História After You
21 Capítulo - Natal - Parte I
Notas iniciais
— O que tem meu presente? — Fala de olhos fechados.
— Amanha conversamos... – vestiu a camisola e se aconchegou nos braços do treinador. — Boa noite, amor...
— Boa noite minha ruiva... – logo os dois adormeceram.
*
O dia começa a amanhecer e a claridade acorda Claire. Estavam na mesma posição em que dormiram, permaneciam abraçados. A ruiva fica por alguns minutos o observando o ex-marinheiro dormir, parecia tão tranquilo o que a fez sorrir. Podia sentir as batidas calma do coração dele, estavam tão quentinhos ali que ela não tinha coragem de levantar. Mas precisava, era Natal e queria ajudar a Senhora Grady de alguma forma. Então, levantou com cautela para não acorda-lo, fez suas higienes matinais e se vestiu. E foi para cozinha.
— Bom dia... – sussurrou com um meio sorriso.
— Filha... Bom dia! Dormiu bem? – respondeu animada.
Ao ouvir a sogra chamá-la de "filha" sorriu. Lembrou de sua mãe e pode sentir seu coração aquecido. Vai até a mesa e senta observando a Tereza fazer o café da manhã.
— Sim, muito bem.
— E você e o cabeça dura do meu filho, estão bem? Porque depois de ontem com a reação dele ao falar de filhos, fiquei preocupada com você. – senta de frente para Claire.
— Depois daquela pequena discussão, não falamos mais disso. Na verdade, nunca falamos. – respira fundo.
— Filha...- segura a mão de Claire. — Procura atendê-lo, foi muito difícil para ele tudo o que aconteceu no passado. E fico imensamente feliz de ele estar amando novamente e serei sempre grata a você, por amar meu filho! Ele vai mudar de ideia. – sussurra.
Ao ouvir a mãe do loiro dizendo aquelas palavras, Claire sorriu genuinamente.
— Eu amo muito o seu filho. Quero poder superar nosso passado juntos, construir uma família com ele...seria incrível. — as duas sorriem.
Era por volta das nove da manhã, quando Owen resolveu sair da cama. Fazia muito frio e ele estava usando apenas a camisa e shorts. Os irmãos, tios, sobrinhos e primos iriam chegar em breve. Precisava se aprontar. Após tomar um banho quente, ter feito toda higiene necessária ele desce as escadas. Reconheceu vozes na cozinha, era a mãe e Claire conversando. Ficou feliz após confirmar que elas haviam se dado bem como pensara. Vai até o jardim, colhe algumas das flores do e retorna para o interior da casa, as encontrando na cozinha.
— Bom dia minhas mulheres...
— Bom Dia dorminhoco! – a ruiva pisca para ele, que sorri de canto.
— Bom dia meu filho! Acordou tarde hoje.
— Sim, isso é inédito...
Owen dá um beijo no rosto da mãe, aproxima de Claire e a beija da mesma forma.
— Do que estão falando? — Pergunta curioso enquanto enchia a boca de pão de milho.
— Sobre várias coisas... — sorri. — Inclusive vou ajudar a sua mãe a preparar a ceia.
— E desde quando você sabe cozinhar, amor? Nem ovo você frita. — sorriu e bebeu mais uma grande xícara de café.
— Sua mãe vai me ensinar. Pelo menos o básico. – sorri se sentindo orgulhosa por isso.
— Se depender dela, você vira a melhor cozinheira desse mundo. — a ofereceu um sorriso e as flores que ele havia escondido atrás dele. — São para você!
Claire o olha surpresa e com um lindo sorriso.
— Para mim? — estica a mão para pegar. — São lindas! Eu amei.
— Tão lindas e delicadas quanto você. — sussurra.
— Mais esse meu namorado é muito lindo! — o abraça forte. A mãe de Owen sorria com a cena. — Obrigada meu amor!
— Por nada. – a abraça, estava envergonhado pelo fato da mãe estar os olhando. — Mãe, vou levar a Claire para andar a cavalo depois. Hey... você já comeu amor?
— Já Sim, comi acompanhada da minha sogra. Vamos?... preciso falar com você também.
