Notas iniciais
Oiee! Finalmente me aventurei a escrever algo do meu casal favorito, e amei escrever essa história. Espero que vocês se divirtam tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo.

Temari andava de um lado para o outro em frente à grande porta de madeira pensando em como entraria em um assunto como aquele. Não precisava bater para entrar, muito menos de permissão, mas já havia pelo menos vinte minutos que hesitava. Não costumava hesitar, nunca. Sempre foi segura de si, autoritária com todos, sem medos, e era por isso que seus irmãos sempre a queriam por perto. Seus conselhos eram sempre valiosos pois eram verdadeiros, agradassem a quem agradar, e por esse motivo também ocupava a posição que ocupava. Mas não hoje, hoje estava hesitante e, embora odiasse admitir, com medo, muito medo. Desde que confirmou suas suspeitas, sentia suas pernas bambas, e sua cabeça estava mais confusa do que nunca.

Os últimos meses foram uma loucura. Desde que assumiu publicamente seu namoro com Shikamaru, as coisas ficaram, como ele diria, problemáticas. Por isso adiaram tanto se assumirem, sabiam que as coisas entre eles a partir do momento que todos soubessem não seriam fáceis. E não foram mesmo.

Mantiveram o relacionamento em segredo por pelo menos três anos. A princípio, assim que se conheceram, eram novos demais para pensar em namoro. Ele ainda mais, com doze anos e recém formado chunin, sequer reparava em garotas, e ela muito menos em criança. Com o passar do tempo, os raros encontros que tinham acabaram formando uma espécie de amizade, onde passavam a maior parte do tempo provocando um ao outro. Pouco mais de dois anos depois essa amizade estranha criou um clima de tensão, as provocações antes inocentes ganharam um ar maldoso nas entrelinhas e quando ninguém via, trocavam olhares digamos... suspeitos. Até o dia que ficaram sozinhos em uma sala no prédio Hokage para discutir os detalhes do exame Chunin, já que seriam os responsáveis pela organização. Num momento estavam provocando e jogando indiretas um para o outro como de costume, no instante seguinte ela estava sentada em cima da mesa, por cima dos papéis do exame, com Shikamaru a beijando de forma tão voraz que de longe parecia o cara preguiçoso que ela conheceu.

Nunca chegaram a nomear o que tinham, mas sempre que podiam davam um jeito de se encontrar. Quando precisavam ir às respectivas vilas arrumavam uma maneira de fugir por umas horinhas para ficar sozinhos, ou nas vezes que tinham missões perto da vila um do outro, despistavam seus companheiros e arranjavam um vilarejo próximo para ficar juntos. Se entendiam muito bem dessa maneira e melhor ainda, não davam satisfação para ninguém.

Após a guerra, todas as atribuições que lhes foram dadas acabaram afastando os dois, e por mais de um ano mal se falavam. Porém depois de um rápido encontro após uma reunião da aliança shinobi reacendeu todo aquele sentimento, e após a missão em que ajudou a resgatá-lo no país do silêncio, resolveram ter um encontro de verdade, e tornar as coisas mais sérias. Sabiam que tudo se complicaria na medida que todos ficassem sabendo. Vinham de clãs importantes, ela era a primogênita do antigo Kazekage e irmã do atual, além da posição influente que ocupava ao lado dele. Seu noivo ocupava uma posição de autoridade e era atual líder de um dos clãs mais influentes de Konoha. Como ele previu desde o princípio, o relacionamento deles poderia ser usado como um tratado político, e no momento que revelaram, foi o que aconteceu.

Um tempo depois do início do namoro oficial, o Hokage, Gaara e alguns conselheiros de ambas as vilas se reuniram para discutir alguns problemas que estavam gerando um grande desconforto entre as duas nações e de certa forma enfraquecendo a aliança existente. Uma sugestão para apaziguar as coisas seria criar um elo entre as vilas, um acordo inquebrável para selar a paz por mais uma temporada. Discutiram sobre algumas formas e tratados, porém a melhor solução foi dada só após a reunião, numa conversa somente entre os dois Kages e o casal: o casamento deles.

