Notas iniciais
POV ANNABETH

Achei legal da parte de Percy convidar Calypso para a reuniãozinha do time de futebol. Para calouras como nós e garotas solitárias e de bem com a vida, como ela amava se auto rotular, era um grande passo rumo á uma boa reputação.

Não gosto de reputações.

Percy teve uma no colegial e acabamos juntos por causa dela, mas não gosto de me lembrar do que a mesma o forçou a fazer, tanto no início da relação, com a tal aposta, quanto no decorrer dela, quando os amigos dele o impediam de ser visto comigo nos corredores.

Tomei um banho rápido, penteei os cabelos loiros que estavam insanos naquela manhã e me vesti com as primeiras peças que achei no armário. Eu tinha sido liberada das aulas teóricas, mas ainda tinha trabalho a fazer: Nos pediram para dar uma volta pelo campus e fazer anotações sobre a estrutura do lugar, coisas como rascunhos de melhoras ou cumprimentos á fachadas.

Combinei com um companheiro de classe, Charlie, de fazermos o trabalho juntos, por que além de ótimo aluno, Charlie também era privilegiado com uma linda scooter, o que facilitaria a longa caminhada por todo o lugar.

Quando tranquei tudo e desci as escadas, Charles, ou Charlie, como ele preferia, já estava me esperando escorado na moto. Sorriso perfeito, covinhas marcando a barba rala no queixo e fios castanhos claros caindo sobre os olhos cor de mel que brilhavam ao sol. Lindo, não posso negar.

–Annabeth! -Ele exclamou ao me ver e me abraçou, simpático. -E aí? Pronta para reprojetar tudo isso aqui?

–Acho que sim. -Eu ri. -Você sim parece mais que pronto...

–Tenho que admitir que sim. Vamos? -Charlie me ofereceu a mão e me ajudou a subir na moto. Ele me seguiu, pegou minhas mãos e as cruzou em sua cintura, chegando um pouco pra trás e colando nossos corpos.

Não sei dizer quais eram as intenções dele, mas se Percy me visse naquele momento, iria explodir em ciúme.

Apesar de todas as tentativas de se aproximar, Charlie e eu tivemos uma manhã e tanto. Ele é realmente um ótimo arquiteto, além de um cara muito legal. Inteligente, palhaço e fofo. Se eu não namorasse o palhaço mais fofo do universo, Percy Jackson, Charlie Hopes até teria uma chance.

–Não quer ir almoçar? -Ele convidou enquanto organizávamos nossas coisas sentados no gramado próximo ao campo de futebol, depois de analisar os ginásios e suas fachadas sem graça. -Teremos muito trabalho a fazer se resolverem aderir a esse projeto.

–Isso foi um convite pra sair seguido de um elogio arquitetônico? -Eu ri.

–Não. -Ele sorriu, apontou pra mim como se os dedos fossem armas e deu uma piscadela mordendo o lábio inferior. -Foi um resmungo arquitetônico.

–Você é um idiota arquitetônico! -Dei um tapa no braço forte e salpicado por pequenas sardinhas.

–E você é uma gata arquitetônica.

Parei de rir quando Charlie segurou meu rosto com uma das mãos enquanto a outra ele pousava em minha cintura.

Ele ia se aproximando, com o olhar fixo no meu e os lábios entreabertos, quando ouço alguém gritar o meu nome:

–Annabeth?!

Rezei para todos os deuses do universo para que quando eu me virasse não visse um Perseu irritado e então o que vi foi...

–Luke?!

Luke vinha até nós em uma velocidade incrível e com passadas longas e firmes. O peito estufado, o maxilar travado e as sobrancelhas franzidas. Ele vestia jeans e camiseta.

–O que pensa que está fazendo?! -Ele gritou. Ainda bem que todos estavam em aula agora, se não meio campus estaria ali, observando eu me dar mal.

–Luke, olha...

–Você namora esse cara? -Charlie apontou pra Luke, mas olhar de descrença foi pra mim.

–Sim/Não! -Falamos os dois juntos.

–Não? -Castellan segurou o meu braço com brutalidade.

–Luke, solta, está me machucando! -Resmunguei com dor. Ele só apertou mais forte. -Ai!