— Hmm... tudo bem. — termina de comer e se levanta.
— Não se atrasem para o almoço vocês dois, ouviram? — A senhora Grady dá o aviso.
Ao chegarem no quarto, a ruiva pega uma sacola de presentes.
— Amor...antes de entregar um dos seus presentes, quero dizer as condições. — senta com ele na cama.
— Presente Claire? Ainda nem é natal... que condições? – a encara.
— Seu presente será em 3 partes.... Para ganhar os 3 você não pode recusar nenhum. Se recusar algum fica sem nenhum e o último será após a meia noite. — sorri. — Aceita?
Owen a encarava, estava começando a ficar curioso.
— O que é? Não é nada caro, huh? Por favor... — hesitou um pouco e pensou antes de aceitar. — Tudo bem. Eu aceito.
— O preço não importa. O que importa é que os três são com muito amor! — estica o braço e entrega. O primeiro presente era o relógio Rolex.
Owen abre e encara por um instante. Era perfeito para ele, mas ainda sim era muito caro.
— Claire Dearing, um Rolex? Vale mais que meu bangalô!
— Você aceitou as condições, vai ter que aceita-lo! – revira os olhos. — Você não pode recusar o presente de Natal da sua namorada. — faz biquinho.
— Tudo bem, tudo bem! Eu... aceito... — retira o relógio antigo do braço e coloca o novo. — Você quer me tornar um daqueles playboys do parque, não é? — beija o biquinho dela várias vezes. – Obrigado, amor!
— De nada. – sorri e levanta o puxando para um abraço.
Owen envolve a cintura dela sentindo o aperto dos braços da ruiva, ao redor de seu pescoço.
— Vou até ficar com vergonha depois de te dar meu humilde presente... se bem que quero você usando-o essa noite. Então... — dá um suave selinho em seus lábios mais uma vez e vai até a mala pegar o que havia comprado para ela.
Retira uma pequena caixinha de veludo preta e a entrega. Era um delicado colar de ouro com um pingente com um pequeno símbolo de coração, um par de brincos e uma pulseira. O treinador abaixa a cabeça um pouco envergonhado, afinal ele tinha ganhado um Rolex que valia 20 vezes mais sobre o presente que a deu. Owen era orgulhoso demais, isso tinha que admitir, mas não a ponto de magoá-la e recusar o presente dela.
— É simples Claire. Mas tem um significado único... eu procurei exatamente por uma coisa inédita. Era o único que foi fabricado, um item raro... assim como você. Uma mulher única que mudou minha vida nos últimos meses. Totalmente. Achei que combinava perfeitamente com você.
Ao ver o presente e ouvir as belas palavras do namorado, os olhos da amada ficaram marejados.
— Owen...é... lindo...- gagueja olhando para as joias, eram lindas e delicadas. — É perfeito!... Igual você é pra mim! — O olha. — Eu posso te garantir que seu presente tem muito mais valor para mim, do que qualquer bem material que eu tenho. — O abraça forte. — Obrigada! Eu realmente amei! — as lágrimas escorriam involuntariamente de seus olhos. Aquelas palavras a tocaram muito, não espera por isso. – Eu te amo!
— Eu também amo você. — Sorriu secando as lagrimas dela com a ponta dos dedos, a fazendo sorrir e o beija. O treinador a envolveu em seus braços sem interromper o beijo, de bom grado. Era calmo e cheio de ternura. Cessou por um momento colando a testa na dela. — Vou colocar ele em você. — a vira de costas e afasta os cabelos dela. Abre a caixinha e retira com cuidado o pequeno colar colocando em seu pescoço. — Ficou perfeito em você.
Ela vai até o espelho que havia no guarda roupa e se olha. Admirada com a pequena e brilhante joia.
— É incrível... — sorri e fica uns minutos admirando.
— Vamos amor?... precisamos voltar antes do almoço. — pega a carteira, chaves do carro e celular. — Vamos a cidade primeiro fazer compras. Minha mãe me passou uma lista e temos alguns presentes a ser comprados....