Não era segredo que eles pretendiam se casar, embora Shikamaru ainda não tivesse feito o pedido, e aproveitar essa pretensão para selar um acordo seria perfeito... Perfeito para quem? Temari odiou tudo aquilo. Por mais que Gaara insistisse que só achou uma boa ideia porque eles já eram um casal, não queria se casar com o peso de firmar união entre vilas, queria se casar porque amava Shikamaru. Se sentia como uma refém, que por ser da vila mais fraca, ficaria em poder da outra para garantir que Suna não iria ferir os termos. Uma garantia, isso que seria. A princípio não aceitou, achou um absurdo; esbravejou e pensou até em terminar o namoro. As coisas ficaram bastante tensas, mas dias depois Shikamaru a surpreendeu quando no meio de um jantar a pediu em casamento. Deixou claro que estava fazendo aquilo por ela, porque a amava, e já tinha planejado fazer o pedido de qualquer jeito, não pelas vilas. Então, por fim, Temari cedeu. Ela também o amava, não tinha como negar, e se aproveitando politicamente de seu casamento ou não, ela seguiria em frente.

A partir daí a loucura começou. Com o casamento à vista, tinham que organizar além dos assuntos pessoais, os de trabalho. Temari assumiria um cargo diplomata em Konoha, e seria responsável por todos os assuntos pertinentes a Konoha x Suna. Então diversos novos procedimentos estavam sendo criados para esse cargo, a maior parte deles sendo encabeçados por Shikamaru. Em Suna ainda era pior, todas as atribuições que tinha como conselheira do Kazekage ficariam para Kankuro, e ela precisava finalizar qualquer pendência antes de partir. Por isso chegava cedo e saía tarde todos os dias, as vezes até depois que o próprio Gaara.

Ainda tinha a guerra das datas. Precisavam encontrar uma data para a cerimônia que agradasse às duas vilas, e sempre que propunham alguma data, alguém tinha algo contra. O casamento não podia ser rápido demais, pois todos precisavam se preparar para o evento, mas também não podia demorar tanto a acontecer, pois o tratado entre as vilas era prioridade. Por fim conseguiram marcar a data para dali a três meses.

Com tudo isso, mal conseguia ver seu noivo. Se falavam o tempo todo por cartas, mas sempre coisas pertinentes ao casamento ou ao trabalho. Haviam se encontrado a pouco mais de um mês no casamento de Gaara, e agora só o veria de novo dali a cerca de um mês e meio, quando ia a Konoha para acertar a decoração do casamento com Ino e outros detalhes da cerimônia.

Esse era o plano até agora, mas essa manhã todo o planejamento desceu por água abaixo. Depois de tanto trabalho, ela teria que modificar tudo de novo, e torcer para que os novos planos fossem bem aceitos e que não houvesse escândalo.

Decidiu por fim parar de enrolar e abriu a porta. Quanto mais cedo resolvesse tudo isso melhor.

Gaara estava absorto na leitura de um livro, com o cenho franzido. Ele sempre gostou de ler, e ultimamente vinha lendo mais que o normal. Desde que se casou, estava empenhado em entender mais sobre os sentimentos e o amor. Para seu irmão tudo era muito novo, teve que se casar quase que por obrigação, uma vez que Temari iria se casar logo, e por mais que gostasse de sua esposa e estivesse feliz no seu casamento, estava conhecendo agora o amor de homem para mulher, e ainda tinha suas dúvidas quanto a isso. Então seguiu o conselho do Hokage, Kakashi Hatake, que lhe deu uma coleção de livros de presente de casamento, dizendo que aqueles livros mudariam sua visão do amor e de outras coisas mais, e passou a lê-los quase como objeto de estudo.

O conselho de Suna considerou a hipótese de que, se Temari tivesse um filho e algo acontecesse com Gaara e Kankuro, essa criança seria a última com ligação sanguínea do clã, e a aldeia poderia reclamá-lo para que pudessem proteger a linhagem e futuramente assumir o posto de Kazekage. O que já não seria bem visto, pois essa criança seria de Konoha, e seria quase um escândalo um estrangeiro assumir a liderança da vila. Não só isso, ela também seria herdeira do clã Nara, um clã importante, e provavelmente Shikamaru não aceitaria entregar o filho, o que poderia causar um grande mal estar entre as vilas. Então Gaara precisava se casar e ter um herdeiro o quanto antes. Por fim, depois de negociações e um noivado forçado que quase terminou em tragédia, Gaara decidiu escolher sua própria noiva e um mês depois se casaram.

