História After You
7 Capítulo - Justin - Parte
Notas iniciais
Após deixar Claire no escritório, Owen retornou ao seu bangalô, tomou um longo banho e passou o restante da tarde recuperando as horas perdidas de sono da noite anterior. Por volta das 19 horas já estava de pé e arrumando pra voltar pro resort. Os amigos iam fazer um campeonato de jogo de cartas no bar, ele precisava se divertir mais um pouco.
Pensou em mandar uma mensagem para Claire, mas não queria ser chato demais e ficar no pé dela. Owen não era do tipo de cara romântico, mas quando se esforçava e queria, ele era.
Claire fica até tarde trabalhando, precisava finalizar algumas pendências afinal amanhã era feriado e poucos funcionários iriam trabalhar, além dela. Já era mais de 21 horas e estava sozinha no prédio. Ela estava concentrada em seu notebook até ouvir um barulho vindo de fora de sua sala, na hora ela para o que está fazendo e olha assustada para porta. Ela fica em silêncio esperando para ouvir o barulho novamente. O silêncio inunda o lugar até escutar o barulho do elevador chegando no andar e abrindo a porta. Ela começa a tremer, lembrando das ameaças que já havia sofrido. Fecha lentamente o notebook e vai em direção a porta cuidadosamente. Abre a porta sem fazer barulho, olhando se tinha alguém ali e passa alguém rápido no outro corredor. Desesperadamente ela fecha a porta trancando e vai até sua mesa pegar o celular. Quando pegou pode ver várias mensagens chegando uma seguida da outra.
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
"Novo namorado Claire?!"
— Aí meu Deus! — diz arregalando os olhos e tremendo.
Tentou ligar na recepção, mas só chamava. Não tinha o que fazer. Havia alguém ali dentro junto com ela a mando de Justin! Então, resolveu ligar para Owen. Quem sabe ele pudesse ajudá-la.
— Owen, atende...atende! — também só chama. Ela não sabia o que fazer trancada ali.
Enquanto jogava e bebia com os amigos, pode ver de longe o prédio onde Claire estava trabalhando. Ele deu uma olhava em sua volta e viu praticamente todos os funcionários ali no bar.
"O que ela está fazendo lá sozinha?"
Owen revirou os olhos mentalmente com o pensamento e lembrou que ela era viciada em trabalho. Owen tomava a última dose de whisky aquela noite quando escutou o telefone tocar. Ele fechou a mão em punho e socou a mesa quando pensou que fosse novamente sua ex insistente.
Ele pegou o telefone com raiva e sua expressão mudou quando viu que era Claire. Ele estranhou e atendeu sem pensar duas vezes.
— Hey... oi ruivinha. Já está com saudades?
— Owen...Graças a Deus...Por favor...- quando ia falar bateram na porta. Com o susto ela gritou deixando o celular cair no chão.
O sorriso no rosto dele desapareceu na hora no momento em que ouviu o tom de desespero da voz dela.
— Oi? Claire???????? CLAIRE???!!! — Ele levantou já exaltado e percebeu que tinha algo errado. Ele se lembrou do que ela havia contado pra ele dia antes.
— O que foi Owen? — Barry perguntou ao vê-lo daquela maneira.
— É cara, o que foi? — Outro amigo que estava na mesa do bar perguntou.
— É a Claire... ela está em perigo. Preciso ir no Centro de Controle agora mesmo... — Falou sem olhar para trás, correndo.
Os homens se entreolharam e rapidamente se juntaram a Owen, mesmo não entendo bem o que estava acontecendo.
Ao chegar, ele foi pelas escadas acima, não estava com paciência pra esperar elevador.
"Claire... Meu Deus".
O homem conseguiu arrombar a grande porta. Ele era moreno, alto e forte. Provavelmente alguém a mando de Justin. Ela fica parada estática, o homem a encara caminhando lentamente em sua direção.
— Olá Claire, trouxe um recado para você!
— O que você quer? — Diz com a voz trêmula.
— Você vai ver...- se aproxima mais dela.
