História After You
23 Capítulo - Acidentes e Despedidas
Notas iniciais
Um tumulto de parentes logo se fez presente na ampla sala de visita da família Grady. Mas Owen não pretendia levar aquilo a diante, então após uma breve conversa com a mãe, retornou ao quarto, ignorando por completo a prima estirada no sofá. Quando entra, se depara com Claire organizando sua mala.
— Amor, vamos embora só amanhã. Mas vejo que está adiantada como sempre...
— Não, Owen. Eu estou indo embora hoje. — Respondeu sem nem mesmo olhá-lo. O sorriso no rosto do homem dissipou-se no mesmo instante.
— Embora? Como assim, Claire?? — Questionou-a em tom de preocupação.
— Essa situação é demais para mim. — Ela aspira o ar com certa raiva. — Eu vi aquilo lá na sala. É constrangedor, estou sobrando.
— Sobrando em que? Você é minha namorada, todo mundo gostou de você! A Barbara é louca, ela toma remédio controlado! Não pode fazer isso, é o que ela quer...- Passa a mão no cabelo, nervoso. — Claire. Não faz isso. Pensa bem...
Ela encarava-o enquanto falava e senta-se no sofá levando as duas mãos até o rosto.
— Eu ia te levar para andar a cavalo ainda. Como prometi... conhecer o lago.
— Me desculpa...- Claire solta finalmente, ainda com as mãos no rosto. — Eu sempre estrago tudo! — O olha. — É que eu... estou... com ciúmes... saber que você teve algo com ela me dá...- respira fundo e confessa. — Ciúmes!
— Está tudo bem. Eu te entendo... Se quiser vamos embora hoje. Odeio te ver assim. — Owen se ajoelha na frente dela. Claire segura com as duas mãos o rosto do loiro.
— Não amor... está tudo bem... temos a sua mãe e seu pai. E nossos sobrinhos. Você tem razão.
— Certeza? Não liga para ela, ok? Eu amo você. — A beija várias vezes nos lábios.
— Eu também te amo meu Tarzan! — retribui os beijos na mesma intensidade. Calmamente.
— Tarzan... — Sorriu e a abraçou contra o peito. — Já andou de cavalo alguma vez?
— Sim, e quero que saiba que sou ótima!... — Disse convencida.
— Mesmo senhorita Dearing? Isso é o que veremos.
*
Owen e Claire foram ao campo, o clima havia dado uma amenizada e o sol radiante surgiu aquela manhã aquecendo a todos.
— Quer um cavalo só pra você? Ou prefere ir junto comigo? — Owen pergunta a namorada enquanto prendia as rédeas firmemente no animal, aparentemente manso.
— Um só para mim, amor. Podemos apostar corrida. — Sugeriu-lhe com um sorriso travesso.
— E se você cair? — preocupou-se.
— Isso não vai acontecer, Owen! Eu costumava montar há alguns anos, mas se você insiste. Podemos ir juntos também.
— Monta a cavalos há anos? Onde? Só se for em dinossauros. — Owen estava receoso em deixa-la ir sozinha, mas entrega as rédeas de um dos cavalos para ela.
— Antes de ir para Nublar, fiz equitação, e... — Foi interrompida com um som insuportável. Barbara surge no pé da escada aos gritos.
— HEEEEEEEEY OWEEEEN!!! ME ESPERAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!
Aquela voz insuportável se aproximava cada vez mais, a ruiva a fuzilava com o olhar. Owen tentou fingir que não a ouviu, mas logo ela estava agarrada ao braço dele.
— Nossa, está frio aqui fora! Owen, priminho... posso ir no cavalo com você? – o treinador tentou forçar um sorriso desconcertante e olha para ruiva em cima do cavalo, sem graça. Claire definitivamente já estava cansada da tamanha ousadia dela.
— Não! Não pode! — A ruiva responde por ele, irritada. Barbara esbanjou seu melhor olhar de desdém.
— Com licença, queridinha. Mas o Owen sempre me ajudou quando eu vinha aqui andar a cavalo. Fazíamos isso juntos, ok? Não se mete.
— Barbara! – o loiro interviu, mas ela continuou a despejar seu veneno.
