Historinhas #1
2 Carinho
Eu andava pela rua escura, iluminada apenas por um daqueles postes cheios de mosquitos mortos dentro do vidro que protege a lâmpada. Antes que eu me desse conta e tirasse os fones de ouvido, um homem veio em meu encontro e me deu um soco no rosto. Caí no chão, vendo a silhueta alta e definida daquela pessoa. Ele chutou as minhas costelas, pisou na minha cabeça, arrebentou o meu joelho com um chute e parou, me olhando no chão. Ele subiu em cima de mim e enfiou aqueles punhos duros como pedra no meio da minha cara, fazendo com que meus lábios batessem nos meus dentes e se dilacerassem. Bateu até que eu finalmente erguesse os braços para me defender. Ele aproveitou a minha fraqueza por causa da insuficiência de ar, com o seu peso de homem grande em cima do meu tórax, e puxou meus dois punhos e segurou acima da minha cabeça. Eu senti o chão duro e a chuva que tinha começado a menos de um minuto tocarem a minha pele e fazerem arder as aberturas na minha testa. Ele olhou pra mim. A água pingava dos seus cabelos nos meus olhos. A água pingava da ponta do seu nariz e caia na minha boca vermelha de sangue. Gravei a metade do seu rosto que a lâmpada fraca do poste conseguia iluminar. Mesmo com a água da chuva, via-se pela sua expressão que estava chorando. O homem empurrou os lábios quentes, duros e retesados nos meus lábios frios, cortados e fracos. Sua língua penetrou em minha boca antes que eu pudesse recuperar o ar.
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