Ao perceber que ele havia saído da passagem da porta, ela tenta correr para sair dali. Mas ele foi mais rápido e a segurou pelo braço puxando-a com força e a jogando na mesinha de centro que era de Vidro. Nessa hora ela grita, pode sentir alguns cacos perfurá-la. Ela podia sentir que iria morrer ali mesmo, não podia contra aquele homem. Ele é forte demais pra ela. A ruiva mal consegue se mexer, ele a levanta puxando em seu braço.
— Me solta seu desgraçado! — diz fraca. — É o Justin né! ele que te mandou?... — ele a encosta na parede.
— Cala a boca ruiva! — começa a apertar o pescoço dela tentando sufoca-la. Ela batia nele, mas não adiantava estava fraca. Sua visão ficou turva, não conseguia mais respirar.
Owen estava meio perdido, tinha que confessar. Não era acostumado a andar naqueles corredores durante a noite. Para piorar algumas luzes estavam apagadas. Mas ele tinha certeza que era naquele andar. Owen escutou um som de alguma porta sendo forçada, e então ele teve certeza. Ele seguiu o som, e foi fácil de achar depois de ouvir mais um barulho da mesa quebrando. Owen sentiu o coração apertar, uma gota de suor escorreu pelo rosto até cair em sua camisa. Quanto mais se aproximava, mais podia ouvir vozes. Era uma voz masculina, e... Claire. Owen correu como nunca e adentrou o escritório dela. No chão havia várias coisas espalhadas, até que seus olhos se prenderam no cara que covardemente segurava Claire pelo pescoço. Por um breve instante ele não viu mais nada, a não ser aquele imbecil. Owen aproximou sorrateiramente e antes de qualquer coisa, retirou as mãos dele de cima dela.
— SEU FILHO DA PUTA! — Usou de toda força que tinha, no soco desferido no rosto do homem, fazendo ele cair no chão imediatamente. Owen aproveitou da situação pra chuta-lo diversas vezes no estômago, rosto e partes baixas. O homem gemia no chão, sem poder se defender. Se alguém pudesse olhar nos olhos do Sr.Grady naquele momento, poderia ver a fúria de mil demônios dentro deles. — VOU TE ENSINAR SEU DESGRAÇADO. COMO É QUE SE BATE EM ALGUÉM DO SEU TAMANHO. — Owen o pegou pelo pescoço e desferiu vários socos na cara dele mais uma vez, até que a mesma estivesse jorrando sangue de todos os lados. Ele estava fora de si naquela altura e não iria parar. Owen arremessou ele contra os cacos de vidro no chão e voltou a chuta-lo no rosto.
Naquela altura, os amigos dele já haviam chegado e ficaram chocados com o que viram. Barry e mais um outro ajudaram Claire a se sentar e verificar se ela estava realmente bem. Outro cuidou em chamar a polícia juntamente com a guarda do parque. Mais outros três caras se juntaram ao Owen para espancar aquele idiota. Após alguns minutos o torturando, um dos caras segura o braço do Owen o interrompendo.
— Hey Owen, ja está bom. Se continuar vai matar o cara. — O amigo alertou, mas Owen se desvencilhou dele e voltou a acertar socos e pontapés no que sobrou da cara do homem.
— OWEN!!! — Barry gritou. — A Claire precisa de você, ela precisa ir no hospital agora. Não mate o cara, vai perder a razão! — Quando ele escutou o nome da ruiva, parou imediatamente e voltou a atenção para ela. Ele se afastou do cara, não sem antes dar mais um super chute na cara dele e foi até ela.
— Claire?!...
Ela não conseguia responder, sua visão estava embaçada. Ela ouvia a voz de Owen, mas não conseguia dizer nada, estava fraca. Tinha dificuldade para respirar e acabou desmaiando.
Owen já havia percebido que ela não estava nada bem e prontamente se sentou do lado dela e a segurou antes que caísse.
— Owen, que diabos aconteceu aqui? — Barry exclamou, ainda sem entender o porquê da senhorita Dearing sofrer um atentado. Todos estavam com um ponto de interrogação na cabeça, mas Owen não tinha tempo para explicações. Não naquele momento. Ele levantou com Claire nos braços e a levou para fora. Não esperou a ambulância chegar, estava impaciente e nervoso. Chegando na enfermaria, ele nem precisou gritar com as enfermeiras e o pessoal do atendimento. Quando viram que se tratavam de Claire Dearing, imediatamente foram atendidos da melhor forma possível.