— Você acha que só porque chegou esses dias na família e pode mand... — Owen agradeceu mentalmente por ela ter calado a boca, já estava a um segundo de se iniciar uma calorosa discussão. Quando ele resolveu a olhar e ver o motivo, havia uma enorme bola de neve na cabeça dela. Uma voz de criança surgiu atrás de um dos pinheiros.
— Hahaha!!!! Acertei a bruxa, SAM!!! — Sophie grita em euforia e sai correndo em direção às árvores, seguida do irmão. Ambos às gargalhadas.
— CORREEEEE!!!!
Owen e Claire naquela altura, já estavam rindo tanto que a barriga chegava a doer.
— Esses são os meus garotos...- Claire ria sem parar da cara da prima do namorado, o que a deixou mais nervosa. A ruiva desce do cavalo, para ficar cara a cara com ela. Owen cala a boca naquele mesmo instante. Claire estava a um passo de voar em cima de Bárbara, mas lembrou do que o namorado havia dito no quarto e o acompanha quase que sendo carregada. Mas se ela os importunasse novamente, a ruiva não teria mais tanta paciência reservada.
Owen a fez subir no cavalo novamente. Em seguida sobe no seu e a chama para que a seguisse pela estreita trilha na vegetação coberta pela neve.
— Vem amor...
— Vamos... — Claire responde ainda encarando friamente a mulher.
— Claire! Olha para frente. — Owen chama sua atenção.
Barbara agora se deu o trabalho de limpar o gelo dos cabelos, sem deixar de cortar o contato visual quase mortal com a ruiva. Era como se ela pudesse declarar uma guerra com Claire só com o olhar. O clima já estava ficando chato e Owen tinha que mudar a situação mais que depressa.
Ele toma a frente e começa o passeio avançando mais pela trilha que dava para densa floresta que havia atrás da grande casa.
— Amor? Você acha uma boa ideia ir para a floresta com essa neblina?
— Qual problema? Não tem nenhum Jason mascarado lá. Pode confiar.
Ela sorri com a brincadeira e o acompanha. O lugar era muito bonito, Claire pode imaginar como era o verão ou na primavera naquele lugar.
— Me traz aqui em outra estação, Owen?
O cavalo era guiado pelas mãos fortes de Owen, sem hesitar os passos pela neve parcialmente derretida.
— Vou te trazer sempre aqui. Afinal temos que tomar um banho pelados na lagoa, lembra?
— Lembro sim... Só não acho muito uma boa ideia, podemos ser pegos.
— Não vamos. — Pisca para ela e passa a frente da ruiva com um sorriso galanteador.
— AAAH, É UMA CORRIDA? — Claire grita e logo começa a correr com o cavalo, passando do namorado. O treinador sorria triunfante, mas logo hesitou-se quando ela passa dele.
— ESTÁ TRAPACEANDO, DEARING?
— QUE VENÇA O MELHOR! — dispara na frente e chega em um lindo bosque que estava coberto de gelo. Então, desce do cavalo para admirá-lo com mais atenção.
Logo mais atrás, o loiro já havia se convencido que perdeu feio. Ela era sem dúvidas, bem melhor que ele e demonstrou saber guiar o cavalo com destreza. Alguns minutos depois ele finalmente a alcança no antigo bosque.
— Ok... Você ganhou. — Admite relutante e envergonhado. Mas Claire estava ocupada admirando o bosque.
— Nossa, que lugar incrível! – olha admirada. — Você vinha bastante aqui?
— Vinha sim. Quebrei meu braço aqui duas vezes. A vegetação escorrega, cuidado. — Ele permaneceu em cima do cavalo observando o sol ao longe no horizonte emanando seus últimos raios de sol de fim de tarde. Despercebidamente, Claire aproxima-se da beira do lago aparentemente congelado, até Owen a chamar atenção.
— Já está na hora de voltarmos. Eu vi alguns rastros de lobos pela estrada quando viemos...
— Espera, tem alguma coisa ali, Owen... — Um passo em falso, Claire escorrega. Em questão de segundos estava sobre o gelo trincado, para seu completo desespero. Owen distraído olhava em direção a estrada aquele momento, a neblina insistia em tapar a visão parcialmente. Os lobos não seriam visíveis daquela forma.