— Tá bom... — pega o celular e a carteira. O acompanha até o carro. Claire estava empolgada para a ceia, mas também um pouco nervosa, iriam mais pessoas da Família dele. Não podia esconder a felicidade estampada em seu rosto.
Enquanto dirigia até a pequena cidade, Owen não pode deixar de lembrar que juntamente com o restante da família, iria vir uma prima dele, que no passado tiveram um pequeno caso. Estava com receio de ter que contar isso a Claire, mas ela tinha que saber a verdade. Não queria esconder nada da amada. Considerando o fato de que a prima poderia ser um pouco traiçoeira e não gostar do atual status de relacionamento do ex-marinheiro. Mas ele tinha em mente que muitas coisas haviam mudado ao longo daqueles 12 meses sem vê-la. Quem saiba ela também havia se tornado outra pessoa.
Ao chegarem ao mercado, Owen estaciona o carro de frente a um pequeno mercado e abre a porta para a ruiva sair.
— Já fez compras, Dearing? — riu pela pergunta. Ela parecia ser do tipo de pessoa que tinha empregados para isso. Mas tinha que parar desses pré-conceitos sobre a ruiva. Afinal ela já tinha provado de diversas formas que era sim uma mulher diferente do que ele a julgava ser.
— Mas é claro que sim, Grady!...- sorri saindo do carro e caminham até a entrada do mercado.
— Desculpa é que... nunca te imaginei indo comprar pão... – brinca.
— Me dá a lista. — Claire era Boa com compras, tinha estratégias até para isso.
Ele a entrega sem hesitar. menos de uma hora já haviam comprado toda a lista. Com os melhores produtos e frutas. Vão até o caixa e saem do mercado. Owen ficou abismado com ela.
— O que achou Senhor Grady?
— Você mandou bem, gatinha. Olha que estou bem impressionado contigo... tirei uma foto sua escondida escolhendo frutas, o pessoal do trabalho vai adorar ver. – colocou as compras no porta malas e adentraram o veículo.
— Se você mostrar isso para alguém...eu te demito! — revira os olhos.
— Vai aparecer no telão. Claire Dearing no mercadão... – gira a chave do carro e começa a rir descontrolado.
— Grady! Para de rir da minha cara. — dá um beliscão no abdômen dele. — Nunca mais me verá fazendo comprar. — estava corada.
Owen se curvou sobre o volante tentando conter as risadas.
— Nunca mais? Duvido muito. — Após alguns minutos ele se recupera e volta ao normal. – Está vermelha? Não precisa Claire... é só uma brincadeira.
— Deixa de ser ridículo, não estou vermelha. Vamos voltar logo, precisamos almoçar e tenho que ajudar sua mãe com a ceia.
— Está sim! – sorriu.
Retornaram a casa e Owen estaciona embaixo de uma árvore. Estava aliviado por não ter encontrado nenhum carro na porta. Sinal de que ninguém ainda havia chegado. Ele carrega todas as sacolas para dentro e deixou Claire levar apenas uma maçã que havia caído.
A ruiva vai para a cozinha. Passa a tarde inteira com Tereza. Elas conversavam enquanto cozinhavam. Claire tentava, achava muito difícil cozinhar, mas percebeu que se quisesse, aprenderia rápido. Já era quase seis da tarde e ela sobe para se arrumar.
— Mamãe... — Owen observa a senhora se aproximar. Estava bem mais adiantado que os demais, já estava vestido para o jantar. A senhora Tereza Grady parecia ter lido seus pensamentos e resolveu perguntá-lo. O treinador estava com as mãos no bolso fitando o fim da estrada de chão pela grande janela da sala de estar.
— Owen meu filho. Já contou a Claire? — pergunta com tom preocupação.
— Não. — Respondeu rapidamente sem emoção.
— Pois se eu fosse você contaria logo. A Barbara já vai chegar. Ela ainda não sabe que está namorando e... sabe como ela é. Não quero por nada nesse mundo ver ela se esfregando em você nessa sala, eu d... — é interrompida.
