História After You

2 Capítulo - Histórias do Passado


Notas iniciais
CLAWEN'S

Conforme o combinado, Owen chegou na cafeteria um pouco adiantado. Precisava esfriar a cabeça e isso não funcionaria trancado em seu maldito bangalô. Ao chegar, escolheu uma mesa do lado de fora onde poderia ter uma visão melhor da bela noite de outono que havia começado. Os turistas enchiam as calçadas e Owen não pode deixar de nota-las. E isso o manteve bem distraído enquanto a srta. Dearing não chegava.

Claire pontual como sempre, chega no local marcado. Antes de chegar pode avistar Owen e se aproxima.

— Olá Sr.Grady! Pensei que se atrasaria ou iria me deixar plantada aqui.

─ Srta. Dearing! ─ Owen se levantou da mesa e aguardou que ela se sentasse primeiro. Ele tentou esconder um sorriso, mas foi involuntário. ─ Que tipo de idiota você pensa que eu sou? ─ A questiona enquanto puxa a cadeira pra ela se sentar.

Claire se surpreende com sua gentileza, aquele gesto tão cavalheiro e sorri.

— É melhor não entrarmos nesse assunto! — diz se sentando e olha para Owen.

─ Espero que não tenha trazido seu notebook pra ficar fazendo planilhas no Excel. – com tom irônico.

— Digamos que dei uma pausa! — cerrando os olhos. — Olha... — O olha de baixo para cima. — Não está com lama! – também irônica.

Ele achou engraçado a pequena observação dela e sorriu.

─ Bem... é. Tive sorte hoje. Então, o que vai querer pedir? É uma pena aqui não ter costela gordurosa a manteiga na chapa.

Ela retribui o sorriso.

— Quer dizer ainda bem né! Não suportaria ver tanta coisa gordurosa na minha frente. Bom... — suspira. — Vou querer um Expresso com adoçante.

─ Adoçante tem gosto de xarope. Coloca açúcar e chantilly. ─ Sugeriu, pensando no possível tapa que iria ganhar pela gracinha.

— Estou de dieta Sr.Grady! — o encara séria. — Não posso comer coisas que contenha açúcar. E presta atenção...- apoia a mãos sobre a mesa. — Você não vai me irritar!

─ Não vai nem experimentar o waffle belga? É o melhor daqui. — ele justificou, revirando os olhos ao ouvir a palavra "dieta". ─ Você nem precisa disso e te irritar é minha especialidade. ─ Sorriu.

Ela solta uma gargalhada.

— Você tem razão, só de respirar você já me irrita. Mas hoje estou tranquila e nem você sendo tão irritante, vai me tirar do meu bom humor. — Diz sorrindo. — Mas o que seria esse Waffle belga?

─ Queria saber de verdade o porquê dessa guerra contra mim. De verdade. — diz rolando os olhos pelo cardápio. ─ Nunca veio aqui, certo? Não sai daquele escritório também. É uma especialidade da casa. Waffle belga com chantilly e mais algumas coisas, você vai gostar...

Claire ao escutar seu comentário fica pensativa.

— Eu não tenho absolutamente nada contra Você Grady! — diz também olhando o cardápio, está sendo realmente sincera. — Na verdade venho bastante aqui, mas só pelo café. Esse negócio é muito Grande?

Ele revira os olhos.

─ Já disse pra me chamar de Owen. Só Owen. — ele sorriu com a resposta e fez os pedidos com a barista. ─ Não muito. Mas se quiser algo maior, tem a churrascaria. Eles assam um boi inteiro no espeto!

— Não obrigada! — sorri. — Está bem Owen, se quiser pedir esse negócio belga. Pode pedir, pede um só. Podemos dividir. — engole seco ao perceber o que acabou de dizer.

─ Ok... ─ ele a olha de canto de olho e cruza os dedos sobre a mesa. ─ Quer me dizer como veio parar aqui? Digo, como começou a trabalhar e tudo mais.

Claire o olha e respira fundo se recostando na cadeira.

— Bom... desde pequena era encantada por dinossauros e em 2004 quando faltava um ano para a inauguração do Parque vim para cá. Muitas pessoas ainda tinham receio e não acreditavam que daria certo devido o acontecido em 1993 com o Jurassic Park. Comecei como estagiaria, tinha 19 anos na época. Com o tempo o Sr.Masrani reconheceu meu trabalho e há 3 anos sou Gerente de Operações. Resumidamente é isso. — ela o encara. — E você Owen? Qual a sua história?