–Solta ela, idiota! -Charlie empurrou o loiro e o mesmo caiu no gramado.

Queria poder dizer que corri para os braços de Charles, que me abraçou protetor, e que Luke se levantou e foi embora, tudo muito pacifica e civilizadamente. Mas nem tudo acontece como eu quero ultimamente.

O dono dos olhos azuis se levantou e deu um direto de esquerda na boca do estômago de Charlie, que se contorceu e depois chutou as costelas do outro. Luke tentou atingir o rosto do barbado, mas o mesmo desviou e ele socou o vazio.

–Parem, agora, vocês dois! -Falei alto empurrando Charlie, que ainda tentava dar outro murro o loiro, e Luke, que tentava, em vão, estancar o sangue que descia pelos lábios cortados superficialmente.

–Isso não vai ficar assim, parceiro! -Luke falou apontando para Charles enquanto ia embora.

–Pode acreditar que não! -O mais novo retrucou.

–Poxa... Você ta bem? -Perguntei quando o garoto se contorceu colocando a mão onde Castellan o atingira anteriormente.

–Não muito.

Charles tirou o moletom vermelho, exibindo o abdômen magro e definido. A pele branca aderira um tom avermelhado que ficaria roxo depois.

–Quer ir até a enfermaria?

–Não... Vão ficar sabendo que brigamos e então isso vai manchar meu histórico...

–Então vem, vou te levar até meu quarto, acho que temos gelo e Gelol*. Seu rosto também não está muito bem... Vamos.

Juntei os projetos e coloquei na mochila, insisti para guiar a scooter e em poucos minutos estávamos na porta do quarto. Quarto este que estava com a porta escancarada. Achei estranho Calypso ter voltado tão cedo das primeiras aulas.

Charlie se escorou em mim quando a ferida voltou a doer e então eu abracei sua cintura nua, sua pele quente. Entrei pela porta e vi o que nunca imaginaria ver: Percy Jackson, vulgo meu namorado, se agarrando com minha colega de quarto. Demorou uns minutos para que eles nos notassem e quando me viu Calypso ficou vermelha.

–Oi Annie... Er... Será que podiam voltar depois? O quarto meio que já está ocupado. -Ela riu.

–Percy? -Foi o que consegui dizer antes que as lágrimas de raiva começassem a jorrar.

–Sabidinha, eu posso explicar, foi ela quem me beijou, eu nem sabia que vocês eram colegas de quarto e...

–Espera, vocês se conhecem? -Charlie falou um pouco constrangido.

–Pois é, a garota com quem você está abraçado é minha namorada! -Percy veio pra cima de Charles.

–O que?! -Calypso falou. -Você disse que me amava!

–Foi mesmo Percy? -Gritei.

–Eu nunca disse isso!

–Esse tempo todo você tinha namorada?! -Calypso continuou, descrente.

–Tempo todo? Quer dizer que já me traia, Perseu? -Eu falei soluçando.

Charlie me puxou para um abraço confortador e eu afundei os olhos molhados no peitoral dele.

–Não!

–Quer dizer que Ogígia não foi nada pra você?! -Calypso sentou magoada na cama.

–Não é isso, Surfista... -Percy tentou consola-la.

–Ogígia? -Falei com raiva me separando de Chales. -Você Me traiu no ano novo?

–Eu estava bêbado e... Mas e você?! Hein? Luke apareceu machucado em casa! Parece que Annabeth Chase, a nerd, revelou seu lado pegadora! -Percy falava com raiva mas chorava também. -E quem infernos é esse cara?!

–Luke foi um erro! Assim como você! -Gritei e um nó se formou em minha garganta.

–Você é minha namorada!

–Era. -Falei séria olhando nos olhos dele. -Acabou, Percy.

–Sabidinha, você não pode...

–Ela pode sim, cara! -Charlie me abraçou de novo e depois disse pra mim. -Vamos, estou sozinho em um quarto, pode ficar uns dias se te incomodar continuar aqui.

–Me desculpe, Annie. -Calypso me olhou com os olhos vermelhos e inchados.

–Não é culpa sua. Podemos ir, Chazz?

–Claro.

Notas finais
KILL ME, NOW YOU CAN DO IT!