— Já tem anos que aconteceu, mãe. — O homem não pode deixar de sentir o estômago revirar só em recordar o passado. — Sabe, eu acredito que ela tenha mudado. Tenha seguido em frente. Eu me envergonho muito pelo que fiz com ela...
— Owen Grady! Aquilo... por Deus. Foi um escândalo! Por tudo que é mais sagrado nesse mundo. Eu não quero outro desses escândalos dentro da minha casa.
— Sim senhora. — Suspira.
— Ok. Já sabe o que fazer, já é um homem adulto... e por falar nisso eu disse que iria arrancar essa barba da sua cara se não se barbeasse, eu jurei Ow...
— Mãe, deixa como está! Só cresceu um pouco. É para dar a impressão de que eu sou um homem sério de negócios agora. -Brincou. A mãe revira os olhos.
— Vou tentar me conformar com o fato de que meu filho vai sentar na mesa da ceia como um mendigo. Bom, irei me aprontar. Eles já devem estar chegando.
Owen observa a mãe se afastar e subir as escadas. O assunto sobre a prima Barbara não saía de sua cabeça. Não queria reencontrá-la de jeito nenhum. Enquanto Claire estava no quarto se aprontando, resolveu esperar a família chegar sentado na varanda.
Finalmente a ruiva já estava pronta com seu perfume de sempre. Estava com um vestido vermelho que ia até o joelho, definia as curvas dela. Salto preto, maquiagem leve com o batom vermelho e as joias que Owen a deu. Após terminar vai até a varanda se juntar a ele.
— Oi...
O treinador estava apoiando com os dois braços na madeira da varanda quando escutou Claire o chamar. Virou e abriu a boca com a visão que teve. Ela estava magnífica, impecável. Definitivamente um mulherão. Piscou duas vezes só pra ter certeza daquela visão e dá um passo à frente.
— Quem é você e o que fez com a minha Claire? — brinca e a abraça. — Meu Deus, você está... perfeita! – suspirou ao sentir seu perfume. — E cheirosa. Posso borrar esse batom?
— Você também está maravilhoso, lindo de morrer. – sorri o apertando ainda mais. — Deixa eu ver... — olha o relógio. – Pode, tenho 2 minutos para ir retocar depois... — cheira o pescoço dele. – Uhnnnn... Você está muito cheiroso...nossa noite vai ser longa!
Quando Owen se aproxima para beijá-la, uma buzina é ouvida não muito longe. Logo vários carros surgiram um atrás do outro. Sete carros ao todo. Exibiu um sorriso imenso, até esqueceu sobre o assunto da prima por um instante.
— Está preparada? — segura a mão dela.
— Sim... — sorri. Na verdade, estava nervosa sentindo um frio na barriga, mas não iria confessar.
— Quem te viu, quem te vê... Quem é vivo sempre aparece não é mesmo? — Uma moça alta chega a varanda para os cumprimentar. Ela tinha cabelos lisos e loiros, muito parecida com Owen por sinal...
— Jessica! – O loiro falou a abraçando forte. — Essa é a Claire! — Sorria abertamente.
— Ai meu Deus, mal posso acreditar que você arrumou uma namorada tão bonita, maninho. Estou impressionada! — sorri para ruiva. — Claire, mais que prazer em te conhecer! Ninguém aqui nessa família para de falar de ti, acredita? – a abraça.
A ruiva sorri a abraçando, estava impressionada de como ela se parecia com o namorado. Além de já estar corada com os elogios.
— Olá Jessica. O prazer é todo meu! Espero que tenha ouvido falar bem de mim...- brinca, o que era provável ser o oposto. Afinal Owen a odiava antes.
— Mas imagina querida, Owen é o cara mais babão da família no momento. Falou tão bem de você, às vezes temos que mandá-lo calar a boca, sabe. — Owen revira os olhos, mas ela continua. — Maninho, olha só para você, já está com cara de homem adulto... — Ele bagunça os cabelos dela em um gesto brincalhão e acaba levando um tapa da irmã.
— E você insolente como sempre, Jess! Onde estão meus sobrinhos preferidos?
— Sophie e Sam estão no carro com o pai... já devem entrar daqui a pouco.