Ele ouviu com atenção o relato dela, e ficou impressionado por saber o quanto ela era esforçada desde cedo. Quando ela pediu pra contar sua história, Owen hesitou um pouco, e encostou na cadeira.

─ Não tem nada extraordinário. Só... servi por uns anos na marinha. Fiz um excelente trabalho e a Masrani Global descobriu meu currículo. Me mandaram um e-mail interessados e aqui estou. Deixei tudo para trás para vir para cá... ─ Era nítido que algo incomodava ele ao relembrar, mas ele manteve a postura, seriedade e cautela enquanto contava a ela.

Claire percebe que não era só aquilo que relatava, mas não quis perguntar. Não se sente tão próxima para tal coisa, então confessa para ele.

— Eles souberam escolher muito bem nosso melhor treinador. Você faz um excelente trabalho Owen. — sorri o olhando.

Ele sorriu com o comentário. Mas era um sorriso triste.

─ Obrigado Claire.

Ela fica desconfortável com a situação, não sabe o que dizer.

— Então, cadê nosso pedido? Está demorando né? — olhando para o relógio.

─ Eu não sou o garçom. – ele sorri.
— Ah claro, como você é fofo. — sorri irônica. — Vou lá ver o que aconteceu. – diz se levantando.

─ Não precisa Claire, já deve estar chegando.

— Okay. — Respira fundo se sentando.

Owen achou um tanto engraçado a falta de paciência dela. Para tudo.

─ Olha, relaxa. Vamos curtir a noite. Olha os turistas se divertindo com as famílias. Espero que continue assim... assim quem saiba eu receba um merecido aumento. ─ Ele brincou, na tentativa de distraí-la.

— Você tem razão! — olha ao seu redor e volta a olha- lo. — Exceto pela parte do aumento. — sorri.

─ Eu tenho razão nas duas observações! Admita. Você acabou de dizer que eu sou o melhor treinador. Deveria ter gravado... ─ A barista se aproxima com os pedidos de ambos e se afasta. Owen olha para o prato, depois para ela. ─ Olha que dividir foi ideia sua...

— Não sei se foi uma boa ideia... – ela diz olhando para o prato. – Vou ficar só com o café.

─ Pode comer. Mas deixa para mim. ─ Ele riu empurrando o prato na direção dela. Ele começou a tomar apenas a bebida que ele pediu. Um café amargo e sem açúcar.
Ela empurra o prato de volta para ele.

— Isso é uma bomba calórica! Não posso comer. Vou ficar enorme!

─ Qual é, você disse que iríamos dividir. Agora come. Nem que seja uns pedacinhos. ─ Ele empurra de volta.

— Não posso! – seu tom de voz fica um pouco alterado.

Owen fechou a cara em negação e pegou o garfo, espetando um pedaço do waffle e levando até perto dos lábios dela.

─ Abre a boca, vai. ─ Tentou não rir, mas foi impossível.

Claire ri com a atitude dele, seus olhos enchem de lágrimas e se afasta o encarando.

— Vou te contar uma rápida história Owen. — suspira. — Havia uma moça que estava noiva e ouvia todo dia de seu noivo que ela estava gorda, um dia ela encontrou seu noivo com outra mulher cama!

Ele fica estático por um instante após ouvir aquela pequena história. Ele repousou a mão sobre a mesa e largou o garfo sobre o prato. A encarava sem reação, parecia tentar assimilar aquilo tudo.

─ Como é...? Eu... é...isso é sério?

Ela olha para baixo tentando não perder a postura.

— Sim! – tenta não demonstrar sentimentos na voz.

As lágrimas dela só confirmaram as hipóteses dele. Ele odiava ver uma mulher chorando, ainda mais por causa de idiotas. Não esperava aquela revelação do nada, então permaneceu em silêncio. Um pouco sem graça também. Ele se aproximou, e segurou a mão dela na tentativa de confortá-la.

─ Sinto muito por isso. De verdade. Eu... olha só... o cara que fez isso contigo não foi homem suficiente pra você. Você fez foi se livrar de um relacionamento tóxico. Você é linda do jeito que você é, está bem longe de ser gordinha. E mesmo que fosse, ia continuar sendo a mulher mais eficiente do Jurassic World e uma das mais bonitas e admiradas! Pense nisso.

Claire o olha, suas lágrimas não pode ser evitadas. Não esperava aquelas palavras tão bonitas vinda de Owen e aperta sua mão o encarando.

— Obrigada Owen!... – Respira fundo. — Isso que te contei não foi nada ainda. Um dia quem sabe te conte tudo. — ela seca as lágrimas. — Obrigada por tudo mesmo! — se levanta para ir embora.

