Notas iniciais
Pov Percy, mesmo com alguns pedidos pela reação dela (Annabeth)

–Eu gostaria de falar com Annabeth Chase, por favor. -Eu disse á secretária por trás da mesa.

Eu estava no escritório de Annie, depois de ter passado a noite em claro tentando reunir coragem e pensando no que fazer depois que finalmente conseguir vê-la. O edifício se encontrava no centro na cidade, junto com outros muitos outros prédios importantes para a economia Novaiorquina. Não me surpreendeu que Annabeth teria conseguido chegar tão longe.

–Horário marcado para que horas? -A senhora, que me pareceu muito simpática, falou checando a agenda. -Desculpe-me, mas a senhorita Chase está analisando um projeto importante e pediu para que eu não marcasse nada para agora. Deve ter havido um equívoco...

–Não... -Passei a mão na nuca, desconfortável. -É que... Eu... Eu não marquei horário. Sou um velho conhecido e queria muito, muito vê-la.

–Sinto muito, rapaz, mas tenho ordens restritas para não interrompê-la e...

–Quem está aí, Héstia?

E então ela apareceu pela porta. Meu pesadelo loiro parecia intacto, como se nem o tempo e nem nada conseguisse mudar a beleza absurda de seus traços. Ela vestia jeans rasgados nos joelhos e uma camisete azul bem clara, o que rassaltava os olhos cinzentos que me reconheceram no ato. O rosto dela ficou rubro em milésimos de segundos e eu podia sentir o meu esquentando também.

Devíamos parecer em choque, porque Héstia, a secretária simpática, soltou uma risadinha e levantou-se, deixando-nos a sós:

–Vocês precisam conversar.

E saiu.

Ficamos minutos á fio apenas nos observando, como se fossemos predador e presa. Nos estudávamos. Eu podia ver as engrenagens do cérebro dela trabalhando a todo vapor para assimilar tudo o que acontecia ali, assim como eu podia ver as mesmas engrenagens se esforçando para resolver um exercício de álgebra no colégio. Ela era a mesma de antes e eu me perguntava pela milésima vez que aconteceu para que eu deixasse ela ir.

–Sabidinha... -Eu suspirei finalmente saindo do transe.

–Percy? -Ela falou passando as mãos nos cabelos dourados como se não acreditasse que eu estivesse mesmo em seu escritório. Ela sorriu e me abraçou apertado, o que me fez ficar sem reação, mas sorrir também. -Oh, céus, é você mesmo?!

–E-eu... -Mesmo sendo um "Cabeça de Algas", meu cérebro de peixinho dourado também assimilou tudo, mesmo que um pouco mais demoradamente que as engrenagens do cérebro dela. -Eu te amo.

Para tudo aí.

Espera só um pouco.

Sim, você entendeu certo: Depois de cinco anos, depois de trair ela, ela me trair, eu me mudar pra califórnia com outra garota, ela voltar pra Manhattan com outro cara... A primeira coisa que eu digo quando a vejo é "eu te amo". Que tipo de imbecil faz isso? Percy Jackson.

O abraço caloroso que trocávamos há poucos instantes ganhou um balde de água fria depois da declaração e pude sentir ela estremecendo enquanto ainda envolta por meus braços. Annabeth recuou desconfortável, eu sei, mas com um cuidado enorme para que não deixasse isso transparecer. Era como se ela estudasse várias opções de frases para me responder, mas sempre que abria a boca para dizer alguma coisa tornava a fechá-la, ponderando mais um pouco.

–Também senti saudades. -Por fim ela respondeu, sorrindo abertamente como se os minutos anteriores não tivessem existido. -Vem, entra!

E me puxou pra dentro da sala enorme. Se você já esteve em um escritório de arquitetura antes, esqueça tudo o que viu: A sala de Annabeth era totalmente diferente. Um lugar amplo, bem maior que todo o apartamento em que eu vivia com minha mãe no subúrbio, repleto de estantes coloridas pelos mais diversos livros e uma visão de tirar o fôlego.

–Gostou? Eu mesma projetei! -Annie olhou, com os olhos brilhando, tudo ao redor. -Senta, me conta como vão as coisas na Califórnia! O que te traz aqui?

Eu não respondi. Ainda estava atordoado com a vastidão da cidade que se projetava pelas janelas que tomavam o lugar de paredes e colunas inteiras. No lugar das mesas desorganizadas de um cubículo, o lugar contava com pufes coloridos, paisagens estampadas nas paredes, mesa de bilhar e um pebolim. Uma música animada tocava via streaming das caixas de som embutidas em algum lugar que eu não identifiquei.

–Tem certeza que trabalha aqui? -Eu ri, me juntando a ela em um dos pufes azuis concentrados em um canto. -Fala sério, você tem um frigobar!

–Inspiração é tudo no mundo artístico, Percy. -Ela riu. Uma risada tranquila, gostosa de ouvir. Me juntei a ela e Annabeth continuou. -Quando meus pais saíram daqui e foram investir em Paris, fiquei com o lugar e, sinceramente? Cubículos, funcionários pilhados e projetos bagunçados não estavam me fazendo bem.

–Então trocou tudo por uma versão feliz de um pub? -Ri e ela me acompanhou.

–Passo quase quinze horas por dia aqui, já se imaginou trabalhando por todo esse tempo sem um frigobar? -E tornamos a rir e fazer mais piadas.

Passamos horas conversando, rindo e falando sobre a vida. Quer dizer, não toda ela. Detalhes sobre Reyna, a garota a quem abandonei no litoral, e Charles,o arquiteto que viera a Manhattan com ela, foram deixados de fora, como eu imaginei. Eu sentia a tensão em Annabeth toda vez que o assunto tendia a se aproximar desses tópicos proibidos e então ela, sutilmente, me oferecia uma bebida ou comentava sobre alguma coisa na sala.

–... Mas o que o traz á Nova York? -Ela concluiu a explicação sobre o porquê da mesa de bilhar.

–Ora, você, claro. -Eu falei sem pensar e ela ruborizou-se.

–E-eu?

–Eu estava com Saudades, Annie. -Estendi a mão e toquei o rosto dela. Passei uma madeixa dos cabelos loiros que se rebelavam pra trás de sua orelha e acariciei seus lábios com o polegar, justamente como fazia quando namorávamos. -Você não?

–Tenho pensado bastante em você, admito. -Ela se entregou ao meu carinho por poucos segundos mas logo depois recompôs-se. -M-mas... Como andam as coisas na Califórnia? Soube que você está n-namorando.

–Não mais. -Falei e acrescentei rápido. -Terminamos antes de eu vir pra cá.

–Sinto muito. -Vi os olhos de Annabeth brilharem com a notícia.

–Mas e você? Ainda com... Qual era o nome mesmo? -Fingi. -Carlos?

–Charles. -Ela me corrigiu.

–Isso! -Cocei a nuca desconfortável pelo que viria a seguir. -Ainda estão juntos?

Eu não queria ter ouvido a resposta depois de ver a careta em que seu rosto se contorceu. Acho que ela sentiu pena de mim naquele momento, como se pedisse desculpas por alguma coisa. Não um pedido de desculpas desses que se faz ao pisar no pé de alguém, mas desses que se faz depois de arrepender-se de algo que não poderia ser desfeito. Então ela estendeu a mão e eu vi:

–Estamos noivos.

Notas finais
Quero o comentário de vcs, sei que estão aí, leitores fantasmas!