*
Até o fim da tarde Claire já tinha conhecido metade da família do namorado. Inclusive um irmão chamado Steve, no qual ele já havia mencionado que não se davam bem de jeito nenhum. Juntamente com Steve, veio a esposa que estava grávida.
Em certa hora da noite, estavam esperando alguns tios e primos para jantarem todos juntos. Enquanto esperavam o restante da família, ficaram todos no jardim de inverno, aproveitando o início da estação tomando chocolate quente com as pernas cobertas por uma manta grossa e falando besteiras. Desde que eles chegaram, Owen não pode deixar de reparar que a irmã e Claire se deram muito bem. Assim como quase a família inteira, Jessica era um amor de pessoa e em pouco tempo se tornariam grandes amigas. Partindo pelo pensamento que conhecia bem as duas, ele acreditava nisso.
— Cadê o tio Owen? — Uma vozinha de criança que vinha da sala de estar, soou curiosa.
— Ele está lá atrás com todo mundo, vão lá vão... — O Senhor Grady falou.
E então um barulho de pés correndo...
— Titiiiooooooooo! — Gritaram uma menininha e um menininho, ambos aparentavam tem a mesma idade. Os dois correram até ele.
— Que saudades de você, princesa! Sam, meu garotão. Vocês cresceram muito, huh? — Os pega no colo em um abraço forte.
— Você veio para ficar, não é? – Sophie sorriu abraçando o pescoço dele.
— Não meu amor, titio só veio para visitar e apresentar minha namorada para vocês...
— Mas você tem que ficar, ninguém mais leva eu e o Sam no parque ou nos dá sorvete... — Respondeu a garotinha com a voz manhosa. Eles eram irmão gêmeos. Desde que nasceram há 5 anos atrás, Owen sempre foi muito apegado aos dois. Sophie e Samuel achavam um máximo ter um tio que trabalhasse no Jurassic World com os dinossauros, faziam questão de contar para todo mundo. O loiro se sentia privilegiado de ter sobrinhos tão orgulhosos dele, então os mimava como podia quando os visitava.
— Como não? — Jessica riu do sofá. — Sophie, pare de mentir para seu tio e venha conhecer a Claire. Você e seu irmão, venham aqui!
As crianças tinham os olhos verdes claros (assim como praticamente todos naquela família, quando não era azul era verde ou algo parecido) e cabelos loiros lisos. Ela parecia uma bonequinha de porcelana com sua pele branquinha e as bochechas rosadas. O menino parecia um pequeno príncipe, era mais calado que a irmã e a seguia por onde ela ia. Claire fica observando minuciosamente Owen e as crianças. Parecia pai delas, pode ter mais certeza do que já imaginava. Ele seria um ótimo pai, mas sabia que aquilo talvez nunca acontecesse. As crianças eram perfeitas, pareciam dois anjinhos de tão lindos. Owen os colocou no chão e envergonhada foi até onde Claire e Jessica estavam sentadas, e subiu no colo da mãe. Sam apenas se escondeu atrás da perna da mãe e encarava a ruiva fascinado.
— Falem “oi” para tia Claire! – Jess disse incentivando as crianças.
Claire não sabia muito o que fazer. Como já havia dito, não era Boa com crianças. Então decidiu tentar.
— Oi... Você parece uma princesa sabia? – fala docemente para Sophie que logo sorri para ela. — E você...- olha para Samuel. — Quer um dia conhecer os dinossauros? — O menino deu um sorriso largo e rapidamente sentou no colo da ruiva. O que a surpreendeu, mas gostou. Então começou a contar para os dois algumas histórias sobre os dinossauros fazendo com que as duas crianças rissem muito. Ela estava adorando aquilo.
Owen havia se distraído em tomar o quanto de chocolate quente que podia, que só depois reparou que os sobrinhos estavam bem animados no colo da ruiva. Ela parecia contar algo engraçado, se aproxima com certa curiosidade em ouvir. Senta do lado dela com mais uma xícara cheia de chocolate quente. Era a primeira vez em que via Claire interagir com crianças. Não pode deixar de ficar entusiasmado com aquilo.