— Estava me perguntando o porquê de você não ter entrado de uma vez... — claro que ele sabia que ela estava lá fora, ele sempre sabe. — O que aconteceu?

Temari mudou o peso de uma perna para outra, e sentiu seu rosto esquentar. Falar sobre aquilo seria mais difícil do que pensava.

— Você não está sorrindo, então é algum problema. — Gaara observou quando finalmente fechou o livro e olhou para ela. — Mas veio aqui sozinha, então não é do trabalho, caso contrário Kankuro teria vindo também.

Seu irmão era um cara inteligente, as vezes, como agora, isso era um problema. Ela se aproximou e sentou-se de frente para ele.

— Bem... Eu... Aconteceram algumas coisas e eu preciso ir à Konoha o quanto antes. Se possível hoje. —falou por fim.

Gaara não respondeu à princípio, só estreitou os olhos na direção da irmã. Foi um pedido repentino, ela sabia, mas esperava que ele pudesse sentir a importância nas suas palavras.

— Não. — Seu irmão falou firme.

— O que?

— Não te dou autorização para ir à Konoha. — Explicou.

Ele não era uma pessoa de fazer brincadeiras. Se dizia que não, era porque não mesmo. Temari bufou.

— Mas é realmente importante...

— Teremos um grande evento daqui a dois dias na vila, evento esse que vai durar uma semana. Não posso deixar que vá, você não voltaria a tempo e eu preciso de você aqui.

O evento! Tinha esquecido do evento. Seria uma grande reunião de parceria com algumas vilas pequenas que existiam em volta de Suna, parcerias que levantariam os recursos tanto deles quanto dessas vilas em questão. Estavam há meses planejando e Temari estava à frente de tudo, realmente deixaria seu irmão na mão se fosse.

— Certo... Dois dias... mais uma semana... mais três dias até Konoha... — Ela gemeu — Não posso, não posso esperar tanto tempo. Quase quinze dias é muita coisa. Eu sei que esse evento foi planejado por mim na maior parte, mas tem mais gente envolvida que pode fazer tudo acontecer perfeitamente. Eu realmente preciso ir.

— Temari, eu me compadeço do o seu desespero, mas não posso permitir. Sinto muito.

Nessas horas a falta de sensibilidade de Gaara era algo incrivelmente irritante. Ele não mudaria de ideia, seu dever como Kazekage estava à frente de tudo. Mas quanto mais tempo perdesse, menos chance teria de alterar os planos do casamento, e não mudar as coisas não era opção. Ela precisava convencê-lo sem falar o real motivo. Ele iria saber logo de qualquer modo, mas não era certo que fosse o primeiro.

— Gaara... — ela suspirou — Eu não estaria insistindo se não fosse tão importante. ‘Tô te pedindo como sua irmã.

— E eu estou te respondendo como o Kazekage, e continua sendo não. — Ele foi seco — Se tiver mais alguma coisa... Eu preciso terminar de assinar alguns documentos.

Seu coração estava acelerado. Estava ficando nervosa e lentamente perdendo seu auto controle. Mas não sentia vontade de destruir as coisas como faria há pouco tempo atrás, com a resposta que recebeu, sentiu um bolo se formar em sua garganta na mesma hora, e seus olhos arderem. Sem que pudesse evitar, uma lágrima escorreu. Que droga! Não chorava, nunca. Na relação o chorão era Shikamaru, não ela. Tentou se controlar, mas não conseguia, o máximo que conseguiu foi cobrir o rosto com as mãos.

— Está chorando? Você nunca chora! — Gaara exclamou, surpreso — Você brigou com seu noivo? Ele te fez algo?

— Não brigamos mas... — Pigarreou, tentando retomar o controle sobre si — Acho que precisaremos rever a data do casamento.

Ele ficou surpreso.

— Não dá mais para adiar, Temari. Sabe que já estão pressionando quanto a isso, principalmente agora que já me casei.

— Não adiar, mas adiantar um pouco...