Quando volta a olha-la, tamanho susto o fez saltar do cavalo e correr até à beira da água.
— Ai meu Deus, Owen! — Ela estava em pânico, mas Owen ainda mais. Ela havia se afastado um pouco da terra firme. Se Owen avançasse um passo, o gelo cederia automaticamente.
— Não se mexe. Ok? — O homem pensou em uma forma de tirá-la de lá sem perder a cabeça. — Relaxa, só ergue o braço que eu puxo você. Devagar...
— Owen... — Claire não sabia se era por causa do pavor, mas tinha a leve impressão de que cada vez que ela respirava os trincos aumentavam de tamanho em volta dela. Owen esticou o braço em direção a ela.
— Me dá sua mão. Sem pressa.... olha para mim. Só pra mim.
Com dificuldade, ela ergueu o braço trêmulo para o namorado, mas estava distante. O gelo foi pressionado e acabou se cedendo e a ruiva vai para dentro da água. Ela claramente sente uma dor aguda, como se de mil facas perfurassem seu corpo. A pressão da água congelada dificultava seus movimentos e tentativas inúteis de sair dali. Pode sentir, iria morrer ali mesmo. Owen tentou ser rápido como pode, agarrando-se a uma raiz na beira do lago e indo em direção a ela.
Em uma das vezes que voltava a superfície ela tentava agarrar-lhe a mão inutilmente. Claire afundou mais uma vez, como um machado sem cabo começando a ficar sem fôlego. Owen começa a se desesperar nas falhas tentativas de agarrá-la. Maldição, porque ela teve que pisar ali? Ele aproxima-se com cautela, visualiza um pedaço da jaqueta que ela usava e a puxa imediatamente para fora da água. Em instantes, Claire estava a salvo nos braços dele. Owen analisou-a, estava muito gelada, a pele branca rosada agora adquiria um tom pálido, como se lhe faltasse sangue. Rapidamente, Owen retira todas as blusas molhadas que ela usava e coloca duas que ele mesmo vestia nela. Tinha que mantê-la quente até que chegassem em casa. Com rapidez, o treinador sobe no cavalo com a amada nos braços e parte com o cavalo em disparada até a casa. A todo tempo ele a olhava para ver se estava bem. Ela tremia, as pálpebras pareciam querer se fechar a todo instante.
— Claire!! Fala comigo... Claire! Olha pra mim. Fala alguma coisa... hey!
Claire não conseguia responder, não tinha forças. Não sentia seu corpo, tremia muito. Ela sente o ar faltando e desmaia nos braços de Owen. Ele ainda a segurava firme contra o peito. Ao chegar logo a família toda já sabia o que tinha antecedido.
Owen pediu que Harry voltasse até o bosque e buscasse o cavalo que Claire tinha ido e as roupas molhadas que ele havia deixado para trás.
Enquanto isso a senhora Grady foi imediatamente preparar uma sopa quente para quando ela acordasse. Owen estava tão nervoso que foi preciso tomar um calmante diante daquela situação. Após a irmã tê-la examinado, concluiu o que deveria ser feito.
— Leva ela lá para cima, prepara um banho quente de banheira para ela e a deixa lá. Até a temperatura corporal voltar ao normal. Vai ficar tudo bem, maninho. Acredite... — Após ser tranquilizado, Owen a levou para cima. Como foi pedido, ele preparou um banho quente de banheira.
— Claire? Hey...
A ruiva abre devagar os olhos, a voz parecia distante, porém ela reconhecia o dono dela. O que confortou seu coração, ela pensava ter morrido, tremia de frio, os lábios estavam roxos, os olhos com olheiras roxas e a pele sem cor alguma. Mal conseguia respirar, muito menos se mover. Owen havia ficado apenas de cueca boxer e entrando junto a na banheira para segurá-la nua em seus braços. A água estava bem quente e agradável. Na temperatura ideal para que ela relaxasse e voltasse ao normal.
Ele passava a mão nas costas da amada para deixa-la mais à vontade. Após quase meia hora ali dentro, Claire começa a dar sinais de consciência e a espirrar. O treinador não pode deixar de dar graças a Deus por aquilo, aliviado.