Ela inventava várias histórias que nunca existiram, só para distrair as crianças.
— Tia Claire você já subiu em cima de algum dinossauro. – pergunta Sophie.
— Ainda não meu amor, eles são muito grandes...e fedem...- Sussurra para os dois. — Mas o tio de vocês é bem corajoso, passeia com os raptores na floresta. — olha para Owen e sorri.
— Uauuuu... É sério tio?...- pergunta Sam.
— É verdade. Eu levo a Blue, Delta, Echo e Charlie para passear às vezes comigo. A tia de vocês não vai, ela morre de medo deles. — Sam solta uma gargalhada gostosa e Sophie vai para colo dele. Owen a coloca sentada na perna, mas mal ele sabia que ela estava mesmo era interessada em seu chocolate quente. Quando viu, Sophie já havia pegado a xicara dele e tomado a metade.
— Não acredito que a tia Claire tem medo dos dinossauros, eles são tãoooo fofinhos. — Sophie comenta com a boca toda suja de chocolate.
— Ouviu amor? Os dinossauros são fofinhos. – o treinador segura o riso.
Claire começa a rir.
— São sim princesa. A tia que tem um pouco de medo deles, mas o tio Owen sempre me protege. — brinca.
— Ah sim! Tio quero mais chocolate... — A pequena estava toda lambuzada do doce.
— Vamos lá na cozinha pegar mais! — Owen levanta com ela no colo e vai até a cozinha onde a encheu de chocolate. Chegando lá encontrou seu outro irmão, Harry e começaram a conversar.
Claire vai logo em seguida atrás dele segurando a pequena mão de Sam. Ele não podia dar mais chocolate para ela, já estava chegando a hora do jantar e Claire foi avisa-lo.
— Claire, amor?
— Então, essa é sua musa inspiradora? — Harry a olha com um sorriso divertido e imediatamente a cumprimentou. — Olá Claire! Sou o Harry. Owen fala de você o tempo todo. – O treinador queria socá-lo, estava vermelho de vergonha.
— Sim, essa é minha musa... — Sophie encara os três adultos entediada, logo pede para descer do colo e começa a correr atrás do irmão. — Já apresentei ela para todos meus irmãos... exceto o Steve. — não pode deixar de fechar a cara ao menciona-lo.
— Prazer Harry. – sorri. — Fico feliz em saber que meu namorado fala de mim. — Sorri para Owen. — Amor... Vamos falar com o seu irmão Steve. — Claire não sabia que eles não se davam bem.
Ele não podia negar o pedido dela. Pega a mão de Claire e atravessa a sala de estar indo até o encontro dele.
— Steve.
— Olha só se não é meu brother. — dá um tapinhas nas costas do loiro fingindo ser amigável. — E essa é minha cunhadinha? — A olhou de cima a baixo, fazendo Owen trincar os dentes de raiva.
— Essa é Claire. Minha namorada, e...
— Eu sei quem ela é. A gerente de operação daquele resort na Costa Rica. Já fui lá uma vez. Bem extravagante. — Fala em um tom de voz cínico.
— É sim. Também acho, mas aquilo tudo é fruto do nosso árduo trabalho com os animais e visitantes. — Owen tenta parecer agradável, mas estava impossível.
— Prazer Steve. — estica a mão para cumprimenta-lo, percebeu que a relação dos dois não era das melhores. — Claire Dearing namorada do seu irmão! — com o tom firme de sempre. — Não vamos falar de trabalho, não é mesmo?!
— Ah, claro que não. Mas meu irmãozinho não é bobo nem nada. Pegando logo a chefe. E aí mano, ela já aumentou seu salário em qual porcentagem?
Owen não tolerou aquela falta de respeito com a namorada na frente de todo mundo e acerta um soco no rosto do irmão, que acaba caindo no chão pela força do golpe. Claire se assusta e o segura pelo braço.
— OWEN...- Rapidamente todos chegaram ao local. E Steve se levanta com a maior cara de cínico. A ruiva segura a rosto de Owen com as duas mãos para encara-la. — Olha pra mim!... Não liga Owen, é de propósito. Não estraga o Natal de todos... — sussurra. — Eu não ligo amor, eu não ligo para o que ele disse. — vira e encara Steve.
