History Assignment...
4 Nos conhecendo melhor
Notas iniciais
No almoço, Jason tentou me fazer sentar com Annabeth e o grupo de interesses acadêmicos -Como os nerds se denominavam-, mas eu não ia fazer tanto por uma aposta. Sentar na mesa deles seria suicídio para a minha reputação.
Reputação.
Essa palavra me dava nojo. Não fazia o meu estilo escolher amigos por sua popularidade, condição financeira ou aparência. Não me parecia certo. Nunca pareceu. Mas mesmo assim era o que eu era forçado a fazer, além de excluir e humilhar quem não se encaixava nos termos da reputação.
Quem me dera se esse fosse o meu trabalho: decidir com quem me relacionar e como. Mas na cabeça dos idiotas que andavam com mil e quinhentos dólares em roupas e acessórios, é por isso que existem líderes de torcida. Mais especificamente Drew Tanaka.
A garota era a mais nova chefe de torcida, mas apesar de ser novata no cargo, já controlava vida de todo o colégio Half-Blood. Drew era linda, não posso negar, mas o que tinha de beleza tinha o triplo em falta de caráter. "Percy, querido, um coração partido nunca é ruim" Ela dissera quando pedi um conselho de como explicar para Rachel Dare -Hoje uma das minhas melhores amigas- que não iria rolar nada entre nós dois. Minha sorte que não ouvi o que Tanaka tinha a dizer.
–O que vai fazer com a detenção? -Frank Zhang, um companheiro do time de futebol, perguntou ao se sentar na mesa do refeitório ao meu lado.
–Não sei. -Admiti.
–Tenho uma ideia. -Travis Stoll, um dos mais encrenqueiros do colégio, apareceu com sua bandeja.
–Quer escapar da detenção da Dodds? -Connor, irmão de Travis, começou -Fazemos isso toda semana!
–Isso ai. -Travis cumprimentou o irmão com um high-five.
–Podemos te dar uma luz, mas vai ter que pular uma janela. Talvez algumas...
–Muito bem -Engoli em seco. -Qual é o plano?
...
Depois do treino de futebol, fui até o vestiário e tomei uma ducha. Arrumei os cabelos e coloquei a touca. Tinha começado a chover durante a partida, então um moletom surrado substituiu o xadrez.
Segui para a sala de aula onde Annabeth já aguardava no corredor:
–Está atrasado.
–São só quinze minutos, Annie! -Falei e depois mudei o tom me lembrando da aposta que fiz com Jason. -Se isso tudo é saudades, me desculpe.
–Vê se não enche, Jackson. Vamos entrar.
Na sala só estavam cerca de uns seis alunos, contando com Annabeth e eu. Logo depois de nos sentarmos próximos um do outro no fundo, tentando evitar a proximidade com os seres mal encarados ali, a senhorita Dodds batera a porta atrás dela ao entrar:
–Espero que aprendam a não brigar nos corredores, fazer de palhaço ou desafiar a autoridade do professor. -Enquanto ela falava, ia citando os erros que cometemos para estar ali. -Estarei na sala ao lado nos próximos quinze minutos, até eu voltar, silêncio.
Esperei ela sair e de início ao plano dos Stolls.
–O lance é o seguinte, galera: fazem um favor á mim e a linda donzela que me acompanha -Annabeth revirou os olhos nessa parte do discurso de convencimento- E eu cuido para que passem em educação física sem ter que olhar para o campo de futebol. O que me dizem?
Como Travis e Connor disseram que fariam, os indisciplinados aceitaram a oferta sem nem mesmo saberem do que se trata. A palavra campo surtia um grande efeito nos cérebros minúsculos de trogloditas.
Dois dos que estavam ali foram para os corredores mais afastados da sala e começaram um bate boca alto para que Dodds escutasse e fosse repreendê-los, um cara esquisito ficou de vigia na porta e outro cuidou para que a professora não desse nossa falta até que o prazo de três horas passasse.
Annabeth desconhecia a "operação pássaro sai do ninho" -Como Travis chamara toda a façanha — e ficou confusa quando abri a janela e pulei do segundo andar do prédio. Era de se esperar.
–Você ficou maluco? -Ela perguntou lá de cima.
–Talvez. Mas você é quem faz isso comigo, baby! -Pisquei pra ela mandando um beijo.
–Por favor, agora não. -Ela revirou os olhos. -Pode me dizer por que tentou suicídio?
–Não é suicídio, é uma fuga, Annie. Agora pare de reclamar e pule de uma vez.
–Eu não vou pular...
Ouvi um assobio de quatro notas. O sinal que diria se alguma coisa desse errado.
–Anda logo, eu pego você!
–Eu. Te. Odeio! -Ela falou pausadamente enquanto subia no marco da janela.
Annabeth era tão leve, que eu nem senti quando a segurei como em um conto de fadas. Ela ria como se nunca tivesse pulado uma janela antes. Compreensível até.
–Não foi tão difícil, foi? -Ri com ela.
–O que? Pular do segundo andar de uma escola? Que nada!
Rimos mais um pouco até a graça passar e eu fiquei admirando seus olhos claros por um tempo. Ela focou os dela nos meus verde mar e assim ficamos até cairmos na real:
–Eeeeer... Percy? Pode me soltar agora. -Ela corou ao dizer isso.
–C-claro. Desculpe. -Coloquei ela no chão. -Vamos logo, ainda temos que pular um muro.
Ela riu e fomos juntos fugir da escola e burlar mais umas quinze regras de uma vez. Talvez Annabeth Chase fosse mais interessante do que eu pensava.
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