─ Quer me contar? Estou ouvindo... ─ Ele não soltou da mão dela, mesmo quando ela levantou. ─ Hey, não é hora de ir embora. Pode fazer o favor de se sentar senhorita.... por favor!

Ela o olha, não conseguiu resistir seu pedido para ficar, volta a sentar e continua segurando sua mão. De alguma forma inexplicável, aquele gesto a confortava.

— O nome dele é Justin...- Diz olhando em seus olhos. — Ele era Gerente financeiro. Nos conhecemos aqui, ficamos juntos por mais de 4 anos até esse fato que te contei acontecer. Após isso, evitava ao máximo encontrá-lo apesar de trabalharmos no mesmo prédio. Se passaram um mês e um dia eu estava verificando os números da empresa e percebi que algo estava errado. Então, solicitei uma auditoria financeira... e foi descoberto que Justin estava fazendo desvios em grande valor para sua conta na Europa. Contei tudo para Simon e eu mesmo o demiti por justa causa. Ele só não foi preso porque devolveu todo o valor que roubou e porque Simon tem um bom coração. Após ele ser demitido, ele resolveu me ameaçar de várias formas. Ele está proibido de entrar no parque, mas não sei se ele tem alguém de confiança aqui ainda. As únicas pessoas que sabem dessa história são Zara, minha irmã Karen, Simon e agora você!

Owen prestou atenção em toda história dela. Já estava com um ódio daquele cara. "Justin". O nome não lhe era estranho.

─ Então ele era um pilantra em todas as áreas. Era de se esperar. Não quero que chore por um desgraçado desse, você merece algo melhor. Olha só pra você. Sabe quantas pessoas se matariam pelo seu emprego? Aposto que ele está comendo o pão que o diabo amassou. Já ouviu falar da lei do retorno? Então... e se ele tem algum espião aqui, descobriremos. Blue adora carne fresca. ─ Ele sorriu.

Ela também sorri com seu comentário.

— Obrigada Grady! — suspira. — Digamos que já tenho minha armadura e sei que muitos querem me matar. — sorri e lembra dos comentários que Owen havia feito anteriormente. — Inclusive corro sim o risco de bater em uma árvore ou ser mordida por uma cobra. Não se espante se souber que isso aconteceu.

─ Te matar...? Isso tem quanto tempo? ─ Owen não achou graça, estava começando a ficar incomodado.
— Tudo isso aconteceu faz dois anos, mas as ameaças são constantes. Não se preocupe Owen, já estou acostumada.

Encostou na cadeira e suspirou. Definitivamente, ele a subestimou bastante. Mas não ia admitir em voz alta.

─ Caramba. Quanta coisa... como consegue?

— O que? — o olha curiosa com a pergunta.

─ Liderar isso tudo e ainda enfrentar essa barra sozinha?

— Eu não sei. — Respira fundo — Eu amo meu trabalho e acho que depois que tudo isso aconteceu, me dedico 100% só pra ele. Não vejo minha família vai fazer 7 anos. Me afastei de todos. Me acostumei ser sozinha. — dá um sorriso tentando disfarçar sua tristeza.

─ Como assim não vê sua família a 7 anos? Isso é um crime... Pelo menos nesse Natal você vai visitá-los, né?

— Acho que vou passar aqui, como todos os anos. Eu sei que deveria vê-los. Mas... prefiro ficar aqui. – engole seco, ela sente muita falta deles.

─ Deveria ver sua família... – Respira fundo. — Família é uma das coisas mais importantes, Claire. Você só pode se dar conta disso depois que... perde.

Claire o olha e por incrível que parece fica sem palavras.

— Meus Natais não são mais os mesmos a muito tempo! — diz olhando para frente. — E você Owen? — o olha novamente. — Me fala de você... Se quiser claro.

─ Eu já disse o que tinha que falar sobre mim. ─ Respondeu rápido e soltou a mão dela. Owen olhou pro prato cheio na mesa e sentiu uma ânsia só de lembrar do passado. Ele coçou a cabeça nervoso e desviou o olhar para rua.

Claire se sente mal pela sua mudança tão repentina com ela. Quando acha que finamente estavam dando uma trégua. Olha para seu café, começa a tomar mesmo estando frio. Ela queria muito saber o que aconteceu com ele, mas não perguntaria de novo. Pelo menos não ali.

— Acho que já vou...- olha para o relógio e depois para ele. — Não quis te ofender, com licença. — se levanta.

Owen tirou uma certa quantia de dinheiro do bolso e deixou sobre a mesa. Não havia engolido nada. E nem queria. Foi atrás dela com as mãos no bolso.