— Um pouco quanto? — ele perguntou, desconfiado.

— Não sei bem, daqui a um mês, um mês e meio...— ela falou, nervosa — Eu queria muito falar com Shikamaru sobre isso. Preciso explicar o que houve primeiro a ele e então decidir o que fazer. Mas precisa ser pessoalmente.

O Kazekage se levantou, impaciente.

— Impossível, um mês e meio está muito em cima. O que foi que deu em você? Quando aceitou o casamento sabia das condições, não é um casamento simples, não dá pra trocar a data assim de qualquer jeito, nem abandonar Suna pra conversar com seu namorado quando temos tanta coisa importante vindo. Eu me surpreen...

— Eu estou grávida. — Ela falou de uma vez. Por mais que quisesse dar essa notícia para seus irmãos tendo Shikamaru ao seu lado, não ia conseguir permissão de sair da vila sem falar a verdade.

Gaara estava visivelmente confuso. Abriu e fechou a boca algumas vezes, balançou a cabeça, ainda arriscou uma olhada para sua barriga, como se a notícia que recebeu tivesse feito o bebê crescer instantaneamente. Por fim, ele sentou-se de volta. Olhou para o seu exemplar de Icha-icha Tatics que estava lendo momentos antes, em seguida olhou Temari com curiosidade.

— Descobri hoje de manhã. — Continuou, visto que Gaara ainda não sabia o que dizer — Estava me sentindo estranha há alguns dias e já desconfiei do que se tratava, hoje só confirmei.

Ele continuou calado, encarando a irmã com intensidade. Aquilo a estava deixando levemente constrangida. Falar desse assunto não era fácil, e o silêncio dele pouco ajudava.

— Não foi de propósito. Com a loucura desses últimos meses negligenciei um pouco meus remédios... — Ela falou num tom mais baixo, corando. — Devo estar com pouco mais de um mês, já que a última vez que vi Shikamaru foi no seu casamento.

Ele continuou calado, com o mesmo olhar intenso. Dessa vez ela esperou, mas ele não fazia menção de abrir a boca.

— Por isso falei que quero adiantar o casamento. — ela quebrou o silêncio mais uma vez. O clima estava ficando cada vez mais desconfortável — Pode ser vaidade, mas não quero me casar com a barriga grande, além do mais, pode causar escândalo na vila.

Gaara continuou calado, sem desviar o olhar, mas agora levou a mão ao queixo.

— Fala alguma coisa, está me deixando nervosa! — bradou em voz alta.

O ruivo se assustou, pulando na cadeira. Foi como se tivesse o tirado de um transe.

— Quando anunciei meu noivado você falou que eu só poderia tocá-la quando me casasse, e assim o fiz... — disse, pensativo. — Mas se você está grávida...

Temari corou dos pés à cabeça.

— Nunca te disse que não podia. — ela se defendeu — Disse que era o recomendado, as pessoas esperam que seja assim.

— Entendo. — ele coçou a cabeça — Então por que você não fez do jeito que é recomendado?

Ela arregalou os olhos. Ele falava expressando pura curiosidade, num tom quase monótono. Gaara nunca fora do tipo irmão protetor ou ciumento, e nunca nem se interessou por sua vida pessoal. Essa curiosidade era algo novo, e que de cara não apreciou; esse tipo de pergunta além de constrangedora, era inconveniente.

— Não estamos aqui para falar da minha vida sexual. — esbravejou, ainda com o rosto corado. — Quero saber...

O barulho da porta interrompeu a conversa. Para seu azar, Kankuro apareceu com uma pilha de documentos nos braços, despejando tudo em cima da mesa de Gaara. Parou no meio da sala e encarou os dois irmãos, sorrindo maroto.

— Reunião de família e nem me convidaram? — perguntou, divertido. — O que aconteceu? Já sei, nossa irmã finalmente desistiu de se casar com aquele preguiçoso de Konoha.

— Na verdade agora que ela vai ter um filho dele, vai se casar mais rápido.