— Tem que ser muito homem para "pegar" a chefe. — segura a mão de Owen tentando o tirar de lá.
Ele estava cego de raiva, se solta dela e vai atrás do irmão. A senhora Grady entra no meio antes que Owen o acertasse. Logo a esposa de Steve aparece e o abraça perguntando se ele estava bem.
— Sai daqui Hanna! Que inferno! — empurra a esposa não importando nenhum pouco sobre o fato dela estar grávida de cinco meses. — Vem aqui irmãozinho... — O provoca e acaba sendo acertado com um tapa pela mãe. A única pessoa no mundo que Steve respeitava.
— É um cretino mesmo... babaca!
— OWEN CHEGA! — Claire grita e todos se calam. Ela não queria causar aquilo, muito menos estregar o Natal daquela família. — Vem comigo...- o puxa novamente pela mão. — Ou você vem comigo ou eu vou embora!
Owen a obedece e vai atrás irritado.
— O que? Eu estava te defendendo daquele lixo!
— Eu não quero que me defenda tá legal! Eu te disse que esse tipo de comentário não me importa. Nós sabemos o que temos um com o outro. Dane -se o que os outros dizem... — respira fundo e se aproxima dele. — Hoje é véspera de Natal, amor... Vamos aproveitar o momento, pensa na sua família inteira que está lá em baixo.... Nos seus pais amo, eles não merecem ver os filhos brigando... sua família é linda Owen. Eu queria ter uma família assim, não desperdiça isso...
— Tudo bem... Tudo bem. – respirou fundo, ela tinha razão. — Vamos descer... preciso tomar umas cervejas.
— Não!... você não vai beber, não quero que fique bêbado. E ainda falta duas partes do seu presente...- sorri. — Preciso que esteja ciente de tudo.
— Nem uma só latinha? Poxa Claire... – resmungou.
— Não...- se aproxima dele o abraçando. — Só hoje...por favor?
— Ok... – a beija na testa e a abraça por uns instantes. — Melhor você ir se enturmar com as mulheres... se não depois te acham metida. — ri e a leva para baixo. Estava começando a ficar com fome. Se junta ao pai e os tios, começam a conversar sobre qualquer coisa.
Claire se junta com a mãe, a irmã e as tias de Owen. Estava entediada. Elas só falavam dos maridos e filhos. A ruiva apenas sorria, não se identificava com aqueles assuntos. Após alguns minutos, Bárbara a prima de Owen chega, o que fez a Senhora Grady se assustar.
— Querida...Owen já falou com você.
— Sobre o que exatamente? – a olha sem entender.
Tereza levanta furiosa e vai atrás dele para mostrar que a prima havia chegado e ele ainda não tinha falado com a ruiva. Chama Owen em um canto e tenta convence-lo a conversar com Claire o que foi em vão. Ele não queria dor de cabeça aquela noite.
*
A sala de estar agora estava lotada, havia pessoas em todos os cantos conversando e rindo enquanto bem no centro dela, no meio dos sofás, Owen estava sentado no chão, ao seu lado estava Sophie de pé e junto com os dois uma mulher de cabelos lisos sentada praticamente em cima de Owen. Era Barbara.
— Tia Claire, tia Claire! Venha ver o que fizemos com o Tio Owen! — Sophie foi ao encontro dela toda sorridente. — Você vai adorar, tia! — Riu e puxa a ruiva pela mão até onde Owen e Barbara estavam. O treinador estava com o cabelo cheio de enfeites coloridos, tic tacs com glitter, piranhas e bem no meio de sua cabeça um laço cor de rosa. Em seus pulsos tinham pulseiras de Sophie, em seus lábios um gloss pink brilhoso e suas unhas, estavam com unhas postiças compridas de plástico laranja.
— Gostou, querida? — Owen fez uma voz divertida. — O esmalte peguei da JLo... — Levantou as mãos para mostra-la, havia durex em volta dos dedos segurando as unhas. — O batom, bom, o batom não sei a marca, mas tem um gosto delicioso de cereja. — Fez biquinho mandando beijo para ruiva.