Owen a colocou cuidadosamente na maca e acompanhou ela ser levada pelos corredores até uma sala onde ele foi barrado.
Uma enfermeira aproximou dele.
— Desculpe senhor...?
— Grady. Owen Grady. — Respondeu sem paciência.
— Senhor Grady! É o que da paciente?
— Sou... um amigo dela. Eu tenho que ficar com ela.
— Desculpe Sr.Grady, mas isso é contra as normas do hospital. Só poderia acompanhá-la se fossem parentes de sangue. Ou casados.
— Mas ela só tem a mim! Ela não pode ficar sozinha lá! — Ele alterou a voz.
— Felizmente temos todo um corpo de médicos e demais profissionais para cuidar dela. Peço que por favor que mantenha a calma. Vai ficar tudo bem. Só precisamos de informações sobre o que aconteceu. O senhor pode fazer a gentileza de aguardar aqui na recepção?
Owen pensou em discutir, mas não iria resolver nada de cabeça quente. Ele não quis sentar, foi ao banheiro lavar as mãos que ainda estavam sujas de sangue daquele bastardo.
Após se limpar e tomar uma água, ficou na recepção aguardando. Foi só ele piscar que a polícia surgiu, juntamente com o senhor Masrani. Encheram Owen de perguntas e ele respondeu tudo em detalhes, inclusive detalhou a história do Justin até chegar nas ameaças. Simon Masrani confirmou tudo. Então, Owen voltou a atenção a ele.
— Sr. Masrani. O senhor sabia disso tudo. O que aconteceu com a segurança desse resort? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? Cadê as câmeras, os alarmes, O PESSOAL MONITORANDO??????
Senhor Masrani tentou acalmá-lo.
— Owe...
— SE NÃO DÃO CONTA DE MANTER A SEGURANÇA DE UMA PESSOA SÓ EM UM PRÉDIO, IMAGINA DO RESORT INTEIRO COM 20 MIL PESSOAS? FRANCAMENTE SIMON. FRANCAMENTE!! — Owen gesticulava e estava com a voz muito alterada, os policiais assistiam a cena explosiva dele, mudos. — Espero que não aconteça nada de ruim com ela. E se acontecer. A culpa é segundamente SUA!
Simon não respondeu, apenas ficava de cabeça baixa. Ele se sentia culpado de certa forma.
Um policial tentou acalmá-lo, de novo.
— Senhor Grady, peço que tenha calma. Vamos cuidar de tudo para acharmos os culpados. Não ficarão impunes. Pode acreditar. Ficar assim não vai resolver em nada!
Owen deu as costas e se sentou na cadeira de espera da recepção, colocou as mãos na cabeça.
Após duas horas dentro da sala restrita do hospital. Finalmente ela é levada ao quarto de recuperação. Estava acordada, mas em estado de choque estática, mal piscava. A enfermeira vai até a recepção avisa-los.
Durante aquelas longas duas horas sem notícias de nada, se não tivesse os policiais, Simon e os amigos de Owen o tranquilizando, ele já teria infartado.
Barry quebrou o silêncio repentino que surgiu após uma conversa.
— Me diz cara. O que está rolando entre você e a chefe?
— Rolando o que? Nada!
— Nada? Não é o que parece. — Barry insistiu e Simon os observava de rabo de olho. — Levou a aposta a sério?
— Não é aposta nenhum, imbecil. Já te falei que não ia cumprir aquilo mais. E eu pagava a cerveja por 1 semana pra fechar o trato.
— Eu sei, eu sei. Só perguntei. Você parecia muito preocupado com ela, para quem antes queria vê-la sendo comida pelas atrações. — Barry riu após levar um leve soco no braço de Owen. Ele não estava para piadas, muito menos com a Claire.
— Aquilo é passado. Somos grandes amigos.
— Amigos que andam se beijando por aí. — Um outro amigo fez a observação e Owen queria socar a cara dele. Simon fingia mexer em seu celular, mas ouvia a conversa atentamente. Owen sabia disso e os fuzilava com os olhos.
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