Temari escondeu o rosto nas mãos. Não pediu sigilo à Gaara, e esperava que ele fizesse o que sempre fazia: ficar calado. Justo hoje ele tinha que falar demais. Arriscou olhar para seu irmão do meio, e o moreno ostentava uma expressão de incredulidade, olhando de Temari para Gaara, e de volta para ela, esperando que um dos dois dissesse que era mentira. Por fim, começou a gargalhar descontrolado. Temari fitou Gaara, confusa, e o ruivo deu ombros

— Primeira vez que vejo nosso irmãozinho fazendo uma piada. Desde que casou você anda num ótimo humor... — disse enxugando as lágrimas.

O Kazekage ficou confuso.

— Mas eu não fiz nenhuma piada. Temari está grávida mesmo, e segundo ela o bebê foi feito no dia do meu casamento.

A loira queria morrer naquele momento, qualquer coisa era melhor do que seu irmão caçula falando de sua vida íntima para seu outro irmão.

— Gaara, cala a boca por favor. — suplicou — Isso não é coisa que se diga.

Já a expressão de Kankuro mudou. O sorriso divertido sumiu, e uma veia saltou de sua testa. Era tudo que ela não precisava, outro irmão querendo se meter na sua vida. Ela só procurou Gaara pois era o Kazekage e ela subordinada dele. Não queria opinião sobre sua gravidez; só queria ir à Konoha conversar com seu noivo e mudar a data do casamento, pronto.

— Eu vou matar aquele cabeça de abacaxi! — Kankuro falou entre os dentes — Que audácia, levando minha irmã pra cama debaixo do nosso teto! Devíamos ter vigiado esses dois, como não pensei nisso antes. Aquele safado...

— Vigiar? Você está louco, só pode. — Temari riu — Eu não estou aqui buscando aprovação ou suporte para mim e meu bebê, estou aqui querendo resolver sobre a data do meu casamento. Não preciso da permissão de vocês para nada, meus irmãos; ou melhor, preciso do Kazekage para sair da vila, por isso eu vim. O que eu faço na minha intimidade não é problema de nenhum dos dois!

— Intimidade... — Kankuro murmurou, irritado.

— É, Kankuro, intimidade. Minha, e não é da sua conta.

— Pois devia ser da minha conta, e de Gaara. Como seus irmãos devíamos ter tomado cuidado pra evitar que na primeira oportunidade você se enfiasse na cama com esse cara e ficasse grávida! Aliás, aquele babaca do Nara se diz tão inteligente e não consegue nem usar uma merda de camisinha! — ele esperneava, enraivecido.

Temari sentia o coração acelerado e o rosto quente de tanta raiva. Não devia se estressar, pelo bebê, mas agora já era tarde. Ela se levantou de uma vez só, e agarrou Kankuro pelo colarinho, empurrando-o contra a parede com violência.

— Presta bastante atenção porque eu vou falar uma única vez. Para de falar como se o fato de você e Gaara serem homens desse algum direito sobre mim. Eu sou a irmã mais velha, não preciso de babá, e tenho autonomia para fazer o que quiser com meu corpo e para dormir com quem eu quiser. Então, irmãozinho, não tenta começar a se meter na minha vida porque eu não vou deixar. — Ela apertou ainda mais o moreno na parede — E aliás, tomar conta de mim à essa altura não adiantaria, já que eu e Shikamaru estamos transando há pelo menos uns três anos.

— Ora sua...

Mas Kankuro não terminou a frase, pois duas mãos de areia pegaram tanto Temari quanto ele, levantando-os no ar, e trazendo-os de volta para a cadeira na frente de Gaara.

— Acho que já chega dessa briga — o ruivo falou, cansado — Temari, você veio aqui pedir ao Kazekage para ir à Konoha, e como Kazekage minha resposta é não.

— Mas Gaa...

— Se você quer minha resposta como seu irmão, também é não. Não posso deixar minha irmã grávida fazer uma viagem perigosa de três dias sem necessidade. Pelo seu bem e do meu sobrinho. — finalizou.

Ela bufou, nervosa.

— Como farei, então? Quanto mais tempo demorar mais difícil será adiantar o casamento.

— Você quer ir à Konoha falar com seu noivo, nesse caso farei o contrário. Vou pedir para que ele venha à Suna. Assim você dá a notícia a ele e podemos acertar as datas pessoalmente. Vou ligar para Kakashi e pedir que mande Shikaramu ainda hoje. Talvez tenha que contar a ele o que aconteceu, senão pode não querer liberá-lo... mas pedirei que mantenha segredo. — completou quando viu que Temari ia protestar.