— Owen... — o chamou, o tom de voz fraco. — Não sinto meu corpo...
— Ruivinha... hey... — Owen estava atento a pele dela, que aos poucos adquirira um tom rosado. — Logo vai voltar a sentir. — deposita um pequeno beijo no nariz dela. A envolvendo bem junto de si. — Sabe, você vai melhorar logo e daí vou poder te dar uma bronca por isso...
Claire sorriu quase sem força em resposta. Estar envolvida nos braços daquele marinheiro era a melhor coisa do mundo. Aos poucos e com auxílio de Owen, foi começando a se sentir melhor. Sentiu seu corpo se arrepiar por completo ao sentir os toques de carinho do namorado. Era muito amor envolvido ali entre os dois. Ela estava com a cabeça apoiada no ombro do loiro, com o rosto próximo ao dele. Podia sentir a respiração quente e o perfume do amado.
— Eu pensei que ia morrer. Foi a pior sensação do mundo. Senti meu corpo ser esmagado pela pressão da água congelada.... e você me salvou... – Sussurrou.
— Shh... Jamais te deixaria morrer. — passou água no rosto dela mais uma vez, aquela palidez que estava o incomodando já estava desaparecendo. — Ficamos todos preocupados contigo. Minha mãe está fazendo uma sopa para você. Logo vai ficar boa de novo.
— Desculpa amor... Não queria preocupar vocês...-Encara-o. — Já sei quem você puxou para ser tão incrível...Sua mãe é maravilhosa!
— Desculpa nada. Quero saber porque foi subir em lago congelado Claire Dearing. — Ele a repreendeu fechando a cara. — Um dia você ainda me mata...mas o importante é que você está bem agora. Não vai sair dos meus braços tão cedo.
Claire sorriu e o beija na bochecha. O treinador devolveu o beijo nos cabelos dela.
— Não quero sair dos seus braços. Meu porto seguro! — A ruiva começa uma sessão de espirros, estava ficando gripada. — Era só o que faltava...
— Era só o que faltava mesmo. Vai ficar de cama. Recomendação do Dr. Grady. — Disse em tom firme ainda fazendo carinho nas costas dela.
— Não me importo de ficar na cama se tiver a companhia do Dr.Grady...- sorri. — Será que ele aceita?
— É obrigação do doutor fazer companhia... agora vamos sair?
— Vamos...- Eles se levantam, enrolando-se na toalha. Vão até o quarto e colocam roupas secas. Claire não estava se sentindo muito bem, então deita na cama se cobrindo com as cobertas.
— Acho que vou ficar por aqui...
Owen se troca após e pega o secador de cabelo dela.
— Hey... vou secar seu cabelo amor. Não pode ficar com umidade. — senta do lado da cama dela. — Claire?
— Oi... — se senta com dificuldade para que ele pudesse secar.
— Tudo bem. Pode ficar deitada... — a deita de volta na cama e começa a secar os cabelos dela com cuidado. Era a primeira vez que fazia aquilo. Logo a mãe chega com a sopa na bandeja.
— Como está ela, filho?
— Melhorou bastante, mãe. Agora é só mantê-la aquecida.
— Claro. Trouxe a sopa, espero que ela goste. Claire querida?
— Oi...- Responde de olhos fechados. A ruiva estava com febre, naquele momento e com os carinhos que Owen dava em seu cabelo ao secar, ela só queria dormir.
O treinador fez um sinal para que a mãe deixasse a sopa sobre a cômoda. Após a mais velha ter saído, ele pega um par de meias e coloca nos pés dela. Os cabelos já estavam devidamente secos, e só após ter certeza disso ele resolve guardar o secador.
— Hey? — se mete no meio das cobertas ficando bem próximo a ela que estava bem quente. — Quer deixar a sopa para amanhã?... Céus, você está pegando fogo. — A abraça por trás, deitando em conchinha. Sabia que ela gostava de dormir daquela forma. — Amanhã você vai estar melhor. Se não vou te levar no médico. Está bem? – a beija na bochecha em um gesto de carinho.
Ela estava fraca apenas segurou a mão dele que estava envolta da sua cintura.
— Eu vou ficar bem...- Diz quase sussurrando. — Só preciso dormir... — fecha os olhos e acaba adormecendo.
