Diana sente aquela dor no lado direito do peito e se estica na cadeira do trabalho. Que dor nas costas horrível, ela mente para si mesma. Ela se estica, gira a coluna, estala as juntas e respira fundo. Ela marcou um encontro depois do expediente e sente que vai dar tudo certo, mas aquela dor está incomodando. Ela se estica de novo, dessa vez sentindo que está com a temperatura um pouco maior do que o normal. Olhando para a tela do computador, ela murmura: que dor nas costas horrível, preciso de um quiroprático. E então Diana procura na internet o telefone de um profissional das estruturas do corpo e espera pelo horário do almoço. Quando liga, o homem de voz arrastada fala que ela talvez esteja com febre emocional. Talvez ela esteja sofrendo de ansiedade. Ela sabe que tem ansiedade. Ela marca uma consulta, mas não vai. Diana continua sentindo dores horrendas no lado direito do peito. Ela respira e bebe água gelada, que é um hábito que ela criou ainda na infância. Sentir o frio da água sempre foi um lembrete que as coisas iam dar certo. Ela vai ao encontro e, antes que perceba, sua dor passou. Ela sente e aceita que esse é o seu destino, sentir essas coisas ruins, até o último dos seus dias.