Não era o que queria, preferia ir até lá conversar com ele, mas realmente era mais viável que ele viesse. Com Gaara falando de antemão para o Hokage sobre a pretensão de adiantar o casamento, quando Shikamaru chegar a escolha da data será mais fácil. Que seja, o que importa é tudo dar certo no final.

Seu irmão caçula virou a cadeira para Kankuro, que estava calado e de cara feia.

— Não adianta querer brigar com nosso futuro cunhado quando ele chegar. Não mudaria nada, o bebê já está a caminho, e só deixaria nossa irmã nervosa sem necessidade; e isso é ruim para o nosso sobrinho.

Kankuro suspirou, irritado, e começou a falar alguma coisa que ela já não ouvia mais; àquela altura pouco importava se ele estava com raiva ou não. Agora que o susto inicial por confirmar a gravidez estava passando e tudo estava parecendo se ajeitar, ela finalmente deixou a ficha cair. Grávida, logo ela, uma mulher tão brava e tão irritadiça. Nunca havia pensado na possibilidade real de ser mãe. Claro, sabia que eventualmente teria que dar um filho a Shikamaru. Como líder do clã Nara ele precisaria de um herdeiro, mas era algo a longo prazo. Agora ele estava ali, um bebê, fruto do amor dos dois. Fruto da noite linda que passaram juntos, quando ele entrou pela janela de seu quarto dizendo que não conseguiria passar a noite longe dela. Seu noivo era no geral um homem carinhoso, mas aquela noite estava mais que o normal. Era como se soubessem o lindo resultado que aquela noite traria.

Temari levou a mão ao ventre, que não demonstrava o menor sinal que tinha uma vida ali dentro. Não sabia ser carinhosa, ou demonstrar tanto afeto, mas tinha certeza que no momento que aquele serzinho viesse a esse mundo, ele a mudaria por completo. Não tinha nem vinte e quatro horas que sabia de sua existência e já se sentia diferente, já se sentia ansiosa por ver sua barriga crescer, senti-lo mexer, até os desconfortos que já estava começando a ter não pareciam tão ruins assim. Ela acariciou a barriga e sentiu seus olhos arderem, e uma lágrima rolou por seu rosto. Ela já começava a se sentir mãe, e já amava aquele pequeno preguiçoso que estava gerando.

Foi só depois de um tempo que reparou que a sala estava silenciosa. Levantou o rosto depressa, e encontrou seus dois irmãos a fitando, ambos sorrindo ternamente.

— O que estão olhando? — Ela perguntou mal criada, enxugando as lágrimas depressa e levantando-se — Eu vou voltar para casa, acho que preciso por meus pensamentos em ordem.

Ela se dirigiu até a porta, mas quando tentou sair sentiu que algo a segurava. Em seu braço, a linha de chakra de Kankuro era visível, e ele a virou como viraria uma de suas marionetes. Ela ia gritar com ele para que a soltasse, mas o rosto de seu irmão não era de raiva, era o mesmo que fazia quando ela cuidava dele enquanto doente, ou quando o mimava e fazia algo que ele gostava: um sorriso afetuoso, que mesmo a maquiagem não conseguia esconder.

— Você vai ser uma boa mãe. — Falou sincero, alargando mais o sorriso. — E eu vou ser o melhor tio.

Ela riu, sentindo mais uma vez os olhos marejarem. Malditos hormônios, mas não tinha como evitar, entendeu que nos próximos meses seria a bebê chorona da relação. Aquele dia foi cheio de surpresas para todos, mas essa surpresinha que virou do avesso os planos de todo mundo já era mais do que bem-vinda.

Notas finais
Oie de novo! Eu escrevi essa história para ser uma oneshot, era pra acabar aí e pronto. Porém meus revisores (lê-se meu marido e minha amiga. rsrs) disseram que deveria ter algo mais. Então decidi fazer uma shortfic de 2 capítulos + epílogo. Desculpem se teve alguma informação incorreta, tentei ser o mais canon possível, mas se saí da história, foi licença poética. kkkkk