— Tudo bem... — Naquela noite ele tinha certeza que não dormiria de preocupação. Apenas observava minuciosamente a respiração calma dela. Fazia um carinho em sua mão enquanto a contemplava. Nunca pensou que uma mulher pudesse virar sua vida de pernas para o ar como ela fez. Ela era extraordinária. Cuidar dela era mais que uma obrigação e sim um ato de amor, jamais feito por ele antes por alguém.
Owen havia permanecido acordado por longas horas. Às vezes levantava para medir a temperatura de Claire e colocar uma toalha fria em sua testa para abaixar a febre. Como a mãe havia recomendado, juntamente com seus conhecimentos adquiridos em seus longos anos de experiência na marinha de primeiros socorros, ele era um exímio enfermeiro por assim dizer. O loiro só teve a vontade de dormir quando a sentiu com a temperatura mais baixa e cochilou duas vezes, apenas meia hora antes do amanhecer.
*
Alguns passarinhos cantavam nos galhos do grande carvalho próximo da janela do quarto, quando Claire se viu acordada. Owen abraçado a ela. Já sentia-se melhor que a noite anterior, apesar de ainda sentir-se fraca. A ruiva vira-se para ele dando um beijo em sua bochecha. Não pretendia acorda-lo, apenas admirá-lo. Owen era sem dúvidas o melhor homem que ela já havia conhecido. Ao lembrar que iriam embora aquele dia, pode sentir seu coração apertar. Não queria ir embora e voltar para sua realidade, não queria acordar daquele sonho que estava sendo ficar ali.
Enquanto o namorado dormia, ela levantou e fez suas higienes, ainda um pouco febril. Não iria acordar o loiro, ia deixá-lo descansar. Então pegou seu celular e foi para o banheiro ligar para Simon e Karen. Ficou mais de três horas ali dentro falando com um de cada vez, desejando feliz Natal e colocando alguns assuntos em dia. Algum tempo depois Owen pula da cama, assustado por não a sentir ali do seu lado mas logo a acha falando ao telefone. O que foi um alívio.
Claire sai do banheiro e dá de cara com ele sentado na cama.
— Bom dia amor...- A ruiva foi até ele, lhe dando um selinho.
— Bom dia... — a puxou para que se sentasse em seu colo. Tocou-lhe a testa. — Abaixou a febre. Agora você tem que comer.
— Vou sim...- O olha nos olhos. — Owen...Eu vi tudo o que fez por mim esse noite...e...Não tenho palavras o suficiente que possam lhe agradecer...- o abraça carinhosamente. — É muito bom estar aqui com você... Te amo!
— Ah, só fiz meu dever que é cuidar da minha ruiva. — A beija várias vezes no rosto e a aconchega ainda mais no colo dele. — Que tal um café quente com torradas?
A barba dele faz cócegas no rosto da ruiva.
— Precisa fazer a barba Owen...E se ficarmos assim para sempre?
— Deixa minha barba em paz. O que vocês mulheres tem contra ela? — morde o pescocinho branco dela. — Seria uma boa ideia, mas podemos ficar assim depois que comer!
— No meu caso, não tenho nada contra... só que me pinica...- sorri. — Adorei...fiquei até com fome... — o dá um selinho e levanta colocando uma roupa. — Vamos amor, descer logo.
— Ficou com fome? É bom ouvir isso. — faz sua higiene e troca de roupa, logo descendo com a ruiva de mãos dadas para tomarem café. Todos vieram até ela perguntar se estava bem mesmo, preocupados. Claire cumprimenta todos com o sorriso e dizendo que já estava bem. A ruiva se aproxima da mãe de Owen e a abraça forte.
— Obrigada Senhora Grady! Por ajudar seu filho a cuidar de mim e por fazê-lo um homem tão incrível! — A mais velha sorriu ao ouvi-la.
— Não tem nada para me agradecer, filha... Ele te ama! — Claire sorri ao ouvi-la e vai até a mesa para comer. Owen estava morrendo de fome e já havia se sentado e comido bastante quando Claire se senta do lado dele. Ele prontamente colocou café na xícara dela e colocou vários biscoitos em seu prato.
