensar?! Sentiu o coração parar quando mão da moça desceu até o seu peito, desatando o nó do seu kimono, enquanto ela beijava seu pescoço e se movia, permitindo melhor acesso para sua mão descer até seu umbigo. Ela foi o explorando curiosa, descendo em direção a sua coxa e depois subindo novamente. Ele já estava tentando disfarçar a muito tempo a situação em sua calça, mas era praticamente impossível pensar agora. Apertou os olhos, ansiando o contato tão esperado, que não sentia a milênios. Estranhou a menina amolecer em seus braços, abraçando-a. Preocupado, a chamou — Yona… Yona? Senhorita? - Mas ao levantar o rosto dela, percebeu que ela adormecera. Ele então respirou fundo, retomando seu auto controle e riu consigo mesmo sobre o que acabara de acontecer. Ela se aninhara em seu colo, como uma criança. Ele a levantou e a levou para o futon da garota, cobrindo-a e dando-lhe na testa um beijo de boa noite. - Boa noite... Isso foi intenso demais pra senhorita, não foi? - Sorriu sozinho, ajeitando os cachos vermelhos ao redor de sua face, ainda corada.
Ao se virar para encarar os amigos, todos ficaram em silêncio por um momento. Era uma sensação estranha, um misto de inveja, admiração, ciúmes, desejo, ansiedade, excitação, ninguém sabia ao certo como agir. Jae-ha então olhou para Hak, chamando-lhe o nome preocupado, pois todos sabiam de seu amor pela princesa. — Se ela gostou… Está tudo bem por mim. Ela parecia… incrível antes. — Falou olhando para Zeno com olhos brilhantes, que lhe acenara com a cabeça em agradecimento aliviado. — E você olhos caídos? Sei que também alimenta sentimentos por ela… — Após um minuto de silêncio ele respondeu — Eu a amo… é verdade. Sei que não sou só eu. — Olhou para Kija, que desviara o olhar, ainda constrangido demais, e voltou a atenção para Hak – Mas… Ela é importante demais para eu me importar com algo assim. Foi… impagável vê-la assim. — Shin-ha concordou com a cabeça fortemente, tirando um riso abafado de quase todos. Zeno então pôs a mão sobre o ombro de Kija, que até agora era o mais perturbado de todos – É… errado… não é? — Perguntava inquieto e com os olhos marejados, completamente imerso em um conflito próprio – Me sentir assim… Por ela… Querê-la assim... — Olhou então para o irmão mais velho – Não é? Podemos fazer isso? — O medo de desonrar sua mestra era imenso demais para ser deixado de lado. O sentimento que alimentara por ela durante todos esses anos juntos fora abafado e enterrado no fundo de seu coração, com medo de ofendê-la. Não se considerava digno. Acalmou-se apenas quando Zeno se ajoelhou em sua frente e lhe deu aquele sorriso especial. — Ela não é só nossa mestra… É Yona. Ela é parte de nós. Nós tivemos uma relação parecida com o rei Hyriuu… — Assumiu tímido, tranquilizando o rapaz – Obrigada Zeno… — Pelo que? — Perguntou o loiro, confuso – Por cuidar dela. Ela parecia… feliz e confortável com você. — Recebeu então um abraço apertado, que tirou de vez suas ansiedades. — Tenha paciência irmãozinho! Quem sabe um dia chegue a sua hora de sentir o toque da nossa amada senhorita! — Após disfarçar o rosto corado novamente com a ideia de ter algo com a princesa, levantou-se e foi em direção ao seu futon dormir, assim como todos os outros. No final, ninguém jantou!
Na manhã seguinte todos estavam um poucos ansiosos com o que aconteceria a seguir. Será que o relacionamento de todos mudaria? Até que ponto poderiam se aproximar dela assim? Estariam a forçando? Está tudo bem eles terem esse tipo estranho de amor entre si? Todos se sentiam da mesma forma? O silêncio pairou quando a moça saiu da barraca com a barriga roncando, indo com tudo pra cima do café da manha. — Bom dia pessoal! Acordei faminta! — Disse entre uma bocada e outra. Ainda sem perceber o clima estranho, continuou conversando com Yun – Era de que aquele chá ontem? Depois que tomei me senti… Estranha. - Todos engoliram em seco, mas o pequeno respondeu. — Não se lembra do que aconteceu? — Hm… Lembro de sentir uma dor na boca do estômago logo depois de tomar. Acho que logo depois fui dormir! O treino foi pesado ontem! — Finalizou sorrindo. O pequeno tampou o rosto corado, decidindo não comentar sobre o que havia acontecido. - Enfim… como está se sentindo hoje? — Estou com toda a energia! Vou já treinar! — Finalizou a menina enquanto levantada, com um pedaço de pão ainda na boca. Cumprimentou os rapazes, que pareciam estranhamente quietos e foi em direção a floresta. - Bom dia senhorita! — Ouviu Zeno lhe chamar. — Bom dia! Dormiu bem? — Como um anjo! - Respondeu sorridente, agindo normalmente com a moça. O que lhe chamou atenção foi a marca roxa no pescoço do loiro. — O que é isso no seu pescoço? Se machucou? — Perguntou preocupada, o que roubou um riso abafado de todos seus colegas, deixando-a confusa e um pouco irritada, por não entender do que se tratava. Zeno então segurou sua mão, acalmando-a – Não é nada! Não se preocupe com isso! Agora vá treinar! — Ela saiu alegre e determinada a pegar um animal grande para o almoço. No final todos se entreolharam, certos de que o que havia acontecido seria um segredo íntimo e precioso do grupo.
Fale com o autor