Claire solta uma gargalhada, não conseguia parar de rir ao ver o namorado e com todas as brincadeiras dele.
— Ficou linda, amor. — Não conseguia segurar a risada e senta ao seu lado. — Bom trabalho Sophie...Bate aqui...- estica a mão para a pequena bater.
Sophie dá risada e bate na mão da ruiva ainda morrendo de rir.
— Sophie, vai lá na geladeira e traz uma cerveja escondido para o tio Owen, pode ser? — Sorriu maleficamente.
— Isso é uma coisa que se peça para a criança, Owen? — Falou uma voz extremamente fina e irritante, o fazendo se lembrar da prima que estava sentada ao seu lado. A partir do momento que Bárbara abriu a boca, Claire já não gostou dela. E a encarou de olhos cerrados, sem dizer nada. Só observou os dois, achando tudo muito estranho.
— Só estou pedindo para ela pegar uma cerveja, não é para ela beber... — Riu fingindo inocência.
— Tio, não posso pegar nada na geladeira, e se alguém me pegar eu fico de castigo! — Sophie acrescenta.
— Soph, seu tio tem um parafuso a menos, não liga para o que ele fala! — A garota da voz irritante falou novamente.
— Bom Claire, essa é Barbara minha prima... Barbara, Claire. – as apresentou enquanto desmanchava aquela palhaçada do cabelo, tirando as unhas junto. Barbara a olha de cima à abaixo demorando um bom tempo nos sapatos dela e depois subiu para o rosto com uma expressão de desdém.
— Nossa, mas faz muito tempo que vocês estão juntos? — Perguntou desanimada.
— Alguns meses... — Owen responde.
— Família Grady está crescendo então... uhuu... — finge entusiasmo.
Claire não respondeu, apenas a olhou tentando entender tudo aquilo e aquele clima pesado que se fez presente no local. Owen observa a expressão da ruiva, percebeu de imediato que ela não havia gostado nada da prima. Ele ri sem graça e Barbara começa.
— Aproveitando isso, que tal uma competição de quem bebe mais para animar a noite? — pergunta se dirigindo ao treinador, ignorando completamente a existência da ruiva.
— Não vai dar essa noite, quem saiba em outra oportunidade. — responde lembrando do pedido da namorada horas antes.
— Aaah Oweeen, o que tem? Vamos beber um pouco. — pega no braço dele o sacudindo como criança.
Claire não estava suportando mais aquela situação e insistência dela.
— Com licença querida... se não ouviu o que meu namorado disse. " Hoje não", temos um compromisso mais tarde e ele não pode beber. Então não insista. — diz seria segurando a mão de Owen. Logo os três já estavam de pé.
— Querida não, é Barbara para você! Vamos lá priminho, como nos velhos tempos... — disse maliciosa para ele pegando o braço de Owen e passando pelos ombros dela, o abraçando. A senhora Grady e Jess observavam a cena com olhares cautelosos.
Claire fica furiosa," quem ela pensa que é?". Mas tentou controlar a raiva. Que tipo de "velhos tempos tiveram?" se pergunta os encarando.
— Bárbara, não é?...- retira a mão de cima do loiro entrando na sua frente. — Ele está acompanhado se não percebeu.
— É mesmo queridinha, não reparei nada! — Barbara responde provocando.
— Hey, Hey... não vou beber Barb... chama o primo Teddy. — abraçou a ruiva pela cintura e a beijou na bochecha. — Calma. Quer tomar um suco? Vamos pegar?
— Vamos! — o puxa até a cozinha. Estava furiosa com aquela garota.
— Desembucha Grady... O que significa tudo isso? – o encara cerrando os olhos.
— O que significa? Ela sempre foi assim amor... só ignorar. — Ele pega um suco gelado para ela se acalmar.
— Entre vocês dois Owen! Eu não sou idiota... estou te dando a chance de me contar.
— Claire...
Ela o encara esperando uma resposta.
Owen não respondeu, só ficou a olhando sério parecendo que escolhia as palavras para dizer a ela.
Fale com o autor