— E olha que minha mãe tem toda razão. Amo mesmo. E vou amar muito mais se comer direitinho.
Ela sorriu e deu um beijo na bochecha dele. Comeu tudo o que ele havia colocado em seu prato e pegou mais um pão de milho. Estava com fome e fraca, sabia que precisava se alimentar bem.
— Tia Claire, tia Claire!!! — Sophie e Samuel falando em conjunto, ambos ainda de pijamas e pantufas.
— Você está bem tia? — pergunta Samuel curioso.
— Estou sim pequeno, venham aqui... — Claire puxa os dois para perto de si e os abraça ternamente.
— Olha o que fizemos para você tia...- Sophie diz a entregando um desenho. Era ela, Owen e os dois, juntos com a árvore de Natal. Claire esboçou um imenso sorriso.
— Ficou lindo meu amor! Muito Obrigada! Vou colocar na minha sala do trabalho...
Owen não deixa de sorrir ao ouvir o diálogo deles.
— Olha que agora eu sou um tio esquecido. Tudo é a tia Claire... — fingiu-se ofendido com uma voz de dar dó. As duas crianças em meio a risadinhas, subiram no colo do tio abraçando-o pelo pescoço.
Owen se sentia-se o homem mais sortudo do mundo por tê-los como sobrinhos, e uma namorada que demonstrava ser mais incrível a cada dia que passava. Com esses pensamentos, beijou cada um no rosto e em Claire um beijo demorado na boca a fazendo sorrir.
— Te amo...- diz entre os lábios dele.
— Uhmmm... credo.- Sophie e Samuel dizem juntos ao ver o beijo e começam a rir, saindo correndo logo após.
Bárbara que observava a cena com nojo no olhar, fechou ainda mais a cara encarando os dois.
O treinador apenas sorriu entre os lábios dela, olhando-a intensamente. Passaram parte da manhã conversando com os familiares e se despedindo. Claire abraça alguns dos familiares de Owen que já estavam indo embora. Definitivamente ela estava amando fazer parte daquela família. Mesmo ela sendo antissocial, conseguiu ter um bom relacionamento com eles. Quase todos.
— Hey meu amor... vou subir e pegar nossas coisas. A viagem de volta vai ser longa. — Disse enquanto pegava alguns remédios das coisas da mãe, para dar a Claire caso o resfriado piorasse. A ruiva sobe primeiro que Owen e começa a arrumar suas coisas. Nos mínimos detalhes como de costume. Owen se certifica que havia pegado tudo e sobe para o quarto. Ao se deparar com ela arrumando tudo detalhadamente, revira os olhos.
— É só juntar tudo em um monte e jogar dentro da mala, Claire.
— Me deixa. Tem coisas que nunca vão mudar Sr. Grady! — ela sempre foi muito detalhista e perfeccionista.
Owen encosta na porta e fica observando-a terminar de arrumar a mala, se segurava ao máximo para não soltar mais uma de suas piadas infames fora de hora. A tarde foi se desenrolando e logo eles já estavam prontos pra retornarem a América Central.
Owen carregou todas as malas de volta para o carro com certa dificuldade.
— Meu Deus, Claire. Tem tijolos dentro dessas suas malas? — Aparentemente estavam bem mais pesadas que anteriormente, quando chegaram.
Owen despediu-se de todos os familiares, inclusive da mãe que já estava chorando.
Claire despediu-se por último da Senhora Grady com quem havia criado um elo grande. As duas abraçaram-se entre lágrimas, até um Owen impaciente coloca-la no interior do carro. Durante a viagem, ele desvia o caminho sem que ela percebesse e faz o trajeto até um pequeno hospital na cidade.
— Vem, vamos nos consultar senhorita resfriado. — Ele não pretendia dizer a ela que iriam ao hospital antes, sabia que a namorada iria bater o pé, gritar com ele, protestar, e no fim ficar com um bico enorme. Apesar de ela estar aparentemente melhor, ele temia que tivesse acontecido algo mais grave, ou até surgir alguma pneumonia e ela piorar. — E pode fazer essa cara de surpresa mesmo. É surpresa. — Owen dá um sorriso de canto, sai do veículo e dá a volta, abrindo a porta do carro para ela como costumava fazer.