─ Desculpe. Acho justo contar minha parte... já que confiou em mim.

— Fica tranquilo. Se não confia em mim não tem problema. Causo isso nas pessoas.

Owen revirou os olhos e ignorou a última frase dela.

─ Ah, como conto isso... não sei nem por onde começar...

— Que tal pelo começo! — segura o braço dele, já que as mãos estavam no bolso. E o puxa para um banco no meio do parque. — Vem... senta aqui comigo... — O olha esperando que comece a dizer.

Acompanhou ela um pouco nervoso. Mas respirou fundo antes de começar, após já ter se sentado.

─ Eu já fui noivo, Claire. A gente estava construindo uma família. Planejávamos muitas coisas. Meus pais adoravam ela... ela era incrível e... um dia estávamos voltando de uma viagem que fizemos até o litoral. Ela estava grávida de 5 meses na época. Não sei como, mas surgiu um carro bem na nossa frente. Eu não consegui desviar, havia chovido e a pista estava molhada. O carro derrapou e acertou em cheio o lado do passageiro onde ela estava. É isso. Tentei seguir em frente, fui servir a marinha e desde estão me dediquei de corpo e alma a eles.

Claire arregala os olhos, não espera ouvir aquilo. Ela olha para o chão, não pode evitar seus olhos encherem de lágrimas e olha novamente para Owen. Sentiu seu coração parar por um minuto, não podia imaginar o tamanho da dor que ele sentia. Não sabia o que dizer e então, puxou sua mão que estava no bolso se levantando e o levantando. Ela apenas o abraçou, abraçou bem forte.

— Não sei o que te dizer...- Diz com seu rosto próximo do dele. — Eu sinto muito mesmo, não posso imaginar o que sente com essa perda. — continua o abraçando forte. Claire queria poder com aquele abraço extrair toda dor dele, Como uma laranja ao ser espremida.

Owen permaneceu em silêncio após terminar sua história. Se sentia muito culpado por aquilo e isso o massacrava todos os dias. A atitude dela o surpreendeu e ele se sentiu confortado com aquele abraço repentino. Era o que ele precisava receber. Owen sorriu e retribuiu o abraço apertado. Tão apertado que ele podia ouvir as batidas do coração dela por uns segundos.

─ Está tudo bem, Claire. Já faz 7 anos isso. Na verdade... completa 8 anos semana que vem.

Ela continua o abraçando. Não sabia o que fazer e de alguma forma não queria se separar dele.

— Me desculpa por todas as vezes que fui grosseira com você. — Diz ainda em seu ouvido.

─ O Tarzan pode pedir desculpas também? ─ Ele riu entre os cabelos dela, não pode deixar de reparar no quanto estavam cheirosos. ─ Eu fiquei um pouco estúpido desde então. Nada faz sentido mais, sabe? Além do trabalho e meus pais.

Claire sorri com o comentário sobre o Tarzan, sempre que discutiam ela costumava o chama-lo assim. Ela continua abraçada a ele.

— Claro Tarzan. Eu te entendo bem, afinal também me tornei estúpida. — ela repousa uma de suas mãos em sua nuca. Ele estava com um perfume amadeirado maravilhoso, que a fez suspirar ao sentir.

Owen afasta dela lentamente e volta a por as mãos no bolso, sorrindo de canto.

─ Acho que a partir de hoje vou te ver de outra forma. Srta do nariz empinado.

Ela tenta se recompor passando a mão nos cabelos.

— Digo o mesmo rei da Selva... Ou melhor, dos Velociraptores. — sorri. Olha para o relógio e percebe que está bem tarde. — Eu preciso ir, essa semana não vai ser fácil. Então...- estica a mão para cumprimenta-lo. — Boa noite Owen!

─ Ah... tudo bem. Não vou te prender mais. Sinto muito. — ele esticou a mão e a cumprimentou também. ─ Tenha uma Boa Noite. — volta a se sentar no banco onde estavam sentados. ─ Vou ficar aqui mais um pouco.

Claire o olha.

— Está bem. — ela se aproxima dele — É... a culpa não fui sua! Sua família está lá de cima te vendo e torcendo por você. Devem estar bem orgulhosos! — sorri para ele e sai em direção ao hotel.

Owen encarou a ruiva e sorriu com a fala dela. Talvez ela tivesse razão. Ele a acompanhou com o olhar até ela sumir de vista. Após um momento de reflexão, ele retomou o caminho de volta pro seu bangalô se sentindo mais leve e feliz.

Notas finais
Se Vou tentar atualizar quiserem diariamente também tá bom! s que manda. S jada pelo carinho.