— OWEN...- Claire encara-o cerrando os olhos assim que ele abre a porta. — Eu não vou sair! Como você pode fazer isso?
— Vai sair sim senhorita, eu já marquei a consulta por telefone enquanto você babava no travesseiro hoje de madrugada. — Disse todo convencido.
Ela revira os olhos e sai bufando do carro.
— Deveria ter me avisado! — Claire sai na frente o deixando para trás.
— Para você falar que não ia vir e me encher o saco?
— Tá bom Grady. Okay!- diz irritada, Claire odiava hospital. — Vamos fazer o que temos que fazer e ir logo embora daqui...- para e o espera. Owen a leva até a consulta que não durou mais de 30 minutos. Owen permaneceu bem sério com durante a conversa com o médico, apesar de todos os exames indicarem que não havia nada de errado ele ainda encheu o doutor de perguntas. Na saída do hospital ele olhava atentamente os resultados no papel. Ela puxa os papéis da mão dele.
— Não tenho nada tá bom?!... não ouviu o que o médico disse? — Eles caminham até chegar no carro.
— Mas ainda está resfriada. Trate de vestir a jaqueta. — Owen usou o melhor tom mandão e entrou no carro, dando partida de volta a estrada. Claire respira fundo. Não tinha como questiona-lo. Sabia que se fizesse iriam brigar e ela não queria isso.
Após alguns minutos, a ruiva se acalma e repousa a cabeça no ombro do treinador, enquanto ele dirigia. De olhos atentos na estrada, ele só se viu distraído com aquele gesto da amada. Sorriu.
— Acabou a brabeza?
— Já passou... — Sorriu e deposita um beijo em sua bochecha. — Não estou acostumada a cuidarem de mim...sempre fui independente!
— Você ainda não deixou de ser um mulher independente, Claire. Mas ás vezes pode depender de outras pessoas sim. Não seja tão orgulhosa a ponto de pensar que nunca vai precisar de ninguém. — Fez a observação ainda de olhos na estrada. Estavam passando naquele exato momento pela cidade abandonada onde ele havia feito a brincadeira sem graça, e começou a rir.
— Você tem razão amor... e fico feliz em ter você na minha vida...
— Sei...Você só me dá trabalho, Dearing. — Brinca, colocando a mão direita na perna dela.
— Posso te pagar muito bem Senhor Grady... – Sorriu, insinuando-se.
— Me pagar? — Faz-se de desentendido, fingindo a maior cara de santo que poderia esboçar naquele momento.
— Sim...- Sussurra provocante em seu ouvido.
Ele já estava reagindo diante das provocações dela.
— Quer que eu bata o carro ou o que?
— Desculpa... – sorriu presunçosa dando-lhe uma trégua.
Após algum tempo chegam no aeroporto, mas o estrago já estava feito, lá saía Owen do carro com todas as malas tentando esconder a ereção nitidamente visível no meio de suas pernas.
— Claire Dearing... você me paga por isso... — Murmurou.
Fizeram o check-in e embarcaram no avião. O treinador estava sentado a janela ao lado de Claire, que não deixava de achar graça com a empolgação do loiro. O avião finalmente decola.
— Se quiser podemos resolver isso...- Claire sussurra.
Ele estava com uma blusa de tricô no colo tentando parecer normal.
— Como? — a questiona em um tom sedutor e desafiador. — Estamos dentro de uma aeronave. Não esquece... — Pisca para ela que sorri sedutoramente.
— Eu vou para o banheiro na frente... você vai depois... — A ruiva levantou-se sem ser percebida e escapa rapidamente para o banheiro.
Owen pensa duas, três vezes no que Claire havia acabado de sugerir. Era tentador. Era exageradamente excitante aquele convite. Era indecente. Suspira pesadamente tentando conter o tesão inexplicável, apenas por imaginar o que estava por vir.
Seus olhos verdes permaneciam grudados em Claire se afastando até a cabine do banheiro. Espera alguns instantes antes de segui-la, se certificando de que não havia ninguém prestando atenção neles.
Owen empurra a porta da cabine, encontrando uma Claire com o olhar sedutor, lascivo. De imediato ele fecha a porta atrás de si.
Fale com o autor